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    Mensaje por Maria Lua Mar 23 Ene 2024 - 8:23

    Mario Quintana (Alegrete 1906). Es un caso particular, a pesar de pertenecer por su edad al
    postmodernismo, no publicó su primer libro hasta 1940. Es una de las voces más líricas de Brasil. Resalta la
    brevedad de su lenguaje y la profundidad del mismo, la economía de medios influye en su directa
    comunicabilidad. Es característico su Sencillez, delicadez y humor fino:


    La noche es una enorme esfinge de granito negro allá fuera.
    Enciendo mi lámpara nocturna.
    Pero, en los vientres, hay fetos pensativos desarrollándose
    Y hay cabellos que están creciendo, lentamente, debajo de la tierra
    Junto a raíces húmedas (...)
    Imposible, querido doctor Watson, seguir el hilo de su confusa y deliciosa
    [historia.



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    Poema completo en portugués:


    A NOITE

    A noite é uma enorme Esfinge de granito negro
    La fora.
    Eu acendo a minha lâmpada de cabeceira.
    Estou lendo Sherlock Holmes.
    Mas, nos ventres, há fetos pensativos desenvolvendo-se...
    E há cabelos que estão crescendo, lentamente, por debaixo da terra,
    Junto com as raízes úmidas...
    E há cânceres...cânceres!...distendendo-se como lentos dedos...
    Impossível, meu caro doutor Watson, seguir o fio desta sua confusa e
    deliciosa história.
    A noite amassa pavor nas entrelinhas.
    É um grude espesso, obscuro...
    Vontade de gritar claros nomes serenos
    PALLAS NAUSICAA ATHENA Ai, mas os deuses se foram...
    Só tu aí ficaste
    Só tu, do fundo da noite imensa, a agonizares eternamente na tua cruz!...



    Mario Quintana,
    In: O Aprendiz de Feiticeiro




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    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
    compartir contigo sol y luna,
    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
    (Hánjel)





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    Mensaje por Maria Lua Jue 25 Ene 2024 - 10:16

    Conto azul




    Amorte é tão antiquada
    que sempre entra pela porta da rua
    e sobe só pelas escadas.
    Mandei pensando nisso fazer uma escada de caracol
    para que ela chegasse tonta ao meu quarto
    — coisa de rir!
    Ela se deixaria então cair na primeira cadeira,
    arfando...
    Mas quem foi que disse que ela tem cara de caveira?
    É uma simpática vovozinha.
    Sorrio-lhe, do meu leito,
    embora me sinta um pouco triste...
    porque é bom estar para morrer
    da mesma forma que é bom estar numa sala de espera
    folheando revistas velhas...
    É isto! Folheio essas estampas
    de minha memória,
    meio desbotadas...
    Súbito, um lábio vermelho desenha-se entre elas
    como se acabasse de ser traçado a batom!
    O resto, é tudo no mesmo tom.
    Espio, para variar, o azul do céu lá fora,
    para onde estarão olhando outros que em breve terão alta.
    As visitas do médico têm sido cada vez mais espaçadas e mais rápidas.
    E sinto que em breve ele se cruzará no caminho com o padre:
    “É a sua vez, agora!”
    Qual! isso seria melodramático
    que nem novela de tevê...
    Na sua cadeira
    a morte espera, paciente
    (ela não é nenhuma assassina).
    Ela deveria fazer tricô...
    mas para quê? mas para quem?
    Agora, uma asa paira no azul.
    Paira no azul...
    Não atribuas a isso qualquer intenção simbólica:
    tudo é tão simples...
    Aliás, eu me achava tão longe...
    O que sempre salvou a morte (e a vida) da gente
    é pensar em outras bobagens...


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    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
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    Mensaje por Maria Lua Vie 26 Ene 2024 - 19:32

    O Poeta é Belo



    O poeta é belo como o Taj-Mahal


    feito de renda e mármore e serenidade


    O poeta é belo como o imprevisto perfil de uma árvore


    ao primeiro relâmpago da tempestade


    O poeta é belo porque os seus farrapos


    são do tecido da eternidade




    **************



    El poeta es bello




    El poeta es bello como el Taj-Mahal

    hecho de encaje y mármol y serenidad

    El poeta es bello como el perfil inesperado de un árbol.

    al primer relámpago de la tormenta

    El poeta es bello porque sus harapos

    son del tejido de la eternidad




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    Mensaje por Maria Lua Sáb 27 Ene 2024 - 10:37

    Recordo ainda… e nada mais me importa…
    Aqueles dias de uma luz tão mansa
    Que me deixavam, sempre, de lembrança,
    Algum brinquedo novo à minha porta…


    Mas veio um vento de Desesperança
    Soprando cinzas pela noite morta!
    E eu pendurei na galharia torta
    Todos os meus brinquedos de criança…


    Estrada afora após segui… Mas, ai,
    Embora idade e senso eu aparente
    Não vos iluda o velho que aqui vai:


    Eu quero os meus brinquedos novamente!
    Sou um pobre menino… acreditai…
    Que envelheceu, um dia, de repente!






