Aires de Libertad

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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:33

    Adão e Eva


    Olhámo-nos um dia,
    E cada um de nós sonhou que achara
    O par que a alma e a carne lhe pedia.

    - E cada um de nós sonhou que o achara...

    E entre nós dois
    Se deu, depois, o caso da maçã e da serpente,
    ...Se deu, e se dará continuamente:

    Na palma da tua mão,
    Me ofertaste, e eu mordi, o fruto do pecado.

    - O meu nome é Adão...

    E em que furor sagrado
    Os nossos corpos nus e desejosos
    Como serpentes brancas se enroscaram,
    Tentando ser um só!

    Ó beijos angustiados e raivosos
    Que as nossas pobres bocas se atiraram,
    Sobre um leito de terra, cinza e pó!

    Ó abraços que os braços apertaram,
    Dedos que se misturaram!

    Ó ânsia que sofreste, ó ânsia que sofri,
    Sede que nada mata, ânsia sem fim!
    - Tu de entrar em mim,
    Eu de entrar em ti.

    Assim toda te deste,
    E assim todo me dei:

    Sobre o teu longo corpo agonizante,
    Meu inferno celeste,
    Cem vezes morri, prostrado...
    Cem vezes ressuscitei
    Para uma dor mais vibrante
    E um prazer mais torturado.

    E enquanto as nossas bocas se esmagavam,
    E as doces curvas do teu corpo se ajustavam
    Às linhas fortes do meu,
    Os nossos olhos muito perto, imensos
    No desespero desse abraço mudo,
    Confessaram-me tudo!
    ...Enquanto nós pairávamos, suspensos
    Entre a terra e o céu.

    Assim as almas se entregaram,
    Como os corpos se tinham entregado.
    Assim duas metades se amoldaram
    Ante as barbas, que tremeram,
    Do velho Pai desprezado!

    E assim Adão e Eva se conheceram:

    Tu conheceste a força dos meus pulsos,
    A miséria do meu ser,
    Os recantos da minha humanidade,
    A grandeza do meu amor cruel,
    Os veios de oiro que o meu barro trouxe...

    Eu os teus nervos convulsos,
    O teu poder,
    A tua fragilidade,
    Os sinais da tua pele,
    O gosto do teu sangue doce...

    Depois...

    Depois o quê, amor? Depois, mais nada,
    - Que Jeová não sabe perdoar!

    O Arcanjo entre nós dois abrira a longa espada...

    Continuámos a ser dois,
    E nunca nos pudemos penetrar!


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    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
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    y tren de tus ilusiones."
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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:33

    O amor e a morte


    Canção cruel

    Corpo de ânsia.
    Eu sonhei que te prostava,
    E te enleava
    Aos meus músculos!

    Olhos de êxtase,
    Eu sonhei que em vós bebia
    Melancolia
    De há séculos!

    Boca sôfrega,
    Rosa brava
    Eu sonhei que te esfolhava
    Petala a pétala!

    Seios rígidos,
    Eu sonhei que vos mordia
    Até que sentia
    Vómitos!

    Ventre de mármore,
    Eu sonhei que te sugava,
    E esgotava
    Como a um cálice!

    Pernas de estátua,
    Eu sonhei que vos abria,
    Na fantasia,
    Como pórticos!

    Pés de sílfide,
    Eu sonhei que vos queimava
    Na lava
    Destas mãos ávidas!

    Corpo de ânsia,
    Flor de volúpia sem lei!
    Não te apagues, sonho! mata-me
    Como eu sonhei.


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:34

    Pérola solta


    Sem que eu a esperasse,
    Rolou aquela lágrima
    No frio e na aridez da minha face.
    Rolou devagarinho...,
    Até à minha boca abriu caminho.
    Sede! o que eu tenho é sede!
    Recolhi-a nos lábios e bebi-a.
    Como numa parede
    Rejuvenesce a flor que a manhã orvalhou,
    Na boca me cantou,
    Breve como essa lágrima,
    Esta breve elegia.


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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:35

    Canção de primavera


    Eu, dar flor, já não dou. Mas vós, ó flores,
    Pois que Maio chegou,
    Revesti-o de clâmides de cores!
    Que eu, dar, flor, já não dou.

    Eu, cantar, já não canto. Mas vós, aves,
    Acordai desse azul, calado há tanto,
    As infinitas naves!
    Que eu, cantar, já não canto.

    Eu, invernos e outonos recalcados
    Regelaram meu ser neste arrepio...
    Aquece tu, ó sol, jardins e prados!
    Que eu, é de mim o frio.

    Eu, Maio, já não tenho. Mas tu, Maio,
    Vem com tua paixão,
    Prostrar a terra em cálido desmaio!
    Que eu, ter Maio, já não.

    Que eu, dar flor, já não dou; cantar, não canto;
    Ter sol, não tenho; e amar...
    Mas, se não amo,
    Como é que, Maio em flor, te chamo tanto,
    E não por mim assim te chamo?


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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:35

    Testamento do Poeta


    Todo esse vosso esforço é vão, amigos:
    Não sou dos que se aceita... a não ser mortos.
    Demais, já desisti de quaisquer portos;
    Não peço a vossa esmola de mendigos.

