Aires de Libertad

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    Mensaje por Maria Lua Lun 14 Nov 2022, 16:49

    Não Me Inquieto



    Não me inquieto

    quando não recebo as respostas

    das perguntas que não fiz.

    Eu me conformei

    em reservar alguma coisa

    de ti para saber depois.

    Um pouco de nosso amor

    será póstumo.

    É recomendável

    não descobrir todos os segredos.


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    Fabricio Carpinejar (1972- - Página 2 Empty Re: Fabricio Carpinejar (1972-

    Mensaje por Maria Lua Vie 18 Nov 2022, 08:10


    DEZ MANDAMENTOS DO FILHO COM A VELHICE DOS PAIS


    1) Não permita nunca que os seus velhos pais sejam mendigos de seu afeto. Que não demore dias para retornar a ligação.

    2) Que não marque e desmarque encontros, que não dê desculpas do excesso de trabalho. Não torture com a esperança. Não prometa para mudar de ideia em cima da hora. Cumpra aquilo que foi agendado.

    3) Que não compre brigas tolas com os irmãos - porque sobrará sempre para os pais aguentar as lamúrias dos dois lados, resolver as diferenças e encontrar a paz.

    4) Não minta sob o pretexto de poupá-los do sofrimento. Divida a dúvida.

    5) Que confie na destreza dos pais em realizar as suas tarefas, não confunda lentidão com incapacidade.

    6) Que mostre algo que aprendeu com eles, exercitando a saudade na presença.

    7) Que não fique irritado ao ouvir as mesmas histórias, que ofereça paciência para descobrir novos detalhes das lembranças.

    Cool Que aceite conselhos, por mais divergentes que sejam da sua opinião. Não corte a conversa porque já imagina onde vai parar.

    9) Que peça a benção. Que diga eu te amo.

    10) Que, de longe, acene para a janela.



    Crônica publicada em 18/7/2018




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    Fabricio Carpinejar (1972- - Página 2 Empty Re: Fabricio Carpinejar (1972-

    Mensaje por Maria Lua Dom 04 Dic 2022, 13:45


    LUTAR POR AQUILO QUE VALE A PENA


    Você briga com o seu marido ou esposa por quais motivos? Por ciúme? Por sair ou não sair com amigos? Por falta de atenção? Por não ter aquilo que sonhava? Pelo futebol da semana? Pela intrusão da sogra em sua história?

    Casais se desentendem por bobagens. Podem se distanciar por trivialidades. Amam-se, mas ocupam a maior parte da rotina se diminuindo e pressionando o parceiro ou parceira a adotar as atitudes desejadas. A companhia é obrigada a entrar forçosamente numa forma. É como um pé 40 precisando calçar 38.

    Se ele é mais silencioso, deve ser mais sociável. Se ela é explosiva, deve se controlar mais. Se ele é desorganizado, deve guardar as suas roupas. Se ela é meticulosa, deve aguentar a pia suja no final de semana. As exigências absurdas não têm fim. Parece que a relação só desfruta de sentido mudando o par, indo contra a natureza do par.

    Inventam problemas, criam obstáculos, não há motivos para os conflitos. Não enfrentaram nenhuma grande dor para entender o que é sofrer de verdade. Não perderam um filho, não estão com uma doença terminal, não têm os dias contados, não entraram em depressão, não sacrificaram os cabelos na quimioterapia, não arcaram com o luto dos pais.

    São crianças mimadas, que não brincam com aquilo que são, que teimam em cobiçar e possuir o brinquedo de seu coleguinha.

    Há de se fazer a pergunta: qual o inimigo do seu amor? Se não existe inimigo real e perigoso, que não gaste o tempo com picuinhas. Se não existe nada que possa separá-los, que aproveite a intimidade, que explore a felicidade do momento. Que não estrague a saúde com estremecimentos desnecessários. Que não forje separações à toa. Que não chantageie por fantasias. Que se preparem para lutar juntos contra as adversidades quando surgirem, jamais desperdicem o dom da união lutando um contra o outro antes das provações da vida.

    Esquecem que encontrar alguém que se goste, que desperte a taquicardia, que provoque a saudade, capaz de partilhar afinidades e memórias inimagináveis, é raro, um milagre na loteria da multidão.

    Não há nada mais triste do que se separar sem motivo. É prova de absoluto egoísmo com a sorte do amor
    .

    Crônica publicada em 23/7/2018


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    Mensaje por Maria Lua Dom 04 Dic 2022, 13:46

    A DOR NOS TRANSFORMA EM CRIANÇAS


    Ninguém sofre com maturidade. Sofrer é se tornar novamente uma criança.

    É ansiar pela ajuda de um adulto mesmo sendo um adulto. Você dependerá de colo e de um apoio, de alguém para ouvir e justificar as suas dificuldades, de alguém para inspirar e motivar a ter resistência. Alguém por perto para não se ver tão desamparado pela inércia. Alguém para acender e apagar as luzes da casa. Alguém para controlar os horários dos remédios. Alguém para espiar o seu sono e levantar as cobertas caídas pelo seu movimento.

    Temos que pedir socorro quando sofremos - esse é o segredo da vida. Não achar que é necessário ser forte e invencível.

    Resolver tudo isolado é se piorar, pois não existe como entender a gravidade do que está acontecendo e identificar os próprios avanços e recuos.

    Não há independência penando, só cama e escuro.

    A debilidade é traiçoeira e mexe com o controle dos pensamentos.

    Seremos mentalmente menores de idade. O cansaço assusta e traz angústia, fecha as portas das lembranças, cria labirintos, chama o Minotauro por engano. Os medos de pequeno vêm nos assombrar, os pesadelos vêm roubar o nosso suor de madrugada.

    Estar solitário sofrendo é ser um menino trancado no apartamento sem nenhum responsável, é ser uma menina aguardando na janela o retorno da família.

    A dor tem dentro de si a solidão da infância. É uma hipnose regressiva. Retornamos a uma fase em que não sabíamos nos proteger.

    Tanto faz a consternação física ou emocional, não importa que seja uma separação ou uma dor de dente ou uma doença ou a morte de um afeto.

    Fica-se prostrado, saudoso dos carinhos e da vigília.

    O sofrimento não tem pai nem mãe. O sofrimento é órfão. Não queira ser maior do que ele, porque vai engoli-lo usando os seus traumas e fraquezas.

    Telefone a um amigo ou parente e apenas diga "Não estou bem, pode me cuidar?". A humildade é saúde.




    Publicado em Donna ZH em 22/7/2018


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    Mensaje por Maria Lua Dom 04 Dic 2022, 13:47

    AMOR FELIZ



    Amor feliz é como água do mar que você pode ver os seus pés.

    Amor feliz é quando você não esconde nada. Nenhuma tristeza, nenhuma alegria, nenhuma mensagem, nenhum pensamento. Você não tem vergonha de algo que possa ser encontrado, algo que fez, algo que aconteceu. Não mantém flertes para o futuro, não é infiel em segredo, não fica olhando toda saia como se fosse solteiro, não cobiça corpos e lugares. Não usa mentiras para se proteger, não omite para tirar vantagem, não há afrodisíaco em enganar e ser mais esperto, não disputa para ser mais inteligente e mais esclarecido, não pretende se sobressair, não se elogia para diminuir a sua companhia, não reclama para constranger, não transa para se exibir e dizer que o outro não aguenta o seu ritmo.

    Você é de manhã aquilo que é de tarde aquilo que é de noite. Igualzinho, transparente como a água do mar.

    Amor feliz não é quando você deita no travesseiro com a consciência tranquila, é quando a sua esposa deita em seu peito em paz e adormece. Significa que ela confia em você. Nenhuma mulher deita no peito de um homem sem confiar.

    Aquele peito que já foi almofada de filho, muralha de lágrimas de amigos, encosto repentino de irmãos, torna-se destino definitivo de alguém.

