Aires de Libertad

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    Mensaje por Maria Lua Dom Mayo 02, 2021 8:58 pm

    Meu anjo, escuta


    Le mal dontj'ai souffert s'est enfui comme un rêve,
    Je nen puis comparer le lontain souvenir
    Qu'à ces brouillards légers que l'aurore soulève
    Et quavec Ia rosée on voit s'évanouir.
    MUSSET


    Meu anjo, escuta: quando junto à noite
    Perpassa a brisa pelo rosto teu,
    Como suspiro que um menino exala;
    Na voz da brisa quem murmura e fala
    Brando queixume, que tão triste cala
    No peito teu?
    Sou eu, sou eu, sou eu!


    Quando tu sentes lutuosa imagem
    D'aflito pranto com sombrio véu,
    Rasgado o peito por aeerbas dores;
    Quem murcha as flores
    Do brando sonho? — Quem te pinta amores
    Dum puro céu?
    Sou eu, sou eu, sou eu!


    Se alguém te acorda do celeste arroubo.
    Na amenidade do silêncio teu,
    Quando tua alma noutros mundos erra,
    Se alguém descerra
    Ao lado teu
    Fraco suspiro que no peito encerra;
    Sou eu, sou eu, sou eu!


    Se alguém se aflige de te ver chorosa,
    Se alguém se alegra co'um sorriso teu,
    Se alguém suspira de te ver formosa
    O mar e a terra a enamorar e o céu;
    Se alguém definha
    Por amor teu,
    Sou eu, sou eu, sou eu!




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    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
    compartir contigo sol y luna,
    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
    (Hánjel)





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    Mensaje por Maria Lua Mar Mayo 04, 2021 11:09 am

    Oh ! Que acordar!


    Se o que somos, se o que temos sofrido
    Não fosse mais que um sonho!
    A despedida sem adeus, a ausência,
    O desterro medonho!


    O viver sem família, sem ventura,
    Sem esperanças mais...
    Este penar eterno, este sofrer sem crime,
    Este descrer dos mais;


    E aquele ver-te qual t'eu vi, co'o pranto
    Nos olhos a brilhar,
    E nos lábios sorrisos porque vias
    Qual era o meu penar!


    Se esse fingir que a vida te esgotava
    Do pobre coração,
    Se tudo fosse um pesadelo horrível,
    Um sonho vão;


    Se outra vez amanhã meiga sorrindo
    Me viesses contar
    Teu sonho mau, durante a noite, e o ledo
    Venturoso acordar!


    E que de ver-te se me fosse d'alma
    D'angústia o sentimento,
    Como visão noturna, como um traço n'água,
    Nuvem que tange o vento!


    Se em nossos peitos desses caos surgissem
    Os êxtases de amor,
    Como aves mil, que no romper do dia
    Voam de um ramo em flor!


    E a vida entre nós franca! o amor possível,
    E o paraíso ali!
    Oh! que acordar!... Venham dizer-me agora
    depois do que sofri,


    Que o mundo é vasto, que não devo amar-te,
    Que renuncie a ti!
    Fazei-o vós, se sois capaz de tanto...
    Não o peçais de mim.


    Qual o horrendo porvir que após nos guarda
    Não o sabeis, eu sei!
    É ser morto por dentro, é dizer d'alma
    Jamais feliz serei!


    É criar tédio à vida! — um só receio
    Ter-se — que seja eterno
    Este viver, este descrer de tudo,
    Este penar do inferno!


    Manaus - 30 de maio de 1861.




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    Mensaje por Maria Lua Mar Mayo 11, 2021 12:11 am

    Se muito sofri já, não me perguntes


    Se muito sofri já, se ainda sofro
    Por teu amor?!
    Não me perguntes! que do inferno a vida
    Não é pior! ...


    Eu! vegetar da terra entre os felizes!
    Que faço aqui?
    Sonhos de amor, de glória, — lá se foram
    Atrás de ti!


    A ver se encontro d'esperança um raio
    Olho em redor,
    E nada vejo, e mais profunda sinto
    No peito a dor!


    Que faço aqui? Dias cansados, anos
    Sem fim — durar!
    Depois que te perdi, viver ainda,
    Viver! penar! ...


    Eu, não! Quem for feliz que preze a vida,
    Tema perdê-la!
    Por mim não tenho horror, nem tédio à morte,
    Clamo por ela!


    Bendita seja pois a que mandada
    Me for — por Deus.
    Matar-me, não; que quero ver-te ainda
    Feliz nos céus!


    Mas no pego da dor, em que me abismo?
    — Nesta aflição
    Negra como a do cego que na estrada
    Esmola o pão!


    Como a do viajor que pelas trevas
    Sem tino vai,
    E, errado o trilho, se embrenhou nas matas,
    Nem delas sai!


    Neste viver sofrendo, errante, louco,
    Mísero Jó,
    Que amigos e inimigos à porfia
    Pungem sem dó!


    Às vezes, da amargura no remanso,
    Ao Criador
    Minha alma eleva cânticos de graças,
    Hinos de amor!