    ( Mario Quintana )
    (A rua dos cataventos. Coleção Mario Quintana. 2a. edição. 6a. reimpressão. São Paulo: Globo, 2005. p. 26)


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    Mensaje por Maria Lua Dom 28 Ene 2024 - 12:42

    O luar


    O luar,
    é a luz do Sol que está sonhando.



    *************************


    La luz de la Luna


    La luz de la Luna
    La luz de la Luna es la luz del Sol que está soñando.


    *************************************
    ***********************************


    Incomunicabilidade


    Querer que qualquer um seja sensível ao nosso mundo íntimo é o mesmo que estar sentindo um zumbido no ouvido e pensar que o nosso vizinho de ônibus o possa escutar.


    *****************


    incomunicabilidad


    Querer que cualquiera sea sensible a nuestro mundo íntimo es lo mismo
    que tener un zumbido en el oído y pensar que nuestro vecino en el autobús pueda oir.



    *************************


    *********************



    A oferenda



    Eu queria trazer-te uns versos muito lindos...
    Trago-te estas mãos vazias
    Que vão tomando a forma do teu seio.


    **********************


    La ofrenda


    Quería traerte unos versos muy hermosos...
    Te traigo estas manos vacías
    Que van tomando la forma de tu seno.


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Mar 30 Ene 2024 - 22:36

    Atavismo


    As crianças, os poetas e talvez esses incompreendidos, os loucos, têm uma
    memória atávica das coisas. Por isso julgam alguns que o seu mundo não é
    propriamente este. Ah, nem queiras saber... Eles estão neste mundo há muito
    mais tempo do que nós!



    *********************


    Atavismo


    Los niños, los poetas y quizás los incomprendidos, los locos, tienen una
    memoria atávica de las cosas. Por eso algunas personas piensan que su mundo no es
    exactamente este. Oh, no quieras saberlo... Han estado en este mundo hace mucho.
    más tiempo que nosotros!


    *****************


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    Mensaje por Maria Lua Miér 31 Ene 2024 - 9:08

    Evolução

    Todas as noites o sono nos atira da beira de um cais
    e ficamos repousando no fundo do mar.
    O mar onde tudo recomeça...
    Onde tudo se refaz...
    Até que, um dia, nós criaremos asas.
    E andaremos no ar como se anda em terra.

    ********************

    Evolución

    todas las noches el sueño nos arroja desde el borde de un muelle
    y nos quedamos descansando en el fondo del mar.
    El mar donde todo vuelve a empezar...
    Donde todo se rehace...
    Hasta que, un día, nos crezcan alas.
    Y andaremos por el aire como se anda por la tierra.







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    Mensaje por Maria Lua Jue 1 Feb 2024 - 9:04

    A minha rua

    É uma rua em que tenho o vício
    De nunca entrar, e onde eu nunca entrei,
    E que vai dar na Babilônia, eu sei,
    Ou nalgum porto fenício...

    Se eu lá entrasse, seria Rei
    Ou morreria nalgum suplício...
    Crimes que lá cometerei
    Não deixariam nenhum indício...

    Lá não se pensa, mas se responde
    Conforme as rimas que um outro dá.
    Exemplo: templo. É o templo onde

    O senhor padre me casará
    Com a linda filha de algum Visconde
    Ou do Marquês de Maricá!




    **************************



    Mi calle

    Es una calle a la que soy adicto
    De nunca entrar, y donde nunca entré,
    Y que se va a llegar en Babilonia, lo sé,
    O en algún puerto fenicio...

    Si entrara allí, sería rey.
    O morir en alguna tortura...
    crímenes cometeré allí
    No dejarían ninguna pista..
    .
    Ahí no piensas, pero respondes
    Según las rimas que otro da.
    Ejemplo: templo. Es el templo donde

    el señor sacerdote me casará
    Con la hermosa hija de un vizconde
    ¡O del Marqués de Maricá!


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    Mensaje por Maria Lua Vie 2 Feb 2024 - 11:18

    A canção do mar

    Esse embalo das ondas
    Das ondas do mar
    Não é um embalo
    Para te ninar...