    O mesmo vos direi, sonhos antigos
    De amor! olhos nos meus outrora absortos!
    Corpos já hoje inchados, velhos, tortos,
    Que fostes o melhor dos meus pascigos!

    E o mesmo digo a tudo e a todos, - hoje
    Que tudo e todos vejo reduzidos,
    E ao meu próprio Deus nego, e o ar me foge.

    Para reaver, porém, todo o Universo,
    E amar! e crer! e achar meus mil sentidos!....
    Basta-me o gesto de contar um verso.


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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:36

    Onomatopeia


    Menino franzino,
    Quase pequenino,
    Pequenino, triste,
    Neste mundo só...,

    Menino, desiste
    De que tenham dó!

    Desiste, menino,
    Que o mundo é cretino...
    Deixa o teu violino,
    Toca o sol-e-dó.

    Cada teu suspiro
    Cai ao chão no pó...
    Canta o tiro-liro
    Tiro-liro-ló.

    Deixa o teu violino,
    Que não te é destino.
    Desiste, menino,
    De que tenham dó!

    Menino franzino,
    Triste e pequenino,
    Pequenino, triste,
    Neste mundo só...,

    Menino, desiste!
    Toca o sol-e-dó.
    Canta o tiro-liro, repipiro-piro,
    Canta o repipiro, tiro-liro-ló.



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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:37

    Epitáfio para um poeta


    As asas não lhe cabem no caixão!
    A farpela de luto não condiz
    Com seu ar grave, mas, enfim, feliz;
    A gravata e o calçado também não.
    Ponham-no fora e dispam-lhe a farpela!
    Descalcem-lhe os sapatos de verniz!
    Nao vêem que ele, nu, faz mais figura,
    Como uma pedra, ou uma estrela?
    Pois atirem-no assim à terra dura,
    Ser-lhe-á conforto:
    Deixem-no respirar ao menos morto!


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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:37

    Cântico


    Num impudor de estátua ou de vencida,
    coxas abertas, sem defesa... nua
    ante a minha vigília, a noite, e a lua,
    ela, agora, descansa, adormecida.

    Dos seus mamilos roxo-azuis, em ferida,
    meu olhar desce aonde o sexo estua.
    Choro... e porquê? Meu sonho, irreal, flutua
    sobre funduras e confins da vida.

    Minhas lágrimas caem-lhe nos peitos...
    enquanto o luar a numba, inerte, gasta
    da ternura feroz do meu amplexo.

    Cantam-me as veias poemas nunca feitos...
    e eu pouso a boca, religiosa e casta,
    sobre a flor esmagada do seu sexo.


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:38

    Ode a Eros


    Eros, Cupido, Amor, pequeno Deus travesso
    Com quem todos brincamos!
    Brincando nos ferimos,
    Ferindo-nos gozamos,
    Se rimos já choramos,
    Mal que choramos rimos...
    Já, voltados do avesso,
    Por igual o voltamos,
    O torturamos nós como ele nos tortura,
    Descemos aos recessos da criatura...

    Pequenino gigante!
    Sonhava, ou não sonhava,
    Quem te representou risonho e pequenino
    Que de Hércules a clava
    Não pesa como pesa a tua mão de infante,
    Nem seu furor destrói
    Como nos dói
    Teu riso de menino?

    Nas tuas leves setas
    Nas flâmulas gentis
    Que cantam os poetas
    E os namorados juvenis,
    Que longos ópios e letais licores,
    Que pântanos de lodo e que furores,
    Que grinaldas de louros e de espinhos,
    Que abissais labirintos de caminhos!

    Mascarilha de seda e de veludo
    Sob a qual o olhar brilha, a boca ri,
    Que olhar ambíguo ou mudo,
    Que boca atormentada
    Não terás além ti
    Na mascarada?

    Pai da Crueldade e da Piedade,
    Filho do Crime e da Beleza,
    Que infante serás tu, que, desde que há Idade,
    Aos Ícaros opões a mesma astral parede,
    E os Lázaros susténs dos restos dessa mesa
    Em que se bebe sempre a mesma sede,
    Se come
    A mesma fome?

    Divindade nocturna
    Que te cinges de rosas,
    Suprema fúria mascarada
    Que a porta abres do céu... escancarada
    Sobre o negro vazio duma furna,
    Que a urna de cristal nas mãos formosas
    Vens ofertar às bocas sequiosas
    E escorres sangue do cristal da urna,
    Que tens tu afinal, ao fundo da caverna
    Sempre aos mortais vedada:
    A eterna morte... o nada,
    Ou a vida eterna?


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:39

    Fantasia sobre um velho tema



    Mora-me um poeta
    Que tento esconder,
    A ver
    Se poderei ser
    Como toda a gente.

    Abri os meus alçapões,
    E no último desvão
    O fechei a pão e água,
    Com grilhões,
    E uma corrente...
    (... a ver se poderei ser
    Como toda a gente).

    Depois, saí para a rua,
    Todo aprumado,
    Escovado,
    Dado a ferro,
    Satisfeito:
    Porque em verdade, julgava
    Que a multidão que girava
    Pensava
    De mim
    Assim:

    - "Ali vai um homem
    Tão decentemente
    Que, naturalmente,
    Nada deve ter
    Que nos esconder..."