    Você não deita em meu peito, Beatriz, você mora em meu peito, com os cabelos loiros espalhados como se estivesse boiando ao sol.

    Você não deita em meu peito para fazer charme, para indicar afeto e conforto. Eu sei que gosta mesmo. Demonstra uma vontade de morrer assim.

    Eu não me mexo, orgulhoso, guardião de seu sono. É respirar baixinho para não acordá-la. É seguir imóvel durante horas, sem me virar, pelo prazer de ser escolhido.

    Quando ela desperta do encantamento, me pergunta se está me machucando. E respondo que só me machuca quando não está por perto.

    Amor feliz é isso.




    Crônica publicada em 21/7/2018





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    Mensaje por Maria Lua Dom 04 Dic 2022, 14:54

    FELIZ DIA DO AMIGO




    Os amigos não precisam estar ao lado para justificar a lealdade. Mandar relatórios do que estão fazendo para mostrar preocupação.

    Os amigos são para toda a vida, ainda que não estejam conosco a vida inteira.

    Temos o costume de confundir amizade com onipresença e exigimos que as pessoas estejam sempre por perto, de plantão.

    Amizade não é dependência, submissão. Não se têm amigos para concordar na íntegra, mas para revisar os rascunhos e duvidar da letra.

    É independência, é respeito, é pedir uma opinião que não seja igual, uma experiência diferente.

    Se o amigo desaparece por semanas, imediatamente se conclui que ele ficou chateado por alguma coisa. Diante de ausências mais longas e severas, cobramos telefonemas e visitas. E já se está falando mal dele por falta de notícias. Logo dele que nunca fez nada de errado!

    O que é mais importante: a proximidade física ou afetiva? A proximidade física nem sempre é afetiva.

    Amigo pode ser um álibi ou cúmplice ou um bajulador ou um oportunista, ambicionando interesses que não o da simples troca e convívio.

    Amigo mesmo demora a ser descoberto.

    É a permanência de seus conselhos e apoio que dirão de sua perenidade.

    Amigo mesmo modifica a nossa história, chega a nos combater pela verdade e discernimento, supera condicionamentos e conluios.

    São capazes de brigar com a gente pelo nosso bem-estar.

    Assim como há os amigos imaginários da infância, há os amigos invisíveis na maturidade.

    Aqueles que não estão perto podem estar dentro.

    Tenho amigos que nunca mais vi, que nunca mais recebi novidades e os valorizo com o frescor de um encontro recente.

    Não vou mentir a eles “vamos nos ligar?” num esbarrão de rua.

    Muito menos dar desculpas esfarrapadas ao distanciamento.

    Eles me ajudaram e não necessitam atualizar o cadastro para que sejam lembrados. Ou passar em casa todo o final de semana e me convidar para ser padrinho de casamento, dos filhos, dos netos, dos bisnetos.

    Caso encontrá-los, haverá a empatia da primeira vez, a empatia da última vez, a empatia incessante de identificação.

    Amigos me salvaram da fossa, amigos me salvaram das drogas, amigos me salvaram da inveja, amigos me salvaram da precipitação, amigos me salvaram das brigas, amigos me salvaram de mim.

    Os amigos são próprios de fases: da rua, do Ensino Fundamental, do Ensino Médio, da faculdade, do futebol, da poesia, do emprego, da dança, dos cursos de inglês, da capoeira, da academia, do blog. Significativos em cada etapa de formação.

    Não estão em nossa frente diariamente, mas estão em nossa personalidade, determinando, de modo imperceptível, as nossas atitudes.

    Quantas juras foram feitas em bares a amigos, bêbados e trôpegos?

    Amigo é o que fica depois da ressaca. É glicose no sangue. A serenidade.




    Crônica publicada em 20/7/2018





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    Mensaje por Maria Lua Mar 13 Dic 2022, 07:43

    O mundo aparece demasiado explicado.


    Teu jeito calado indica esperança,

    mas quem diz que não é remorso?



    Sou fiel aos hábitos; tu, aos mistérios.

    Não coincidimos nossa lealdade.

    Suporto, sobrevives.



    O que adianta transbordar

    se não dás conta do mínimo?

    O que adianta me retrair

    se não percebo o invisível?







    * * *



    Não ter sido compreendido

    condenou-me a assumir verdades

    que desconhecia, filhos que

    não eram de minha boca,

    compromissos que não quis ir.



    Ao longo da fala,

    abri correspondências alheias.

    A ausência de clareza

    me perturbou a viver de favor

    em meu corpo.





    * * *





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    Mensaje por Maria Lua Mar 13 Dic 2022, 07:45

    Un trío de pájaros al sur

    (fragmento)



    Ninguna herida

    cortaba tus pesadillas.

    Cuando a media vida te viste



    por una selva oscura, me quedé

    a conversar con tus camisas,

    y me calé las boinas



    que encendían tus cabellos.

    Tenía siete anos exactos

    y una Luna cómplice jugaba



    carreras conmigo.

    Me demoré entre la ropa

    Alineada



    como un ejército en revista,

    para intentar

    que al menos una prenda



    delatara tu deserción.

    Cuando a media vida te viste

    por una selva oscura, me quedé



    alimentando el acuario

    de las corbatas.

    Pedí privacidad a las polillas.



    Vestí tu camisa,

    y me ví copiando el ritmo

    de sus pliegues,



    la respiración copiosa,

    de mi propio

    y definitivo padre.





    Segunda elegía



    Ser íntegro cuesta caro.

    Me dividí por no dividirme.

    Atrás de la apariencia, hay una pizca de miseria,

    es el gusto por las sobras.



    Parto en expedición hacia las pruebas de que viví.

    Excavo boletines, cartas, álbumes

    —el gesto reaccionario de mi letra de gancho.



    EI pasado tiene sentido si permanece en desorden.

    La verdad organizada es una mentira.



    El musgo envanece las reliquias. Los dedos retiran las telarañas,

    y asisto al revuelo de insectos que se vieron atrapados.

    Huyo de la claridad, resplandece el polvo.

    El par de rodillas permanece inmóvil como una roca.



    Reviso el testamento, alisando la textura

    como un gramático de la seda.

    Descubro mi herencia de tajo.



    No tengo lo que ansiaba

    y tropiezo con objetos desposeídos de lógica

    que me encuentran antes de que los busque.



    Mi vida cabe en una caja de zapatos.





    Trad. de Martha Leñero y José Manuel Mateo



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    Mensaje por Maria Lua Mar 13 Dic 2022, 07:46

    Las rocas encuentran


    alas en la espuma.

    Ninguna despedida compensa



    la fidelidad de la casa.

    ¿Cómo devolverá tu memoria

    las calles prestadas



    para interrumpir la infância?

    ¿Qué eclipse, o calendario,

    va a mitigar



    la nostalgia del futuro?

    ¿Quién inventará el fuego

    sin el estilo del creador?





    Vuelve a la Pampa, padre,

    estamos amor-tecidos

    en el agua tensa



    del charco.

    Protege sus sienes

    con la palma de la mano izquierda,



    la luz nocturna es traicionera.

    No nos sirve

    el remédio de la aurora.



    Vuelve, la harina

    y la carne seca

    esfrían en la tinaja.


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    Mensaje por Maria Lua Mar 13 Dic 2022, 07:47

    Tu carcajada denuncia

    la desesperación.

    Las respuestas llegaron



    antes que las preguntas.

    Si, la cicatriz del Alba

    influye en la inclinación



    de las ramas.

    Si, desate la cabellera de la guitarra

    y el entorno del instrumento



    parecia la pupila

    de un homicida.

    Si, el día del regreso.





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    Mensaje por Maria Lua Vie 16 Dic 2022, 13:15

    OS SAPATOS DE MEU PAI


    Em algum instante de sua vida, você precisa tirar os sapatos de seu pai.

    E colocá-lo a dormir.

