Aires de Libertad

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AFFONSO ROMANO DE SANTA'ANNA (1937- - Página 2 Empty Re: AFFONSO ROMANO DE SANTA'ANNA (1937-

Mensaje por Maria Lua Jue 29 Dic 2022, 06:55

DIA 31



Os que se foram neste ano
soltavam fogos, brindavam, puseram roupas novas
fizeram planos e festas
mas não conseguiram chegar onde estamos.
Nós e esta estúpida e gloriosa obsessão
como se a felicidade estivesse à nossa frente.

Não há o que dizer
embora a celebração.
Andar um ao lado do outro,
em silêncio
ou deixar-se ir sozinho
sob o peso da absurda solidão.


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"Ser como un verso volando
o un ciego soñando
y en ese vuelo y en ese sueño
compartir contigo sol y luna,
siendo guardián en tu cielo
y tren de tus ilusiones."
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Mensaje por Maria Lua Jue 29 Dic 2022, 16:48

Aquelas situações de novela
aquelas frases das canções banais
acontecem.
Acontecem
d

com os que pensam
que aquelas situações de novela
aquelas frases das canções banais
não acontecem.
Acontecem
no lado suburbano
de meu peito.
E posto que sejam kitsch
como tangos e boleros
soluçam e nos humilham
nos expondo ao ridículo
sem nossa autorização.



Deixei a Acrópole, em Atenas,
como a encontrei.
Pisei suas pedras
olhei as sobrantes figuras derruídas
e agora parto para meu distante país.
Não o fizeram assim os persas,
os turcos,
e aquele inglês avaro
que levou seus mármores.

No topo da montanha, a Acrópole resiste.

No café da manhã, a olhava.
No entardecer, a olhava.
À noite, iluminada, a olhava.

Certa madrugada levantei-me
para (há quatro mil anos)
comtemplá-la.


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Mensaje por Maria Lua Dom 01 Ene 2023, 11:58

Noticias montadas en la tv



1. Siento meter mi mano en vuestra sangre
para sacar poemas, pero
seis mil antílopes están siendo abaleados en Yellowstone
y ensucian mi cena.

Helicópteros y tractores los siguen por la nieve
–un antílope es demasiado oscuro si el fondo es
blanco.
Antílopes y hélices,
rifle y cuerno,
pata y bala.
Todo es deporte.
Giants versus Dodgers,
Bruins versus Trojans,
bicicleta contra tanques,
trampa de liebre contra Napalms.

(Dijo el gobernador del Estado de Wyoming que
sufre al verlos abatidos en lucha desigual, sin
escapatoria.

Y el guardia forestal: I’m really sorry, pues nuestra
tarea sería protegerlos. Pero habrá carne y pieles
para los indios.)

2. En Vietnam no corren antílopes.
Pero, si corrieran, tendrían que morir:
seis mil en una semana
y más aún en la estación de lluvias.

¿Cómo se escondería un vietílope
en el blanco sobre blanco?

¿Cómo se defendería en este paisaje
sin los colores de la tecnocracia?

Un vietílope corriendo en plena nieve
es más visible cuanto más sucia es la bala.
Los vietílopes hacen túneles
así las bombas de gas penetren por detrás,
se sumergen respirando por bambúes,
pero bulldozers sedientos secan los pantanos.

–Hay demasiados antílopes en esta área,
es preciso diezmarlos.
–Guerreamos porque queremos paz.
–Si no los liquidamos
en breve invadirán nuestros jardines.

No obstante, el vietílope, confundido en su edad dorada,
sustraído de su ley natural,
continúa gestando futuras muertes en los periódicos.

Tiro al blanco,
tiro al palomo,
tiro al platillo.
–¡My gosh! ¡Cómo son veloces!
–¡Mi reino por un vietílope!

3. Plagas existen siempre.
Es imposible diezmarlas
por más clorox, ajax, solvex
que arrojemos sobre las tierras baldías.
Hoy, antílopes.
Ayer, carneros en Argentina,
canguros en Australia,
papagayos en el Brasil colonial.

Un día,
tortugas en la Amazonia





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Mensaje por Maria Lua Dom 01 Ene 2023, 12:02


Sopro no Corpo: Vive-se de Sonhos.



E se você, garotão, tivesse nascido diabético e, por causa disso, na adolescência, descobrisse que estava ficando impotente, e que isso iria acarretar uma série de constrangimentos ao começar o flerte com uma garota?

