Aires de Libertad

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    Mensaje por Maria Lua Miér 15 Jul 2020, 04:21

    Assim ao Poeta a Natureza fala!

    Enquanto ele estremece ao escutá-la,

    Transfigurado de emoção, sorrindo…

    Sorrindo a céus que vão se desvendando,

    A mundos que vão se multiplicando,

    A portas de ouro que vão se abrindo!


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    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
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    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
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    Mensaje por Maria Lua Lun 17 Ago 2020, 13:25

    As estrelas

    Lá, nas celestes regiões distantes,
    No fundo melancólico da Esfera,
    Nos caminhos da eterna Primavera
    Do amor, eis as estrelas palpitantes.

    Quantos mistérios andarão errantes,
    Quantas almas em busca da Quimera,
    Lá, das estrelas nessa paz austera
    Soluçarão, nos altos céus radiantes.

    Finas flores de pérolas e prata,
    Das estrelas serenas se desata
    Toda a caudal das ilusões insanas.

    Quem sabe, pelos tempos esquecidos,
    Se as estrelas não são os ais perdidos
    Das primitivas legiões humanas?!


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    Mensaje por Maria Lua Sáb 22 Ago 2020, 08:09

    Quando a escravatura
    Surgir da negra treva - em ondas singulares
    De luz serena e pura;
     

    Quando um poder novo
    Nas almas derramar os místicos luares,
    Então seremos povo!


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    Mensaje por Maria Lua Sáb 29 Ago 2020, 04:12

    INEFÁVEL
     
    Nada há que me domine e que me vença
    Quando a minha alma mudamente acorda...
    Ela rebenta em flor, ela transborda
    Nos alvoroços da emoção imensa.

    Sou como um Réu de celestial sentença,
    Condenado do Amor, que se recorda
    Do Amor e sempre no Silêncio borda
    De estrelas todo o céu em que erra e pensa.

    Claros, meus olhos tornam-se mais claros
    E tudo vejo dos encantos raros
    E de outras mais serenas madrugadas!

    Todas as vozes que procuro e chamo
    Ouço-as dentro de mim porque eu as amo
    Na minha alma volteando arrebatadas
     


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    Mensaje por Maria Lua Sáb 29 Ago 2020, 04:12

    ANTÍFONA
     
    Ó Formas alvas, brancas, Formas claras
    De luares, de neves, de neblinas!
    Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...
    Incensos dos turíbulos das aras
    Formas do Amor, constelarmante puras,
    De Virgens e de Santas vaporosas...
    Brilhos errantes, mádidas frescuras
    E dolências de lírios e de rosas ...

    Indefiníveis músicas supremas,
    Harmonias da Cor e do Perfume...
    Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,
    Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume...

    Visões, salmos e cânticos serenos,
    Surdinas de órgãos flébeis, soluçantes...
    Dormências de volúpicos venenos
    Sutis e suaves, mórbidos, radiantes ...

    Infinitos espíritos dispersos,
    Inefáveis, edênicos, aéreos,
    Fecundai o Mistério destes versos
    Com a chama ideal de todos os mistérios.

    Do Sonho as mais azuis diafaneidades
    Que fuljam, que na Estrofe se levantem
    E as emoções, todas as castidades
    Da alma do Verso, pelos versos cantem.

    Que o pólen de ouro dos mais finos astros
    Fecunde e inflame a rima clara e ardente...
    Que brilhe a correção dos alabastros
    Sonoramente, luminosamente.

    Forças originais, essência, graça
    De carnes de mulher, delicadezas...
    Todo esse eflúvio que por ondas passa
    Do Éter nas róseas e áureas correntezas...

    Cristais diluídos de clarões alacres,
    Desejos, vibrações, ânsias, alentos
    Fulvas vitórias, triunfamentos acres,
    Os mais estranhos estremecimentos...

    Flores negras do tédio e flores vagas
    De amores vãos, tantálicos, doentios...
    Fundas vermelhidões de velhas chagas
    Em sangue, abertas, escorrendo em rios...

    Tudo! vivo e nervoso e quente e forte,
    Nos turbilhões quiméricos do Sonho,
    Passe, cantando, ante o perfil medonho
    E o tropel cabalístico da Morte...
     


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    Mensaje por Maria Lua Sáb 29 Ago 2020, 04:13

    SIDERAÇÕES
     
    Para as Estrelas de cristais gelados
    As ânsias e os desejos vão subindo,
    Galgando azuis e siderais noivados
    De nuvens brancas a amplidão vestindo...

    Num cortejo de cânticos alados
    Os arcanjos, as cítaras ferindo,
    Passam, das vestes nos troféus prateados,
    As asas de ouro finamente abrindo...