    Você mudará a sua perspectiva de filho e será um pouco pai de seu pai. Há uma humildade que atinge os pensamentos no ato de se agachar, desamarrar os sapatos e encontrar uma fresta no calcanhar para tirá-los. Preste atenção: aqueles minutos são eternos, seguem uma duração emocional incomparável. Lembrará de quantas vezes ele lhe fez isso, sem que você pudesse antever o esforço de convencer alguém cansado a lhe desfazer de suas roupas.

    Aquele marmanjo torna-se uma criança, como você já foi: briga, não quer, reclama, esperneia, diz que consegue sozinho.

    Não dará ouvidos às lamúrias. Seguirá com o protocolo do sono até acomodar o seu gigante debaixo das cobertas.

    Eu botei meu pai em seu berço uma noite de minha consciência, quando ele estava exausto de dirigir por cinco horas. Eu já lhe vi dormindo alisando a sua testa suada e seus cabelos engomados. Murmurei algumas palavras cantadas. Brinquei de ser responsável mesmo sendo um menino.

    Ele não recordou de nada na manhã seguinte. Não lembrava de como colocou o pijama, de como deitou, de como adormeceu. Eu ri de seu esquecimento porque eu lembraria para sempre. Por nós.

    Crônica publicada em em 19/7/2018
    Postado por Carpinejar às 16:30 3 comentários:
    Marcadores: Crônica
    DEZ MANDAMENTOS DO FILHO COM A VELHICE DOS PAIS
    1) Não permita nunca que os seus velhos pais sejam mendigos de seu afeto. Que não demore dias para retornar a ligação.
    2) Que não marque e desmarque encontros, que não dê desculpas do excesso de trabalho. Não torture com a esperança. Não prometa para mudar de ideia em cima da hora. Cumpra aquilo que foi agendado.
    3) Que não compre brigas tolas com os irmãos - porque sobrará sempre para os pais aguentar as lamúrias dos dois lados, resolver as diferenças e encontrar a paz.
    4) Não minta sob o pretexto de poupá-los do sofrimento. Divida a dúvida.
    5) Que confie na destreza dos pais em realizar as suas tarefas, não confunda lentidão com incapacidade.
    6) Que mostre algo que aprendeu com eles, exercitando a saudade na presença.
    7) Que não fique irritado ao ouvir as mesmas histórias, que ofereça paciência para descobrir novos detalhes das lembranças.
    Cool Que aceite conselhos, por mais divergentes que sejam da sua opinião. Não corte a conversa porque já imagina onde vai parar.
    9) Que peça a benção. Que diga eu te amo.
    10) Que, de longe, acene para a janela.



    Crônica publicada em 18/7/2018


    http://carpinejar.blogspot.com/2019/03/a-falta-de-esconderijo-dentro-de-casa.html


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    Mensaje por Maria Lua Mar 20 Dic 2022, 14:13

    A FALTA DE ESCONDERIJO DENTRO DE CASA



    Os apartamentos estão cada vez menores, as brechas de casa cada vez mais habitadas, dificilmente haverá um canto vazio pelos armários.

    Com o aproveitamento total do espaço, não sobrou território para fábula, para o faz de conta, para a perseguição saudável das briguinhas.

    Onde as crianças de hoje podem se ocultar? Não tem mais lugar para desaparecer, brincar de esconde-esconde. Com os móveis embutidos, perdeu-se até a chance de ficar debaixo da cama. Talvez as cortinas sejam o último refúgio, mas nunca foram um disfarce convincente.

    Na minha infância, havia pátio, árvores do quintal, porão, o vão do tanque da cozinha, guarda-roupa gigante, prateleiras vazias – dispunha de riquíssimos esconderijos para fugir e ser procurado. Mergulhava em espiral de dúvidas diante da variedade.

    Desaparecia por instantes maravilhosos, brincava de ser morto atrás da porta ou segurando a respiração enquanto as pessoas passavam perto de mim, prendia a tosse alérgica com o cheiro das pedras de naftalina, aprendia a suportar o isolamento e a montar estratégias de guerra.

    Adorava provocar os meus irmãos e correr na direção de meus asilos favoritos. Deixava a raiva deles esfriar para, então, voltar a conversar como se nada tivesse acontecido. Que prazer inenarrável quando questionavam o meu paradeiro e não dizia coisa alguma. Guardava segredo com orgulho. Jamais entregava os caminhos da mágica.

    Em contrapartida, sabendo do poder dos refúgios dos filhos, os adultos tentavam delimitar as nossas desaparições domésticas metendo medo com histórias do velho do saco, de fantasmas acorrentados e do bicho-papão.

    Convivia feliz com o sobrenatural, abusava da imaginação e treinava a independência desde cedo.

    Atualmente, as assombrações são absolutamente reais, oriundas das notícias policiais, ninguém mais se diverte com os mitos e com a terceira dimensão das palavras.

    Os meninos e as meninas não têm também mais como escapar do olhar vigilante paterno e materno. O excesso de visibilidade cansa, por isso que eles se trancam no quarto, desejando um pouco de trégua da família. Estão em bolhas, imersos em pequenas prisões do controle. Não desfrutam da liberdade de evaporar rapidamente enquanto alguém conta até 10.
    É estressante ser reparado a todo momento, com a invocação do tema de aula e das tarefas ordinárias (Já escovou os dentes? Já tomou banho? Já arrumou o quarto?).

    As crianças não conseguem nem mais sentir saudade dos pais, tamanha a onipresença deles no afeto e na censura, consequência do permanente receio de que aconteça algo de ruim.

    Publicado em Jornal Zero Hora em 29/5/2018



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    Mensaje por Maria Lua Jue 29 Dic 2022, 07:12

    A COPA É DOS IMIGRANTES


    Não houve derrotados no 4 a 2 da França sobre a Croácia no domingo (15/7).

    Os franceses ganharam o seu bicampeonato em jogo eletrizante (igualando-se em títulos com a Argentina e Uruguai), mas foi o amor que venceu o ódio na final da Copa. O futebol bateu o racismo, a xenofobia e a intolerância religiosa.

    Não significou apenas uma decisão inédita, mas uma demonstração de força da integração entre povos e da superação globalizada das diferenças.

    Ambas as seleções representaram minorias em campo, ambas despertavam a simpatia das torcidas do resto do mundo pelas trajetórias de feridas e de discriminação, ambas correspondiam a lados mais fracos e desfavorecidos da humanidade.

    Foi o encontro entre um time de refugiados, a Croácia, e um time de imigrantes, a França.

    A Croácia é formada de atletas que sofreram com a guerra pela independência. Ou ficaram desterrados em outro país como Ivan Rakitic, na Suíça, e Mario Mandzukic, em Diztingen, na Alemanha, ou sobreviveram em pleno conflito, como Luka Modric (escondido em Zadar). Modric, inclusive, Bola de Ouro da Rússia, testemunhou a sua casa incendiada por milicianos da minoria sérvia da então Iugoslávia e arcou com o trauma de suportar o fuzilamento de seu avô.

    Já a campeã França é toda miscigenada, é toda multicultural, é toda feita de famílias egressas da pobreza em busca de um lugar ao sol na Europa. Não deixa de ser um plantel com o DNA majoritariamente africano.

    N'Golo Kanté é filho de imigrantes do Mali e, absurdamente, catava lixo nas ruas de Paris aos 7 anos. Presnel Kimpembe é filho de congoleses. Benjamin Mendy é filho de senegaleses. Ousmane Dembélé é filho de mãe senegalesa e pai malinês. Corentin Tolisso é filho de imigrantes de Togo. Blaise Matuidi é filho de angolanos. Steven Nzonzi veio do Congo. Samuel Umtiti, autor da cabeçada salvadora na semifinal contra a Bélgica, é natural de Camarões.

    Os heróis velocistas e fintadores Paul Pogba e Kylian Mbappé, responsáveis pela diferença do placar na decisão, não fogem à regra. O primeiro é filho de mãe guineense e pai congolês; e o segundo, de pai camaronês e mãe argelina.