    Que se estivesse em mim renascer hoje,
    Sofrer o que sofri...
    Eu quisera viver para ainda amar-te
    E amado ser por ti!


    Manaus - 16 de junho de 1861.



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    Mensaje por Maria Lua Vie Sep 08, 2023 5:32 am



    CANÇÃO DO EXÍLIO




    Kennst du das Land, wo die Citronen blühen,

    Im dunkeln die Gold-Orangen glühen,

    Kennst du es wohl? - Dahin, dahin!

    Mocht ich ... ziehn.

    GOETHE



    Minha terra tem palmeiras,

    Onde canta o Sabiá;

    As aves, que aqui gorjeiam,

    Não gorjeiam como lá.



    Nosso céu tem mais estrelas,

    Nossas várzeas têm mais flores,

    Nossos bosques têm mais vida,

    Nossa vida mais amores.



    Em cismar, sozinho, à noite,

    Mais prazer encontro eu lá,

    Minha terra tem palmeiras,

    Onde canta o Sabiá.



    Minha terra tem primores,

    Que tais não encontro eu cá;

    Em cismar, —sozinho, à noite—

    ­Mais prazer encontro eu lá;

    Minha terra tem palmeiras,

    Onde canta o Sabiá.



    Não permita Deus que eu morra,

    Sem que eu volte para lá;

    Sem que desfrute os primores

    Que não encontro por cá;

    Sem qu'inda aviste as palmeiras,

    Onde cantei o Sabiá.



    Coimbra - Julho 1843.





    CANCIÓN DEL EXILIO




    Kennst du das Land, wo die Citronen blühen,

    Im dunkeln die Gold-Orangen glühen,

    Kennst du es wohl? - Dahin, dahin!

    Mocht ich ... ziehn.

    GOETHE



    Mi tierra tiene palmeras

    En donde canta el sabiá;

    Las aves que aquí gorjean,

    No gorjean como allá.



    En nuestro cielo hay más luces,

    En nuestras vegas más flores,

    En nuestros bosques más vida

    Y vida con más amores.



    Al pensar, solo, en la noche

    Más placer encuentro allá;

    Mi tierra tiene palmeras

    En donde canta el sabiá.



    Mi tierra tiene primores

    Como no las hallo acá;

    Al pensar -solo y de noche­

    Más placer encuentro allá;

    Mi tierra tiene palmeras

    En donde canta el sabiá.



    No permita Dios que muera

    Sin que vuelva para allá;

    Sin que goce los primores

    Que no encuentro por acá;

    Sin que vea las palmeras,

    En donde canta el sabiá.


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    Mensaje por Maria Lua Vie Sep 08, 2023 5:33 am

    De Gonçalves Dias



    Y-JUCA-PYRAMA ( FRAGMENTO)

    IV



    Meu canto de morte,

    Guerreiros, ouvi:

    Sou filho das selvas,

    Nas selvas cresci;

    Guerreiros, descendo

    Da tribo tupi.



    Da tribo pujante,

    Que agora anda errante

    Por fado inconstante,

    Guerreiros, nasci:

    Sou bravo, sou forte,

    Sou filho do Norte;

    Meu canto de morte,

    Guerreiros, ouvi.



    Já vi cruas brigas,

    De tribos imigas,

    E as duras fadigas

    Da guerra provei;

    Nas ondas mendaces

    Senti pelas faces

    Os silvos fugaces

    Dos ventos que amei.



    Andei longes terras,

    Lidei cruas guerras,

    Vaguei pelas serras

    Dos vis Aimorés;

    Vi lutas de bravos,

    Vi fortes — escravos!

    De estranhos ignavos

    Calcados aos pés.



    E os campos talados,

    E os arcos quebrados,

    E os piagas coitados

    Já sem maracás;

    E os meigos cantores,

    Servindo a senhores,

    Que vinham traidores,

    Com mostras de paz.



    Aos golpes do imigo

    Meu último amigo,

    Sem lar, sem abrigo

    Caiu junto a mil

    Com plácido rosto,

    Sereno e composto,

    O acerbo desgosto

    Comigo sofri.



    Meu pai a meu lado

    Já cego e quebrado,

    De penas ralado,

    Firmava-se em mi:

    Nós ambos, mesquinhos,

    Por ínvios caminhos,

    Cobertos d'espinhos

    Chegamos aqui!



    O velho no em tanto

    Sofrendo já tanto

    De fome e quebranto,

    Só qu'ria morrer!

    Não mais me contenho,

    Nas matas me embrenho,

    Das frechas que tenho

    Me quero valer.



    Então, forasteiro,

    Caí prisioneiro

    De um troço guerreiro

    Com que me encontrei:

    O cru desasossego

    Do pai fraco e cego,

    Em quanto não chego,

    Qual seja, — dizei!



    Eu era o seu guia

    Na noite sombria,

    A só alegria

    Que Deus lhe deixou:

    Em mim se apoiava,

    Em mim se firmava,

    Em mim descansava,

    Que filho lhe sou.



    Ao velho coitado

    De penas ralado,

    Já cego e quebrado,

    Que resta? —Morrer.