    Dos etéreos turíbulos de neve
    Claro incenso aromal, límpido e leve,
    Ondas nevoentas de Visões levanta...

    E as ânsias e os desejos infinitos
    Vão com os arcanjos formulando ritos
    Da Eternidade que nos Astros canta...


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    Mensaje por Maria Lua Sáb 29 Ago 2020, 04:13

    O BOTÃO DE ROSA
     
    O campo abrira o seio às expansões frementes
    das árvores senis, dos galhos viridentes.
    Caía a tarde fresca
    Loira, gentil, vivaz como a canção tudesca.
    A iluminada esfera
    Calma, profunda, azul como um sonhar de virgem,
    Dava um brilho-cetim às verdes folhas d'hera.
    No ar uma harmonia avigorada e casta,
    No crânio uma vertigem
    Duma idéia viril, duma eloqüência vasta.

    Tardes formosíssimas,
    Ó grande livro aberto aos geniais artistas,
    Como tanto alargais as crenças panteístas,
    Como tanto esplendeis e como sois riquíssimas.

    Quanta vitalidade indefinida, quanta,
    Na pequenina planta,
    No doce verde-mar dos trêmulos arbustos,
    Que misticismo, justos,
    Bebia a alma inteira ao devassar o arcano
    Das árvores titãs, das árvores fecundas
    Que tinham, como o oceano,
    Febris palpitações intérminas, profundas.

    Esplêndidas paisagens,
    Opunha o largo campo às vistas deslumbradas.
    As múrmuras ramagens,
    À luz serena e terna, à luz do sol - que espadas
    De fogo arremessava, em frêmitos nervosos,
    Pelo côncavo azul dos céus esplendorosos,
    Tinham falas de amor, segredos vacilantes
    Finos como os brilhantes.

    A música das aves
    Cortava o éter calmo, em notas multiformes,
    Límpidas e graves
    Que estouravam no ar em convulsões enormes.
    Aqui e além um rio
    Serpejava na sombra, em meio de um rochedo
    Áspero e sombrio.
    O olhar perscrutador, o grande olhar, sem medo
    E o espírito mudo,
    Como um herói gigante avassalavam tudo...

    Nuns madrigais risonhos
    Abria-se o país fantástico dos sonhos.
    Alavam-se os aromas
    Leais, inexauríveis
    Das largas e invisíveis Selváticas redomas.

    A seiva rebentava
    Em ondas - irrompia
    Na doce e maviosa e plácida alegria
    De uma ave que cantava,
    Dos belos roseirais
    Que ostentavam a flux as rosas virginais.

    E as jubilosas franças
    Dos arvoredos altos,
    Rígidos, atléticos,
    Derramavam no campo uns fluidos magnéticos
    Dumas vontades mansas.

    A doce alacridade ia explosindo aos saltos.
    E toda a natureza
    Robusta de saúde e estrênua de grandeza
    Libérrima e vital,
    Erguia-se pujante, audaz e redentora,
    No gérmen material da força criadora,
    Dentre a vida selvagem, mística, animal...

    Dos roseirais preciosos
    Nos renques primorosos,
    Numa linda roseira abria castamente,
    Como um sonho de luz numa cabeça ardente,
    O mais belo, o mais puro entre os botões de rosa.
    Tinha essa cor formosa,
    Tinha essa cor da aurora,
    Quando ensangüenta em rubro a vastidão sonora.

    Era um botão feliz
    Sorrindo para o Azul, zombando da matéria.
    Tinha o leve quebranto e a maciez etérea
    Que uma estrofe não diz.
    Das pétalas macias,
    Das pétalas sanguíneas,
    Doces como harmonias
    Brandas e velutíneas
    Uns perfumes sutis se espiralavam, raros,
    Pela mansão do Bem, pelos espaços claros.
    Perfumes excelentes,
    Perfumes dos melhores
    Perfumes bons de incógnitos Orientes.

    Matéria, não deplores
    O viver natural dos vegetais alegres;
    Eles são mais ditosos
    Que os nababos e reis nos seus coxins pomposos;
    E por mais que tu regres
    O matéria fatal, a tua vida inteira,
    No rigor da higiene;
    E por mais que a maneira
    Do teu grande existir, desse existir - perene
    De ironias e pasmos,
    Explosões de sarcasmos
    Tu completes, matéria - ó humanidade ousada
    Com a ciência altanada;
    E por mais que no século,
    Tu mergulhes a idéia, o prodigioso espéculo,
    Será sempre maior e exuberante e forte,
    Ó matéria fatal,
    Essa vida tão rica
    Que se corporifica
    Na valente coorte
    Do poder vegetal.

