Aires de Libertad

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    Mensaje por Maria Lua Miér 05 Abr 2023, 14:50

    Poema Relativo



    Vem, ó
    bem-amada
    Junto à minha casa
    Tem um regato (até quieto o regato).

    Não tem pássaros que pena!

    Mas os coqueiros fazem,
    Quando o vento passa,
    Um barulho que às vezes parece
    Bate-bate de asas.

    Supõe, ó bem-amada,
    Se o vento não sopra,
    Podem vir borboletas
    À procura das minhas jarras
    Onde há flores debruçadas,
    Tão debruçadas que parecem escutar.

    Todos os homens têm seus crentes,
    Ó bem-amada:
    - os que pregam o amor ao próximo
    e os que pregam a morte dele.

    Mas tudo é pequeno
    E ligeiro no mundo, ó amada.
    Só o clamor dos desgraçados
    É cada vez mais imenso!

    Vem, ó bem-amada.
    Junto à minha casa
    Tem um regato até manso.
    E os teus passos podem ir devagar
    Pelos caminhos:
    - aqui não há a inquietação
    de se atravessar o asfaalto

    Vem, ó bem-amada,
    Porque como te disse
    Se não há pásssaros no meu parque,
    Pode ser, se o vento
    Não soprar forte
    Que venham borboletas.
    Tudo é relativo
    E incerto no mundo.
    Também tuas sobrancelhas
    Parecem asas abertas.


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    Mensaje por Maria Lua Miér 05 Abr 2023, 14:52

    Democracia



    Punhos
    de redes embalaram o meu canto
    Para adoçar o meu país, ó Whitman.
    Jenipapo coloriu o meu corpo contra os maus-olhados,
    Catecismo me ensinou a abraçar os hóspedes,
    Carumã me alimentou quando eu era criança,
    Mãe-negra me contou histórias de bicho,
    Moleque me ensinou safadezas,
    Massoca, tapioca,pipoca, tudo comi,
    Bebi cachaça com caju para limpar-me,
    Tive maleita, catapora e ínguas,
    Bicho-de-pé, saudade, poesia;
    Fiquei aluado, mal-assombrado, tocando maracá,
    Dizendo coisas, brincando com as crioulas,
    Vendo espiritos, abusões, mães-d água,
    Conversando com os malucos, conversando sozinho,
    Emprenhando tudo o que encontrava,
    Abraçando as cobras pelos matos,
    Me misturando, me sumindo, me acabando,
    Apara salvar a minha alma benzida
    E o meu corpo pintado de urucu,
    Tatuado de cruzes, de corações, de mãos ligadas,
    De nomes de amor em todas as línguas de branco
    De mouro ou pagão.





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    Mensaje por Maria Lua Vie 07 Abr 2023, 14:11

    CANTO III

    POEMAS RELATIVOS

    I

    Caída a noite
    o mar se esvai,
    aquele monte
    desaba e cai
    silentemente.

    Bronzes diluídos
    já não são vozes,
    seres na estrada
    nem são fantasmas,
    aves nos ramos
    inexistentes;
    tranças noturnas
    mais que impalpáveis,
    gatos nem gatos,
    nem os pés no ar,
    nem os silêncios.

    O sono está.
    E um homem dorme.

    II

    Queres ler o que
    tão só se entrelê
    e o resto em ti está?
    Flor no ar sem umbela
    nem tua lapela;
    flor que sem nós há.

    Subitamente olhas:
    nem lês nem desfolhas;
    folha, flor, tiveste-as.

    E nem as tocaste:
    folha e flor. Tu - haste,
    elas reais, mas réstias.

    III

    qualquer voz alou-se
    muito desejada.
    Branco fosse o espaço
    e ela ardente cor.

    Quis o espaço a voz
    a voz veio e ampliou-o.

    Mas se não houvesse
    propriamente voz...

    Vamos nós supô-los:
    dois sem seus sentidos.

    Desejemos mesmo
    dois incompreensíveis.

    Bom nos ecoarmos
    na voz recebida.

    E o espaço esvaziado
    povoá-lo de vez.

    Amá-los tão sem
    amada presença,
    só com o coração
    sem correspondência,
    só com a vocação
    do verso feliz.

    IV

    Numas noites chegamos à janela,
    e as mandíbulas do ar tanto nos roem,
    que os leitos rotos logo deliqüescem
    com os nossos corpos complacentemente.

    Certos dias olhamos o sol claro;
    e a boca hiante das cores nos devora
    carnes e sangues, poeiras de costelas,
    que ficamos inúteis, sem matéria.