    Em quanto descreve

    O giro tão breve

    Da vida que teve,

    Deixai-me viver!



    Não vil, não ignavo,

    Mas forte, mas bravo,

    Serei vosso escravo:

    Aqui virei ter.

    Guerreiros, não coro

    Do pranto que choro;

    Se a vida deploro,

    Também sei morrer.




    ****************


    I JUCA-PIRAMA

    (fragmentos)



    IV

    Mi canto de muerte,

    Guerreros, oíd:

    Hijo de la selva,

    En selvas crecí;

    Guerreros, provengo

    De tribu tupí.



    EI hado inconstante

    Ha tornado errante

    La tribu pujante

    En la que nací.

    Norteño, por suerte,

    Soy bravo, soy fuerte,

    Mi canto de muerte,

    Guerreros, oíd.



    Ví en guerras e intrigas

    Tribus enemigas,

    Las duras fatigas

    Guerreras probé.

    En ondas falaces

    Sentí los mordaces

    Silbidos fugaces

    Del viento que amé



    Corrí luengas tierras,

    Luché en duras guerras,

    Vagué por las sierras

    De los Aimorés.

    Ví lides de bravos,

    Ví fuertes esclavos

    De hierros cargados

    En manos y pies.

    Ví campos talados,

    Arcos vi quebrados

    Y brujos cuitados

    Sin sus maracás.

    Vi a tiemos cantores,

    Sirviendo a señores,

    Que fingen traidores,

    Amor a la paz.



    Sin hogar ni abrigo,

    Al golpe enemigo,

    mi mejor amigo

    ¡Cayó junto a mí!

    Con faz como ajena,

    Plácida y serena,

    Tan amarga pena

    Callado sufrí.



    Mi padre a mi lado,

    Ciego y quebrantado,

    De penas calado,

    Se apoyaba en mí.

    Entrambos, mezquinos,

    Por malos caminos,

    Cubierto de espinos,

    Llegamos aquí.



    El viejo, entretanto,

    Sufría ya tanto

    El hambre y quebranto

    ¡Que ansiaba morir!

    Ya no me contuve

    Al bosque me atuve,

    Las flechas que tuve

    Me iban a servir.



    Luego, forastero,

    Caí prisionero

    De un grupo guerrero

    Con el que topé.

    Los trágicos ruegos

    De mi padre ciego

    Al ver que no llego,

    Triste imaginé.



    Era yo la guía

    En su hora sombría,

    La única alegría

    Que Dios le dejó.

    En mí se apoyaba,

    En mí se afirmaba,

    En mí descansaba,

    ¡Hijo suyo soy!



    ¿Qué resta al cuitado

    Viejo quebrantado,

    Ciego, abandonado?

    Tan sólo morir.

    El tiempo tan breve

    Que su vida leve

    Acabarse debe,

    ¡Dejadme vivir!



    Yo, sin menoscabo,

    No vil sino bravo,

    Seré vuestro esclavo,

    Volveré hasta aquí.

    Corre sin desdoro

    EI llanto que lloro,

    La vida no imploro:

    ¡También sé morir!



    _________________



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    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
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    ANTÔNIO GONÇALVES DIAS (1823-1864) - Página 3 Empty Re: ANTÔNIO GONÇALVES DIAS (1823-1864)

    Mensaje por Maria Lua Vie Sep 08, 2023 5:33 am

    Poema del día: "Lecho de hojas verdes", de Gonçalves Dias (Brasil, 1823-1864)




    ¿Por qué tardas, Jatir, que con desgana
    A la voz de mi amor mueves los pasos?
    La brisa de la noche, entre las hojas,
    En los altos del bosque rumorea.

    Bajo la copa del altivo mango
    Nuestro lecho gentil cubrí celosa
    Con delicada alfombra de hojas blandas,
    Donde la luz lunar juega entre flores.

    ¡La flor del tamarindo abrióse ha poco
    Y ya exhala el jazmín más dulce aroma!
    Como una prez de amor, como estas preces,
    En la noche silente el bosque exhala.

    Brilla la luna, brillan las estrellas,
    Vuelan perfumes al volar la brisa,
    A cuyo influjo mágico respírase
    Un desmayo de amor, mejor que vida.

    Sea en valles o en montes, tierra o lago,
    Donde quiera que vayas, día o noche,
    Siempre va en pos de ti mi pensamiento;
    ¡Mío tú, tuya yo, sin más amores!

    Mis ojos otros ojos nunca vieron,
    No sintieron mis labios otros labios,
    Ni otra mano, Jatir, sino la tuya
    La flor del arazá me ciñó al talle.

    La flor del tamarindo está entreabierta
    Y ya exhala el jardín más dulce aroma;
    También mi corazón, como estas flores,
    Mejor perfume con la noche exhala.

    No me escuchas, Jatir, ni tardo acudes
    A la voz de mi amor, que llama en vano.
    ¡Oh Dios ya rompe el sol: del lecho inútil
    Barra las hojas mañanera brisa!