    Era um botão feliz,
    Cuia roseira, impávida,
    Ébria de aromas bons, ébria de orgulhos - ávida
    De completa fragrância,
    Palpitava com ânsia
    Desde a própria raiz.

    E entanto o sol tombara e triunfantemente
    Como um supremo Rubens,
    Jorrando à curvidade etérea do poente,
    O ouro e o escarlate, aprimorando as nuvens,
    Numa distribuição simpática de cores,
    De tintas e de luzes
    De galas e fulgores
    Rubros como o estourar dos férvidos obuses.

    O cérebro em nevrose,
    No pasmo que precede a augusta apoteose
    De uma excelsa visão perfeitamente bela,
    De uma excelsa visão em límpidos docéis,
    Exaltava o acabado artístico da Tela
    E o gosto dos pincéis.

    Caíam da amplidão em névoas singulares
    Os pálidos crepúsculos.
    Os fúlgidos altares
    Do homem primitivo - a relva, o prado, o campo
    Onde ele ia buscar a força de uma crença
    Que então lhe iluminasse a alma escura e densa,
    Morriam de clarões - os poderosos músculos
    Da fértil mãe de tudo - a natureza ingente -
    Deixavam de bater. - O olhar do pirilampo
    Oscilava, tremia - azul, fosforescente.

    As sombras vinham, vinham,
    Lembrando um batalhão d'espectros que caminham
    E a casta nitidez sintética das cousas
    Tomava a proporção das funerárias lousas.
    Completara-se então o mais extraordinário,
    O mais extravagante,
    Dos fenômenos todos:
    A noite. - Enfim descera a treva do Calvário,
    A treva que envolveu o Cristo agonizante.

    Coaxavam negras rãs nos charcos e nos lodos.
    A abóbada espaçosa, a física amplitude,
    Mostrava a profundez da angústia de ataúde
    De um operário pobre,
    Quando se escuta o dobre
    Amplíssimo e funéreo,
    Sinistro e compassado,
    Rolar pela mansão gloriosa do mistério,
    Assim com um soluço aflito, estrangulado.

    Devia ser, devia
    Por uma noite assim,
    Como esta noite igual,
    Que derramou Maria
    A lágrima da dor, - que o célebre Caim
    Sentiu dentro do crânio as convulsões do Mal.

    Mas o botão de rosa,
    Traído pelo estranho zéfiro da sorte,
    Rolou como uma cisma
    Intensa e luminosa
    Ardente e jovial em que a razão se abisma
    E foi cair, cair no pélago da morte,
    Em um dos mais raivosos,
    Em um dos mais atrozes
    Rios impetuosos,
    Cheios de surdas vozes,
    Sozinho, em desamparo, assim como um proscrito,
    Em meio à placidez
    Dos astros no infinito
    E à mesma irracional e fúnebre mudez.

    Depois e além de tudo,
    Além do grave aspecto inteiramente mudo,
    Ao tempo que morria
    O cândido botão - em um dos tantos galhos
    Virentes da roseira - alegre no ar se abria
    Um outro que ostentava as pétalas sedosas,
    As pétalas gracis de cores deliciosas,
    De cores ideais.
    As auras musicais
    Passavam-lhe de leve,
    Nos tímidos rumores,
    De um ósculo mais breve.

    E dentre a exposição das delicadas flores,
    Das rosas - o botão
    Aberto ultimamente às cúpulas austeras,
    Às plagas da esperança, a irmã das primaveras,
    Pendido um quase nada, esbelto na roseira,
    Mostrava aquela unção,
    A ínclita maneira
    De quem se glorifica
    Subindo ao céu azul da majestade pura,
    Da eterna exuberância,
    Da fonte sempre rica,
    Da esplêndida fartura
    Da luz imaculada - a egrégia substância
    Que faz das almas claras
    Pela fecundidade olímpica do amor, Magníficas searas,
    De onde se difunde à vida sempiterna,
    À vida essencial, à lei que nos governa,
    À idéia varonil do poeta sonhador.

    A arte especialmente, esse prodígio, atriz,
    Como o botão de rosa
    Tão meigo e tão feliz,
    Pode ser arrojada e brutalmente, ao pego,
    Na treva silenciosa,
    Onde o espírito vai, atordoado e cego,
    Cair, entre soluços,
    Como um colosso ideal tombado ao chão de bruços,
    Ou pode equilibrar-se em admirável base
    Estética e profunda,
    Assim, bem como o outro, à mais radiosa altura.

    Deves sondá-la bem nesta segunda fase.
    Precisas para isso uma alma mais fecunda.
    Precisas de sentir a artística loucura...
     


