Aires de Libertad

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    VINICIUS DE MORAES  - Página 20 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

    Mensaje por Maria Lua Mar 27 Sep 2022, 08:33

    TERNURA


    Eu te peço perdão por te amar de repente
    Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
    Das horas que passei à sombra dos teus gestos
    Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
    Das noites que vivi acalentado
    Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
    Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
    E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
    Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
    Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
    É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
    E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
    E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.





    Ternura


    Te pido perdon por amarte de repente
    Aunque mi amor es una vieja canción en tus oídos
    De las horas que pasé a la sombra de tus gestos
    Bebiendo en tu boca el perfume de las sonrisas
    De las noches que viví acariciado
    Por la gracia inefable de tus pasos que huyen eternamente
    Traigo la dulzura de quien acepta la melancolía.
    Y te puedo decir que el gran cariño te dejo
    No trae ni la exasperación de las lágrimas ni la fascinación de las promesas.
    Ni las palabras misteriosas de los velos del alma...
    Es un sosiego, una unción, un desborde de caricias
    Y solo te pide que te quedes quieta, muy quieta
    Y que las cálidas manos de la noche encuentren sin fatalidad la mirada extasiada del alba.


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    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
    compartir contigo sol y luna,
    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
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    VINICIUS DE MORAES  - Página 20 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

    Mensaje por Maria Lua Jue 06 Oct 2022, 08:25

    SONETO DE DEVOÇÃO


    Essa mulher que se arremessa, fria
    E lúbrica aos meus braços, e nos seios
    Me arrebata e me beija e balbucia
    Versos, votos de amor e nomes feios.

    Essa mulher, flor de melancolia
    Que se ri dos meus pálidos receios
    A única entre todas a quem dei
    Os carinhos que nunca a outra daria.

    Essa mulher que a cada amor proclama
    A miséria e a grandeza de quem ama
    E guarda a marca dos meus dentes nela.

    Essa mulher é um mundo! — uma cadela
    Talvez... — mas na moldura de uma cama
    Nunca mulher nenhuma foi tão bela!


    _________________



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    VINICIUS DE MORAES  - Página 20 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

    Mensaje por Maria Lua Jue 06 Oct 2022, 08:26

    BALADA PARA MARIA



    Não sei o que me angustia
    Tardiamente; em meu peito
    Vive dormindo perfeito
    O sono dessa agonia...
    Saudades tuas, Maria?
    Na volúpia de uma flora
    Úmida, pecaminosa
    Nasceu a primeira rosa
    Fria...
    Perdi o prazer da hora.

    Mas se num momento cresce
    O sangue, e me engrossa a veia
    Maria, que coisa feia!
    Todo o meu corpo estremece...
    E dos colmos altos, ricos
    Em resinas odorantes
    Pressinto o coito dos micos
    E o amor das cobras possantes.

    No mundo há tantos amantes...

    Maria...
    Cantar-te-ei brasileiro:
    Maria, sou teu escravo!
    A rosa é a mulher do cravo...
    Dá-me o beijo derradeiro?
    — Cobrir-te-ei de pomada
    Do pólen das flores puras
    E te fecundarei deitada
    Num chão de frutas maduras
    Maria... e morangos, quantos!
    E tu que adoras morango!
    Dormirás sobre agapantos...
    — Fingirei de orangotango!

    Não queres mesmo, Maria?

    No lombo morno dos gatos
    Aprendi muita carícia...
    Para fazer-te a delícia
    Só terei gestos exatos.

    E não bastasse, Maria...

    E morro nessas montanhas
    Entre as imagens castanhas
    Da tua melancolia...


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    Mensaje por Maria Lua Jue 06 Oct 2022, 08:27

    TRÊS RETRATOS



    I
    Joya

    Joya, alegria da vida!
    Joya entra, Joya brinca
    Parola no telefone.
    Joya, esses teus olhos são
    Dois lagos de perfeição.

    Joya dizendo nome feio
    Joya falando inteligente
    Joya fria? Joya quente?
    (Inferiority complex).
    Joya, alegria da vida!

