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      Mensaje por Maria Lua Lun 08 Abr 2024, 19:58

      SONETO DE INSPIRAÇÃO


      Não te amo como uma criança, nem
      Como um homem e nem como um mendigo
      Amo-te como se ama todo o bem
      Que o grande mal da vida traz consigo.

      Não é nem pela calma que me vem
      De amar, nem pela glória do perigo
      Que me vem de te amar, que te amo; digo
      Antes que por te amar não sou ninguém.

      Amo-te pelo que és, pequena e doce
      Pela infinita inércia que me trouxe
      A culpa é de te amar — soubesse eu ver

      Através da tua carne defendida
      Que sou triste demais para esta vida
      E que és pura demais para sofrer.


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      o un ciego soñando
      y en ese vuelo y en ese sueño
      compartir contigo sol y luna,
      siendo guardián en tu cielo
      y tren de tus ilusiones."
      (Hánjel)





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      Mensaje por Maria Lua Mar 09 Abr 2024, 19:00

      O SACRIFÍCIO DO VINHO



      Paris




      Contra o crepúsculo
      O vinho assoma, exulta, sobreleva
      Muda o cristal da tarde em rubra pompa
      Ganha som, ganha sangue, ganha seios
      Contra o crepúsculo o vinho
      Menstrua a tarde.

      Ah, eu quero beber do vinho em grandes haustos
      Eu quero os longos dedos líquidos
      Sobre meus olhos, eu quero
      A úmida língua...

      O céu da minha boca
      É uma cúpula imensa para a acústica
      Do vinho, e seu eco de púrpura...
      O cantochão do vinho
      Cresce, vermelho, entre muralhas súbitas
      Carregado de incenso e paciência.
      As sinetas litúrgicas
      Erguern a taça ardente contra a tarde
      E o vinho, transubstanciado, bate asas
      Voa para o poente
      O vinho...

      Uma coisa é o vinho branco
      O primeiro vinho, linfa da aurora impúbere
      Sobre a morte dos peixes.
      Mas contra a noite ei-lo que se levanta
      Varado pelas setas do poente
      Transverberado, o vinho...
      E o seu sangue se espalha pelas ruas
      Inunda as casas, pinta os muros, fere
      As serpentes do tédio; dentro
      Da noite o vinho
      Luta como um Laocoonte
      O vinho...

      Ah, eu quero beijar a boca moribunda
      Fechar os olhos pânicos
      Beber a áspera morte
      Do vinho...





      ****************


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      VINICIUS DE MORAES  - Página 34 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

      Mensaje por Maria Lua Jue 11 Abr 2024, 20:30

      A PARTIDA


      Quero ir-me embora pra estrela
      Que vi luzindo no céu
      Na várzea do setestrelo.
      Sairei de casa à tarde
      Na hora crepuscular
      Em minha rua deserta
      Nem uma janela aberta
      Ninguém para me espiar
      De vivo verei apenas
      Duas mulheres serenas
      Me acenando devagar.
      Será meu corpo sozinho
      Que há de me acompanhar
      Que a alma estará vagando
      Entre os amigos, num bar.
      Ninguém ficará chorando
      Que mãe já não terei mais
      E a mulher que outrora tinha
      Mais que ser minha mulher
      É mãe de uma filha minha.
      Irei embora sozinho
      Sem angústia nem pesar
      Antes contente da vida
      Que não pedi, tão sofrida
      Mas não perdi por ganhar.
      Verei a cidade morta
      Ir ficando para trás
      E em frente se abrirem campos
      Em flores e pirilampos
      Como a miragem de tantos
      Que tremeluzem no alto.
      Num ponto qualquer da treva
      Um vento me envolverá
      Sentirei a voz molhada
      Da noite que vem do mar
      Chegar-me-ão falas tristes
      Como a querer me entristar
      Mas não serei mais lembrança
      Nada me surpreenderá:
      Passarei lúcido e frio
      Compreensivo e singular
      Como um cadáver num rio
      E quando, de algum lugar
      Chegar-me o apelo vazio
      De uma mulher a chorar
      Só então me voltarei
      Mas nem adeus lhe darei
      No oco raio estelar
      Libertado subirei.