    Delirantemente,
    De mim para mim,
    Eu pensava assim:

    - " Ser como essa gente!
    Ser bem menos gente!
    Ser mais toda-a-gente
    Que toda essa gente!"

    Sim,
    Raivosamente,
    Eu pensava assim.

    ... Tanto mais raivosamente
    Quanto, dos longes de mim,
    Do fim
    Do derradeiro alçapão,
    O Poeta emparedado,
    Esfaimado,
    Encadeado,
    Cantava a sua prisão:

    - " Se aqui me fecharam,
    Foi porque não posso
    Debulhar o osso
    Que me arremessaram...

    Foi porque os desperto,
    De noite e de dia,
    Com a chama fria
    Do meu gládio aberto...

    Foi porque a pobreza
    Que fiz meu tesoiro
    Tem muito mais oiro
    Que a sua riqueza...

    Foi porque horas mortas,
    Indo no caminho,
    Lhes bati às portas,
    Mas segui sozinho..."

    Eu pensava:

    - " Sim, realmente,
    Se te fechei, foi a ver
    Se poderei ser
    Como toda a gente..."

    E baixinho,
    Recolhido sobre mim
    Como um bichinho-de-conta,
    Eu cantava-lhe também,
    Recolhido sobre mim,
    Cantigas de adormentar:
    Cousas de pai, ou de mãe,
    Que cantam para embalar...

    Assim:

    - "Durma um soninho comprido
    No seu bercinho deitado,
    Que o papão foi enxotado,
    E eu não deixo o meu querido...

    Durma um soninho alongado,
    No seu bercinho estendido,
    Que eu não tiro do sentido
    Velar o meu adorado..."

    E assim, com tudo isto ao peito,
    - Um doido e seu alçapão -
    Eu seguia satisfeito:
    Porque em verdade, julgava
    Que a multidão que girava
    Pensava
    De mim
    Assim:

    - "Ali vai um homem
    Tão decentemente
    Que, naturalmente,
    Nada deve ter
    Que nos esconder..."

    Como era que, de repente,
    Nos olhos de quem passava
    (Um qualquer)
    Imaginava
    Ver debruçar-se a acusar-me
    Um colosso...,
    Um poeta inofensivo
    Com ferros nos tornozelos,
    Nos pulsos,
    E no pescoço?

    Ai, campainhas de alarme
    Sob dedos de outro mundo...!

    E nem sei como
    Transtornado até ao fundo
    Dos meus alçapões recônditos,
    Melodramaticamente,
    Eu avançava
    De braços todos abertos
    Para o qualquer que passava.

    Então,
    Diante de mim, agora,
    Qualquer, e não sem razão,
    (Qualquer grosseirão)
    Parava, ria,
    Dizia
    Que eu era doido varrido...

    E, corrido,
    Eu desatava a correr.

    A multidão
    Detinha-se para ver
    Este senhor bem vestido,
    Com bom ar e belos modos,
    A fugir, como um perdido,
    Ante o pasmo dos mais todos!

    Sarcasta,
    Bem lá do fundo
    Do alçapão derradeiro,
    O meu Cativo cantava
    O timbre da sua casta:

    - "Sou como um grito de alarme
    Sobre as tuas sonolências.
    Preencho as tuas ausências
    Com a presença de Deus...

    O som dos teus escarcéus,
    Redu-lo a silêncio e a espanto
    O murmúrio do meu canto
    Nos teus ouvidos impuros...

    Quero-te! e não são teus muros
    Que hão-de impedir que te enlace,
    E que te queime a boca e a face
    Com meu ósculo de fogo...

    Que trapaças de que jogo
    Inventarás por vencer-me,
    Se te rojas como um verme
    Sem as asas que te hei sido?

    E é de tal modo perdido
    O afã de me combater,
    Que é teu supremo vencer
    Não vencer - mas ser vencido..."

    ... Cantava.
    Mas eu, aos poucos,
    Subjugava
    Meus nervos loucos:
    Retomava,
    Da minha lista de cor,
    Qualquer pomposa atitude...
    Por exemplo: a de senhor
    Fundador,
    Ou benfeitor,
    De associações de virtude.

    E seguia
    Com decência e autoridade,
    Enquanto com desespero,
    Com crueldade,
    Com ódio,
    Com soluços de paixão,
    Gritava lá para dentro
    Do derradeiro alçapão:

    - "Não!...,
    Não penses
    Que te pode ouvir alguém!
    Ouço-te eu; e mais ninguém!
    Mas eu não te soltarei,
    Nem deixarei
    Que parem à tua porta.
    Hei-de ter-te emparedado,
    Carregado
    De correntes;
    E, por uma noite morta,
    Hei-de entrar, como um ladrão,
    E hei-de te cravar os dentes
    No lugar do coração;
    E hei-de te arrancar a língua;
    E hei-de te queimar os olhos;
    E hás-de ficar cego e mudo;
    E assim,
    À míngua
    De tudo,
    Te hei-de deixar
    A agonizar por três dias...
    Então,
    Hei-de compor elegias
    À tua morte:
    Elegias académicas,
    Sonoras,
    Metafóricas,
    Retóricas,
    Feitas com todo o recorte,
    Com toda a morfologia,
    Com toda a fonologia,
    Com toda a sabedoria
    De versos caindo iguais,
    Como um relógio a dar ais
    À hora do meio-dia!
    Depois, hei-de conservar
    O teu coração escuro
    Triturado
    Por meus dentes,
    Hei-de o conservar, pintado,
    Retocado,
    Envernizado,
    Num frasco de cristal puro...