    Gonçalves Dias, incluido en Antología de la poesía brasileña. Desde el Romanticismo a la Generación del cuarenta y cinco (Editorial Seix Barral, Barcelona, 1973, trad. de Ángel Crespo).




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    LEITO DE FOLHAS VERDES



    Gonçalves Dias


    Por que tardas, Jatir, que tanto a custo
    À voz do meu amor moves teus passos?
    Da noite a viração, movendo as folhas,
    Já nos cimos do bosque rumoreja.

    Eu, sob a copa da mangueira altiva
    Nosso leito gentil cobri zelosa
    Com mimoso tapiz de folhas brandas,
    Onde o frouxo luar brinca entre flores.

    Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,
    Já solta o bogari mais doce aroma!
    Como prece de amor, como estas preces,
    No silêncio da noite o bosque exala.

    Brilha a lua no céu, brilham estrelas,
    Correm perfumes no correr da brisa,
    A cujo influxo mágico respira-se
    Um quebranto de amor, melhor que a vida!

    A flor que desabrocha ao romper d`alva
    Um só giro do sol, não mais, vegeta:
    Eu sou aquela flor que espero ainda
    Doce raio do sol que me dê vida.

    Sejam vales ou montes, lago ou terra,
    Onde quer que tu vás, ou dia ou noite,
    Vai seguindo após ti meu pensamento;
    Outro amor nunca tive: és meu, sou tua!

    Meus olhos outros olhos nunca viram,
    Não sentiram meus lábios outros lábios,
    Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas
    A arazóia na cinta me apertaram

    Do tamarindo a flor jaz entreaberta,
    Já solta o bogari mais doce aroma;
    Também meu coração, como estas flores,
    Melhor perfume ao pé da noite exala!

    Não me escutas, Jatir! nem tardo acodes
    À voz do meu amor, que em vão te chama!
    Tupã! lá rompe o sol! do leito inútil
    A brisa da manhã sacuda as folhas!



    Publicado no livro Últimos Cantos (1851). Poema integrante da série Poesias Americanas.


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    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
    compartir contigo sol y luna,
    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
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    Mensaje por Maria Lua Vie Sep 08, 2023 5:34 am



    Poema del día: "El mar", de Gonçalves Dias (Brasil, 1823-1864)


    Frappé de ta grandeur farouche
    Je tremble... est-ce bien toi, vieux lion que je touche,
    Océan, terrible océan!
    Turquety


    Océano terrible, mar inmenso
    De procelosas olas que se enroscan
    Floridas reventando en blanca espuma
    En uno y otro polo,
    Al fin... al fin te veo; al fin mis ojos
    Trémulos clavo en tu cerviz indómita,
    Y tu iracundo, bárbaro rugido
    Al fin medroso escucho.

    ¿En dónde hubiste, oh piélago profundo,
    Ese rugido tuyo? En vano el mazo
    Enloquecido de los vientos hiende
    Cuanto golpea, y llama.

    Del abismo profundo las mil olas
    Que avaro guardas en tu seno undoso;
    Al terrible rugir del viento bravo
    Tu rugido ensombrece.
    En vano truena horrísona tormenta;
    La voz del trueno, que estremece al cielo,
    No cubre tu clamor. ¿Dónde la hubiste,
    Majestuoso Oceano?

    Oh mar, ese rugido es eco incierto
    De la voz creadora que te hizo:
    Sea, dijo; y tú fuiste, y a las rocas
    Tus olas arrojaste.

    De noche, cuando el cielo es puro y limpio,
    Tornas tu suelo azul, corren tus olas
    Sobre luceros mil; los ojos nuestros
    Entre los cielos túrbanse.
    De la voz de Jehová un eco incierto
    Pienso que es tu rugir; sola, perenne,
    Imagen de lo eterno, reflejando
    Las acciones de Dios.

    Sola contigo, pues, la mente libre
    Se eleva, sube al cielo ardiente, altiva,
    Y de este lodo terrenal se limpia,
    Como el bronce en el fuego.

    La ardiente musa, a tu canción unida,
    Glorifica al Señor de las alturas
    Con la frente más alta que las nubes
    Y los pies sobre ti.

    ¿Qué hay más fuerte que tú? Cuando se eriza
    Tu terrible melena, la flotante
    Nao, de artificio extremo, en breve tiempo
    Húndese y se aniquila.

    Nada en la tierra tu poder resiste,
    Pero un grano de arena te detiene,
    ¡Tan fuerte contra el hombre, tan sin fuerza
    contra cosa tan flaca!

    Pero en aquel instante que me espera
    En que de esta prisión he de evadirme,
    Iré tan alto, oh mar, que allí no llegue
    Tu sonoro rugido.

    Aún más fuerte que tú será mi alma:
    Sin saber de temor, espacio y tiempo,
    Con un gesto abrirá el estrecho círculo
    del mundo y de los cielos.

    Entonces, entre estrellas consteladas,
    Cantando himnos de amor en arpas de ángeles,
    Sonará más potente que tus olas
    Al morder la áurea arena.

    Será más dulce que el sencillo canto
    De nostálgica virgen, cuando llena
    La noche el mundo, y que la mansa brisa
    Que suspira entre flores.