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      Mensaje por Maria Lua Sáb 13 Abr 2024, 07:17

      TERNURA


      Eu te peço perdão por te amar de repente
      Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
      Das horas que passei à sombra dos teus gestos
      Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
      Das noites que vivi acalentado
      Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
      Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
      E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
      Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
      Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
      É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
      E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
      E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.





      Ternura


      Te pido perdon por amarte de repente
      Aunque mi amor es una vieja canción en tus oídos
      De las horas que pasé a la sombra de tus gestos
      Bebiendo en tu boca el perfume de las sonrisas
      De las noches que viví acariciado
      Por la gracia inefable de tus pasos que huyen eternamente
      Traigo la dulzura de quien acepta la melancolía.
      Y te puedo decir que el gran cariño te dejo
      No trae ni la exasperación de las lágrimas ni la fascinación de las promesas.
      Ni las palabras misteriosas de los velos del alma...
      Es un sosiego, una unción, un desborde de caricias
      Y solo te pide que te quedes quieta, muy quieta
      Y que las cálidas manos de la noche encuentren sin fatalidad la mirada extasiada del alba.



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      Mensaje por Maria Lua Dom 14 Abr 2024, 13:07

      A PONTE DE VAN GOGH


      Itatiaia

      O lugar não importa: pode ser o Japão, a Holanda, a campina inglesa.
      Mas é absolutamente preciso que seja domingo.

      O azul do céu ecoa na esmeralda do rio
      E o rio reflete docemente as margens de relva verde-laranja
      Dir-se-ia que da mansão da esquerda voou o lençol virginal de miss
      Para ser no céu sem mancha a única nuvem.
      A calma é velha, de uma velhice sem pátina
      As cores são simples, ingênuas
      A estação é feliz: o guarda da ponte chegou a pintar
      De listas vermelhas o teto de sua casinhola.
      E, meu Deus, se não fossem esses diabinhos de pinheiros a fazer caretas
      E a pressa com que o homem da charrete vai:
      - A pressa de quem atravessou um vago perigo
      Tudo estivesse perfeito, e não me viesse esse medo tolo de a pequena ponte levadiça
      Desabe e se molhe o vestido preto de Cristina Georgina Rosseti
      Que vai de umbrela especialmente para ouvir a prédica do novo pastor da vila.



      Itatiaia, 1937.



      ***************



      Itatiaia

      No importa el lugar: puede ser Japón, Holanda, la campiña inglesa.
      Pero es absolutamente necesario que sea domingo.

      El azul del cielo resuena en el esmeralda del río.
      Y el río refleja dulcemente las orillas de hierba verde anaranjada.
      Se diría que la sábana virginal de la señorita voló desde la mansión de la izquierda.
      Para ser en el cielo inmaculado la única nube.
      La calma es vieja, de una vejez sin pátina.
      Los colores son simples, ingenuos.
      La estación está contenta: el guardia del puente incluso pintó
      franjas rojas en el techo de su casita.
      Y, Dios mío, si no fuera por esos diablitos de pino que hacen muecas
      Y el apuro con el que va el hombre de la calesa:
      - La prisa de alguien que ha atravesado un vago peligro.
      Todo sería perfecto y no tendría ese miedo tonto al pequeño puente levadizo.
      El vestido negro de Cristina Georgina Rosseti se desploma y se moja
      Que va bajo el paraguas especialmente para escuchar la predicación del nuevo pastor del pueblo.



      Itatiaia, 1937.





      Itatiaia é um município brasileiro do Estado do Rio de Janeiro.

      EtimologiaVer também: Topônimos tupi-guaranis no Brasil
      "Itatiaia" é um termo tupi que significa "pedra pontuda", por meio da junção dos termos itá ("pedra") e atîaîa ("pontudo").[6]


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      Mensaje por Maria Lua Mar 16 Abr 2024, 19:39

      REVOLTA


      Alma que sofres pavorosamente
      A dor de seres privilegiada
      Abandona o teu pranto, sê contente
      Antes que o horror da solidão te invada.