    Para o mostrar às visitas,
    Aos amigos e aos parentes."

    Assim falando
    Para dentro
    Do subterrâneo nefando,
    Ia andando
    Com aspecto satisfeito,
    E direito,
    Bem seguro,
    Sobretudo, consciente
    De estar mesmo a ser, agora,
    A parte de fora
    (A cal do muro)
    De toda a gente...

    Assim entro em várias casas,
    Através de várias ruas,
    Parando ante várias montras,
    Cumprimentando
    Para um lado, para outro...

    Até ficar
    Numa qualquer sala
    Onde estão sentados
    Homens e mulheres
    Com um ar de embalsamados.

    Criados
    Vêm e vão
    Com bandejas
    Sobre a mão.

    Paira, como nas igrejas,
    Um fumo de hipocrisia...

    Enquanto
    A um canto,
    Com funda neurastenia,
    Um piano faz ão-ão,
    Faz ão-ão a toda a gente,
    Como um pobre cão doente.

    Logo,
    Então,
    Qualquer menina Marguerite
    Me implora que lhes recite
    A última produção.

    Recuso-me,
    Ela insiste,
    Vou para o meio da sala,
    Tudo se cala,
    Sinto-me triste,
    Falta-me a fala,
    Falta-me a respiração,
    E a suar de angústia, rouco,
    Debuxando no ar gestos de louco,
    Arranco, num grande esforço,
    Estas palavras ao Outro...

    Palavras
    De todo o meu coração:

    - "No silêncio total, contemplo-te. Morreu
    A já póstuma luz dos astros mortos, no céu cavo.
    Chegou a nossa hora! A realidade és tu e eu.
    Contemplo-te, senhor!, eu, teu


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    "Ser como un verso volando
    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
    compartir contigo sol y luna,
    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
    (Hánjel)





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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:40

    Epitáfio para uma velha donzela


    De palmito e capela,
    Qual manda a tradição,
    Erecta, lá vai ela
    Ser atirada ao chão.
    De rosário na mão,
    Lutou heroicamente
    Contra a vil tentação
    Do que nos pede a carne e a alma come.
    Secreta, ansiosa, augusta, descontente
    Dentro da sua túnica inconsútil,
    Engelhou toda à fome,
    Por fim morreu à sede,
    No seu heroísmo fútil.
    Bichos! penetrai vós no pobre corpo inútil!


    _________________



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    y en ese vuelo y en ese sueño
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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:41

    Metafísica


    De cada vez que nos teus braços
    Por uns momentos morro,
    Nos abismos de mim o meu amor pede socorro
    Como se à força alguém lhe desatasse os laços.

    De cada vez apreendo
    Que fica em muito pouco, ou nada, aquele tanto
    Que o querer ter promete, enquanto
    Se não tendo.

    Desejar é que é ter! mas não nos basta.
    Sonhar é que é possuir sem tédio nem cansaços.
    Sei-o, mas só já morto nos teus braços.
    Sofre a carne de ter, ou de ser casta.

    Sobre o desejo farto, a alma se debruça,
    Contempla o nada a que o fartá-lo aponta.
    E atrás do mesmo nada eis que ela mesma, tonta,
    Vai, se a carne reacende a escaramuça.

    Entrar num corpo até onde se oculte
    O para Lá do corpo - eis o supremo sonho.
    De que desejos o componho,
    Se ei-lo se descompõe quando o desejo avulte?

    Sôfrega, a carne pede carne. Saciada,
    Pede, ela própria, o que jamais sacia.
    Para de novo se inflamar, é um dia.
    Para de novo desgostar, um nada.

    Ai, como não te amar e não te aborrecer,
    Carne de leite e rosas, - terra inglória
    Do longo prélio-entendimento sem vitória
    Que é carne e alma, ter-não ter?


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:41

    Novo epitáfio para um poeta


    Na terra nua, as asas desdobraram,
    Espigaram,
    Deram flor.
    Se ali passar alguém
    Que tenha o olfacto fino e o dom do humor,
    Dirá que aquele morto é um amor:
    Dá flor e cheira bem.


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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:42

    Novo epitáfio para uma velha donzela


    Não conheceu do amor as vãs complicações
    Nem o prazer e as suas decepções.
    Por isso é que os fiéis das sensações
    Tiveram sua vida por frustrada.
    Viveu de leve, humilde e afável, encerrada
    No mistério sem mito em que morreu.
    Da sua vida mais intensa, nada
    Chegou ao mundo, que não era seu.

    Sobre esta laje fria,
    Por memória
    Dessa ignorada história
    Inscreveu esta coisa fugidia
    Aquele de quem foi secretamente amada.