E se você, por causa da diabetes e porque sendo jovem, continuasse a viver todos os prazeres nas praias e festas, bebendo, fumando até que, de repente, aos 21 anos a cegueira desabasse sobre você, subitamente...?

E se você, além de diabético e de ficar cego, um dia estivesse na garupa de uma moto e sofresse um acidente com fratura exposta, que lhe botasse de cama muito tempo?

E se você, diabético, cego, fraturado, acabasse, lá pelas tantas, tendo que fazer um inevitável transplante de pâncreas?

E, como se não bastasse, daí a pouco tivesse que fazer um transplante de rim?

Se você fosse assim, se eu fosse assim, teríamos todas as razões para dizer fiquem aí com esse mundo de Deus-e-do-diabo, estou tirando o time, desse jeito não dá para jogar nem na defesa nem no ataque.

Mas não foi isso que aconteceu com Marco Antonio de Queiroz. Ao contrário de Dalida, aquela ex-miss Egito, linda e rica, que sem nenhum desses problemas resolveu se matar, MAQ, como seus amigos o chamam, virou excelente técnico em informática, casou-se com Sônia, teve o filho Tadzo, é dono de um humor inacreditável, uma juventude permanente nos seus quarenta e tantos anos e, diria, é uma pessoa mais feliz que 80% das que conheço. É ver para crer: entrem no site que ele preparou www.bengalalegal.com e vocês terão uma idéia do que digo.

Depois, leiam o livro que ele acaba de lançar, Sopro no corpo (Editora Rima Especial). E como sei que a distribuição de livros é problemática, dou o telefone, (16) 3372-3238 e o endereço da editora: www.rimaeditora.com.br.

Marco Antônio de Queiroz, com esse livro, lembra-me a inesquecível frase de Álvaro Moreyra nas suas memórias: "Em vão, quiseram amargurar a minha vida. Não adianta. Eu tenho diabetes na alma".

Eis um livro bem escrito. Ele sabe descrever cenas, fazer diálogos e tem uma auto-ironia primorosa e desconcertante. Se vivesse nos Estados Unidos, Marco Antônio estaria milionário fazendo conferências para essas multinacionais que convidam "cases" de sucesso na vida para estimularem seus executivos a produzir mais.

Não vou tirar o prazer e a surpresa da leitura daqueles que se interessarão pelo livro. Destaco apenas uma cena final em que ele, depois de ter exaurido o processo de hemodiálise, narra a expectativa de alguém se oferecer para lhe doar um rim. Um dia, uma colega de trabalho no setor de informática do SERPRO lhe diz: "Marco, eu sonhei que estava num ambiente, não sei qual ao certo, sentindo muita dor em um dos lados do meu corpo. Quando olhei para a frente, vi alguém vestido de branco e com um rim enorme nas mãos, eu até via o rim pulsando" "E o sujeito do sonho me disse: -- Esse rim é maravilhoso, é muito saudável e, durante muitos anos, vai deixar também saudável quem o receber".

Pois essa moça que tinha uma filha, ante o espanto de Marco Antônio, oferece-lhe seu rim para o transplante. Detalhe: a moça também era cega. E o autor comenta: "Os amigos de dentro e de fora do trabalho até hoje brincam comigo que, pelo rim transplantado ser de uma mulher, eu passara a urinar sentado. Depois, veio o pâncreas de outra mulher. Agora, comentam que, se eu transplantar novamente e se a cirurgia for abaixo da barriga, vão passar a me chamar de Márcia. Tudo bem, sem preconceitos, mas acho que não vou transplantar mais não!".

É ver para crer. Ou melhor, é ler para ver como enfrentar tragédias e dar a volta por cima e como, apesar das amarguras, preservar a doçura de viver.

Affonso Romano de Sant'Anna.


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Mensaje por Maria Lua Vie 06 Ene 2023, 07:41

O Amor e o Outro

Não amo
melhor
| nem pior
do que ninguém.

Do meu jeito amo.
Ora esquisito, ora fogoso,
às vezes aflito
ou ensandecido de gozo.
Já amei
| até com nojo.

Coisas fabulosas
acontecem-me no leito. Nem sempre
de mim dependem, confesso.
O corpo do outro
é que é sempre surpreendente.