    Se a Croácia não tivesse repatriado os seus craques, não colocaria o seu nome na história com o segundo lugar, superando os feitos de Suker de 1998.

    Se a França não abrisse as suas fronteiras, se não derrubasse a Bastilha das etnias, o seu combinado de furacão e técnica desapareceria do mapa do nosso coração.

    Crônica publicada em 15/7/2018





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    Mensaje por Maria Lua Jue 29 Dic 2022, 16:53

    Coleccionaba trozos de madera



    Coleccionaba trozos de madera: figuras
    adornadas con la punta menuda del cortaplumas.
    Alá estaba una de las sobrevivientes, borrosa,

    cerca de las medallas escolares
    y de los tornillos llorosos de herrumbre.

    Un autorretrato no sería tan fidedigno.
    Era yo aquella grieta del piso roto, la costra y la podre.

    Cuántas fueron las pequeñeces que no combinaron
    con el conjunto y, a falta de armonía
    se quedaron en el sótano de ]a infancia?

    Y si faltó valor para vivir con ellas
    faltó coraje para expulsadas definitivamente.

    Somos el dolor de lo que herimos.
    No aprendemos a desaprender.
    No heredamos nada, ni la palabra heredamos.

    El desván tiene vida propia
    y conoce nuestros juegos.
    Lo que rehusamos en la cena es hoy nuestro bocado.
    Todo puede fermentar: la piel, los pasos, el olor del brazo.


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    Mensaje por Maria Lua Dom 01 Ene 2023, 13:10

    O GRILO É UM LEÃO



    Esse menino é triste. Parece que aceitou posar para fotografia a contragosto.

    Não é uma criança satisfeita. Olhos crispados, as sobrancelhas formam uma goleira na testa. Ele é Luka. Mas não sabe que é Luka Modric, armador de Real Madrid, de 32 anos, possível melhor jogador do mundo, que pode ser campeão da Copa pela Croácia, um país que nem sequer existe no tempo da imagem.

    Ainda está com os pés plantados na Iugoslávia, que se desdobrará em mais cinco outra nações – Bósnia e Herzegovina, Macedônia, Eslovênia, Montenegro e Sérvia.

    Ele não tem ideia do que será capaz, é um menino carente como milhares iguais a ele, que nasceu na guerra fratricida dos Balcãs, no meio do fogo cruzado.

    Sua mirada mescla melancolia e raiva, como se não houvesse futuro. Ele não tem como adivinhar que será um herói de seu novo país dali a duas décadas, deixando para trás potências do futebol como Inglaterra e Argentina.

    É improvável qualquer pressentimento de grandeza naquele momento. Ele não tem nem um país, só o medo, seu avô havia sido assassinado há dois anos pelo Exército Popular Iugoslavo, que buscava deter o movimento pela independência croata.

    A vida não dava espaço para profecias. Ele mora num hotel para refugiados com a família, isolado da capital Zagreb, do qual fugiu pelas montanhas durante dias a pé para não ser morto. Ele não poderia sonhar, sonhar era um luxo e só lhe restava na hora o seu instinto de sobrevivência.

    Como prever que participaria da final de Copa, capitão da equipe, dono da camisa dez, maestro dos contra-ataques, se ele joga bola hoje com os amigos, assustado, olhando para o céu, entre bombardeios e evacuações?

    Não acena para os aviões, como qualquer filho feliz, foge deles a partir das sombras no solo.

    É um menino cabisbaixo, retraído, tímido. Não vai sorrir. Não guarda nenhum motivo para sorrir, nem esperança para sorrir.

    Se uma cigana lesse os sortilégios das linhas de suas mãos, ele acharia deboche. Como que viraria a ser um craque se todos o consideravam fraquinho demais para ser profissional? Se o seu próprio clube predileto, Hadjuk Split, o dispensou da peneira pelo porte franzino, se o treinador chegou a rir dele, dizendo que era um grilo?

    Não duvide da superação psicológica e da resiliência de Luka Modric.

    Luka é Esparta no mundo apolíneo do futebol, regrado pela racionalidade mercadológica, força física e imponência muscular. Ao lado de Cristiano Ronaldo, o seu físico desaparece. Quando Ronaldo comemora um gol, é uma estátua. Quando Luka comemora um gol, é uma explosão de nervos e emoção, um soldado gritando de horror das trincheiras e casamatas.

    Ele nunca cansará de lutar numa partida, de virar escores, de se acabar correndo, de fortalecer a sua fé a partir das recusas e de placares adversos, de contrariar expectativas. Ele já foi esse menino.

    Mbappé, Griezmann e Pogba, olhem bem para esse grilo, engulam a supremacia, abram espaço para o impossível, dentro dele bate um coração de leão.

    Crônica publicada em 12/7/2018





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    Mensaje por Maria Lua Vie 06 Ene 2023, 07:49

    SORRISO LARANJA VAN GOGH



    Não falar mal de quem você recentemente brigou é um batismo de fogo. Ainda mais quando a pessoa é elogiada.

    Você passou a noite inteira aos berros com o seu marido. Está furiosa, insone e louca para tirar a limpo as desavenças. Não suporta ficar perto. É justamente, neste momento, que tem a maldição de esbarrar no banco com o melhor amigo dele, que não cansa de elogiá-lo. “Fulano é ótimo, carinhoso, lhe ama muito, você tem uma grande sorte”.

    Nesse instante, o natural é desossar a figura, dizer que está enganado, que não conhece nada, que é um grande cretino, insensível, egoísta. Mas precisa se segurar e apenas sorrir laranja Van Gogh. São as provações da vida: não confundir um momento ruim com o destino de toda uma personalidade. Exige sangue-frio mesmo não acessar a raiva quente, pronta para um expresso de ofensas, achar o ponto de equilíbrio, transformar o café em chá, relevar e não cometer uma injustiça.

    Pode eternizar uma falha, um dia triste, em detrimento de um histórico de alegrias e acertos. Não tem sentido escrever um diário em apenas uma folhinha do calendário arrancada.

    Quem já não enfrentou o constrangimento de discutir com alguém e logo em seguida encontrar um outro só falando bem do sujeito? Os passionais não se controlam e despejam a bílis. Acabam espalhando boatos e depois fazem as pazes e não há como recolher as palavras.

    As aparentes casualidades são treinos de resistência. É se desentender com o pai e dar de cara com o colega de trabalho dele perguntando como ele está. É bater o telefone na cara da mãe porque ela não entende as suas escolhas e ser abordada pela tia na rua que aponta o quanto você tem uma mãe compreensiva. O impulso é exumar o cadáver, sem piedade, desabafar as crises de relacionamento. Raros os que se aguentam, e não compram o apocalipse na hora.

    Parece piada, mas é o que mais acontece. Só é entrar em atrito com um afeto que os anjos aparecem nos ombros para uma acareação.

    Feliz quem pensa antes de falar. E mostra o brilho dos dentes em vez do veneno da língua.

    Publicado 28/3/2018




    http://carpinejar.blogspot.com/2019/03/sorriso-laranja-van-gogh.html


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    Mensaje por Maria Lua Dom 08 Ene 2023, 08:31

    VOO 1965



    “Barrabás chegou à família por via marítima, anotou a menina Clara com a sua delicada caligrafia. Já nessa altura tinha o hábito de escrever as coisas importantes e mais tarde, quando ficou muda, escrevia também as trivialidades, sem suspeitar que, 50 anos depois, os seus cadernos me iriam servir para resgatar a memória do passado e sobreviver ao meu próprio espanto...”

    Comecei a ler A Casa dos Espíritos, sua obra preferida, mãe. Tem sua assinatura no início, anotações pelos cantos, trechos sublinhados. Você queria que lesse... Insistiu. Meu nome é uma homenagem à personagem, né?