      Deixa que a vida te possua ardente
      Ó alma supremamente desgraçada.
      Abandona, águia, a inóspita morada
      Vem rastejar no chão como a serpente.

      De que te vale o espaço se te cansa?
      Quanto mais sobes mais o espaço avança...
      Desce ao chão, águia audaz, que a noite é fria.

      Volta, ó alma, ao lugar de onde partiste
      O mundo é bom, o espaço é muito triste...
      Talvez tu possas ser feliz um dia.


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      Mensaje por Maria Lua Jue 18 Abr 2024, 15:18

      MINHA MÃE


      Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
      Tenho medo da vida, minha mãe.
      Canta a doce cantiga que cantavas
      Quando eu corria doido ao teu regaço
      Com medo dos fantasmas do telhado.
      Nina o meu sono cheio de inquietude
      Batendo de levinho no meu braço
      Que estou com muito medo, minha mãe.
      Repousa a luz amiga dos teus olhos
      Nos meus olhos sem luz e sem repouso
      Dize à dor que me espera eternamente
      Para ir embora. Expulsa a angústia imensa
      Do meu ser que não quer e que não pode
      Dá-me um beijo na fronte dolorida
      Que ela arde de febre, minha mãe.

      Aninha-me em teu colo como outrora
      Dize-me bem baixo assim: — Filho, não temas
      Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.
      Dorme. Os que de há muito te esperavam
      Cansados já se foram para longe.
      Perto de ti está tua mãezinha
      Teu irmão, que o estudo adormeceu
      Tuas irmãs pisando de levinho
      Para não despertar o sono teu.
      Dorme, meu filho, dorme no meu peito
      Sonha a felicidade. Velo eu.

      Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
      Me apavora a renúncia. Dize que eu fique
      Dize que eu parta, ó mãe, para a saudade.
      Afugenta este espaço que me prende
      Afugenta o infinito que me chama
      Que eu estou com muito medo, minha mãe.

      ---


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      Mensaje por Maria Lua Vie 19 Abr 2024, 08:29

      A BRUSCA POESIA DA MULHER AMADA
      Rio de Janeiro , 1938



      Longe dos pescadores os rios infindáveis vão morrendo de sede lentamente...
      Eles foram vistos caminhando de noite para o amor — oh, a mulher amada é como a fonte!

      A mulher amada é como o pensamento do filósofo sofrendo
      A mulher amada é como o lago dormindo no cerro perdido
      Mas quem é essa misteriosa que é como um círio crepitando no peito?
      Essa que tem olhos, lábios e dedos dentro da forma inexistente?

      Pelo trigo a nascer nas campinas de sol a terra amorosa elevou a face pálida dos lírios
      E os lavradores foram se mudando em príncipes de mãos finas e rostos transfigurados...

      Oh, a mulher amada é como a onda sozinha correndo distante das praias Pousada no fundo estará a estrela, e mais além.



      ********************



      LA BRUSCA POESÍA DE LA MUJER AMADA"

      Lejos de los pescadores los ríos interminables
      van muriendo de sed lentamente...
      Fueron vistos caminando de noche hacia el amor
      -¡oh, la mujer amada es como una fuente!
      La mujer amada es como el pensamiento del filósofo
      que sufre
      La mujer amada es como el lago que duerme en el cerro
      perdido.
      ¿Pero quién es esa misteriosa que es como un cirio
      crepitando en el pecho,
      Esa que tiene ojos, labios y dedos de formas inexistentes?
      Por el trigo naciente en los campos de sol la tierra
      amorosa elevó el rostro pálido de los lirios
      Y los labradores se fueron convirtiendo en príncipes
      de manos delicadas y rostros cambiantes...
      Oh, la mujer amada es como la ola solitaria que se forma
      distante de las playas,
      Posada mucho más allá del fondo estará la estrella.


      _________________



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      Mensaje por Maria Lua Sáb 20 Abr 2024, 09:56

      AMOR NOS TRÊS PAVIMENTOS


      Eu não sei tocar, mas se você pedir
      Eu toco violino fagote trombone saxofone.
      Eu não sei cantar, mas se você pedir
      Dou um beijo na lua, bebo mel himeto
      Pra cantar melhor.
      Se você pedir eu mato o papa, eu tomo cicuta
      Eu faço tudo que você quiser.