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    Mensaje por Maria Lua Dom 30 Ago 2020, 09:01

    TRISTEZA DO INFINITO
     
    Anda em mim, soturnamente,
    uma tristeza ociosa,
    sem objetivo, latente,
    vaga, indecisa, medrosa.
    Como ave torva e sem rumo,
    ondula, vagueia, oscila
    e sobe em nuvens de fumo
    e na minh'alma se asila.

    Uma tristeza que eu, mudo,
    fico nela meditando
    e meditando, por tudo
    e em toda a parte sonhando.

    Tristeza de não sei donde,
    de não sei quando nem como...
    flor mortal, que dentro esconde
    sementes de um mago pomo.

    Dessas tristezas incertas,
    esparsas, indefinidas...
    como almas vagas, desertas
    no rumo eterno das vidas.

    Tristeza sem causa forte,
    diversa de outras tristezas,
    nem da vida nem da morte
    gerada nas correntezas...

    Tristeza de outros espaços,
    de outros céus, de outras esferas,
    de outros límpidos abraços,
    de outras castas primaveras.

    Dessas tristezas que vagam
    com volúpias tão sombrias
    que as nossas almas alagam
    de estranhas melancolias.

    Dessas tristezas sem fundo,
    sem origens prolongadas,
    sem saudades deste mundo,
    sem noites, sem alvoradas.

    Que principiam no sonho
    e acabam na Realidade,
    através do mar tristonho
    desta absurda Imensidade.

    Certa tristeza indizível,
    abstrata, como se fosse
    a grande alma do Sensível
    magoada, mística, doce.

    Ah! tristeza imponderável,
    abismo, mistério, aflito,
    torturante, formidável...
    ah! tristeza do Infinito!


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    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
    compartir contigo sol y luna,
    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
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    Mensaje por Maria Lua Sáb 12 Sep 2020, 14:07

    BRAÇOS
     
    Braços nervosos, brancas opulências,
    brumais brancuras, fúlgidas brancuras,
    alvuras castas, virginais alvuras,
    latescências das raras latescências.

    As fascinantes, mórbidas dormências
    dos teus abraços de letais flexuras,
    produzem sensações de agres torturas,
    dos desejos as mornas florescências.

    Braços nervosos, tentadoras serpes
    que prendem, tetanizam como os herpes,
    dos delírios na trêmula coorte ...

    Pompa de carnes tépidas e flóreas,
    braços de estranhas correções marmóreas,
    abertos para o Amor e para a Morte!


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    y en ese vuelo y en ese sueño
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    siendo guardián en tu cielo
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    Mensaje por Maria Lua Sáb 12 Sep 2020, 14:07

    VELHAS TRISTEZAS
     
    Diluências de luz, velhas tristezas
    das almas que morreram para a luta!
    Sois as sombras amadas de belezas
    hoje mais frias do que a pedra bruta.
    Murmúrios ncógnitos de gruta
    onde o Mar canta os salmos e as rudezas
    de obscuras religiões — voz impoluta
    de todas as titânicas grandezas.

    Passai, lembrando as sensações antigas,
    paixões que foram já dóceis amigas,
    na luz de eternos sóis glorificadas.

    Alegrias de há tempos! E hoje e agora,
    velhas tristezas que se vão embora
    no poente da Saudade amortalhadas! ...
     


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    Mensaje por Maria Lua Sáb 12 Sep 2020, 14:08

    FLOR DO MAR
     
    És da origem do mar, vens do secreto,
    do estranho mar espumaroso e frio
    que põe rede de sonhos ao navio
    e o deixa balouçar, na vaga, inquieto.

    Possuis do mar o deslumbrante afeto,
    as dormências nervosas e o sombrio
    e torvo aspecto aterrador, bravio
    das ondas no atro e proceloso aspecto.

    Num fundo ideal de púrpuras e rosas
    surges das águas mucilaginosas
    como a lua entre a névoa dos espaços...

    Trazes na carne o eflorescer das vinhas,
    auroras, virgens músicas marinhas,
    acres aromas de algas e sargaços...


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    Mensaje por Maria Lua Dom 13 Sep 2020, 03:54

    As estrelas cativas no teu seio

    Dão-me um tocante e fugitivo enleio,

    Embalam-me na luz consoladora!


    Abre-me os braços, Solidão radiante,

    Funda, fenomenal e soluçante,

    Larga e búdica Noite redentora!



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    Mensaje por Maria Lua Mar 13 Oct 2020, 03:35

    Obras


    • [Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo] (1893, poesia)

    • Missal (1893, poemas em prosa)

    • Tropos e Fantasias (1885, poemas em prosa, junto a [Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo])


    Obra póstuma



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    Mensaje por Maria Lua Mar 13 Oct 2020, 03:38

    VIDA OBSCURA
     
    Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro,
    Ó ser humilde entre os humildes seres,
    Embriagado, tonto dos prazeres,
    O mundo para ti foi negro e duro.
     