    Joya beija inefavelmente.


    II
    Maja Raquel

    Pero, não és de Argentina
    Muñeca de Barcelona?
    Quem te deu pernas tão lindas
    Peregrina, marafona?
    Que Goya te fez, divina
    tan cruda e calina, dona?

    Nostalgias, de escuchar tu risa loca...


    III
    Milady

    Tu étais si folle, chère, que nous avons joué la physique expérimentale, l‘álgèbre supérieur et la géométrie analytique, et tu avais trois amours d‘enfants et moi force d‘une angine de gorge qui me tuait.

    Ta Hudson portait d‘affreuses trâces de nos amours.


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    VINICIUS DE MORAES  - Página 20 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

    Mensaje por Maria Lua Jue 06 Oct 2022, 08:28

    POEMA PARA TODAS AS MULHERES


    No teu branco seio eu choro.
    Minhas lágrimas descem pelo teu ventre
    E se embebedam do perfume do teu sexo.
    Mulher, que máquina és, que só me tens desesperado
    Confuso, criança para te conter!
    Oh, não feches os teus braços sobre a minha tristeza não!
    Ah, não abandones a tua boca à minha inocência, não!
    Homem sou belo
    Macho sou forte, poeta sou altíssimo
    E só a pureza me ama e ela é em mim uma cidade e tem mil e uma portas.
    Ai! teus cabelos recendem à flor da murta
    Melhor seria morrer ou ver-te morta
    E nunca, nunca poder te tocar!
    Mas, fauno, sinto o vento do mar roçar-me os braços
    Anjo, sinto o calor do vento nas espumas
    Passarinho, sinto o ninho nos teus pelos...
    Correi, correi, ó lágrimas saudosas
    Afogai-me, tirai-me deste tempo
    Levai-me para o campo das estrelas
    Entregai-me depressa à lua cheia
    Dai-me o poder vagaroso do soneto, dai-me a iluminação das odes, dai-me o cântico dos cânticos
    Que eu não posso mais, ai!
    Que esta mulher me devora!
    Que eu quero fugir, quero a minha mãezinha quero o colo de Nossa Senhora!


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    Mensaje por Maria Lua Jue 06 Oct 2022, 08:29

    SONETO DE INSPIRAÇÃO


    Não te amo como uma criança, nem
    Como um homem e nem como um mendigo
    Amo-te como se ama todo o bem
    Que o grande mal da vida traz consigo.

    Não é nem pela calma que me vem
    De amar, nem pela glória do perigo
    Que me vem de te amar, que te amo; digo
    Antes que por te amar não sou ninguém.

    Amo-te pelo que és, pequena e doce
    Pela infinita inércia que me trouxe
    A culpa é de te amar — soubesse eu ver

    Através da tua carne defendida
    Que sou triste demais para esta vida
    E que és pura demais para sofrer.


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    VINICIUS DE MORAES  - Página 20 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

    Mensaje por Maria Lua Jue 06 Oct 2022, 08:30

    O FALSO MENDIGO


    Minha mãe, manda comprar um quilo de papel almaço na venda
    Quero fazer uma poesia.

    Diz a Amélia para preparar um refresco bem gelado
    E me trazer muito devagarinho.
    Não corram, não falem, fechem todas as portas a chave
    Quero fazer uma poesia.
    Se me telefonarem, só estou para Maria
    Se for o Ministro, só recebo amanhã
    Se for um trote, me chama depressa
    Tenho um tédio enorme da vida.
    Diz a Amélia para procurar a “Patética” no rádio
    Se houver um grande desastre vem logo contar
    Se o aneurisma de dona Ângela arrebentar, me avisa
    Tenho um tédio enorme da vida.
    Liga para vovó Neném, pede a ela uma ideia bem inocente
    Quero fazer uma grande poesia.
    Quando meu pai chegar tragam-me logo os jornais da tarde
    Se eu dormir, pelo amor de Deus, me acordem
    Não quero perder nada na vida.
    Fizeram bicos de rouxinol para o meu jantar?
    Puseram no lugar meu cachimbo e meus poetas?
    Tenho um tédio enorme da vida.
    Minha mãe estou com vontade de chorar
    Estou com taquicardia, me dá um remédio
    Não, antes me deixa morrer, quero morrer, a vida
    Já não me diz mais nada
    Tenho horror da vida, quero fazer a maior poesia do mundo
    Quero morrer imediatamente.
    Fala com o Presidente para fecharem todos os cinemas
    Não aguento mais ser censor.
    Ah, pensa uma coisa, minha mãe, para distrair teu filho
    Teu falso, teu miserável, teu sórdido filho
    Que estala em força, sacrifício, violência, devotamento
    Que podia britar pedra alegremente
    Ser negociante cantando
    Fazer advocacia com o sorriso exato
    Se com isso não perdesse o que por fatalidade de amor
    Sabe ser o melhor, o mais doce e o mais eterno da tua puríssima carícia.