    O mar é embalado
    Pelos afogados!

    O canto do vento
    Do vento no mar
    Não é um canto
    Para te ninar...

    São eles que tentam
    Que tentam falar!

    Tiveram um nome
    Tiveram um corpo
    Agora são vozes
    Do fundo do mar...

    Um dia viremos
    Vestidos de algas

    Os olhos mais verdes
    Que as ondas amargas

    Um dia viremos
    Com barcos e remos

    Um dia...

    Dorme, filhinha...
    São vozes, são vento, são nada...



    ***********************




    La canción del mar




    Esta nana de las olas
    de las olas del mar
    no es una nana
    Para acunarte

    el mar es acunado
    ¡Por los ahogados!

    La canción del viento
    Del viento en el mar
    no es una canción
    Para acunarte

    Ellos son los que intentan
    ¡intentan hablar!

    Han tenido un nombre
    Han tenido un cuerpo
    ahora son voces
    desde el fondo del mar...

    un dia vendremos
    vestidos de algas

    los ojos mas verdes
    que las olas amargas

    un dia vendremos
    Con barcos y remos

    Un día...

    Duerme, hija...
    Son voces, son viento, son nada...



    *************************


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Sáb 3 Feb 2024 - 21:35

    Sonho de uma noite de verão



    Uma procissão de espantalhos,
    pela miséria colorida,
    pelos atalhos
    vinha:
    pediam vida, queriam vida!
    E as suas caras eram trágicas
    porque tinham todas a mesma expressão
    — que era o mesmo que não terem nenhuma expressão.
    E tão insuportável era aquela cara única
    que a polícia atirou em cima deles bombas de gás hilariante.
    Nenhum espantalho riu.
    A procissão continuou,
    a procissão está agora em plena Estrada Real
    enquanto
    pelos atalhos
    por toda a parte
    por cima dos gramados
    por cima dos corpos atropelados
    os automóveis fogem como baratas.
    *****
    Quem disse que a poesia é apenas
    agreste avena?
    A poesia é a eterna Tomada da Bastilha
    o eterno quebra-quebra
    o enforcar de judas, executivos e catedráticos em todas
    [as
    esquinas
    e,
    a um ruflar poderoso de asas,
    entre cortinas incendiadas,
    os Anjos do Senhor estuprando as mais belas filhas dos mortais...
    Deles, nascem os poetas.
    Não todos... Os legítimos
    espúrios:
    um Rimbaud, um Poe, um Cruz e Souza...
    (Rege-os, misteriosamente, o décimo terceiro signo do Zodíaco.)


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    Mensaje por Maria Lua Lun 5 Feb 2024 - 20:57

    Surpresas


    Sabes? Os cabelos da morte são entrelaçados de flores.
    Não de flores mortas como essas inertes sempre-vivas,
    Mas inquietas e misteriosas como os não desfolhados
    [malmequeres
    Ou bravias como as pequenas rosas-silvestres.

    As mãos da morte, as suas mãos não têm anéis,
    Sua virgem nudez não comporta o peso de uma joia,
    Os seus olhos não são, não são uns covis de treva,
    Mas cheios de luz como os olhos do primeiro amor.

    Porque a morte não faz esquecer, mas faz tudo lembrar,
    Porque a morte não é, não é um sono eterno:
    Tu vais adormecer como num berço, pouco a pouco,
    E acordarás de súbito num vasto leito de noivado!


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    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
    compartir contigo sol y luna,
    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
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    Mensaje por Maria Lua Jue 8 Feb 2024 - 19:47

    Desespero


    Não há nada mais triste do que o grito de um trem no silêncio noturno. É a queixa de um estranho animal perdido, único sobrevivente de alguma espécie extinta, e que corre, corre, desesperado, noite em fora, como para escapar à sua orfandade e solidão de monstro.


    *******************


    Desesperación


    No hay nada más triste que el grito de un tren en el silencio de la noche. Es la queja de un extraño animal perdido, único superviviente de alguna especie extinguida, y que corre, corre, desesperado, toda la noche, como para escapar de su orfandad y soledad de monstruo.



    ******************

    ******************



    Mudança de temperatura


    Nos fios telegráficos pousaram uma, duas, três, quatro andorinhas. Olham de um lado e outro... Irão partir? Sobre as cercas rasas do arrabalde, os girassóis espiam como girafas...