    Atravessaste no silêncio escuro
    A vida presa a trágicos deveres
    E chegaste ao saber de altos saberes
    Tornando-te mais simples e mais puro.
     
    Ninguém te viu o sentimento inquieto,
    Magoado, oculto e aterrador, secreto,
    Que o coração te apunhalou no mundo.
     
    Mas eu que sempre te segui os passos
    Sei que cruz infernal prendeu-te os braços
    E o teu suspiro como foi profundo!
     
     
    VIDA OBSCURA
     Traducido por Anderson Braga Horta
     
    A nadie le tocó tu espasmo obscuro,
    ¡Oh! humilde entre los más humildes seres,
    Embriagado, loco de placeres,
    El mundo para ti fue negro y duro.
     
    Atravesaste, en el silencio oscuro,
    La vida presa a trágicos deberes
    Y llegaste al saber de altos saberes
    Haciéndote más simple, al fin más puro.
     
    Nadie te ha visto el sentimiento inquieto,
    Doliente, oculto, aterrador, secreto,
    Que el corazón te apuñaló en el mundo.
     
    ¡Mas yo que siempre te seguí los pasos
    Sé qué cruz infernal prendió tus brazos
    Y tu suspiro cómo fue profundo!


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    Mensaje por Maria Lua Sáb 14 Nov 2020, 04:43

     
    MÚSICA DA MORTE
     
    A música da Morte, a nebulosa,
    estranha, imensa música sombria,
    passa a tremer pela minh'alma e fria
    gela, fica a tremer, maravilhosa ...

    Onda nervosa e atroz, onda nervosa,
    letes sinistro e torvo da agonia,
    recresce a lancinante sinfonia
    sobe, numa volúpia dolorosa ...

    Sobe, recresce, tumultuando e amarga,
    tremenda, absurda, imponderada e larga,
    de pavores e trevas alucina ...

    E alucinando e em trevas delirando,
    como um ópio letal, vertiginando,
    os meus nervos, letárgica, fascina ...
     


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Sáb 14 Nov 2020, 04:44

    TRISTEZA DO INFINITO
     
    Anda em mim, soturnamente,
    uma tristeza ociosa,
    sem objetivo, latente,
    vaga, indecisa, medrosa.

    Como ave torva e sem rumo,
    ondula, vagueia, oscila
    e sobe em nuvens de fumo
    e na minh'alma se asila.

    Uma tristeza que eu, mudo,
    fico nela meditando
    e meditando, por tudo
    e em toda a parte sonhando.

    Tristeza de não sei donde,
    de não sei quando nem como...
    flor mortal, que dentro esconde
    sementes de um mago pomo.

    Dessas tristezas incertas,
    esparsas, indefinidas...
    como almas vagas, desertas
    no rumo eterno das vidas.

    Tristeza sem causa forte,
    diversa de outras tristezas,
    nem da vida nem da morte
    gerada nas correntezas...

    Tristeza de outros espaços,
    de outros céus, de outras esferas,
    de outros límpidos abraços,
    de outras castas primaveras.

    Dessas tristezas que vagam
    com volúpias tão sombrias
    que as nossas almas alagam
    de estranhas melancolias.

    Dessas tristezas sem fundo,
    sem origens prolongadas,
    sem saudades deste mundo,
    sem noites, sem alvoradas.

    Que principiam no sonho
    e acabam na Realidade,
    através do mar tristonho
    desta absurda Imensidade.

    Certa tristeza indizível,
    abstrata, como se fosse
    a grande alma do Sensível
    magoada, mística, doce.

    Ah! tristeza imponderável,
    abismo, mistério, aflito,
    torturante, formidável...
    ah! tristeza do Infinito!
     


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    João da Cruz e Sousa (1861-1898) - Página 4 Empty Re: João da Cruz e Sousa (1861-1898)

    Mensaje por Maria Lua Mar 01 Dic 2020, 05:26

    Alma solitária


    Ó Alma doce e triste e palpitante!
    que cítaras soluçam solitárias
    pelas Regiões longínquas, visionárias
    do teu Sonho secreto e fascinante!


    Quantas zonas de luz purificante,
    quantos silêncios, quantas sombras várias
    de esferas imortais, imaginárias,
    falam contigo, ó Alma cativante!


    que chama acende os teus faróis noturnos
    e veste os teus mistérios taciturnos
    dos esplendores do arco de aliança?


    Por que és assim, melancolicamente,
    como um arcanjo infante, adolescente,
    esquecido nos vales da Esperança?!