    Essas bocas nos sugam noite e dia,
    vigiando dia e noite nossas vidas
    um minuto no espaço, menos que ai
    de chumbo soluçado nos silêncios,
    ou cal de fome longa, revelada,
    na noite igual ao dia, de tão gêmeos.

    V

    Agora o sem senso
    sorriso nos ares,
    minha alma perdida,
    os vales lá embaixo
    de minhas lonjuras
    de não existido,
    parado nos antes,
    nem sei de pecados,
    nem sei de mim mesmo,
    eu mesmo não sou
    nem nada me vê;
    ausentes palavras
    não soam no vácuo
    dos antes das coisas,
    das coisas sem nexo,
    nem fluidos. Só o Verbo
    chorando por mim.

    VI

    Agora, escutai-me
    que eu falo de mim;
    ouvi que sou eu,
    sou eu, eu em mim;
    tocai esses cravos
    já feitos pra mim,
    suores de sangue,
    pressuados sem poros
    verônica herdada.
    sem face do ser.

    Embora; escutai-me,
    que eu falo com a voz
    inata que diz
    que a voz não é essa
    que fala por mim,
    talvez minha fala
    saída de ti.

    VII

    Alegria achareis neste poema
    como poema ilícito, como um
    corpo casual ou vão, como a memória
    dura e acídula, como um homem se
    conhece respirando, ou como quando
    se entristece sem causa ou se doente,
    ou se lavando sempre ou comparando-se
    às dimensões das coisas relativas;
    ou como sente os ombros de seu ser,
    transmitidos e opacos, e os avós
    responsabilizando-se presentes.

    São alegrias rápidas. Lugares,
    reencontrados países, becos, passos
    sob as chuvas que não vos molharão.

    VIII

    Se falta alguém nesses versos
    pele vento interminável,
    pelas arenas de estátuas,
    sucedam-lhe os cegos olhos
    sacudidos pelos medos,
    mãos de chuvas lhe inteiricem
    o corpo com algas remissas
    e com matérias tranqüilas
    tão soturna como os poços,
    exasperados invernos,
    ombros de escova comida,
    as asas secas caídas,
    ante seus netos calados;
    e incorporem-se a esse alvitre
    esse sabor de cortiça,
    essas esponjas morridas,
    essas marés estanhadas,
    essas escunas de espáduas
    estritamente fechadas
    como casas de abandono,
    restringem-se os conciliábulos,
    certos sigilos de pez,
    certas coisas enlutadas,
    refúgios, dramas ocultos,
    pois as rosas são de trapos
    e os fios menos que teias,
    menos que finos agora,
    e as camisas sem os pêlos
    enterrados nas ilhargas,
    vestem enganos e punhos
    e crimes em vez de adegas,
    mas tudo em vão, mesmo as plumas,
    mesmo os ausentes e as vozes
    aderidas a fragmentos
    aí moram degredadas,
    listrando as grades, de faces
    que não conhecem espelhos

    IX

    Numa hora perdida cantos doeram. Os desejos
    E flores despenteadas, flores largas e a barbárie
    e inconfidentes quase abominadas dos corpos.
    por oculta paixão, se intumesceram. E a relatividade
    do espírito
    Lírios eram pilares de cristal sob o cerco
    subindo para as aves; então dardos da matéria.
    desceram sobre os mais amados colos
    cantando amor com seus sentimentos.

    Canção melhor. Mais consentimentos puros olhos. Eu
    sei de cor os rebanhos, e olho o mundo.
    Tudo contém pequenas doces máscaras.
    Mas da selva selvagem desce o pranto
    dos que mastigam suas próprias fomes,
    sem saliva de pão, e o gosto ausente.

    Ninguém consegue assim amar os lírios.
    E esse amor é amaríssimo e adstringente
    com a memória das dores engolidas.

    X

    Vós não viveis sozinhos
    os outros vos invadem
    felizes convivências
    agregações incômodas
    enfim ambientalismos,
    e tudo subsistências
    e mais comunidades;
    e tantas ventanias
    acotovelamentos,
    desgastes de antemão,
    acréscimos depois,
    depois substituições,
    a massa vos tragando,
    as coisas vos bisando;
    os hábitos, os vícios,
    as moças embutidas
    mudando vossas cartas;
    sereis administrados
    no sono e nos pecados,
    vós mapas e diagramas
    com várias delinqüências,
    e insanidades várias,
    dosando o vosso espaço,
    pesando o vosso pão
    de tempos racionados;
    e não tereis vivido
    e não tereis amado,
    porém sereis morrido.