    Quando íamos para escola na semana passada, lembro que comentou que Isabel Allende decidiu escrever uma carta para o avô doente e saiu todo um livro. Que loucura.

    Na semana passada, você existia. Que loucura... Sempre usei a palavra para algo alegre, que loucura triste, como a loucura é triste.

    Acordei de manhã com a ideia de que o tempo é a única liberdade. Achei a frase inteligente e guardei para o nosso próximo reencontro.

    Pensei que teria tempo para mim, que poderia deixá-la de lado pela adolescência, dar mais atenção aos amigos, curtir as festas, namorar de montão, zapear pela internet e, ao final, a gente se encontraria para uma conversa animada sobre segredos. Como filmes de reconciliação entre mãe e filha, de abraços miados e choros.

    Mas não brigamos e não fizemos as pazes.

    Eu me enganei: não existe tempo ideal, existe tempo daquele jeito sem jeito, como vier.

    Pegava no meu pé quando recebia torpedo no jantar. O barulho do torpedo me agitava, eu já me posicionava a olhar e a responder e você implicava: Agora não!

    Como mesmo você chamava o torpedo? De soluço do celular. Isso, dizia que meu celular estava soluçando.

    Aquele “agora não” me engasgava, era muito autoritário. Gostava de decidir o que, como e quando. Que saco.

    Agora eu posso e você não.

    Vontade é dizer: agora não, mãe, não morre, agora não morre.


    Você se irritava demais porque roubava suas roupas de noite, sem permissão. Sabe que nunca mais entrei em seu armário? Não consegui mais puxar uma blusa, não tenho coragem. Nossa casa é um cemitério, nem preciso sair daqui para visitá-la, mãe. Vejo você em qualquer canto. Um fantasma apareceria menos vezes do que você, mãe. Você é uma ausência. Mais do que um fantasma. Uma ausência. Não houve um corpo para enterrar, desapareceu. Sumiu de repente.

    Está em tudo e em nada. Não posso ouvir uma campainha, um interfone, sem desconfiar de um milagre, porra, um milagre, um erro de digitação de Deus. Senhorita, não era Mendes na lista, mas Medes. Uma letra diferente e você estaria viva.

    Estou adulta depois que a companhia aérea confirmou seu nome no desastre. Adulta com 15 anos, caralho. Odiava palavrão, aguenta. Caralho!!!!

    Por que, mãe? Por que me obrigou a crescer, estou com raiva de crescer para aguentar a dor.

    Por que ninguém cresce sem dor? Por que não se cresce na alegria? Parece que a alegria só nos torna infantis. Explica, vai? Explica que estou ouvindo.

    É estranho que você tenha sido sorteada pela tragédia após vencer azar, desgosto, privação. Logo você que brigou contra a ditadura, não é justo.

    Que liberdade é essa? Eu apenas tinha a liberdade para não entender você, liberdade para não a escutar, liberdade para virar as costas.

    Não parei para ouvi-la, você enfrentou a prisão quando jovem, eu sofria um pavor de que você tivesse sido maltratada. A vontade era gritar: Cala a boca, não pedi para saber!

    Você sentava na sala, os olhos em um ponto fixo do teto, discursando sobre a barra pesada dos anos 60 e 70, havia censura, propaganda estúpida, muito estudante expulso da faculdade, amores despedaçados, porões secretos e sujos, sumiço de gente. Lembrava-se do rio Araguaia, dos acampamentos no mato, da identidade falsa, da paranoia... Eu me trancava no quarto para não ouvir. Para me irritar, você encostava seu rosto na porta e aumentava o volume do noticiário da garganta.

    Não pedi para saber, conhecia bem onde terminaria: lembrava e logo cobrava, justificando que a liberdade de hoje custou caro, custou o sonho de muitos colegas, que eu não podia desperdiçar. Emputecida porque não tirei meu título eleitoral, que não guardava a noção do que é expressar a opinião e votar, sei lá, naquela hora parecia minha diretora da escola, não minha mãe.

    Você foi torturada?

    Está neste momento junto de tantos amigos que desapareceram? O que você pensou durante a queda? O que você estava pensando? Rezou por mim? Doeu?

    Depois que se foi, eu puxava conversas antigas, asneiras, recados, recolhia lista de mercado do balcão da cozinha, abria contas, cartas, limpei suas gavetas, para buscar um sentido, uma aviso, um pressentimento. Mas não se é educado ao morrer, não se diz com licença. Saímos porta afora sem avisar. Não se desculpou por ter ido, não posso me desculpar por permanecer.

    Em sua última frase, disse que comprou uma lembrança. Você morreu e não sei qual é a lembrança. Você morreu e eu somente me importava com a lembrança: o que será que ela comprou?

    Fui fria e estúpida para me proteger. Comprar uma lembrança entendo que é comprar a memória entendo que é comprar a saudade entendo que é comprar o que não tive. Você comprou tudo o que estou escrevendo nesta carta. Linha por linha. Comprou parcelado. Dia a dia. Sou sua lembrança do avião.

    Pretendia ser livre, mas não há como ser livre sem alguém para contar a própria liberdade. Liberdade foi feita para se declarar livre. É uma vaidade: sou livre.

    Eu jurava que liberdade era lutar contra seus desejos. Lutar contra sua caretice de quarto arrumado, de responsabilidade, de escola. Essa aporrinhação de educar e respeitar. De não sentar de pernas abertas, de reparar que as camisas envelhecem nas golas, de comer devagar.

    Deixa falar, transei com 14 anos, perdi a virgindade com o André. Foi ruim na primeira vez, foi mais ou menos na segunda, na terceira eu já tratei de melhorar, não iria esperar que ele tomasse uma atitude.

    Está rindo, hein?

    Bala, palha, fogo. Do que mais sinto falta é de quando você falava para exigir camisinha do namorado. Saudade do cuidado.

    Fique tranquila. Não vou engravidar e morrer para minha filha.

    Eu não tinha pensado que você não teria tempo para falar comigo.

    O tempo é a única liberdade, mãe. Quando nos falta tempo.

    “Barrabás chegou à família por via marítima, anotou a menina Clara com a sua delicada caligrafia.”

    Eu deveria escrever um livro, mas acabei fazendo uma carta.




    Conto inédito
    Publicado na Revista Bravo!
    Março de 2011, Ano 13, Nº. 163




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    Mensaje por Maria Lua Dom 08 Ene 2023, 18:46

    ÁRVORE DE MINHA VIDA



    Minha mãe deixa os seus troféus no alto da estante do escritório. Lá estão os quatro Açorianos, o Erico Verissimo, o Casa de las Américas (Cuba) e o da Associação Paulista dos Críticos de Arte: esculturas que simbolizam 30 anos de literatura.

    Numa de minhas mateadas com ela, na varanda, com folga, aproveitei para tirar o pó dos seus galardões. Como ela tem seus 79 anos incompletos e evita escadas, peguei o paninho amarelo para lustrar as suas vitórias. Mas quase caí do último degrau quando avistei, entre tantas honrarias significativas, um objeto não identificado, estranho, tosco, que não parecia nunca um prêmio.

    Só gritei:
    – Tem algo fora do lugar. O que é isso?
    E levantei uma lasca de madeira em sua direção. Antes de permitir que ela me respondesse, ao virar a lasca, percebi a minha letra: MÃE TE AMO.
    Era um cartão que fiz aos sete anos. Ela havia me ensinado a ler e a escrever contra tudo e contra todos, apesar do diagnóstico de retardo mental e do convite da escola para desistir por falta de condições.
    Quis agradecer a ela naquele segundo domingo de maio de 1980. Lembro que evitei o papel, procurando algo que durasse por mais tempo, que não rasgasse, que não borrasse, que não amarelasse. E arranquei uma lasca da minha ameixeira. Com canivete, desenhei as palavras. Ninguém mais poderia apagar aquilo. Ninguém mais poderia corrigir a declaração.

    Foi um bronze do meu obrigado.