    **********************






    Alma solitaria


    ¡Oh alma dulce, triste y palpitante!
    que los sitars sollozan solos
    por regiones lejanas y visionarias
    de tu sueño secreto y fascinante!


    Cuantas zonas de luz purificadora,
    cuantos silencios, cuantas sombras
    de esferas imaginarias e inmortales,
    hablan contigo, alma cautivadora!


    llama que enciende tus luces nocturnas
    y viste tus misterios taciturnos
    de los esplendores del arco de la alianza?


    ¿Por qué estás así, melancólica,
    como un arcángel infante adolescente,
    olvidado en los valles de la esperanza?


    _________________



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    João da Cruz e Sousa (1861-1898) - Página 4 Empty Re: João da Cruz e Sousa (1861-1898)

    Mensaje por Maria Lua Dom 10 Ene 2021, 06:37

    SORRISO INTERIOR





     
    O ser que é ser e que jamais vacila
    Nas guerras imortais entra sem susto,
    Leva consigo esse brasão augusto
    Do grande amor, da nobre fé tranqüila.
     
    Os abismos carnais da triste argila
    Ele os vence sem ânsias e sem custo...
    Fica sereno, num sorriso justo,
    Enquanto tudo em derredor oscila.
     
    Ondas interiores de grandeza
    Dão-lhe essa glória em frente à Natureza,
    Esse esplendor, todo esse largo eflúvio.
     
    O ser que é ser transforma tudo em flores...
    E para ironizar as próprias dores
    Canta por entre as águas do Dilúvio!
     








    **************************





     
    SONRISA INTERIOR










    El ser que es ser y que jamás vacila
    En la guerra inmortal entra sin susto;
    Lleva con él ese blasón augusto
    Del grande amor y noble fe tranquila.
     
    Los abismos carnales —¡triste argila!—
    Él los vence sin ansias, como un justo...
    Queda sereno, a sonreír, a gusto,
    Mientras alrededor el mundo oscila.
     
    Olas interiores de grandeza
    Le dan, triunfando a la Naturaleza,
    Ese esplendor, todo ese largo efluvio.
     
    El ser que es ser transforma todo en flores...
    Y para ironizar a sus dolores
    ¡Canta sobre las aguas del Diluvio!







    Traducido por Anderson Braga Horta


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    Mensaje por Maria Lua Miér 13 Ene 2021, 17:38

    SINFONIAS DO OCASO


     
    Musselinosas como brumas diurnas
    descem do ocaso as sombras harmoniosas,
    sombras veladas e musselinosas

    para as profundas solidões noturnas.
    Sacrários virgens, sacrossantas urnas,
    os céus resplendem de sidéreas rosas,
    da Lua e das Estrelas majestosas
    iluminando a escuridão das furnas.

    Ah! por estes sinfônicos ocasos
    a terra exala aromas de áureos vasos,
    incensos de turíbulos divinos.

    Os plenilúnios mórbidos vaporam ...
    E como que no Azul plangem e choram
    cítaras, harpas, bandolins, violinos ...


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Jue 14 Ene 2021, 05:41

    SUPREMO VERBO

    –Vai, Peregrino do caminho santo,
    Faz da tu’alma lâmpada do cego,
    Iluminando, pego sobre pego,
    As invisíveis amplidões do Pranto.

    Ei-lo, do Amor o cális sacrossanto!
    Bebe-o, feliz, nas tuas mãos o entrego…
    Éis o filho leal, que eu não renego,
    Que defendo nas dobras do meu manto.

    Assim ao Poeta a Natureza fala!
    Enquanto ele estremece ao escutá-la,
    Transfigurado de emoção, sorrindo…

    Sorrindo a céus que vão se desvendando,
    A mundos que vão se multiplicando,
    A portas de ouro que vão se abrindo!

    Últimos sonetos, 1905.


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Vie 15 Ene 2021, 07:10

    ASSIM SEJA!



    Fecha os olhos e morre calmamente!

    Morre sereno do Dever cumprido!

    Nem o mais leve, nem um só gemido

    Traia, sequer, o teu Sentir latente.



    Morre com a alma leal, clarividente,

    Da Crença errando no Vergel florido

    E o Pensamento pelos céus brandido

    Como um gládio soberbo e refulgente.



    Vai abrindo sacrário por sacrário,

    Do teu Sonho no templo imaginário,

    Na hora glacial da negra Morte imensa...



    Morre com o teu Dever! Na alta confiança

    De quem triunfou e sabe que descansa

    Desdenhando de toda a Recompensa!





    ¡ASÍ SEA!

    Traducido por Anderson Braga Horta



    ¡Cierra tus ojos, muere calmamente!

    ¡Muere sereno del Deber cumplido!

    Ni el más leve, ni un único gemido

    Traicione, al menos, tu Sentir latente.