    Gonçalves Dias, incluido en Antología de la poesía brasileña. Desde el Romanticismo a la generación del cuarenta y cinco (Editorial Seix Barral, Barcelona, 1973, trad. de Ángel Crespo).



    ********************


    O MAR de Gonçalves Dias


    Frappé de ta grandeur farouche
    Je tremble... est-ce bien toi, vieux lion que je touche,
    Océan, terrible océan!
    Turquety


    Oceano terrível, mar imenso
    De vagas procelosas que se enrolam
    Floridas rebentando em branca espuma
    Num pólo e noutro pólo,
    Enfim... enfim te vejo; enfim meus olhos
    Na indômita cerviz trêmulos cravo,
    E esse rugido teu sanhudo e forte
    Enfim medroso escuto!

    Donde houveste, ó pélago revolto,
    Esse rugido teu? Em vão dos ventos
    Corre o insano pegão lascando os troncos,

    E do profundo abismo
    Chamando à superficie infindas vagas,
    Que avaro encerras no teu seio undoso;
    Ao insano rugir dos ventos bravos
    Sobressai teu rugido.
    Em vão troveja horríssona tormenta;
    Essa voz do trovão, que os céus abala,
    Não cobre a tua voz. — Ah! donde a houveste,
    Majestoso oceano?

    Ó mar, o teu rugido é um eco incerto
    Da criadora voz, de que surgiste:
    Seja, disse; e tu foste, e contra as rochas
    As vagas compeliste.
    E à noite, quando o céu é puro e limpo,
    Teu chão tinges de azul, — tuas ondas correm
    Por sobre estrelas mil; turvam-se os olhos
    Entre dois céus brilhantes.

    Da voz de Jeová um eco incerto
    Julgo ser teu rugir; mas só, perene,
    Imagem do infinito, retratando
    As feituras de Deus.
    Por isto, a sós contigo, a mente livre
    Se eleva, aos céus remonta ardente, altiva,
    E deste lodo terreal se apura,
    Bem como o bronze ao fogo.
    Férvida a Musa, co'os teus sons casada,
    Glorifica o Senhor de sobre os astros
    Co'a fronte além dos céus, além das nuvens,
    E co'os pés sobre ti.

    O que há mais forte do que tu? Se erriças
    A coma perigosa, a nau possante,
    Extremo de artificio, em breve tempo
    Se afunda e se aniquila.
    És poderoso sem rival na terra;
    Mas lá te vás quebrar num grão d'areia,
    Tão forte contra os homens, tão sem força
    Contra coisa tão fraca!

    Mas nesse instante que me está marcado,
    Em que hei de esta prisão fugir p'ra sempre,
    Irei tão alto, ó mar, que lá não chegue
    Teu sonoro rugido.
    Então mais forte do que tu, minha alma,
    Desconhecendo o temor, o espaço, o tempo,
    Quebrará num relance o círc'lo estreito
    Do finito e dos céus!

    Então, entre miríadas de estrelas,
    Cantando hinos d'amor nas harpas d'anjos,
    Mais forte soará que as tuas vagas,
    Mordendo a fulva areia;
    Inda mais doce que o singelo canto
    De merencória virgem, quando a noite
    Ocupa a terra, — e do que a mansa brisa,
    Que entre flores suspira.





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    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
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    Mensaje por Maria Lua Vie Sep 08, 2023 5:35 am

    Poema del día: "Deprecación", de Gonçalves Dias (Brasil, 1823-1864)




    ¡Tupá, oh Dios grande!, con denso velaje
    Cubriste tu rostro de plumas gentiles;
    Y yacen tus hijos clamando venganza,
    ¡Perdidos los bienes que otrora les diste!

    ¡Tupá, oh Dios grande, tu rostro descubre:
    Ya mucho sufrimos tu dura venganza!
    Ya lágrimas duras lloraron tus hijos,
    Tus hijos que lloran tan fuerte mudanza.

    Añangá implacable de lejos nos trajo
    Los hombres que el rayo manejan cruentos,
    Que viven sin patria, que vagan sin tino,
    En busca del oro, voraces, sedientos.

    La tierra que pisan, y el campo y los ríos
    Que asaltan son nuestros; nuestro Dios tú eres.
    Si el rayo de muerte que lanzan es tuyo,
    ¿Por qué tal pujanza concederles quieres?

    ¡Tupá, oh Dios grande! con denso velaje
    Cubriste tu rostro de plumas gentiles;
    Y yacen tus hijos clamando venganza,
    ¡Perdidos los bienes que otrora les diste!

    Tus hijos valientes, en guerra temidos,
    Al romper el día, cuán fuertes los vi.
    La muerte habitaba sus plumadas flechas,
    La maza de guerra, el arco Tupí.

    Y hoy, cuando las aguas del río cien veces
    Solamente he visto crecer y bajar...
    Pocos de los tuyos quedan ya que puedan
    De los suyos, muertos, los huesos llevar.

    Tus hijos valientes terror infundían,
    Tus hijos llenaban los bordes del mar,
    Las olas cuajaban de estrechas canoas,
    De flechas el aire solían llenar.