      Você querendo, você me pede, um brinco, um namorado
      Que eu te arranjo logo.
      Você quer fazer verso? É tão simples!... você assina
      Ninguém vai saber.
      Se você me pedir, eu trabalho dobrado
      Só pra te agradar.

      Se você quisesse!... até na morte eu ia
      Descobrir poesia.
      Te recitava as Pombas, tirava modinhas
      Pra te adormecer.
      Até um gurizinho, se você deixar
      Eu dou pra você...


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      o un ciego soñando
      y en ese vuelo y en ese sueño
      compartir contigo sol y luna,
      siendo guardián en tu cielo
      y tren de tus ilusiones."
      (Hánjel)





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      Mensaje por Maria Lua Miér 24 Abr 2024, 09:22

      O TERCEIRO FILHO


      Em busca dos irmãos que tinham ido
      Eu parti com pouco ouro e muita bênção
      Sob o olhar dos pais aflitos.

      Eu encontrei os meus irmãos
      Que a ira do Senhor transformou em pedra
      Mas ainda não encontrei o velho mendigo
      Que ficava na encruzilhada do bom e do mau caminho
      E que se parecia com Jesus de Nazaré...



      *****************



      EL TERCER HIJO


      En busca de los hermanos que se habían ido
      Me fui con poco oro y mucha bendicion
      Bajo la mirada de padres angustiados.

      Encontré a mis hermanos
      Que la ira del Señor se convirtió en piedra
      Pero todavía no he encontrado al viejo mendigo.
      Que se encontraba en la encrucijada de caminos buenos y malos.
      Y quién se parecía a Jesús de Nazaret...


      _________________



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      compartir contigo sol y luna,
      siendo guardián en tu cielo
      y tren de tus ilusiones."
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      VINICIUS DE MORAES  - Página 34 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

      Mensaje por Maria Lua Jue 25 Abr 2024, 20:06

      Textos de Para vivir un gran amor, de Vinicius de Moraes


      Introducción, selección, traducción y notas: Wilfredo Carrizales



      El autor y su obra



      Con Vinicius de Moraes, la poesía moderna brasileña deja de ser privilegio de aficionados para alcanzar al gran público. Su actividad como compositor de letras de bossa-nova, además de haber enriquecido la música popular con obras primas, hizo que sus libros de poesía fuesen buscados por los que se deleitaban con canciones como “Garota de Ipanema” o “Se todos fossem iguais a vocé”, entre otras. Con su lirismo tierno y sensual, Vinicius se tornó el más popular de los poetas brasileños contemporáneos.

      Nacido en Gávea, Río de Janeiro, el 19 de octubre de 1913, Marcus Vinitius da Cruz de Melo Moraes vivió de los cinco a los catorce años en la Isla del Gobernador. Ahí, en la vida libre, el contacto con la naturaleza y la presencia del mar tuvieron influencia decisiva en la formación de su sensibilidad poética. Era, al mismo tiempo, un gran lector, devorando autores como Julio Verne, Zévaco, Bilac y Coelho Neto. A la edad de siete años compone sus primeras cuartetas y composiciones líricas.

      La música lo atrae desde temprano y aún en el colegio Santo Inácio, de los jesuitas, participó con su violón en un pequeño grupo que tocaba en fiestas. En 1930 entró a la Facultad Nacional de Derecho, ligándose al novelista Otávio de Faria y a San Tiago Dantas. A través de ellos, conoce las obras de los novelistas rusos, de los filósofos Nietzsche, Pascal y Kierkegaard, y del dramaturgo Ibsen. Adquirió, entonces, una postura nítidamente espiritualista y aristócrata. En el decir del propio Vinicius, ese periodo representa una “zambullida en lo sublime”.

      El camino para la distancia (O Camino para a Distancia, 1933), su libro de estreno, trae la marca de una religiosidad neosimbolista. Con Forma y exégesis (1935) conquista el premio de la Sociedad Felipe d’Oliveira. Al año siguiente, lanzó una plaquette con un largo poema, Ariana, la mujer. Con su talento ya reconocido, publicó, en 1938, Nuevos poemas. Surge un nuevo tono en su poesía que se consolidará con un lenguaje ardiente y directo en Cinco elegías (1943).