    *****************


    Cambio de temperatura


    Una, dos, tres, cuatro golondrinas aterrizaron en los cables del telégrafo. Miran de un lado a otro... ¿Se irán? Sobre las cercas poco profundas de las afueras, los girasoles se asoman como jirafas...


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    Mensaje por Maria Lua Sáb 10 Feb 2024 - 19:28

    O AUTO-RETRATO


    Mario Quintana (1906-1994)

    No retrato que me faço
    – traço a traço –
    às vezes me pinto nuvem,
    às vezes me pinto árvore…

    às vezes me pinto coisas
    de que nem há mais lembrança…
    as coisas que não existem
    mas um dia existirão…

    e, desta lida, em que busco
    – pouco a pouco –
    minha eterna semelhança,

    no final que restará?
    Um desenho de criança…
    Corrigido por um louco!



    (Do livro “Apontamentos de História Sobrenatural”, lançado em 1976)



    ****************

    EL AUTORRETRATO

    En el retrato que me hago
    –trazo a trazo–
    A veces me pinto nube,
    A veces me pinto árbol...

    A veces me pinto cosas
    De las que no hay más recuerdo...
    O cosas que no existen
    Pero que un día existirán...

    Y, de esta leída, en que busco
    –poco a poco–
    Mi eterna semejanza,

    Al final, ¿qué quedará?
    Un diseño de niño...
    ¡Corregido por un loco!



    Versión: Demian Paredes, Buenos Aires, 2022.


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    Mensaje por Maria Lua Lun 12 Feb 2024 - 10:45

    Quem Sabe um Dia



    Quem
    sabe um dia
    Quem sabe um seremos
    Quem sabe um viveremos
    Quem sabe um morreremos!

    Quem é que
    Quem é macho
    Quem é fêmea
    Quem é humano, apenas!

    Sabe amar
    Sabe de mim e de si
    Sabe de nós
    Sabe ser um!

    Um dia
    Um mês
    Um ano
    Um(a) vida!

    Sentir primeiro, pensar depois
    Perdoar primeiro, julgar depois

    Amar primeiro, educar depois
    Esquecer primeiro, aprender depois

    Libertar primeiro, ensinar depois
    Alimentar primeiro, cantar depois

    Possuir primeiro, contemplar depois
    Agir primeiro, julgar depois

    Navegar primeiro, aportar depois
    Viver primeiro, morrer depois



    ****************


    A Verdadeira Arte de Viajar


    A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
    Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
    Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
    Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!

    (Quintana in “A cor do invisível”)


    *******************


    O luar,
    é a luz do Sol que está sonhando

    ----------------------------------------

    O tempo não pára!
    A saudade é que faz as coisas pararem no tempo...

    -----------------------------------------

    ...os verdadeiros versos não são para embalar,
    mas para abalar...

    ------------------------------------------

    A grande tristeza dos rios é não poderem levar a tua imagem...


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    Mensaje por Maria Lua Lun 12 Feb 2024 - 10:49

    Da Inquieta Esperança


    Bem sabes Tu, Senhor, que o bem melhor é aquele

    Que não passa, talvez, de um desejo ilusório.

    Nunca me dê o Céu... quero é sonhar com ele

    Na inquietação feliz do Purgatório.


    *****************

    De la inquieta esperanza


    Tú sabes bien, Señor, que el mejor bien es aquel

    Que no pasa, tal vez no sea más que un deseo ilusorio.

    Nunca me des el cielo... lo que quiero es soñar con él.

    En la feliz inquietud del Purgatorio.


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    Mensaje por Maria Lua Miér 14 Feb 2024 - 9:38

    AULA INAUGURAL



    É verdade que na Ilíada não havia tantos heróis
    como na guerra do Paraguai…
    Mas eram bem falantes
    E todos os seus gestos eram ritmados como num balé
    Pela cadência dos metros homéricos.
    Fora do ritmo, só há danação.
    Fora da poesia não há salvação.
    A poesia é dança e a dança é alegria.
    Dança, pois, teu desespero, dança.
    Tua miséria, teus arrebatamentos,
    Teus júbilos
    E,
    Mesmo que temas imensamente a Deus,
    Dança como David diante da Arca da Aliança;
    Mesmo que temas imensamente a morte
    Dança diante da tua cova.
    Tece coroas de rimas…
    Enquanto o poema não termina
    A rima é como uma esperança
    Que eternamente se renova.
    A canção, a simples canção, é uma luz dentro da noite.
    (Sabem todas as almas perdidas…)
    O solene canto é um archote nas trevas.
    (Sabem todas as almas perdidas…)