    XI

    Éreis vós Tiago, Diogo, Jaques, Jaime?
    Clodoveu ou Clodovigo?
    Éreis vós por acaso eles?
    Éreis vós aqueles nomes,
    estes, e os demais já mortos,
    os mortos tão renovados
    nós mesmos sempre chamados
    Lútero, Lotário, otário,
    sim otário tão singelo,
    tão puro de todo o mal,
    relativo, universal.

    Éreis vós Tiago, Diogo, Jaques, Jaime?
    Dizei-me se acaso vós
    éreis eles ou voz sou
    de algum avo tão otário,
    tão eu mesmo como voz,
    como poema de outros vários.

    XII

    O simples ar
    de uma só corda
    em curta raia,
    mão de menino,
    punhado escasso,
    ar perfumado,
    sem o alvoroço
    dos vendavais;
    anjo acolhido
    em róseo céu
    abrigo instante,
    pranto lavado,
    chorar em ti
    de arrependido,
    subir teus vales,
    amar teu pólen,
    nunca escapar-me
    de tuas pétalas
    cair com elas.

    XIII

    Uma janela aberta
    e um simples rosto hirto,
    e que provavelmente
    nela se debruçou;
    e nesse gesto puro
    do rosto na janela
    estava todo o poema
    que ninguém escutou;
    só a janela aberta
    e o espaço dentro dela
    que o tempo atravessou.

    XIV

    O contro era um dia,
    um dia futuro,
    e dentro do dia
    incluído o conforme,
    e dentro o que foi
    porque fora isso
    se tal não se dera,
    se o mundo parasse
    e o espaço se excluí



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    Mensaje por Maria Lua Dom 09 Abr 2023, 12:06

    Essa Infanta


    Essa infanta boreal era a defunta
    em noturna pavana sempre ungida,
    colorida de galos silenciosos,
    extrema-ungida de óleos renovados.

    Hoje é rosa distante prenunciada,
    cujos cabelos de Altair são dela;
    dela é a visão dos homens subterrâneos,
    consolo como chuva desejada.

    Tendo-a a insônia dos tempos despertado,
    ontem houve enforcados, hoje guerras,
    amanhã surgirão campos mais mortos.

    Ó antípodas, ó pólos, somos trégua,
    reconciliemo-nos na noite dessa
    eterna infanta para sempre amada.





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    Mensaje por Maria Lua Dom 16 Abr 2023, 16:58

    Essa Pavana


    Essa pavana é para uma defunta
    infanta, bem-amada, ungida e santa,
    e que foi encerrada num profundo
    sepulcro recoberto pelos ramos

    de salgueiros silvestres para nunca
    ser retirada desse leito estranho
    em que repousa ouvindo essa pavana
    recomeçada sempre sem descanso,

    sem consolo, através dos desenganos,
    dos reveses e obstáculos da vida,
    das ventanias que se insurgem contra

    a chama inapagada, a eterna chama
    que anima esta defunta infanta ungida
    e bem-amada e para sempre santa.




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    Mensaje por Maria Lua Mar 18 Abr 2023, 19:13

    Madorna de Iaiá



    Iaiá está
    na rede de tucum.
    A mucama de Iaiá tange os piuns,
    Balança a rede,
    Canta um lundum
    Tão bambo, tão molengo, tão dengoso,
    Que Iaiá tem vontade de dormir

    Com quem?

    Rem-rem.

    Que preguiça, que calor!
    Iaiá tira a camisa,
    Toma aluá
    Prende o cocó,
    Limpa o suor
    Pula pra rede.

    Mas que cheiro gostoso tem Iaiá!
    Que vontade doida de dormir,,,

    Com quem?

    Cheiro de mel da casa das caldeiras!
    O saguim de Iaiá dorme num coco.

    Iaiá ferra no sono
    Pende a cabeça,
    Abre-se a rede
    Como uma ingá.

    Para a mucama de cantar,
    Tange os piuns,
    Cala o ram-rem,
    Abre a janela,
    Olha o curral:
    - um bruto sossego no curral!

    Muito longe uma peitica faz si-dó....
    Si-dó.....si-dó......si-dó....

    Antes que Iaiá corte a madorna
    A moleca de Iaiá
    Balança a rede,
    Tange os piuns,
    Canta um lundum
    Tão bambo,
    Tão molengo,
    Tão dengoso,
    Que Iaiá sem se acordar,
    Se coça,
    Se estira
    E se abre toda, na rede de tucum.

    Sonha com quem?


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