    Ya no más persiguen en bosques frondosos
    Las corzas ligeras, el nasón coatí...
    ¡La muerte habitaba las plumadas flechas,
    La maza de guerra, el arco Tupí!

    El Piaga nos dijo que breve sería
    La que nos inflinges, cruel punición;
    ¡Y aún vagan los tuyos por sierras, por valles,
    Buscando un asilo por hostil sertón!

    Tupá, oh Dios grande, descubre tu rostro:
    ¡Ya mucho sufrimos tu dura venganza!
    Ya lágrimas tristes lloraron tus hijos,
    Tus hijos que lloran tan larga tardanza.

    Descubre tu rostro, resurjan los bravos
    Que al rayar el alba he visto luchar:
    ¡Los fieros confiesen al verse vencidos
    Que te vengas y eres grandes, oh Dios, Tupá!




    Gonçalves Dias, incluido en Antología de la poesía brasileña. Desde el Romanticismo a la Generación del cuarenta y cinco (Editorial Seix Barral, Barcelona, 1973, trad. de Ángel Crespo).




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    *******************



    Poesia: Deprecação



    Gonçalves Dias



    Tupã, ó Deus grande! Cobriste o teu rosto
    Com denso velame de penas gentis;
    E jazem teus filhos clamando vingança
    Dos bens que lhes deste da perda infeliz!

    Tupã, ó Deus grande! Teu rosto descobre:
    Bastante sofremos com tua vingança!
    Já lágrimas tristes choraram teus filhos,
    Teus filhos que choram tão grande mudança.

    Anhangá impiedoso nos trouxe de longe
    Os homens que o raio manejam cruentos,
    Que vivem sem pátria, que vagam sem tino
    Trás do ouro correndo, vorazes, sedentos.

    E a terra em que pisam, e os campos e os rios
    Que assaltam, são nossos; tu és nosso Deus:
    Por que lhes concedes tão alta pujança,
    Se os raios de morte, que vibram, são teus?

    Tupã, ó Deus grande! Cobriste o teu rosto
    Com denso velame de penas gentis;
    E jazem teus filhos clamando vingança
    Dos bens que lhes deste da perda infeliz!

    Teus filhos valentes, temidos na guerra,
    No albor da manhã quão fortes que os vi!
    A morte pousava nas plumas da frecha,
    No gume da maça, no arco Tupi!

    E hoje em que apenas a enchente do rio
    Cem vezes hei visto crescer e baixar...
    Já restam bem poucos dos teus, qu’inda possam
    Dos seus, que já dormem, os ossos levar.

    Teus filhos valentes causavam terror,
    Teus filhos enchiam as bordas do mar,
    As ondas coalhavam de estreitas igaras,
    De frechas cobrindo os espaços do ar.

    Já hoje não caçam nas matas frondosas
    A corça ligeira, o trombudo quati...
    A morte pousava nas plumas da frecha,
    No gume da maça, no arco Tupi!

    O Piaga nos disse que em breve seria,
    A que nos infliges cruel punição;
    E os teus inda vagam por serras, por vales,
    Buscando um asilo por ínvio sertão!

    Tupã, ó Deus grande! descobre teu rosto:
    Bastante sofremos com tua vingança!
    Já lágrimas tristes choraram teus filhos,
    Teus filhos que choram tão grande tardança.

    Descobre o teu rosto, ressurjam os bravos,
    Que eu vi combatendo no albor da manhã;
    Conheçam-te os feros, confessem vencidos
    Que és grande e te vingas, qu’és Deus, ó Tupã!



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    Mensaje por Maria Lua Vie Sep 08, 2023 6:59 am

    Gonçalves días, etnógrafo


    El mayor poeta del Romanticismo brasileño investigó, escribió y recolectó material sobre los indios




    La búsqueda de los orígenes brasileños fue una de las motivaciones del Indianismo, un movimiento literario que tuvo en el poeta Antonio Gonçalves Dias, de Maranhão, y en el novelista José de Alentar, de Ceará, a sus principales creadores, a mediados del siglo XIX. Pero Gonçalves Dias llevó esa búsqueda más allá de la literatura. El poeta escribió un ensayo, recolectó material y produjo notas y diarios que se perdieron en el mismo naufragio en que murió, en el litoral de Maranhão. El autor de uno de los más conocidos poemas de la lengua portuguesa, Canção do exílio, fue también etnógrafo y participó en la Comisión Científica del Imperio, la primera que contó exclusivamente con expertos brasileños.

    Gonçalves Dias (1823-1864) nació en Caxias, Maranhão. En 1838 fue a Portugal a terminar sus estudios secundarios, y posteriormente cursó derecho en la Universidad de Coimbra. En Europa conoció y recibió la influencia de los escritores y poetas románticos. En 1845 regresó a Brasil y se radicó en Río de Janeiro, en donde enseñó historia y latín en el Colegio Pedro II. Junto con Manuel de Araújo Porto-Alegre y Joaquim Manuel de Macedo creó la revista Guanabara en 1849, para difundir el Romanticismo. El escritor, miembro del Instituto Histórico y Geográfico Brasileño (IHGB), en 1850 estaba interesado en conocer la historia de Brasil desde el punto de vista de sus primeros habitantes.