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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:45

    La poesía de José Régio


    La literatura portuguesa goza hoy en día de una patente notoriedad en nuestro país, debido sobre todo al auge de algunos excelentes narradores como António Lobo Antunes, José Saramago y Miguel Torga. A su vez, en los últimos treinta años, la figura del portento que encarna Fernando Pessoa y su pléyade de heterónimos, ha impreso una marca indeleble en las mentes de innumerables lectores que día a día se multiplican. La literatura de Portugal es, pues, indispensable para entender un aspecto de Europa que hasta hace muy poco había estado oculto para muchos.

    Sin embargo, hay todavía un gran número de escritores lusitanos que se hallan ausentes de las librerías y a más de uno sólo lo conocemos de oídas. De la poesía de Portugal, que durante el siglo XX ha sido brillantísima, se edita muy poco en nuestro país, salvo por algunas valiosas traducciones hechas por escritores mexicanos —uno de los más notables traductores de esta tradición es, sin duda, Francisco Cervantes; inclusive me atrevería a afirmar que es el mejor traductor de Pessoa en lengua española. A la poesía portuguesa escrita durante el siglo XX se le considera la del Siglo de Oro portugués. En España, vecino incómodo, la cosa de las ediciones no es muy distinta. Si bien han existido esfuerzos por traducir a poetas notabilísimos —como es el caso de Luís Vaz de Camões, un equivalente portugués de Cervantes que también escribió en español—, las ediciones de poetas portugueses del siglo XX no son muy numerosas.

    En este universo de poetas, la figura de José Régio es fundamental y cautivadora. Poeta esencial, lo es también desde la perspectiva crítica, en la que incursionó de manera contundente y directa. Régio es tal vez el escritor más representativo del segundo modernismo portugués, que tuvo como escaparate creativo a la revista Presença, de la cual también fue fundador el ensayista João Gaspar Simões.

    Críticos como Silva Carvalho consideran al segundo modernismo portugués un retroceso estilístico respecto del primer modernismo que tuvo como mayor exponente a Fernando Pessoa. La razón de este juicio, un tanto severo, se debe a la recuperación que los poetas de Presença hacen de algunas figuras un tanto nebulosas y de cierto simbolismo tardío, como es el caso de Florbela Espanca, escritora dilecta de Régio y Camilo Pesanha, poeta enigmático.



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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:47

    ***

    La indagación del segundo modernismo no se interesa del todo por la asimilación de los aspectos más experimentales del primero (hallados esencialmente en Mario de Sá-Carneiro y Álvaro de Campos), si acaso observamos la utilización del verso libre, pero en el mayor de los casos se conservan el metro y la rima. En el caso particular de José Régio se enfatiza sobre todo la búsqueda de un estilo individual que recupera de sus antecesores inmediatos las reflexiones teóricas sobre el sensacionismo, lo que plantea un cambio en la interiorización del poema, una percepción no intelectualizada de las sensaciones, ejerciendo así un cambio considerable en el tratamiento del poema. En este aspecto encontraremos la verdadera experimentación del segundo modernismo, dado que no desatiende los sentimientos más complejos del alma humana por la incorporación experimental que se plantean las vanguardias históricas en el nivel lingüístico.

    Específicamente, la poesía de Régio se debate entre los opuestos, el mundo interior contra el exterior, la salvación y la condenación, la crítica acerba de la sociedad y la piedad cristiana; y finalmente la lucha y convivencia del bien y el mal, por las que él mismo se considera engendrado: «pero yo, que nunca principio ni concluyo / nací del amor que hay entre Dios y el Diablo».

    Los poemas que aquí se presentan pertenecen al primer libro de José Régio, Poemas de Deus e do Diabo, acontecimiento literario que en su primera edición pasara inadvertido, pero que en ediciones subsecuentes lograría perturbar algunas conciencias conservadoras de esa nación peninsular.

    De naturaleza combativa, los poemas expresan la resistencia que opone el artista ante la vida común y fácil, atendiendo al llamado superior del arte.

    En las posteriores ediciones de Poemas de Deus e do Diabo el autor incluyó un postfacio que iba modificándose en cada edición; en él reflexiona sobre su vida, su obra y su contexto histórico. También polemiza sólidamente con diferentes autores y movimientos literarios a lo largo de la historia contemporánea de su país.



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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:48

    CÂNTICO NEGRO


    José Régio

    «Vem por aqui» — dizem-me alguns com olhos doces,

    Estendendo-me os braços, e seguros

    De que seria bom que eu os ouvisse

    Quando me dizem: «vem por aqui»!

    Eu olho-os com olhos lassos,

    (Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)

    E cruzo os braços,

    E nunca vou por ali…

    A minha glória é esta:

    Criar desumanidade!

    Não acompanhar ninguém.

    — Que eu vivo com o mesmo sem-vontade

    Com que rasguei o ventre a minha Mãe.

    Não, não vou por aí! Só vou por onde

    Me levam meus próprios passos…

    Se ao que busco saber nenhum de vós responde,

    Porque me repetis: «vem por aqui»?

    Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

    Redemoinhar aos ventos,

    Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,

    A ir por aí…

    Se vim ao mundo, foi

    Só para desflorar florestas virgens,

    E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!

    O mais que faço não vale nada.

    Como, pois, sereis vós

    Que me dareis impulsos, ferramentas, e coragem

    Para eu derrubar os meus obstáculos?…

    Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,

    E vós amais o que é fácil!