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Mensaje por Maria Lua Vie 06 Ene 2023, 07:43

Sou um dos 999.999 Poetas do País – Affonso Romano de Sant’Anna

Fragmento 1

INTRODUÇÃO SÓCIO-INDIVIDUAL DO TEMA

Sou um dos 999.999 poetas do país
que escrevem enquanto caminhões descem pesados de cereais
e celulose
ministros acertam o frete dos pinheiros
carreados em navios alimentados com o óleo
que o mais pobre pagará.

(- Estes são dados sociais
de que não quero falar, embora
tenha aprendido em manuais
que o escritor deve tomar o seu lugar na História
e o seu cotidiano alterar.)

Sou um dos 999.999 poetas do país
com mãe de olhos verdes e pai amulatado
ela – a força de áries na azáfama da casa
a decisão do imigrante que veio se plantar
ele – capitão de milícias tocando flauta em meio
às balas
lendo salmos em Esperanto sobre a mesa
domingueira.

(- Estes são sinais particulares
que não quero remarcar, embora
tenha aprendido em manuais
que o que distingüe a escrita do homem
são seus traços pessoais que ninguém pode
imitar.)




https://poesiaspoemaseversos.com.br/affonso-romano-de-santanna-poemas/


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Mensaje por Maria Lua Dom 08 Ene 2023, 18:43

Assombros

Às vezes, pequenos grandes terremotos
ocorrem do lado esquerdo do meu peito.
Fora, não se dão conta os desatentos.

Entre a aorta e a omoplata rolam
alquebrados sentimentos.

Entre as vértebras e as costelas
há vários esmagamentos.

Os mais íntimos
já me viram remexendo escombros.
Em mim há algo imóvel e soterrado
em permanente assombro.


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Mensaje por Maria Lua Miér 11 Ene 2023, 10:25

–recuerda, hermano, que eres polvo
y por eso te humillaremos.
Milicias de Felipe ii
me acusan:
¡herético!
¡relapso!
¡contumaz!
¡hechicero!
mientras prosigo en filas amarillas
en trajes de condenado
obedeciendo órdenes de los ficheros
cargando velas
para el fuego con que arderé en la plaza.


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Mensaje por Maria Lua Lun 16 Ene 2023, 08:13



Casado, continuo a achar as mulheres irresistíveis.
Não deveria, dizem.
Me esforço. Aliás,
já nem me esforço.
Abertamente me ponho a admirá-las.
Não estrou traindo ninguém, advirto.
Como pode o amor trair o amor?
Amar o amor num outro amor
é um ritual que, amante, me permito.


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Mensaje por Maria Lua Lun 16 Ene 2023, 08:13

Densa e doce paz na semiluz da sala.
Na poltrona, enroscada e absorta, uma filha
desenha patos e flores.
Sobre o couro, no chão, a outra viaja silenciosa
nas artimanhas do espião.
Ao pé da lareira a mulher se ilumina numa gravura
flamenga, desenhando, bordando pontos de paz.
Da mesa as contemplo e anoto a felicidade
que transborda da moldura do poema.
A sopa fumegante sobre a mesa, vinhos e queijos,
relembranças de viagens e a lareira acesa.
Esta casa na neblina, ancorada entre pinheiros,
é uma nave iluminada.
Um oboé de Mozart torna densa a eternidade


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Mensaje por Maria Lua Lun 16 Ene 2023, 08:14

Reflexivo

O que não escrevi, calou-me.
O que não fiz, partiu-me.
O que não senti, doeu-se.
O que não vivi, morreu-se.
O que adiei, adeus-se.


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Mensaje por Maria Lua Vie 20 Ene 2023, 19:19