    Dança, encantado dominador de monstros,
    Tirano das esfinges,
    Dança, Poeta,
    E sob o aéreo, o implacável, o irresistível
    ritmo de teus pés,
    Deixa rugir o Caos atônito…




    Mario Quintana, Melhores poemas





    ******************


    CLASE INAUGURAL

    Es verdad que en la Ilíada no había tantos héroes como en la guerra de Paraguay...
    Pero eran bien hablados
    Y todos sus gestos eran ritmados como en un ballet
    Por la cadencia de los metros homéricos.
    Fuera del ritmo, sólo hay condenación.
    Fuera de la poesía no hay salvación.
    La poesía es danza y la danza es alegría.
    Danza, pues, tu desesperación, danza.
    Tus júbilos
    Y,
    Aunque temas inmensamente a Dios,
    Danza como David ante el Arca de la Alianza;
    Así temas inmensamente la muerte
    Danza delante de tu fosa.
    Teje coronas de rimas...
    Mientras el poema no termina
    La rima es como una esperanza
    Que eternamente se renueva.
    La canción, la simple canción, es una luz en medio de la noche.
    (Lo saben todas las almas perdidas...)
    El solemne canto es una antorcha en las sombras.
    (Lo saben todas las almas perdidas...)

    Danza, encantado dominador de monstruos,
    Tirano de las esfinges,
    Danza, Poeta,
    Y sobre lo aéreo, lo implacable, el irresistible ritmo de tus pies,
    Deja rugir el Caos atónito...




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    Mensaje por Maria Lua Sáb 17 Feb 2024 - 8:16

    O límpido cristal


    Que límpido o cristal de abril!... Um grito
    não vai como os da noite — para os extramundos...
    Todas as vozes, todas as palavras ditas — cigarras presas
    dentro do globo azul — vão em redor do mundo
    e a ninguém é preciso entender o que elas dizem;
    basta aquele bordoneio profundo
    que vibra com o peito de cada um...
    palavras felizes de se encontrarem uma com a outra
    nas solidões do mundo!


    ******************

    El límpido cristal

    ¡Qué límpido es el cristal de abril!... Un grito
    no va como los de la noche — a los "extramundos"..
    Todas las voces, todas las palabras pronunciadas: cigarras atrapadas
    dentro del globo azul - hacen la vuelta al mundo
    y nadie necesita entender lo que dicen;
    solo aquel bordoneo profundo
    que vibra con el pecho de cada uno...
    palabras felices por encontrarse una con la otra
    en las soledades del mundo!


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    Mensaje por Maria Lua Dom 18 Feb 2024 - 19:45

    Viagem futura


    Um dia aparecerão minhas tatuagens invisíveis:
    marinheiro do além, encontrarei nos portos
    caras amigas, estranhas caras, desconhecidos tios mortos
    e eles me indagarão se é muito longe ainda o outro mundo...


    *******************


    futuro viaje


    Un día aparecerán mis tatuajes invisibles:
    marinero del más allá, encontraré en los puertos
    caras amigas, extrañas caras, desconocidos tíos muertos
    y me preguntarán si el otro mundo aún está muy lejos...



    **************************************

    ************************************






    Silêncios


    Há um silêncio de antes de abrir-se um telegrama urgente
    há um silêncio de um primeiro olhar de desejo
    há um silêncio trêmulo de teias ao apanhar uma mosca
    e
    o silêncio de uma lápide que ninguém lê.



    *****************


    Silencios


    Hay un silencio antes de abrir un telegrama urgente
    hay un silencio de una primera mirada de deseo
    hay un silencio estremecedor de telarañas al atrapar una mosca
    y
    el silencio de una lápida que nadie lee.


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Lun 19 Feb 2024 - 19:57

    Dança

    Amenina dança sozinha
    por um momento.

    A menina dança sozinha
    com o vento, com o ar, com
    o sonho de olhos imensos...

    A forma grácil de suas pernas
    ele é que as plasma, o seu par
    de ar
    de vento,
    o seu par fantasma..
    .
    Menina de olhos imensos,
    tu, agora, paras,
    mas a mão ainda erguida

    segura ainda no ar
    o hastil invisível
    deste poema!