    Eu amo o Longe e a Miragem,

    Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

    Ide! tendes estradas,

    Tendes jardins, tendes canteiros,

    Tendes pátrias, tendes tectos,

    E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sabios.

    Eu tenho a minha Loucura!

    Levanto-a, como urn facho, a arder na noite escura,

    E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…

    Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.

    Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

    Mas eu, que nunca principio nem acabo,

    Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

    Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!

    Ninguém me peca definições!

    Ninguém me diga: «vem por aqui»!

    A minha vida é um vendaval que se soltou.

    É uma onda que se alevantou.

    É um átomo a mais que se animou…

    Não sei por onde vou,

    Não sei para onde vou,

    — Sei que não vou por aí!

    CÁNTICO NEGRO

    Versión de Mijail Lamas

    ¡«Ven por aquí», me dicen algunos con ojos dulces,

    y me extienden sus brazos, seguros

    de que sería bueno que yo les oyese

    cuando me dicen «Ven por aquí»!

    Los miro con ojos extenuados

    (hay, en mis ojos, ironías y cansancios)

    y cruzo los brazos

    y nunca voy por allí…

    Mi gloria es ésta:

    ¡crear deshumanidad!

    No acompañar a nadie.

    —Que yo vivo con la misma indiferencia

    con que rasgué el vientre de mi madre.

    ¡No, no voy por ahí! Sólo voy por donde

    me llevan mis propios pasos…

    Si lo que quiero saber ninguno de ustedes me responde,

    ¿por qué me repiten «Ven por aquí»?

    Prefiero deslizarme por callejones cenagosos,

    remover los vientos

    como harapos, arrastrar los pies ensangrentados,

    a ir por ahí…

    ¡Si vine al mundo, fue

    para desflorar florestas vírgenes

    y dibujar mis propios pies en la arena inexplorada!

    Lo demás que hago no vale nada.

    ¿Cómo, pues, serán ustedes

    los que me den impulsos, herramientas y coraje

    para derrumbar mis obstáculos?…

    ¡En sus venas corre la antigua sangre de los abuelos

    y aman las cosas fáciles!

    Yo amo el Espejismo y lo Distante,

    amo los abismos, los torrentes, los desiertos…

    ¡Anden! Ustedes tienen calles,

    tienen jardines, tienen macetas,

    tienen patrias, tienen techos,

    y tienen reglas y tratados y sabios y filósofos.

    ¡Yo tengo mi Locura!

    La levanto, como una antorcha, la dejo arder en la noche sombría,

    y siento sangre y espuma y cánticos en los labios…

    Dios y el Diablo son quienes me guían, nadie más.

    Todos tuvieron padre, todos tuvieron madre,

    pero yo, que no comienzo ni concluyo,

    nací del amor que hay entre Dios y el Diablo.

    ¡Ah, que nadie me obsequie intenciones piadosas!

    ¡Nadie me pida definiciones!

    ¡Nadie me diga «Ven por aquí»!

    Mi vida es un vendaval que se soltó.

    Es una ola que se ha levantado.

    Y un átomo más que se anima…

    No sé por dónde voy,

    no sé a dónde voy,

    — ¡Sé que no voy por allí!




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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:49

    RONDA DOS BRAÇOS QUEBRADOS

    José Régio

    I

    Minh’alma vai à frente, eu rojo atrás dela:

    Porque eu sou feio e triste,

    Mas a minh’alma é bela…

    Sim, a minh’alma sabe essas palavras ébrias

    Que nos atiram para o Infinito.

    Quando a minh’alma fala, a sua voz é um grito,

    Grito de oiro que vara a solidão do espato,

    E Deus acolhe no seu regaço.

    Que pena que a minh’alma

    Só pela fala do meu corpo fale!

    Que a fala do meu corpo é intolerável,

    Mas a minh’alma é bela,

    E eu ou hei-de pedir-lhe que se cale,

    Ou hei-de dar-lhe a voz da minha lingua miserável!

    II

    — «Onde há urna doutrina

    «Que possa pôr de acordo

    «Toda a minha grandeza

    «Com a minha desgraça?

    «Que Deus humano me dirá essa parábola divina?

    «Quem me fará esse milagre?

    «Quem me abrirá essa porta?

    «Seja quem for,

    «(Deus ou Satã, pouco importa)

    «Quero chamar-lhe meu senhor,

    «Acolher-me a seus pés como urn escravo!»

    Mas em vão

    Eu atiro ao silêncio o meu pregão,

    Eu o atiro à multidão que passa:

    — «Onde há uma doutrina

    «Que possa pôr de acordo

    «Toda a minha grandeza

    «Com a minha desgraça?»

    III

    Terra do chão, tapa-me a boca!

    — Terra do chão que piso aos pés…

    Areias do deserto,

    Areias que subis no ar, turbilhonando,

    Cegai-me!

    Prostrai-me,

    Ventos que ides passando assobiando…

    Ondas do mar que desabais,

    (Ah, o mar…!)

    Levai-me!

    Estou fartinho de lutar,

    Não posso mais.

    (Mas não quería enlanguescer na minha enxerga…)







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    JOSÉ RÉGIO (1901-1969) - Página 2 Empty Re: JOSÉ RÉGIO (1901-1969)

    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:50


    RONDA DE LOS BRAZOS QUEBRADOS

    Versión de Mijail Lamas

    I

    Al frente va mi alma, yo me arrastro tras de ella:

    porque soy feo y triste,

    pero mi alma es muy bella…

    Sí, mi alma sabe esas palabras ebrias

    que nos arrojan al infinito.