    Muere, el alma leal, clarividente,

    De la Creencia en el Vergel florido

    Y el Pensamiento para el cielo erguido

    Como espada soberbia y refulgente.



    Vete, abriendo sagrario tras sagrario,

    De tu Sueño en el templo imaginario,

    En la hora fría de la Muerte inmensa...



    ¡Muere con tu Deber! ¡Con la confianza

    De quien triunfó y sabe que descansa,

    Desdeñoso de toda Recompensa!





    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Sáb 16 Ene 2021, 07:23

    Estás morto, estás velho, estás cansado!
    Como um suco de lágrimas pungidas
    Ei-las, as rugas, as indefinidas
    Noites do ser vencido e fatigado.

    Envolve-te o crepúsculo gelado
    Que vai soturno amortalhando as vidas
    Ante o repouso em músicas gemidas
    No fundo coração dilacerado.

    A cabeça pendida de fadiga,
    Sentes a morte taciturna e amiga,
    Que os teus nervosos círculos governa.

    Estás velho estás morto! Ó dor, delírio,
    Alma despedaçada de martírio
    Ó desespero da desgraça eterna.


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    "Ser como un verso volando
    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
    compartir contigo sol y luna,
    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
    (Hánjel)





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    Mensaje por Maria Lua Dom 17 Ene 2021, 05:00

    VITA OSCURA



    Nessun senti lo spasimo tuo escuro,
    0 umile tra gli umili mortali.
    Ebbro e intontito dai piacer bestiali,
    Il mondo fu per te sl nero e duro.



    Attraversasti, nel silenzio scuro,
    La vita di doveri i piú brutali
    E arrivasti alie luci ascenzionali,
    Diventando piu semplice e piu puro.



    Nessun ti vide il sentimento inquieto,
    Addolorato ed intimo segreto,
    Che il cuor ti pugnalò in questo mondo.



    Ma io, che sempre udii la tua voce,
    So che fosti inchiodato ad una croce
    E come i! tuo sospiro fu profondo !


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    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
    compartir contigo sol y luna,
    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
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    Mensaje por Maria Lua Dom 17 Ene 2021, 08:03

    Vai-se acentuando,
    Senhores da justiça - heróis da humanidade,
    O verbo tricolor da confraternidade. . .
    E quando, em breve, quando

    Raiar o grande dia
    Dos largos arrebóis - batendo o preconceito. . .
    O dia da razão, da luz e do direito
    - solene trilogia ­-

    Quando a escravatura
    Surgir da negra treva - em ondas singulares
    De luz serena e pura;

    Quando um poder novo
    Nas almas derramar os místicos luares,
    Então seremos povo!


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    y en ese vuelo y en ese sueño
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    Mensaje por Maria Lua Lun 18 Ene 2021, 05:41

    LIVRE
    Últimos Sonetos

    Livre! Ser livre da matéria escrava,
    arrancar os grilhões que nos flagelam
    e livre penetrar nos Dons que selam
    a alma e lhe emprestam toda a etérea lava.

    Livre da humana, da terrestre bava
    dos corações daninhos que regelam,
    quando os nossos sentidos se rebelam
    contra a Infâmia bifronte que deprava.

    Livre! bem livre para andar mais puro,
    mais junto à Natureza e mais seguro
    do seu Amor, de todas as justiças.

    Livre! para sentir a Natureza,
    para gozar, na universal Grandeza,
    Fecundas e arcangélicas preguiças.


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    João da Cruz e Sousa (1861-1898) - Página 4 Empty Re: João da Cruz e Sousa (1861-1898)

    Mensaje por Maria Lua Sáb 30 Ene 2021, 04:41


    Vai-se acentuando,
    Senhores da justiça - heróis da humanidade,
    O verbo tricolor da confraternidade. . .
    E quando, em breve, quando

    Raiar o grande dia
    Dos largos arrebóis - batendo o preconceito. . .
    O dia da razão, da luz e do direito
    - solene trilogia ­-

    Quando a escravatura
    Surgir da negra treva - em ondas singulares
    De luz serena e pura;

    Quando um poder novo
    Nas almas derramar os místicos luares,
    Então seremos povo!
    (O Livro derradeiro. In: Poesia completa, p. 202).



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    João da Cruz e Sousa (1861-1898) - Página 4 Empty Re: João da Cruz e Sousa (1861-1898)

    Mensaje por Maria Lua Dom 31 Ene 2021, 07:08

    Alma solitária

    Ó Alma doce e triste e palpitante!
    que cítaras soluçam solitárias
    pelas Regiões longínquas, visionárias
    do teu Sonho secreto e fascinante!