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    Mensaje por Maria Lua Mar 20 Feb 2024 - 20:05

    Preparativos para a viagem



    Uns vão de guarda-chuva e galochas,
    outros arrastam um baú de guardados...
    Inúteis precauções!
    Mas,
    se levares apenas as visões deste lado,
    nada te será confiscado:
    todo o mundo respeita os sonhos de um ceguinho
    — a sua única felicidade!
    E os próprios Anjos, esses que fitam eternamente a face
    [do
    Senhor...
    os próprios Anjos te invejarão


    *********************

    Preparativos para el viaje


    Algunos van con paraguas y botas de agua,
    otros arrastran un baúl de guardados...
    ¡inútiles Precauciones!
    Pero,
    si solo llevas las visiones de este lado,
    nada te será confiscado:
    todos respetan los sueños de un ciego
    ¡su única felicidad!
    Y los mismos Ángeles, esos que miran eternamente a la cara
    [del
    Señor...
    los mismos ángeles te envidiarán


    _________________


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Vie 23 Feb 2024 - 10:22

    Intermezzo



    Nem tudo pode estar sumido
    ou consumido...
    Deve — forçosamente — a qualquer instante
    formar-se, pobre amigo, uma bolha de tempo nessa
    [Eternidade..e conde
    — o mesmo barman no mesmo balcão,
    por trás a esplêndida biblioteca de garrafas,
    fonte da nossa colorida erudição —
    haveremos de continuar aquela nossa velha discussão
    sobre tudo e nada
    até
    que, fartos de tudo e nada,
    desta e da outra vida,
    a rir como uns perdidos,
    a chorar como uns danados,
    beberemos os dois nos crânios um do outro...
    até o teto desabar!
    (Perdão! até a bolha rebentar...)


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Lun 26 Feb 2024 - 21:35

    Tempestade Noturna

    Noite alta,
    na soçobrante Nau exposta aos quatro ventos,
    em pleno céu sulcado de relâmpagos,
    os marinheiros mortos trovejam palavrões.
    Ó velhos marinheiros meus avós…
    para eles ainda não terminou a espantosa Era dos Descobrimentos!

    Santa Bárbara
    e São Jerônimo,
    transidos de divino amor,
    escutam suas pragas como orações.

    Quando eu acordar amanhã, livre e liberto como uma asa,
    vou rezar a São Jerônimo
    vou rezar a Santa Bárbara
    por este nosso fim de século – pobre Nau perdida no nevoeiro –
    que em vão busca o rumo

    das eternas, das misteriosas Américas ainda por descobrir!






    ( Mario Quintana )
    (Poema publicado originalmente no livro Baú de Espantos, retirado de Poesia Completa – Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 579.)

    **********************



    A luta amorosa com as palavras



    Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Há! Mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas… Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a eternidade.

    Nasci do rigor do inverno, temperatura: 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro – o mesmo tendo acontecido a Sir Isaac Newton! Excusez du peu.

    Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que nunca acho que escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! Sou é caladão, introspectivo. Não sei por que sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros ?

    Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante 5 anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Veríssimo – que bem sabem (ou souberam), o que é a luta amorosa com as palavras.

    ( Mario Quintana )

    (texto escrito pelo poeta para a revista “Isto É” de 14/11/1984)





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    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
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    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
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    Mensaje por Maria Lua Miér 28 Feb 2024 - 16:53

    Mario Quintana. Puntos Suspensivos...




    Esos libros que se nos quedan en las manos emitiendo calor, esos libros que vibran al tacto, como prometiémdonos algo, así son los poemas y es la edición de 2007 de Puntos Suspensivos del poeta brasileño Mario Quintana a la que ahora vuelvo para "dejar recado" en este blog. De su poesía, con decir que es luminosa, fresca, arrumbada, imaginativa, que sonríe el texto para nosotros, que suena a verdad, baste, no necesita más adornos. Y como nota, aquí queden unos poemas en portugúes y en castellano, traducidos para la edición por Enrique García-Máiquez.

    ACUARELA DE APÓS - CHUVA

    No peitoril de todas as janelas
    Há una flor convalescente...
    No céu desenha-se um pálido sorriso...
    Só o teu nome, que estava quase desmaiado no meu peito,
    Aviva-se em brasa como una cicatriz!


    ACUARELA DESPUÉS DE LA LLUVIA

    En el pretil de todas las ventanas,
    hay una flor convaleciente...
    se dibuja en el cielo una sonrisa pálida...
    Sólo tu nombre que estaba desmayado en mi pecho
    se pone al rojo vivo como una cicatriz.


    OS POEMAS

    Os poemas sao pássaros que chegam
    nao se sabe de onde e pousam
    no livro que lês.
    Quando fechas o livro, eles alçam vôo
    como de um alçapao.
    Eles nao têm pouso
    nem porto;
    alimentam-se um instante em cada
    par de maos e partem.
    E olhas, entao, essas tuas maos vazias,
    no maravilhado espanto de saberes
    que o alimento deles já estava em ti...