    Llegó a ir a Portugal, en misión del IHGB, en busca de documentos que le ayudasen a componer una historia brasileña, dice la historiadora de la ciencia Kaori Kodama, de la Casa de Oswaldo Cruz de la Fundación Oswaldo Cruz. Fue ese año que Don Pedro II le encomendó un estudio comparativo de los indígenas nacionales con los de Oceanía.

    El poeta se abocó entonces a esa tarea y produjo Brasil e Oceania, tomando como base los relatos de viajeros. Admiraba a naturalistas como Von Martius, pero se preocupaba en desmentir calumnias y exageraciones publicadas sobre Brasil en el exterior, comenta Kaori. El escritor también tenía una visión distinta de la usual en la época y consideraba que la civilización había desvirtuado al indio puro.

    Entre 1859 y 1860, Gonçalves Dias integró la Comisión Científica del Imperio. La meta de la misma era llevar a expertos brasileños (geógrafos, zoólogos, botánicos, geólogos y astrónomos) para conocer la naturaleza brasileña de un modo objetivo. La expedición fue objeto de análisis en el libro Comissão Científica do Império, organizado por la historiadora de la ciencia Lorelai Kury (Andrea Jakobsson Estúdio Editorial, 2009). Ceará fue el estado elegido para la misión, pues había sido poco explorado. Al constatar que no había tipos puros entre los indígenas de aquella zona, el escritor se dirigió al Amazonas, en donde anotó observaciones sobre las lenguas habladas y envió objetos etnográficos a Río, que posteriormente se incorporaron a la colección del Museo Nacional.

    La mayor parte de su trabajo en la comisión permaneció desconocida. Se supone que el material estaba en el buque que naufragó cuando regresaba de Europa en 1864. En 2002, la Academia Brasileña de Letras publicó Gonçalves Dias no Amazonas: relatórios e diário da viagen ao rio Negro, con introducción del escritor de Maranhão Josué Montello, con información sobre el período.

    La etnografía de Gonçalves Dias era muy diferente de la que se ejerce actualmente, afirma el antropólogo João Pacheco de Oliveira, docente del Museo Nacional. En el siglo XX esa rama de la antropología se convirtió en trabajo de investigación de campo sistemático y de contacto directo con las culturas que se pretende estudiar. En tanto, el trabajo científico del poeta se realizaba mediante lecturas y comparaciones entre los relatos de viajeros y naturalistas, e implicaba postular hipótesis sobre el desarrollo y la difusión de las culturas. Estaba sintonizado con su tiempo tanto al hacer literatura como al hacer ciencia. El impacto de su obra es equivalente al de Castro Alves en lo que hace a la trata negrera.




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    Mensaje por Amalia Lateano Vie Sep 08, 2023 7:19 am

    Muy hermoso
    Emociona.

    Gracias por compartir

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    Mensaje por Maria Lua Vie Sep 08, 2023 10:33 pm

    Gracias, Amalia.
    Feliz fin de semana!


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    Mensaje por Maria Lua Vie Sep 08, 2023 10:50 pm

    Antonio Gonçalves Dias es considerado el primer y más grande romántico brasileño, que cantó a la patria y al indio, iniciando así la literatura indianista en el Brasil. Hijo de un portugués y una mestiza, cruce de negra e indio, estudió leyes en Coimbra y leyó la poesía de los románticos. Publicó “Primeiros cantos” (1846), “Segundos cantos” (1848), y “Últimos cantos” (1851). También se cuentan entre sus obras “Sextilhas de frei Antào” (1848), en las que utilizó el portugués tradicional del siglo XVI, así como un importante Dicionário da lingua tupi (1858), y dejó inacabado el poema épico “Os timbiras”. De regreso de un viaje de Europa, muy enfermo, murió a bordo del buque Ciudad de Boulogne que naufragó en las costas del Marañón.


    PRIMEROS CANTOS, ANTONIO GONÇALVES DIAS



    [Primeiros cantos]. Colección de versos del brasileño Antonio Gonçalves Dias (1823-1864), publicada en 1846 y seguida inmediatamente de otra co­lección titulada Segundos cantos. Es la poe­sía de la nostalgia y del destierro, su tema favorito.