    Cuando mi alma habla, su voz es un grito.

    Grito de oro que agita la soledad del espacio,

    y que Dios toma en su regazo.

    ¡Qué pena que mi alma

    sólo con su voz de mi cuerpo hable!

    ¡Que el habla de mi cuerpo es intolerable,

    pero mi alma es bella,

    y yo he de pedirle que se calle,

    he de darle la voz de mi lengua miserable!

    II

    —«¿Dónde hay una doctrina

    que pueda poner de acuerdo

    toda mi propia grandeza

    con toda mi desgracia?

    ¿Qué Dios humano me dirá esa parábola divina?

    ¿Quién me hará ese milagro?

    ¿Quién me abrirá esa puerta?

    ¡Sea quien fuere,

    (Dios o Satán, poco importa)

    quiero llamarle mi señor,

    abrazarme a sus pies como un esclavo!»

    Pero en vano

    lanzo al silencio mi pregón,

    lo arrojo a la multitud que pasa:

    —«¿Dónde hay una doctrina

    que pueda poner de acuerdo

    toda mi propia grandeza

    con toda mi desgracia?»

    III

    ¡Tierra del suelo, tapa mi boca!

    —Tierra del suelo que piso a mis pies…

    Arenas del desierto,

    arenas que suben por el aire en torbellino,

    ¡ciéguenme!

    Póstrenme,

    vientos que pasan silbando…

    Olas del mar que se derrumban

    (¡ah el mar…!),

    ¡llévenme!

    Estoy harto de luchar,

    ya no puedo.

    (Mas no querría languidecer en mi camastro…)












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    JOSÉ RÉGIO (1901-1969) - Página 2 Empty Re: JOSÉ RÉGIO (1901-1969)

    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:54

    Sabiduría



    Como todo me cansa,

    comencé a vivir.

    Empecé a vivir sin esperanza ...

    Y a morir cuando

    Dios quiere.



    Antes, o mucho o poco,

    siempre había esperado:

    A veces, tanto, que mi loco sueño

    voló de las estrellas a lo más raro;

    Otros, tan pequeños,

    que nadie más se conformaría.



    Hoy no espero nada.

    ¿Para qué, espera?

    Sé que nada es mío si no lo tengo;

    Si quiero, es solo mientras solo quiero;

    Solo desde lejos, y en secreto, puedo seguir amando. . .

    Y llegará a la muerte cuando Dios quiera.



    Pero con esto, ¿qué tienen las estrellas?

    Siguen brillando, altos y hermosos.



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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:55

    Amor y muerte

    Canción cruel



    Cuerpo anhelante.

    ¡Soñé que te postraría

    y te ataría a

    mis músculos!



    ¡Ojos de éxtasis,

    soñé que bebías

    Melancolía de

    hace siglos!



    Boca

    salvaje , rosa salvaje

    ¡Soñé que te pondría

    pétalo!



    Pechos rígidos,

    soñé que te mordería ¡

    Hasta que sentí

    vómitos!



    ¡Vientre de mármol,

    soñé que te chupaba,

    y se escurría

    como un cáliz!



    Piernas de estatua,

    soñé que te abriría,

    en fantasía, ¡

    como porches!



    Pies de sílfide,

    ¡Soñé que te quemaría

    en la lava

    de estas manos codiciosas!



    ¡Cuerpo anhelante,

    flor del placer sin ley!

    ¡No salgas, sueña! mátame

    como lo soñé.




    Tomado de:

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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:55

    SONETO DE AMOR



    No me pidas palabras, ni romances,

    ni expresiones, ni alma ... Abre mi pecho,

    deja caer pesados ​​párpados,

    y apriétame sin miedo.



    En tu boca debajo de la mía, en el medio,

    Nuestras lenguas se buscan, locas ...

    Y que mis flancos desnudos vibren en la maraña

    de tus ágiles y delgadas piernas.



    Y en dos bocas una lengua ..., - unidos,

    intercambiaremos besos y gemidos,

    sintiendo nuestra sangre mezclarse.



    Entonces ... - ¡abre los ojos, amada mía!

    Enterradlos bien en los míos; no digas nada ...

    ¡Deja que la Vida se exprese sin disfraz!


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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:56

    EPITAFIO DE UN POETA


    ¡Las alas no caben en el ataúd!

    La púa de luto no coincide

    con su mirada seria, pero, al fin, feliz;

    Tampoco corbata y zapatos.

    ¡Sácalo y dale la púa!

    ¡Quítate los zapatos de charol!

    ¿No ves que él, desnudo, parece más

    una piedra o una estrella?

    Bueno, tíralo al suelo duro así,

    Te consolarás:

    ¡Déjalo respirar al menos muerto!



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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 15:57

    ONOMATOPEYA


    Niño,

    Casi pequeño,

    Pequeño, triste,

    En este mundo solo ...,



    Niño, ríndete ¡Que

    tengan piedad!



    Ríndete, chico,

    Que el mundo es estúpido ...