O segundo verso da canção


Passar cinquenta anos sem poder falar sua língua com alguém é um exílio agudo dentro do
silêncio. Pois há cinquenta anos, Jensen, um dinamarquês, vivia ali nos pampas argentinos. Ali
chegara bem jovem, e desde então nunca mais teve com quem falar dinamarquês.
Claro que, no princípio, lhe mandavam revistas e jornais. Mas ninguém manda com
assiduidade revistas e jornais para alguém durante cinquenta anos. Por causa disto, ali estava
Jensen há inúmeros anos lendo e relendo o som silencioso e antigo de sua pátria. E como as
folhas não falavam, punha-se a ler em voz alta, fingindo ouvir na própria voz a voz do outro, como
se um bebê pudesse em solidão cantar para inventar a voz materna.
Cinquenta anos olhando as planuras dos pampas, acostumado já às carnes generosas dos
churrascos conversados em espanhol [...].
Um dia, um viajante de carro parou naquele lugarejo. Seu carro precisava de outros reparos
além da gasolina. Conversa-vai-conversa-vem, no posto ficam sabendo que seu nome também era
Jensen. Não só Jensen, mas um dinamarquês. E alguém lhe diz: aqui também temos um
dinamarquês que se chama Jensen e aquele é o seu filho. O filho se aproxima e logo se interessa
para levar o novo Jensen dinamarquês ao velho Jensen dinamarquês - pois não é todos os dias
que dois dinamarqueses chamados Jensen se encontram nos pampas argentinos.
No caminho, o filho ia indagando sobre a Dinamarca, que seu pai dizia ser a terra
prometida, onde as vacas davam cem litros de leite por dia. Na casa, há cinquenta anos sem falar
dinamarquês, estava o velho Jensen, ainda cercado de fotos, alguns objetos e uma abstrata
lembrança de sua língua. Quando Jensen entrou na casa de Jensen e disse "bom dia" em
dinamarquês, o rosto do outro Jensen saiu da neblina e ondulou alegrias. "É um compatriota!" E a
uma palavra seguiram outras, todas em dinamarquês, e as frases corriam em dinamarquês, e o riso
dinamarquês e a camaradagem dinamarquesa, tudo era um ritual desenterrando ao som da língua
a sonoridade mítica da alma viking.
Jensen mandou preparar um jantar para Jensen. Vestiu-se da melhor roupa e assim os
seus criados. Escolheu a melhor carne. E o jantar seguia em risos e alegrias iluminando cinquenta
anos para trás. Jensen ouvia de Jensen sobre muitos conhecidos que morreram sem sua
autorização, cidades que se modificaram sem seu consentimento, governos que vieram sem o seu
beneplácito. Em poucas horas, povoou sua mente de nomes de artistas, rostos de vizinhos,
parques e canções. Tudo ia se descongelando no tempo ao som daquela língua familiar.
Mas havia um problema exatamente neste tópico das canções. Por isto, terminada a festa,
depois dos vinhos e piadas, quando vem à alma a exilada vontade de cantar, Jensen chama
Jensen num canto, como se fosse revelar algo grave e inadiável:
- Há cerca de cinquenta anos que estou tentando cantar uma canção e não consigo. Faltame o segundo verso. Por favor (disse como se pedisse seu mais agudo socorro, como se
implorasse: retira-me da borda do abismo), por favor, como era mesmo o segundo verso desta
canção?
Sem o segundo verso nenhuma canção ou vida se completa. Sem o segundo verso a vida
de um homem, dentro e fora dos pampas, é como uma escada onde falta um degrau, e o homem
para. É um piano onde falta uma tecla. É uma boca de incompleta dentição.
Se falta o segundo verso, é como se na linha de montagem faltasse uma peça e não
houvesse produção. De repente, é como se faltasse ao engenheiro a pedra fundamental e se
inviabilizasse toda a construção. Isto sabe muito bem quem andou cinquenta anos na ausência
desse verso para cantar a canção.
Jensen olhou Jensen e disse pausadamente o segundo verso faltante. E ao ouvi-lo, Jensen
- o exilado - cantou de volta o poema inteiro preenchendo sonoramente cinquenta anos de solidão.
Ao terminar, assentou-se num canto e batia os punhos sobre o joelho dizendo: "Que alegria! Que
alegria!"
Era agora um homem inteiro. Tinha, enfim, nos lábios toda a canção.



Fonte: DE SANT'ANNA, Affonso Romano. 1997. Disponível em:

http://www.educacaopublica.rj.gov.br/oficinas/lportuguesa/lpe05/01.html. Acesso: 14 mai. 2013


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Mensaje por Maria Lua Vie 20 Ene 2023, 19:21

Como me inscrever no tempo que me escreve?
ONDE leria o meu QUANDO?
QUEM leria o meu COMO?
COMO escrever o meu ONDE?
QUANDO escrever o meu QUEM?



(Affonso Romano de Sant’Anna: A grande fala do índio guarani)



Cada um enfrenta a guerra
Com as armas de que dispõe.



(Affonso Romano de Sant’Anna: A Catedral de Colônia)


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