    Quantas zonas de luz purificante,
    quantos silêncios, quantas sombras várias
    de esferas imortais, imaginárias,
    falam contigo, ó Alma cativante!

    que chama acende os teus faróis noturnos
    e veste os teus mistérios taciturnos
    dos esplendores do arco de aliança?

    Por que és assim, melancolicamente,
    como um arcanjo infante, adolescente,
    esquecido nos vales da Esperança?!



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    Mensaje por Maria Lua Dom 31 Ene 2021, 07:11

    Livre

    Livre! Ser livre da matéria escrava,
    arrancar os grilhões que nos flagelam
    e livre penetrar nos Dons que selam
    a alma e lhe emprestam toda a etérea lava.

    Livre da humana, da terrestre bava
    dos corações daninhos que regelam,
    quando os nossos sentidos se rebelam
    contra a Infâmia bifronte que deprava.

    Livre! bem livre para andar mais puro,
    mais junto à Natureza e mais seguro
    do seu Amor, de todas as justiças.

    Livre! para sentir a Natureza,
    para gozar, na universal Grandeza,
    Fecundas e arcangélicas preguiças.


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    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
    compartir contigo sol y luna,
    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
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    Mensaje por Maria Lua Miér 03 Feb 2021, 05:38





    SUPREMO VERBO

    –Vai, Peregrino do caminho santo,
    Faz da tu’alma lâmpada do cego,
    Iluminando, pego sobre pego,
    As invisíveis amplidões do Pranto.

    Ei-lo, do Amor o cális sacrossanto!
    Bebe-o, feliz, nas tuas mãos o entrego…
    Éis o filho leal, que eu não renego,
    Que defendo nas dobras do meu manto.

    Assim ao Poeta a Natureza fala!
    Enquanto ele estremece ao escutá-la,
    Transfigurado de emoção, sorrindo…

    Sorrindo a céus que vão se desvendando,
    A mundos que vão se multiplicando,
    A portas de ouro que vão se abrindo!


    ****************




    SUPREMO VERBO

    –«Ve, peregrino del camino santo;
    haz de tu alma lámpara de ciego;
    paso tras paso, alumbra con tu fuego
    los invisibles páramos del llanto.

    He aquí de amor el cáliz sacrosanto.
    Bebe feliz; en tu poder lo entrego.
    Es el hijo leal; de él no reniego,
    lo defiendo en los pliegues de mi manto.»

    Así al poeta le habla la Natura,
    mientras él se estremece a su voz pura,
    trasfigurado de emoción, sonriendo;

    sonriendo a cielos que se van mostrando,
    a mundos que se van multiplicando,
    a puertas de oro que se van abriendo.

    Últimos sonetos, 1905. Traducción de Felipe B. Pedraza.




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    João da Cruz e Sousa (1861-1898) - Página 4 Empty Re: João da Cruz e Sousa (1861-1898)

    Mensaje por Maria Lua Sáb 13 Feb 2021, 06:03

    João Cruz e Souza (1862-1898) está considerado como la principal figura del movimiento simbolista en Brasil. Hijo de padres esclavos, expresó en sus poemas su rechazo a los prejuicios raciales. Su lenguaje, musical, está lleno de imágenes sugerentes y misteriosas.

    SUPREMO VERBO

    –«Ve, peregrino del camino santo;
    haz de tu alma lámpara de ciego;
    paso tras paso, alumbra con tu fuego
    los invisibles páramos del llanto.

    He aquí de amor el cáliz sacrosanto.
    Bebe feliz; en tu poder lo entrego.
    Es el hijo leal; de él no reniego,
    lo defiendo en los pliegues de mi manto.»

    Así al poeta le habla la Natura,
    mientras él se estremece a su voz pura,
    trasfigurado de emoción, sonriendo;

    sonriendo a cielos que se van mostrando,
    a mundos que se van multiplicando,
    a puertas de oro que se van abriendo.

    Últimos sonetos, 1905. Traducción de Felipe B. Pedraza.


    SUPREMO VERBO

    –Vai, Peregrino do caminho santo,
    Faz da tu’alma lâmpada do cego,
    Iluminando, pego sobre pego,
    As invisíveis amplidões do Pranto.

    Ei-lo, do Amor o cális sacrossanto!
    Bebe-o, feliz, nas tuas mãos o entrego…
    Éis o filho leal, que eu não renego,
    Que defendo nas dobras do meu manto.

    Assim ao Poeta a Natureza fala!
    Enquanto ele estremece ao escutá-la,
    Transfigurado de emoção, sorrindo…

    Sorrindo a céus que vão se desvendando,
    A mundos que vão se multiplicando,
    A portas de ouro que vão se abrindo!

    Últimos sonetos, 1905.


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