    A folha permite o remorso, já quem escreve nas árvores ultrapassa o medo de errar pelo amor puro, pelo amor infantil, pelo amor incondicional.

    Nem imaginava que ela ainda guardava a pequena tábua, após tantas mudanças de residência.

    – Por que pôs aqui?

    A mãe esperou que eu descesse, colocou o meu rosto na moldura de suas mãos geladas da manhã, de quem havia lavado a louça, e me disse:

    – Você é o meu maior troféu como escritora.

    E começou a rir quando eu, naquela hora, magicamente, reduzi de tamanho e desandei a chorar. Voltava a ser criança, menino mirrado, magrinho, tímido, loiro, diante da majestade da minha mãe, precisando de uma escada que apenas existe no coração, esforçando-me para pegar os frutos doces dos olhos dela.

    Publicado em Jornal Zero Hora em 08/5/2018
    Postado por Carpinejar às 15:37


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    y en ese vuelo y en ese sueño
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    siendo guardián en tu cielo
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    Mensaje por Maria Lua Miér 11 Ene 2023, 10:29

    EI pasado tiene sentido si permanece en desorden.

    La verdad organizada es una mentira.


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    Mensaje por Maria Lua Lun 16 Ene 2023, 08:27

    FESTEJANDO A LÍNGUA



    Neste Natal, dê uma palavra de presente para sua mulher.

    Não diga que ela é autoritária, diga que ela é uma liderança.

    Não diga que ela é fofoqueira, diga que ela é bem informada.

    Não diga que ela é indiscreta, diga que ela é curiosa.

    Não diga que ela mente, diga que ela possui uma imaginação poderosa.

    Não diga que ela é atrapalhada, diga que ela é perfeccionista.

    Não diga que ela é irritante, diga que ela é persistente.

    Não diga que ela é consumista, diga que ela sabe escolher.

    Não diga que ela é manipuladora, diga que ela é influente.

    Não diga que ela é dramática, diga que ela é emotiva.

    Não diga que ela é vulgar, diga que ela ama a simplicidade.

    Não diga que ela é imprudente, diga que ela é ousada.

    Não diga que ela é ciumenta, diga que ela é interessada.

    Não diga que ela é medrosa, diga que ela é sensível.

    Não diga que ela cozinha mal, diga que sua comida é rústica.

    Não diga que ela exagerou ao cortar o cabelo, diga que ela transpira independência.

    Não diga que ela grita, diga que todos precisam ouvi-la.

    Não diga que ela é orgulhosa, diga que ela tem personalidade.

    Não diga que ela é possessiva, diga que ela é cuidadosa.

    Não diga que ela sempre se atrasa, diga que admira sua calma.

    Não diga que ela é confusa, diga que ela é misteriosa.

    Não diga que ela é ambiciosa, diga que ela é sonhadora.

    Não diga que ela entendeu errado, diga que você explicou muito rápido.

    Não diga que ela é obcecada, diga que ela não desiste.






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    Mensaje por Maria Lua Vie 20 Ene 2023, 19:32

    A INVISIBILIDADE DA LIMPEZA



    A solidão é como limpar a casa: ninguém percebe, por mais que tenhamos a vontade imperiosa de apresentar o que fizemos.

    Quando faxino a residência, sempre vou me decepcionar com a reação da esposa e dos filhos.

    Não entendo como ainda insisto, e eles não têm não nenhuma obrigação de ficar me elogiando.

    Mas é que me esforcei desmesuradamente em colocar o lar em dia e gostaria de ser parabenizado, festejado, aplaudido.

    Eu limpo os interruptores, passo um pano nos azulejos da cozinha, esfrego o teto, elimino manchas ancestrais das panelas, espano as estantes mais altas.

    Queria fazer uma exposição dos meus atos, uma visita guiada de museu pelo apartamento para meus familiares, mostrando ponto a ponto, detalhe a detalhe do que realizei.
    Imagino caminhando lentamente, com a comitiva atrás de mim, interessada por cada mudança sutil:

    - Aqui eu organizei as gavetas, aqui eu levantei a bancada para tirar o pó, aqui empurrei a geladeira e recolhi fragmentos de copos, aqui encerei com aquele produto novo, recomendo, é ótimo!, aqui esfreguei os vidros pelo lado de fora, acompanhe os cantos da veneziana...

    Demonstraria o antes e o depois e reconstituiria toda a lavagem do ambiente. Como se fosse um corretor descortinando o apartamento pela primeira vez aos interessados.
    Concluo que é uma tola quimera de minha parte.

    Eles entram pela porta, apressados de seus mundos, e apenas lançam um olhar geral e pouco curioso. Comentam, de modo resumido:

    - Que lindo!

    Deu! Acabou o reconhecimento com uma breve fungada pelo perfume composto de lustra móveis, vanilla e detergente.

    Eles cheiram mais do que olham.

    Limpar a casa é ser invisível, é um contentamento muito particular, como a nossa solidão.

    Só você mesmo que segurou a vassoura ou controlou o tubo do aspirador saberá o quanto foi difícil retirar aquela cabeleira do ralo, não terá com quem partilhar, é um segredo. Só você mesmo que ficou de quatro esfregando o piso saberá o quanto o brilho é de lua cheia. Só você mesmo que usa a tática do jornal para transparecer a vidraça saberá o que significa a transparência.

    As pessoas somente notam quando a casa está bagunçada, jamais quando está limpa. Assim como você somente repara na geladeira quando algo apodrece dentro, jamais quando está carregada com as frutas generosamente lavadas.

    A faxina é a aceitação do tempo que temos que guardar para si. É uma aula sobre amadurecimento. Transformamos a nossa personalidade não para agradar alguém, e sim porque sentimos vontade de melhorar. Mudanças silenciosas, porém necessárias.

    Nem tudo será reconhecido. Mesmo assim faremos por conta própria, para a nossa satisfação.

    Há alegrias que são unicamente nossas. Não dependemos dos outros.



    Publicado no jornal Zero Hora
    Revista Donna, p.6
    Porto Alegre (RS), 21/12 /2014 Edição N°18020


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    Mensaje por Maria Lua Miér 01 Feb 2023, 17:08

    Você ouve com as pálpebras.
    As pálpebras são as unhas dos seus olhos,
    pintadas de azul, laranja, preto.

    Marcamos de nos ver no alto
    do Teatro Municipal,
    a meio caminho
    entre a comédia
    e a ópera.

    Seu rosto tremia suavemente
    com o ritmo do Viaduto do Chá.
    A pressão sanguínea dos passos
    na pele, a vibração envenenando.

    Os passantes reverberavam
    em seu corpo sestroso,
    em seus seios fartos,
    em suas ancas deliciosas.

    A cidade ondulava no vestido.
    Você segurava na barra da grade
    e oferecia o pescoço
    à mordida do vento.

    Belvedere:
    como se houvesse um mar,
    como se houvesse uma serra.

    Escorada no parapeito,
    seus olhos fecharam
    como um longo beijo
    na boca do precipício

    de São Paulo.

    Assim que eu lhe vi
    pela primeira vez,
    fez cena de ciúme
    com as pedras.

    Todo viaduto é um amante
    apressando o abraço.


    Poema publicado no caderno Metrópole
    Contracapa, C8, homenagem aos 120 anos do Viaduto do Chá
    O Estado de São Paulo
    São Paulo (SP), 11/11/12


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    Mensaje por Maria Lua Miér 01 Feb 2023, 17:09

    O jogo é inventar a goleira
    mais do que a bola.

    Garagens são traves,
    lápides são traves,
    cercas são traves,
    chinelos são traves.

    O que pode ser levado
    com uma mão,
    adivinhado pelas pernas.

    Postes de luz são traves,
    placas são traves,
    lixeiras são traves,
    bancos são traves.

    Marcar o chão numa linha imaginária,
    daqui pra ali é o campo.
    E o mundo não existe mais
    fora do giz branco.