    Deja tu violín,

    Toca el sol y la piedad.



    Cada suspiro te

    cae al suelo en el polvo ...

    Canta el tiro-liro

    Tiro-liro-ló.



    Deja tu violín,

    que no es tu destino.

    Ríndete, muchacho, ¡

    que tengan piedad!



    Niño,

    Triste y pequeño,

    Pequeño, triste,

    Solo en este mundo ...,



    Chico, ¡ríndete!

    Juega al sol-and-do.

    Canta el tiro-liro, repipiro-piro,

    Canta el repipiro, tiro-liro-ló.





    Tomado de:

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    JOSÉ RÉGIO (1901-1969) - Página 2 Empty Re: JOSÉ RÉGIO (1901-1969)

    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 16:00

    Improviso corrigido


    Se minto? Quantas vezes!

    Mas em palavras. Não

    Nos meus olhos castanhos portugueses,

    Nestas linhas atávicas da mão…

    Se minto?… Minto, pois!

    Mas nas orais palavras que vos digo.

    Não nas que entôo a sós comigo,

    E em que enfim deixo de ser dois.

    Não nas que entrego a músicas, miragens,

    Alegorias, fábulas, mentiras, Cadências, símbolos, imagens,

    Ecos da minha e mil milhões de liras.

    Se minto?… Minto! É regra de viver.

    Mas não quando, poeta, me desnudo,

    E a mim me visto de inocência, e a tudo.

    Venha quem saiba ver!

    Venha quem saiba ler!



    RÉGIO, José Régio, Antologia.




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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 16:01

    Em cima da minha mesa.


    Em cima da minha mesa
    Da minha mesa de estudo
    Mesa da minha tristeza –
    Em que de noite e de dia
    Rasgo as folhas, leio tudo
    Destes livros em que estudo,
    E me estudo
    (Eu já me estudo…)
    E me estudo
    A mim
    Também
    Em cima da minha mesa,
    Tenho o teu retracto, Mãe!

    À cabeceira do leito,
    Dentro de um caixilho,
    Tenho uma Nossa Senhora
    Que venero a toda a hora…
    Ai minha Nossa Senhora,
    Que se parece contigo,
    E que tem ao peito,
    Um filho
    (O que ainda é mais estranho)
    Que se parece comigo,
    Num retratinho,
    Que Tenho,
    De menino pequenino!…
    No fundo da minha mala,

    Mesmo lá no fundo a um canto,
    Não lhes vá tocar alguém,
    (Quem as lesse, o que entendia?
    Só riria
    Do que nos comove a nós…)
    Já tenho três maços, Mãe,
    Das cartas que tu me escreves
    Desde que saí de casa…
    Três maços – e nada leves! –
    Atados com um retrós…

    Se não fora eu ter-te assim,
    A toda a hora,
    Sempre à beirinha de mim,
    (sei agora
    Que isto de a gente ser grande
    Não é como se nos pinta…)
    Mãe!, já teria morrido,
    Ou já teria fugido,
    Ou já teria bebido
    Algum tinteiro de tinta.


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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 16:03

    Ícaro.


    A minha Dor, vesti-a de brocado,
    Fi-la cantar um choro em melopeia,
    Ergui-lhe um trono de oiro imaculado,
    Ajoelhei de mãos postas e adorei-a.
    Por longo tempo, assim fiquei prostrado,
    Moendo os joelhos sobre lodo e areia.
    E as multidões desceram do povoado,
    Que a minha dor cantava de sereia…
    Depois, ruflaram alto asas de agoiro!
    Um silêncio gelou em derredor…
    E eu levantei a face, a tremer todo:

    Jesus! ruíra em cinza o trono de oiro!
    E, misérrima e nua, a minha Dor
    Ajoelhara a meu lado sobre o lodo.

    José Régio, in ‘Poemas de Deus e do Diabo’


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    Mensaje por Maria Lua Dom 29 Oct 2023, 16:04

    Sucata.

    I

    Fecha esses olhos, fecha-os,

    Que a sua luz ofende.

    Mas não! arranca-os, deixa-os

    Na praça em que se vende

    Toda a sucata inútil.

    Quiçá os compre um velho poeta fútil.

    II

    A sua luza ofende, humilha.

    Não compartilha

    Das pequeninas luzes

    Que alumiam os vários alcatruzes

    De cada nova nora.

    Fecha esses olhos, fecha-os, ou arranca-os, deita-os fora!

    Não vês que vão perdendo todo o emprego?

    Desfaz-te de eles, ─ fica cego.

    III

    Na praça em que se vende

    Toda a sucata inútil,

    Quiçá os compre um velho poeta fútil.

    Já nada, a este, ofende.

    Servir-lhe-ão

    Talvez de claridade,

    Talvez de companhia ou diversão.


    Coitado! Vive ao pé da Eternidade.



    José Régio, Cântico suspenso, 1968



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    Mensaje por cecilia gargantini Dom 29 Oct 2023, 19:32

    Leí los que están en castellano y me gustaron mucho. Dice muchas cosas que a uno le gustaría decir.
    Gracias Maria!!!!!!!!!!! Buen domingo
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    Mensaje por Maria Lua Sáb 04 Nov 2023, 10:23

    Gracias, Cecilia!
    Besos


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