    Fin de NOVOS POEMAS
    Rio de Janeiro, José Olympio, 1938


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    Mensaje por Maria Lua Jue 06 Oct 2022, 08:33

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    POEMAS, SONETOS E BALADAS
    São Paulo, Edições Gavetas, 1946






    SONETO DE FIDELIDADE



    De tudo, ao meu amor serei atento
    Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
    Que mesmo em face do maior encanto
    Dele se encante mais meu pensamento.

    Quero vivê-lo em cada vão momento
    E em louvor hei de espalhar meu canto
    E rir meu riso e derramar meu pranto
    Ao seu pesar ou seu contentamento.

    E assim, quando mais tarde me procure
    Quem sabe a morte, angústia de quem vive
    Quem sabe a solidão, fim de quem ama

    Eu possa me dizer do amor (que tive):
    Que não seja imortal, posto que é chama
    Mas que seja infinito enquanto dure.



    Estoril, outubro de 1939



    ******************


    Soneto de fidelidad




    De todo a mi amor estaré atento
    Antes, y con tal celo, y siempre, y tanto
    Que incluso ante el mayor encanto
    Con él se encante más mi pensamiento.

    Quiero vivirlo en cada vano momento
    Y en su loor he de esparcir mi canto
    Y reír mi risa y derramar mi llanto
    A su pesar o a su contentamiento.

    Y así, cuando más tarde me busque
    Quién sabe la muerte, angustia de quien vive
    Quién sabe la soledad, fin de quien ama

    Pueda yo decir del amor (que tuve):
    Que no sea inmortal, puesto que es llama
    Mas que sea infinito mientras dure.


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    Mensaje por Maria Lua Jue 06 Oct 2022, 08:36

    A MORTE


    A morte vem de longe
    Do fundo dos céus
    Vem para os meus olhos
    Virá para os teus
    Desce das estrelas
    Das brancas estrelas
    As loucas estrelas
    Trânsfugas de Deus
    Chega impressentida
    Nunca inesperada
    Ela que é na vida
    A grande esperada!
    A desesperada
    Do amor fratricida
    Dos homens, ai! dos homens
    Que matam a morte
    Por medo da vida.


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    Mensaje por Maria Lua Lun 10 Oct 2022, 08:08

    A PARTIDA


    Quero ir-me embora pra estrela
    Que vi luzindo no céu
    Na várzea do setestrelo.
    Sairei de casa à tarde
    Na hora crepuscular
    Em minha rua deserta
    Nem uma janela aberta
    Ninguém para me espiar
    De vivo verei apenas
    Duas mulheres serenas
    Me acenando devagar.
    Será meu corpo sozinho
    Que há de me acompanhar
    Que a alma estará vagando
    Entre os amigos, num bar.
    Ninguém ficará chorando
    Que mãe já não terei mais
    E a mulher que outrora tinha
    Mais que ser minha mulher
    É mãe de uma filha minha.
    Irei embora sozinho
    Sem angústia nem pesar
    Antes contente da vida
    Que não pedi, tão sofrida
    Mas não perdi por ganhar.
    Verei a cidade morta
    Ir ficando para trás
    E em frente se abrirem campos
    Em flores e pirilampos
    Como a miragem de tantos
    Que tremeluzem no alto.
    Num ponto qualquer da treva
    Um vento me envolverá
    Sentirei a voz molhada
    Da noite que vem do mar
    Chegar-me-ão falas tristes
    Como a querer me entristar
    Mas não serei mais lembrança
    Nada me surpreenderá:
    Passarei lúcido e frio
    Compreensivo e singular
    Como um cadáver num rio
    E quando, de algum lugar
    Chegar-me o apelo vazio
    De uma mulher a chorar
    Só então me voltarei
    Mas nem adeus lhe darei
    No oco raio estelar
    Libertado subirei.