      En septiembre de 1938 se trasladó a la Universidad de Oxford para estudiar lengua y literatura inglesas. En Inglaterra, se casó con Beatriz Azevedo. La guerra comenzó y el poeta regresó a Brasil. Se dedicó a la crítica de cine y, en 1943, ingresó al Ministerio de Relaciones Exteriores.

      Poemas, sonetos y baladas surgió el año de 1946 cuando seguía, en la condición de vicecónsul, en Los Ángeles, Estados Unidos, donde permaneció cinco años. Frecuentó Hollywood y se tornó amigo de Orson Welles. Conoció también a Alex Viany y juntos hicieron la revista Filme, que tuvo apenas dos números, pero alcanzó repercusión internacional. De vuelta en Brasil, en 1951, continuó escribiendo crítica de cine. En 1954, al mismo tiempo en que se publicaba su Antología poética, una pieza de su autoría, Orfeu da Conceição, era premiada por la Comisión del IV Centenario de Sao Paulo.

      Montada al año siguiente en el Teatro Municipal, con música de Tom Jobim y escenario de Niemeyer, fue transformada en el filme Orfeu Negro, dirigida por Marcel Camus, que conquistó la Palma de Oro en el Festival de Cannes en 1959. Fue el esplendoroso periodo del bossa-nova que acabó por dar a la música brasileña renombre internacional.

      Vinicius se entregó con pasión a la música. De allí en adelante, la crónica, la poesía y la canción se alternaban, ocupando todo su tiempo y energía creadora. Al optar por la carrera de compositor de letras, levantó una cierta polémica, llegando hasta los “puristas” de la literatura. Entretanto, el poeta supo mantener siempre un alto nivel de creatividad y, en el fondo, siguió una vocación delineada desde su adolescencia.


      cont

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      Mensaje por Maria Lua Dom 28 Abr 2024, 09:40

      A MÁSCARA DA NOITE



      Sim, essa tarde conhece todos os meus pensamentos
      Todos os meus segredos e todos os meus patéticos anseios
      Sob esse céu como uma visão azul de incenso
      As estrelas são perfumes passados que me chegam...

      Sim! essa tarde que eu não conheço é uma mulher que me chama
      E eis que é uma cidade apenas, uma cidade dourada de astros
      Aves, folhas silenciosas, sons perdidos em cores
      Nuvens como velas abertas para o tempo...

      Não sei, toda essa evocação perdida, toda essa música perdida
      É como um pressentimento de inocência, como um apelo...
      Mas para que buscar se a forma ficou no gesto esvanecida
      E se a poesia ficou dormindo nos braços de outrora...

      Como saber se é tarde, se haverá manhã para o crepúsculo
      Nesse entorpecimento, neste filtro mágico de lágrimas?
      Orvalho, orvalho! desce sobre os meus olhos, sobre o meu sexo
      Faz-se surgir diamante dentro do sol!

      Lembro-me!... como se fosse a hora da memória
      Outras tardes, outras janelas, outras criaturas na alma
      O olhar abandonado de um lago e o frêmito de um vento
      Seios crescendo para o poente como salmos...

      Oh, a doce tarde! Sobre mares de gelo ardentes de revérbero
      Vagam placidamente navios fantásticos de prata
      E em grandes castelos cor de ouro, anjos azuis serenos
      Tangem sinos de cristal que vibram na imensa transparência!

      Eu sinto que essa tarde está me vendo, que essa serenidade está me vendo
      Que o momento da criação está me vendo neste instante doloroso de sossego em mim mesmo
      Oh criação que estás me vendo, surge e beija-me os olhos
      Afaga-me os cabelos, canta uma canção para eu dormir!

      És bem tu, máscara da noite, com tua carne rósea
      Com teus longos xales campestres e com teus cânticos
      És bem tu! ouço teus faunos pontilhando as águas de sons de flautas
      Em longas escalas cromáticas fragrantes...