    LOS POEMAS

    Los poemas son pájaros que llegan
    -no se sabe de dónde- y se posasn
    en el libro que lees.
    Cuando cierras el libro, alzan el vuelo
    como si huyesen de una trampa.
    Ellos no tienen nido
    ni refugio,
    se alimentan, inquietos, en cada par de manos
    y parten...
    Entonces, miras esas manos tuyas, vacías,
    con el maravilloso asombro de saber
    que el alimento de los pájaros ya estaba en ti.


    Puntos Suspensivos de Mario Quintana ha sido editado por Los Papeles del Sitio, Valencina, Sevilla, 2007. Traducción y edición de Enrique García Máiquez.




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    Mensaje por Maria Lua Dom 3 Mar 2024 - 11:23

    Retrato do poeta na idade ingrata



    A minha alma era uma paisagem hirsuta:
    cactos, palmas híspidas,
    estranhas flores que atemorizavam (seriam aranhas
    carnívoras?) parecia
    um texto obscuro com pontuação excessiva:
    tudo porque me estavam apontando alguns fios de barba:
    e cada fio era uma baioneta-calada contra o mundo:

    tu
    com
    a graça aérea de um helicóptero ou de uma libélula
    soubeste achar — naquilo — onde o campo de pouso,
    soubeste ouvir onde cantava
    pura
    a fonte oculta...
    Só tu soubeste achar-me... e te foste!


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    Mensaje por Maria Lua Lun 4 Mar 2024 - 19:32

    Noturno


    O gato, que mora no mundo para sempre perdido do cinema silencioso,
    atravessa o país do tapete, onde se abrem flores falsamente tropicais.
    Ao pé da escada, por força do hábito, a avozinha morta começa a tricotar
    mais um pulôver.
    Por trás de suas barbas, no retrato da parede, o olhar do avô indaga: — para
    quê?
    De repente, na copa, o refrigerador compõe ruidosamente a garganta,
    enquanto estremecem de medo os frágeis habitantes do porta-cristais: — Meu
    Deus, meu Deus, ele agora vai fazer um discurso!


    ********************

    Nocturno


    El gato, que vive en el mundo para siempre perdido del cine silencioso,
    atraviesa el país de la alfombra, donde se abren falsas flores tropicales.
    Al pie de la escalera, por costumbre, la abuelita muerta comienza a tejer
    un jersey más.
    Detrás de su barba, en el retrato de la pared, la mirada del abuelo pregunta: — a
    ¿qué?
    De repente, en la despensa, el refrigerador compone ruidosamente la garganta,
    mientras tiemblan de miedo los frágiles habitantes del portacristales : —
    ¡Dios mío, Dios mío, ahora él va a dar un discurso!


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    Mensaje por Maria Lua Jue 7 Mar 2024 - 9:20

    Deixa-me seguir para o mar


    Tenta esquecer-me... Ser lembrado é como
    evocar-se um fantasma... Deixa-me ser
    o que sou, o que sempre fui, um rio que vai fluindo...

    Em vão, em minhas margens cantarão as horas,
    me recamarei de estrelas como um manto real,
    me bordarei de nuvens e de asas,
    às vezes virão em mim as crianças banhar-se...

    Um espelho não guarda as coisas refletidas!
    E o meu destino é seguir... é seguir para o Mar, as imagens perdendo no caminho...
    Deixa-me fluir, passar, cantar...

    toda a tristeza dos rios é não poderem parar!



    ***********************


    Seiscentos e Sessenta e Seis



    A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.

    Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…
    Quando se vê, já é 6ª-feira…
    Quando se vê, passaram 60 anos!
    Agora, é tarde demais para ser reprovado…
    E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
    eu nem olhava o relógio
    seguia sempre em frente…

    E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.



    *******************


    O pobre poema



    Eu escrevi um poema horrível!
    É claro que ele queria dizer alguma coisa...
    Mas o quê?
    Estaria engasgado?
    Nas suas meias-palavras havia no entanto uma ternura mansa como a que se vê nos olhos de uma criança doente, uma precoce, incompreensível gravidade
    de quem, sem ler os jornais,
    soubesse dos seqüestros
    dos que morrem sem culpa
    dos que se desviam porque todos os caminhos estão tomados...
    Poema, menininho condenado,

    bem se via que ele não era deste mundo nem para este mundo...
    Tomado, então, de um ódio insensato,
    esse ódio que enlouquece os homens ante a insuportável
    verdade, dilacerei-o em mil pedaços.

    E respirei...
    Também! quem mandou ter ele nascido no mundo errado?