    Um quarto está pronto a céu aberto.
    Um quintal no meio da casa.
    Uma rua cortando a praça.

    Corra no jardim sonâmbulo,
    pise a grama com raiva, raízes
    são cadarços amarrados
    nos tornozelos das árvores.

    Há coices, quedas, uivos:
    nada termina a vida,
    essa explosão suspirada.

    É um transe, a trave;
    trânsito parado, feriado.
    O defensor descansa
    na tranca dos joelhos.
    O pássaro voa de cabeça a cabeça,
    descasca a chuva, espalha os cabelos.

    A trave é montinho, formigueiro,
    capuz de ciscos, ninhos.
    Formigas transportam alimento
    por dentro dos seus riscos.

    Que seja capacete de moto,
    um tijolo, um toco,
    qualquer troco de mato e entulho.

    Dez passos ao lado e uma altura infinita,
    fazer endereço para receber cartas,
    desenhar gol de letra.

    Trave é o quadro-negro dos pés.
    Caroço de brilho, queimadura de cometa.
    Na praia, no calçadão, no descampado.
    Tudo o que foi costurado pelo invisível
    entre o corpo e uma porta.

    Pedras são traves,
    bambus são traves,
    frutas são traves.
    Até crianças são traves
    para o adulto passar
    de volta à infância.


    Publicado na Revista Serafina
    Folha de São Paulo
    P. 18, Junho de 2010






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    Mensaje por Maria Lua Sáb 04 Feb 2023, 09:09

    NÃO É AMOR



    Por que ela não conta? Por que ela não presta ocorrência na delegacia?

    Todos acham um absurdo apanhar e não revidar publicamente.

    Não é fácil se separar. Não é simples para muitas mulheres denunciar o companheiro.

    Eu entendo a vergonha de quem suporta maus-tratos em casa.

    A humilhação de apanhar do marido. De receber tapa ou empurrão e guardar para si. De levar soco ou pontapé e cuidar dos hematomas em sigilo.

    Ninguém tem ideia de como essas pessoas sofrem.

    Sofrem pela dor física, mas sofrem ainda mais pela esperança de que um dia seu homem vai se recuperar. E isso não acontece.

    As mulheres que aguentam violência doméstica são solitárias. Absurdamente sozinhas. Loucamente desamparadas.

    Perdem a paciência e a tolerância de quem poderia salvá-las.

    Elas se isolam dos amigos, pois não têm mais coragem de disfarçar as histórias.

    Elas se distanciam dos familiares porque nenhum parente admitiria a hipótese sequer de um insulto.

    Morrem socialmente: enterradas vivas em suas próprias residências.

    Apesar do calor excessivo, não podem usar vestidos e mangas curtas para não ostentar as feridas e os inchaços. Acordam de óculos escuros para se encarar no espelho.

    Colocam sua maquiagem a reparar os danos noturnos.

    Para os colegas, estão constantemente caindo da escada e tropeçando nos móveis.

    Para os filhos, fingem que não choram com um sorriso que não mexe nem as rugas.

    Elas mentem no lugar do agressor. Mentem pelo medo de não ter outra chance de ser feliz.

    Dedicam suas horas a zelar por uma farsa, a proteger um conto de fadas que existe na aparência, tentando salvar o casamento a qualquer custo.

    Festejam as semanas sadias como milagres. Saúdam os momentos calmos como férias. Esmolam olhares de ternura para compensar o inferno.

    Eu entendo as mulheres agredidas. Entendo, e dói entender.

    É uma espiral de constrangimentos, que abole as defesas, que apaga a personalidade, que anula o temperamento.

    São frágeis, quebradiças, carentes.

    Atravessam um domingo inteiro procurando uma desculpa para continuar.

    São as únicas que não enxergam que terminou o relacionamento, que não há jeito de recuperar o respeito.

    Não são apenas cegas de amor, porém também surdas e mudas. O amor roubou todos os sentidos, todo o sentido de suas vidas.

    Juram que foi uma exceção quando é a terceira ou quarta vez que a discussão desanda em briga.

    Invertem a perspectiva do mundo: a tranquilidade é a exceção em sua rotina e se enganam que é a regra.

    Juram que o marido não é violento, que há muita pressão do trabalho, que é efeito da bebida.

    Explicam e justificam e argumentam o impossível, naquela mania de se convencer da pobreza para aceitar a miséria.

    Ele se arrepende, ele chora, ele promete que não fará de novo, ele se ajoelha, ele manda flores, mas será reincidente.

    Para essas mulheres que resistem em segredo, só tenho uma coisa a dizer: quem bate uma vez baterá sempre.

    Apanhar por amor jamais melhora o amor.






    Publicado no jornal Zero Hora
    Coluna semanal, p. 2, 31/12/2013 e 01/01/2014
    Porto Alegre (RS), Edição N° 17660





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    Mensaje por Maria Lua Sáb 04 Feb 2023, 09:20

    Não há quem não feche os olhos ao cantar a música favorita.
    Não há quem não feche os olhos ao beijar, não há quem não feche os olhos ao abraçar.
    Fechamos os olhos para garantir a memória da memória.
    É ali que a vida entra e perdura, naquela escuridão mínima, no avesso das pálpebras.
    Concentramo-nos para segurar a dispersão, para segurar a barca ao calor do remo.
    O rosto é uma estrutura perfeita do silêncio. Os cílios se mexem como pedais da memória.
    Experimenta-se uma vez mais aquilo que não era possível.
    Viver é boiar, recordar é nadar.


    *********************


    No hay nadie que no cierre los ojos mientras canta su canción favorita.
    No hay quien no cierre los ojos al besar, no hay quien no cierre los ojos al abrazar.
    Cerramos los ojos para asegurar la memoria de la memoria.
    Es allí donde entra y perdura la vida, en aquella mínima oscuridad, al revés de los párpados.
    Nos concentramos para aguantar la dispersión, para aguantar la barca al calor del remo.
    El rostro es una estructura perfecta de silencio. Las pestañas se mueven como pedales de memoria.
    Experimenta una vez más lo que no era posible.
    Vivir es flotar, recordar es nadar.


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    Mensaje por Maria Lua Dom 19 Feb 2023, 19:55

    JÁ ACONTECEU



    Arte de Max Hermann Pechstein

    Eles mal piscaram, mas já aconteceu a transa.

    Ainda nem se conhecem, mas já aconteceu a transa.

    Ainda nem se abraçaram, mas já aconteceu a transa.

    Não beberam juntos, não dançaram juntos, não jantaram juntos, mas já aconteceu a transa.

    Não houve nenhuma saudade, desconforto, receio de se perder e já aconteceu a transa.

    Não houve nenhuma confissão, partilha de memória, declaração apaixonada, e já aconteceu a transa.

    Ainda não mostraram o jeito de vestir, não ensaiaram a nudez, mas já aconteceu a transa.

    Eles nem supõem se um é colorado ou gremista, se um é anarquista ou conservador, se é rico ou endividado, se dança rock ou pagode, se tem filhos ou não, se foram casados ou guardados, se têm amigos em comum, mas já aconteceu a transa.

    Nada pode apagar o fato consumado antes dos fatos.

    O olhar é premonitório, existe uma confiança por detrás do gesto que garante que já aconteceu a transa.

    Não há como impedir a união, ambos se escolheram muito rápido.

    Denunciaram o enlace ao mexer os cabelos, ao sorrir encabulado, pondo as mãos no bolso.

    Foi uma provocação que vingou, foi uma graça que levantou o humor, foi uma cumplicidade que declarou o início.

    É assim mesmo que acontece: definimos com quem teremos o envolvimento antes do envolvimento. A atração manda no futuro.

    Não significa que vão namorar, casar, serem felizes, não há estabilidade garantida pelo desejo. A curiosidade eclodiu e suspenderá os pré-requisitos, os impeditivos, os critérios preventivos.