      Ah, meu verso tem palpitações dulcíssimas! — primaveras!
      Sonhos bucólicos nunca sonhados pelo desespero
      Visões de rios plácidos e matas adormecidas
      Sobre o panorama crucificado e monstruoso dos telhados!

      Por que vens, noite? por que não adormeces o teu crepe
      Por que não te esvais — espectro — nesse perfume tenro de rosas?
      Deixa que a tarde envolva eternamente a face dos deuses
      Noite, dolorosa noite, misteriosa noite!

      Oh tarde, máscara da noite, tu és a presciência
      Só tu conheces e acolhes todos os meus pensamentos
      O teu céu, a tua luz, a tua calma
      São a palavra da morte e do sonho em mim!


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      Mensaje por Maria Lua Miér 01 Mayo 2024, 13:28

      OS INCONSOLÁVEIS


      Desesperados vamos pelos caminhos desertos
      Sem lágrimas nos olhos
      Desesperados buscamos constelações no céu enorme
      E em tudo, a escuridão.
      Quem nos levará à claridade
      Quem nos arrancará da visão a treva imóvel
      E falará da aurora prometida?
      Procuramos em vão na multidão que segue
      Um olhar que encoraje nosso olhar
      Mas todos procuramos olhos esperançosos
      E ninguém os encontra.
      Aos que vêm a nós cheios de angústia
      Mostramos a chaga interior sangrando angústias
      E eles lá se vão sofrendo mais.
      Aos que vamos em busca de alegria
      Mostramos a tristeza de nós mesmos
      E eles sofrem, que eles são os infelizes
      Que eles são os sem-consolo...

      Quando virá o fim da noite
      Para as almas que sofrem no silêncio?
      Por que roubar assim a claridade
      Aos pássaros da luz?
      Por que fechar assim o espaço eterno
      Às águias gigantescas?
      Por que encadear assim à terra
      Espíritos que são do imensamente alto?

      Ei-la que vai, a procissão das almas
      Sem gritos, sem prantos, cheia do silêncio do sofrimento
      Andando pela infinita planície que leva ao desconhecido
      As bocas dolorosas não cantam
      Porque os olhos parados não veem.
      Tudo neles é a paralisação da dor no paroxismo
      Tudo neles é a negação do anjo...
      ...são os Inconsoláveis.



      — Águias acorrentadas pelos pés.


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      Mensaje por Maria Lua Sáb 04 Mayo 2024, 09:17

      INATINGÍVEL



      O que sou eu, gritei um dia para o infinito
      E o meu grito subiu, subiu sempre
      Até se diluir na distância.
      Um pássaro no alto planou voo
      E mergulhou no espaço.
      Eu segui porque tinha que seguir
      Com as mãos na boca, em concha
      Gritando para o infinito a minha dúvida.

      Mas a noite espiava a minha dúvida
      E eu me deitei à beira do caminho
      Vendo o vulto dos outros que passavam
      Na esperança da aurora.
      Eu continuo à beira do caminho
      Vendo a luz do infinito
      Que responde ao peregrino a imensa dúvida.

      Eu estou moribundo à beira do caminho.
      O dia já passou milhões de vezes
      E se aproxima a noite do desfecho.
      Morrerei gritando a minha ânsia
      Clamando a crueldade do infinito
      E os pássaros cantarão quando o dia chegar
      E eu já hei de estar morto à beira do caminho.


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      Mensaje por Maria Lua Miér 08 Mayo 2024, 18:10

      O BOM PASTOR



      Amo andar pelas tardes sem som, brandas, maravilhosas
      Com riscos de andorinhas pelo céu.
      Amo ir solitário pelos caminhos
      Olhando a tarde parada no tempo
      Parada no céu como um pássaro em voo
      E que vem de asas largas se abatendo.
      Amo desvendar a vaga penumbra que desce
      Amo sentir o ar sem movimento, a luz sem vida
      Tudo interiorizado, tudo paralisado na oração calma...