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Lun 10 Oct 2022, 08:09

    MARINHA


    Na praia de coisas brancas
    Abrem-se às ondas cativas
    Conchas brancas, coxas brancas
    Águas-vivas.

    Aos mergulhares do bando
    Afloram perspectivas
    Redondas, se aglutinando
    Volitivas.

    E as ondas de pontas roxas
    Vão e vêm, verdes e esquivas
    Vagabundas, como frouxas
    Entre vivas!


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Lun 10 Oct 2022, 08:10

    OS ACROBATAS



    Subamos!
    Subamos acima
    Subamos além, subamos
    Acima do além, subamos!
    Com a posse física dos braços
    Inelutavelmente galgaremos
    O grande mar de estrelas
    Através de milênios de luz.

    Subamos!
    Como dois atletas
    O rosto petrificado
    No pálido sorriso do esforço
    Subamos acima
    Com a posse física dos braços
    E os músculos desmesurados
    Na calma convulsa da ascensão.

    Oh, acima
    Mais longe que tudo
    Além, mais longe que acima do além!
    Como dois acrobatas
    Subamos, lentíssimos
    Lá onde o infinito
    De tão infinito
    Nem mais nome tem
    Subamos!

    Tensos
    Pela corda luminosa
    Que pende invisível
    E cujos nós são astros
    Queimando nas mãos
    Subamos à tona
    Do grande mar de estrelas
    Onde dorme a noite
    Subamos!

    Tu e eu, herméticos
    As nádegas duras
    A carótida nodosa
    Na fibra do pescoço
    Os pés agudos em ponta.

    Como no espasmo.

    E quando
    Lá, acima
    Além, mais longe que acima do além
    Adiante do véu de Betelgeuse
    Depois do país de Altair
    Sobre o cérebro de Deus

    Num último impulso
    Libertados do espírito
    Despojados da carne
    Nós nos possuiremos.

    E morreremos
    Morreremos alto, imensamente
    Imensamente alto.



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    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
    compartir contigo sol y luna,
    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
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    Mensaje por Maria Lua Lun 10 Oct 2022, 08:11

    PAISAGEM


    Subi a alta colina
    Para encontrar a tarde
    Entre os rios cativos
    A sombra sepultava o silêncio.

    Assim entrei no pensamento
    Da morte minha amiga
    Ao pé da grande montanha
    Do outro lado do poente.

    Como tudo nesse momento
    Me pareceu plácido e sem memória
    Foi quando de repente uma menina
    De vermelho surgiu no vale correndo, correndo…


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Lun 10 Oct 2022, 08:11

    BALADA DO CAVALÃO


    A tarde morre bem tarde
    No morro do Cavalão...
    Tem um poder de sossego.
    Dentro do meu coração
    Quanto sangue derramado!

    Balança, rede, balança...

    Susana deixou minha alma
    Numa grande confusão
    Seu berço ficou vazio
    No morro do Cavalão:
    Pequena estrela da tarde.

    Ah, gosto da minha vida
    Sangue da minha paixão!

    Levou o anjo o outro anjo
    Da saudade de seu pai
    Susana foi de avião
    Com quinze dias de idade
    Batendo todos os recordes!

    Que tarde que a tarde cai!

    Poeta, diz teu anseio
    Que o santo te satisfaz:
    Queria fazer mais um filho
    Queria tanto ser pai!