    É o instinto definindo a ação, avisando o inconsciente que a transa já aconteceu.

    A transa é uma lembrança que antecede o ato.

    É uma determinação de gosto que impregna a palavra. A transa está no passado, mesmo quando parece uma possibilidade remota.

    Eles não se tocaram, mas já se cheiraram, já se estudaram rapidamente, já se aprovaram, já facilitaram os caminhos.

    Ainda nem sabem o nome um do outro, as convicções, os medos e desejos, mas já aconteceu a transa.

    Ainda não têm noção se preferem sushi ou churrasco, se são melancólicos ou ansiosos, arrebatados ou inseguros, mas já aconteceu a transa.

    Ainda não se adicionaram no Facebook, mas já aconteceu a transa.

    Ainda não salvaram os telefones na agenda, mas já aconteceu a transa.

    Definiram pelo olhar que vão transar. Só não marcaram a data.


    Publicado no jornal Zero Hora
    Revista Donna, p.6
    Porto Alegre (RS), 22/12/2013 Edição N° 17652




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    Mensaje por Maria Lua Lun 27 Feb 2023, 13:49

    Não devo conselhos,
    não devo a franqueza
    das pausas,

    a serenidade dos escolhos,
    não devo a força
    de minha fraqueza.

    Mergulho os calcanhares
    a empurrar
    a barca do ventre

    e circundas o vazio,
    os ciclos do som,
    conciliado com a verdade,

    pai maduro de minha escolha,
    navegando
    a paternidade das águas.


    _________________



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    Fabricio Carpinejar (1972- - Página 2 Empty Re: Fabricio Carpinejar (1972-

    Mensaje por Maria Lua Dom 12 Mar 2023, 12:25

    Fabricio Carpinejar (1972- - Página 2 81tyo878nnL


    ¡LA JIRAFA ES MIA!
    CARPINEJAR FABRICIO


    Un precioso álbum ilustrado sobre un padre y una niña que se quieren en "jirafés". Porque en el amor, ¡cualquier lengua vale!
    ¿Sabías que la jirafa solo duerme 2 horas al día, a ratitos, y encima de pie? ¿Y que podría ser hija de una camella, un leopardo y una escalera? ¿Y que la «h» es la jirafa del alfabeto?A Paulo y a Paula les encanta hablar de estas cosas cuando van al zoo a visitar a la jirafa Theo.En el amor, cualquier lengua vale. Y padre e hija se quieren en jirafés.



    Del apego a la propiedad

    La historia cuenta la pasión de Paulo y Paula por la jirafa Theo, por eso van a verla cada sábado al zoo. El padre, Paulo, es experto en datos sobre estos altos animales. Y Paula es una niña curiosa que se sorprende ante la cantidad de cosas que sabe su padre.



    Yo como había cosas que no entendía, como que un ser tan alto fuera tan veloz, y por eso le ponía mucha imaginación.

    "Y, desde entonces, Paula empezó a creer que la jirafa era hija de una camella, un leopardo y un escalera."

    Pero esa rutina está a punto de romperse por que Paula quiere la jirafa para ella sola, ya no le basta con verla un día por semana y quiere llevársela a casa.
    Y aquí entra en juego la pericia de Paulo para convencerla de que aunque la jirafa sea de ella no pueden sacarla del zoo.




    La historia es contada en párrafos cortos por página, fáciles de leer y de entender, que te deja una sensación de estar aprendiendo mucho sobre las jirafas.

    ****

    A parte de la cantidad de información sobre la naturaleza de la jirafa, este libro versa sobre el paso del apego a algo, a la sensación de propiedad sobre él. Como un niño que se siente fustrado puede mostrar su lado más oscuro para conseguir lo que se le propone. Cuando lees como gestiona su padre esas rabietas te ves reflejado en como intentas hacerlo tu con tu hijo, y que no siempre llegas al final feliz del libro.
    Es un libro para niños que ya comienzan a entender y razonar, que aprendan del ejemplo que ofrece esta historia.
    Así que lo recomiendo para poder utilizarlo como apoyo en esos momentos de negociación con los peques.
    Hasta la próxima entrada!




    http://mividaen1suspiro.blogspot.com/2016/11/libros-para-ninos-xvi-la-jirafa-es-mia.html


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    "Ser como un verso volando
    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
    compartir contigo sol y luna,
    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
    (Hánjel)





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    Fabricio Carpinejar (1972- - Página 2 Empty Re: Fabricio Carpinejar (1972-

    Mensaje por Maria Lua Mar 21 Mar 2023, 09:52

    SIEDSCHLAG


    Você ouve com as pálpebras.
    As pálpebras são as unhas dos seus olhos,
    pintadas de azul, laranja, preto.

    Marcamos de nos ver no alto
    do Teatro Municipal,
    a meio caminho
    entre a comédia
    e a ópera.

    Seu rosto tremia suavemente
    com o ritmo do Viaduto do Chá.
    A pressão sanguínea dos passos
    na pele, a vibração envenenando.

    Os passantes reverberavam
    em seu corpo sestroso,
    em seus seios fartos,
    em suas ancas deliciosas.

    A cidade ondulava no vestido.
    Você segurava na barra da grade
    e oferecia o pescoço
    à mordida do vento.

    Belvedere:
    como se houvesse um mar,
    como se houvesse uma serra.

    Escorada no parapeito,
    seus olhos fecharam
    como um longo beijo
    na boca do precipício

    de São Paulo.

    Assim que eu lhe vi
    pela primeira vez,
    fez cena de ciúme
    com as pedras.

    Todo viaduto é um amante
    apressando o abraço.



    Poema publicado no caderno Metrópole
    Contracapa, C8, homenagem aos 120 anos do Viaduto do Chá
    O Estado de São Paulo
    São Paulo (SP), 11/11/12
    Postado por Carpinejar às 16:50 8


    _________________



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    Fabricio Carpinejar (1972- - Página 2 Empty Re: Fabricio Carpinejar (1972-

    Mensaje por Maria Lua Mar 21 Mar 2023, 09:54

    Poema inédito


    O jogo é inventar a goleira
    mais do que a bola.

    Garagens são traves,
    lápides são traves,
    cercas são traves,
    chinelos são traves.

    O que pode ser levado
    com uma mão,
    adivinhado pelas pernas.

    Postes de luz são traves,
    placas são traves,
    lixeiras são traves,
    bancos são traves.

    Marcar o chão numa linha imaginária,
    daqui pra ali é o campo.
    E o mundo não existe mais
    fora do giz branco.

    Um quarto está pronto a céu aberto.
    Um quintal no meio da casa.
    Uma rua cortando a praça.

    Corra no jardim sonâmbulo,
    pise a grama com raiva, raízes
    são cadarços amarrados
    nos tornozelos das árvores.

    Há coices, quedas, uivos:
    nada termina a vida,
    essa explosão suspirada.

    É um transe, a trave;
    trânsito parado, feriado.
    O defensor descansa
    na tranca dos joelhos.
    O pássaro voa de cabeça a cabeça,
    descasca a chuva, espalha os cabelos.

    A trave é montinho, formigueiro,
    capuz de ciscos, ninhos.
    Formigas transportam alimento
    por dentro dos seus riscos.

    Que seja capacete de moto,
    um tijolo, um toco,
    qualquer troco de mato e entulho.

    Dez passos ao lado e uma altura infinita,
    fazer endereço para receber cartas,
    desenhar gol de letra.

    Trave é o quadro-negro dos pés.
    Caroço de brilho, queimadura de cometa.
    Na praia, no calçadão, no descampado.
    Tudo o que foi costurado pelo invisível
    entre o corpo e uma porta.

    Pedras são traves,
    bambus são traves,
    frutas são traves.
    Até crianças são traves
    para o adulto passar
    de volta à infância.




    Publicado na Revista Serafina
    Folha de São Paulo
    P. 18, Junho de 2010



    http://carpinejar.blogspot.com/search/label/Poema


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