      Amo andar nessas tardes...
      Sinto-me penetrando o sereno vazio de tudo
      Como um raio de luz.
      Cresço, projeto-me ao infinito, agigantado
      Para consolar as árvores angustiadas
      E acalmar os pinheiros moribundos.
      Desço aos vales como uma sombra de montanha
      Buscando poesia nos rios parados.
      Sou como o bom-pastor da natureza
      Que recolhe a alma do seu rebanho
      No agasalho da sua alma...

      E amo voltar
      Quando tudo não é mais que uma saudade
      Do momento suspenso que foi...
      Amo voltar quando a noite palpita
      Nas primeiras estrelas claras...
      Amo vir com a aragem que começa a descer das montanhas
      Trazendo cheiros agrestes de selva...
      E pelos caminhos já percorridos, voltando com a noite
      Amo sonhar...


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      Mensaje por Maria Lua Sáb 11 Mayo 2024, 15:52

      O CEMITÉRIO NA MADRUGADA



      Às cinco da manhã a angústia se veste de branco
      E fica como louca, sentada, espiando o mar...
      É a hora em que se acende o fogo-fátuo da madrugada
      Sobre os mármores frios, frios e frios do cemitério
      E em que, embaladas pela harpa cariciosa das pescarias
      Dormem todas as crianças do mundo.

      Às cinco da manhã a angústia se veste de branco
      Tudo repousa... e sem treva, morrem as últimas sombras...
      É a hora em que, libertados do horror da noite escura
      Acordam os grandes anjos da guarda dos jazigos
      E os mais serenos cristos se desenlaçam dos madeiros
      Para lavar o rosto pálido na névoa.

      Às cinco da manhã... — tão tarde soube — não fora ainda uma visão
      Não fora ainda o medo da morte em minha carne!
      Viera de longe... de um corpo lívido de amante
      Do mistério fúnebre de um êxtase esquecido
      Tinha-me perdido na cerração, tinha-me talvez perdido
      Na escuta de asas invisíveis em torno...

      Mas ah, ela veio até mim, a pálida cidade dos poemas
      Eu a vi assim gelada e hirta, na neblina!
      Oh, não eras tu, mulher sonâmbula, tu que eu deixei
      Banhada do orvalho estéril da minha agonia
      Teus seios eram túmulos também, teu ventre era uma urna fria
      Mas não havia paz em ti!

      Lá tudo é sereno... Lá toda a tristeza se cobre de linho
      Lá tudo é manso, manso como um corpo morto de mãe prematura
      Lá brincam os serafins e as flores, bimbalham os sinos
      Em melodias tão alvas que nem se ouvem...
      Lá gozam miríades de vermes, que às brisas matutinas
      Voam em povos de borboletas multicolores...

      Escuto-me falar sem receio; esqueço o amanhã distante
      O vento traz perfumes inconfessáveis dos pinheiros...
      Um dia morrerão todos, morrerão as amadas
      E eu ficarei sozinho, para a hora dos cânticos exangues
      Hei de colar meu ouvido impaciente às tumbas amigas
      E ouvir meu coração batendo.

      Tu trazes alegria à vida, ó Morte, deusa humílima!
      A cada gesto meu riscas uma sombra errante na terra
      Sobre o teu corpo em túnica, vi a farândola das rosas e dos lírios
      E a procissão solene das virgens e das madalenas
      Em tuas maminhas púberes vi mamarem ratos brancos
      Que brotavam como flores dos cadáveres contentes.

      Que pudor te toma agora, poeta, lírico ardente
      Que desespero em ti diz da irrealidade das manhãs?
      A Morte vive em teu ser... — não, não é uma visão de bruma
      Não é o despertar angustiado após o martírio do amor
      É a Poesia... — e tu, homem simples, és um fanático arquiteto
      Ergues a beleza da morte em ti!

      Oh, cemitério da madrugada, por que és tão alegre
      Por que não gemem ciprestes nos teus túmulos?
      Por que te perfumas tanto em teus jasmins
      E tão docemente cantas em teus pássaros?
      És tu que me chamas, ou sou eu que vou a ti
      Criança, brincar também pelos teus parques?

      Por ti, fui triste; hoje, sou alegre por ti, ó morte amiga
      Do teu espectro familiar vi se erguer a única estrela do céu
      Meu silêncio é o teu silêncio — ele não traz angústia
      É assim como a ave perdida no meio do mar...
      ............................................................................................