    Mestizo, más indio que blanco, Gonçalves fue uno de los poetas brasileños más célebres por su capacidad descriptiva, por la mórbida exuberancia de su senti­miento. De sus octosílabos populares y siem­pre románticamente musicales, brota el en­canto de su tierra, cantada y exaltada en todos sus aspectos. Es el primero y mayor representante de la escuela romántica brasi­leña, ya libre de la imitación pedante de los clásicos portugueses, y está profunda­mente penetrado de «indianismo», que es el segundo movimiento original de la litera­tura brasileña. Estos Cantos son la expre­sión de una naturaleza pánica que se siente en íntimo contacto con las cosas. La exu­berancia de su vena, la viveza de sus colo­res, están contenidas por sabias líneas armó­nicas, de un estilo límpido. Tiene todos los valores y todos los defectos del Romanti­cismo.


    us mejores composiciones, «Canción del destierro» [«Canção de exilio»] y «Nos­talgia» [«Saudade»], nos da no sólo los límites de su poesía sino que encierran los de su misma vida; murió en un naufragio, al volver a su patria, a la vista de las cos­tas brasileñas. Es el fácil, común a todos los primitivos, elogio de las fuentes de las propias emociones, dado con admirable sen­cillez y rapidez de imágenes, con musical fidelidad a su propio y efímero dolor; pero de su musa surgen también otros temas con extraordinario vigor de visión; y entonces un nuevo sentido lo llena: el ansia de lo eterno, el contacto milagroso con lo divino. Su «saudade» de terrenal se vuelve cósmica: «Amo al cielo azul y al triste silencio de las ruinas,/la frescura de la tarde y el silencio de la noche./Quiero permanecer a solas con mi Dios/en una hora de mágico encanto».

    El estribillo del «Canto del des­tierro» queda como símbolo del lirismo nostálgico de los poetas tropicales: «Minha térra tem’palmeiras/onde canta o sabiá./Nosso céu tem mais estrelas/Nossas várzeas tem mais flores/nossos bosques tem mais vida/nossa vida mais amores» («Mi tierra tiene palmeras/ donde canta el sabiá [melodioso pájaro bra­sileño]./Nuestro cielo más estrellas,/nuestros jardines más flores,/nuestros bosques dan más vida,/nuestra vida más amores»).

    Quien conozca el ardor, el delirio creador de la flora brasileña y la estática naturaleza psi­cológica de sus habitantes ante las luju­riantes manifestaciones de aquélla, intuye el alcance y el valor de las evocaciones de Gonçalves, cuya poesía alcanza, de todos modos, altos efectos por la inconfundible ansia de catarsis estética dé tantos elemen­tos demasiado fácilmente entresacados de la sola realidad física que lo rodeaba; su poe­sía es la lírica ión, poderosa­mente conseguida, de un dato orgánico, de un aspecto bien delimitado. «Não permita Deus que eu morra/sem que eu volte para lá» [«No permita Dios que muera/sin que yo vuelva hacia allá»]. Vidas románticas, cifradas por un destino que las une fatal­mente al canto de su musa.


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    Mensaje por Maria Lua Sáb Sep 09, 2023 11:59 am

    Marabá



    Eu vivo sozinha; ninguém me procura!
    Acaso feitura
    Não sou de Tupá?
    Se algum dentre os homens de mim não se esconde,
    — Tu és, me responde,
    — Tu és Marabá!

    — Meus olhos são garços, são cor das safiras,
    — Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar;
    — Imitam as nuvens de um céu anilado,
    — As cores imitam das vagas do mar!

    Se algum dos guerreiros não foge a meus passos:
    "Teus olhos são garços,
    Responde anojado; "mas és Marabá:
    "Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes,
    "Uns olhos fulgentes,
    "Bem pretos, retintos, não cor d'anajá!"

    — É alvo meu rosto da alvura dos lírios,
    — Da cor das areias batidas do mar;
    — As aves mais brancas, as conchas mais puras
    — Não têm mais alvura, não têm mais brilhar. —

    Se ainda me escuta meus agros delírios:
    "És alva de lírios",
    Sorrindo responde; "mas és Marabá:
    "Quero antes um rosto de jambo corado,
    "Um rosto crestado
    "Do sol do deserto, não flor de cajá."

    — Meu colo de leve se encurva engraçado,
    — Como hástea pendente do cáctus em flor;
    — Mimosa, indolente, resvalo no prado,
    — Como um soluçado suspiro de amor! —

    "Eu amo a estatura flexível, ligeira,
    "Qual duma palmeira,
    Então me responde; "tu és Marabá:
    "Quero antes o colo da ema orgulhosa,
    "Que pisa vaidosa,
    "Que as flóreas campinas governa, onde está."

    — Meus loiros cabelos em ondas se anelam,
    — O oiro mais puro não tem seu fulgor;
    — As brisas nos bosques de os ver se enamoram,
    — De os ver tão formosos como um beija-flor!

    Mas eles respondem: "Teus longos cabelos,
    "São loiros, são belos,
    "Mas são anelados; tu és Marabá:
    "Quero antes cabelos, bem lisos, corridos,
    "Cabelos compridos,
    "Não cor d'oiro fino, nem cor d'anajá."

    E as doces palavras que eu tinha cá dentro
    A quem nas direi?
    O ramo d'acácia na fronte de um homem
    Jamais cingirei:

    Jamais um guerreiro da minha arazóia
    Me desprenderá:
    Eu vivo sozinha, chorando mesquinha,
    Que sou Marabá!

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    Publicado no livro Últimos Cantos (1851). Poema integrante da série Poesias Americanas.

    In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Introd. Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1959. v.




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    "Ser como un verso volando
    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
    compartir contigo sol y luna,
    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
    (Hánjel)





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