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    Mensaje por Maria Lua Sáb 9 Mar 2024 - 8:28

    Soneto XXXV "Quando Eu Morrer..." | Poema de Mário Quintana com narração de Mundo Dos Poemas





    Soneto XXXV – de A Rua dos Cataventos


    Quando eu morrer e no frescor de Lua
    Da casa nova me quedar a sós,
    Deixa-me em paz na minha quieta rua…
    Nada mais quero com nenhum de vós!

    Quero é ficar com alguns poemas tortos
    Que andei tentando endireitar em vão…
    Que lindo a Eternidade, amigos mortos,
    Para as torturas lentas da Expressão!…

    Eu lavarei comigo as madrugadas,
    Pôr de sóis, algum luar, asas em bando,
    Mais o rir das primeiras namoradas…

    E um dia a morte há de fitar com espanto
    Os fios da vida que eu urdi, cantando,
    Na orla negra do seu negro manto…



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    Mensaje por Maria Lua Dom 10 Mar 2024 - 9:01

    As falsas recordações




    Se a gente pudesse escolher a infância que teria vivido, com que enternecimento eu não recordaria agora aquele velho tio de perna de pau, que nunca existiu na família, e aquele arroio que nunca passou aos fundos do quintal, e onde íamos pescar e sestear nas tardes de verão, sob o zumbido inquietante dos besouros...




    ******************


    Los falsos recuerdos




    Si pudiéramos elegir la infancia que habríamos vivido, con qué ternura recordaría ahora a ese tío viejo de la pata de palo, que nunca existió en la familia, y ese arroyo que nunca corría por el fondo del patio, y a donde íbamos a pescar y hacer la siesta en las tardes de verano, bajo el inquietante zumbido de los escarabajos...



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    Mensaje por Maria Lua Mar 12 Mar 2024 - 19:24

    O vento e eu





    O vento morria de tédio

    Porque apenas gostava de cantar

    Mas não tinha letra alguma para a sua própria voz,

    Cada vez mais vazia…

    Tentei então compor-lhe uma canção

    Tão comprida como a minha vida

    E com aventuras espantosas que eu inventava de súbito,

    Como aquela em que menino eu fui roubado pelos ciganos

    E fiquei vagando sem pátria, sem família, sem nada neste vasto mundo…

    Mas o vento, por isso

    Me julga agora como ele…

    E me dedica um amor solidário, profundo!






    – Mario Quintana, do livro “Velório sem defunto”, 1990.

    §





    Nos salões do sonho





    Mas vocês não repararam, não?!

    Nos salões do sonho nunca há espelhos…

    Por quê?

    Será porque somos tão nós mesmos

    Que dispensamos o vão testemunho dos reflexos?

    Ou, então

    – e aqui começa um arrepio –

    Seremos acaso tão outros?

    Tão outros mesmos que não suportaríamos a visão daquilo,

    Daquela coisa que nos estivesse olhando fixamente do outro lado,

    Se espelhos houvesse!

    Ninguém pode saber… Só o diria

    Mas nada diz,

    Por motivos que só ele conhece,

    O misterioso Cenarista dos Sonhos!








    – Mario Quintana, do livro “Velório sem defunto”, 1990.


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    Mensaje por Maria Lua Jue 14 Mar 2024 - 10:17

    CANÇÃO PARALELA






    Por uma escada que levava até o rio...

    Por uma escarpa que subia até as nuvens...

    Pezinhos nus

    Desceram...

    Mãos nodosas

    Grimparam...

    E havia um coraçãozinho que batia assustado, assustado...

    E um coração tão duro que era como se estivesse parado...

    Um escorria fel...

    O outro, lágrimas...

    No rosto dele havia sulcos como de arado...

    No rosto dela a boca era uma flor machucada...



    E até a morte os separou!





    ______________________________



    CANCIÓN PARALELA





    Por una escalera que llevaba hasta el río...

    Por una escarpa que subía hasta las nubes...

    Pequeños pies descalzos

    Bajaron...

    Manos callosas

    Treparon...

    Y había un corazoncito que latía asustado, asustado...

    Y un corazón tan duro que era como si estuviese parado...

    De uno escurría hiel...

    Del otro, lágrimas...

    En el rostro de él había surcos como de arado...

    En el rostro de ella la boca era una flor machucada...



    ¡Y hasta la muerte los separó!





    ______________________________






    MARIO QUINTANA
    “CANÇÃO PARALELA”: del poemario “CANÇÕES” (1946)
    Traducción: Juan Martín


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