      Serenidade, leva-me! guarda-me no seio de uma madrugada eterna!




      ****************

      O POETA NA MADRUGADA


      Quando o poeta chegou à cidade
      A aurora vinha clareando o céu distante
      E as primeiras mulheres passavam levando cântaros cheios.
      Os olhos do poeta tinham as claridades da aurora
      E ele cantou a beleza da nova madrugada.
      As mulheres beijaram a fronte do poeta
      E rogaram o seu amor.
      O poeta sorriu.
      Mostrou-lhes no céu claro o pássaro que voava
      E disse que a visão da beleza era da poesia
      O poeta tem a alegria que vive na luz
      E tem a mocidade que nasce da luz.
      As mulheres seguiram o poeta
      Oferecendo a tristeza do seu amor e a alegria da sua carne
      O poeta amou a carne das mulheres
      Mas não envelheceu no amor que elas lhe davam.
      O poeta quando ama
      É como a flor que murcha sem seiva
      Porque o amor do poeta
      É a seiva do mundo
      E se o poeta amasse
      Ele não viveria eternamente jovem, brilhando na luz.

      Quando a nova madrugada raiou no céu distante
      O poeta já tinha partido
      E seguindo o poeta as mulheres de peitos fartos e de cântaros cheios
      Falavam de ardentes promessas de amor.




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      VINICIUS DE MORAES  - Página 34 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

      Mensaje por Maria Lua Lun 13 Mayo 2024, 18:44

      INTROSPECÇÃO

      Nuvens lentas passavam
      Quando eu olhei o céu.
      Eu senti na minha alma a dor do céu
      Que nunca poderá ser sempre calmo.

      Quando eu olhei a árvore perdida
      Não vi ninhos nem pássaros.
      Eu senti na minha alma a dor da árvore
      Esgalhada e sozinha
      Sem pássaros cantando nos seus ninhos.

      Quando eu olhei minha alma
      Vi a treva.
      Eu senti no céu e na árvore perdida
      A dor da treva que vive na minha alma.


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      Mensaje por Maria Lua Miér 15 Mayo 2024, 17:56

      SONETO DA MADRUGADA


      Pensar que já vivi à sombra escura
      Desse ideal de dor, triste ideal
      Que acima das paixões do bem e do mal
      Colocava a paixão da criatura!

      Pensar que essa paixão, flor de amargura
      Foi uma desventura sem igual
      Uma incapacidade de ternura
      Nunca simples e nunca natural!

      Pensar que a vida se houve de tal sorte
      Com tal zelo e tão íntimo sentido
      Que em mim a vida renasceu da morte!

      Hoje me libertei, povo oprimido
      E por ti viverei meu ódio forte
      Nesse misterioso amor perdido.


      _________________



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      "Ser como un verso volando
      o un ciego soñando
      y en ese vuelo y en ese sueño
      compartir contigo sol y luna,
      siendo guardián en tu cielo
      y tren de tus ilusiones."
      (Hánjel)





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      Mensaje por Maria Lua Sáb 18 Mayo 2024, 18:04

      O APELO

      Que te vale, minha alma, essa paisagem fria
      Essa terra onde parecem repousar virgens distantes?
      Que te importa essa calma, essa tarde caindo sem vozes
      Esse ar onde as nuvens se esquecem como adeuses?
      Que te diz o adormecimento dessa montanha extática
      Onde há caminhos tão tristes que ninguém anda neles
      E onde o pipilo de um pássaro que passa de repente
      Parece suspender uma lágrima que nunca se derrama?
      Para que te debruças inutilmente sobre esse ermo
      E buscas um grito de agonia que nunca te chegará a tempo
      Que são longos, minha alma, os espaços perdidos...
      Ah, chegar! chegar depois de tanta ausência
      E despontar como um santo dentro das ruas escuras
      Bêbado dos seios da amada cheios de espuma!


      _________________



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      "Ser como un verso volando
      o un ciego soñando
      y en ese vuelo y en ese sueño
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      siendo guardián en tu cielo
      y tren de tus ilusiones."
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