    Voam cardumes de aves
    No cristal rosa do ar.
    Vontade de ser levado
    Pelas correntes do mar
    Para um grande mar de sangue!

    E a vida passa depressa
    No morro do Cavalão
    Entre tantas flores, tantas
    Flores tontas, parasitas
    Parasitas da nação.

    Quanta garrafa vazia
    Quanto limão pelo chão!

    Menina, me diz um verso
    Bem cheio de ingratidão?
    - Era uma vez um poeta
    No morro do Cavalão
    Tantas fez que a dor-de-corno
    Bateu com ele no chão
    Arrastou ele nas pedras
    Espremeu seu coração
    Que pensa usted que saiu?
    Saiu cachaça e limão.

    Susana nasceu morena
    E é Mello Moraes também:
    É minha filha pequena
    Tão boa de querer bem!

    Oh, Saco de São Francisco
    Que eu avisto a cavaleiro
    Do morro do Cavalão!
    (O Saco de São Francisco
    Xavier não chama não
    Há de ser sempre de Assis:
    São Francisco Xavier
    É nome de uma estação)
    Onde está minha alegria
    Meus amores onde estão?

    A casa das mil janelas
    É a casa do meu irmão
    Lá dentro me esperam elas
    Que dormem cedo com medo
    Da trinca do Cavalão.

    Balança, rede, balança...



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    Mensaje por Maria Lua Lun 10 Oct 2022, 08:12

    CANÇÃO


    Não leves nunca de mim
    A filha que tu me deste
    A doce, úmida, tranqüila
    Filhinha que tu me deste
    Deixe-a, que bem me persiga
    Seu balbucio celeste.
    Não leves; deixa-a comigo
    Que bem me persiga, a fim
    De que eu não queira comigo
    A primogênita em mim
    A fria, seca, encruada
    Filha que a morte me deu
    Que vive dessedentada
    Do leite que não é seu
    E que de noite me chama
    Com a voz mais triste que há
    E pra dizer que me ama
    E pra chamar-me de pai.
    Não deixes nunca partir
    A filha que tu me deste
    A fim de que eu não prefira
    A outra, que é mais agreste
    Mas que não parte de mim.


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Lun 10 Oct 2022, 08:23

    QUATRO SONETOS DE MEDITAÇÃO
    I

    Mas o instante passou. A carne nova
    Sente a primeira fibra enrijecer
    E o seu sonho infinito de morrer
    Passa a caber no berço de uma cova.

    Outra carne vírá. A primavera
    É carne, o amor é seiva eterna e forte
    Quando o ser que viver unir-se à morte
    No mundo uma criança nascerá.

    Importará jamais por quê? Adiante
    O poema é translúcido, e distante
    A palavra que vem do pensamento

    Sem saudade. Não ter contentamento.
    Ser simples como o grão de poesia.
    E íntimo como a melancolia.


    II

    Uma mulher me ama. Se eu me fosse
    Talvez ela sentisse o desalento
    Da árvore jovem que não ouve o vento
    Inconstante e fiel, tardio e doce.

    Na sua tarde em flor. Uma mulher
    Me ama como a chama ama o silêncio
    E o seu amor vitorioso vence
    O desejo da morte que me quer.

    Uma mulher me ama. Quando o escuro
    Do crepúsculo mórbido e maduro
    Me leva a face ao gênio dos espelhos

    E eu, moço, busco em vão meus olhos velhos
    Vindos de ver a morte em mim divina:
    Uma mulher me ama e me ilumina.


    III

    O efêmero. Ora, um pássaro no vale
    Cantou por um momento, outrora, mas
    O vale escuta ainda envolto em paz
    Para que a voz do pássaro não cale.

    E uma fonte futura, hoje primária
    No seio da montanha, irromperá
    Fatal, da pedra ardente, e levará
    À voz a melodia necessária.

    O efêmero. E mais tarde, quando antigas
    Se fizerem as flores, e as cantigas
    A uma nova emoção morrerem, cedo

    Quem conhecer o vale e o seu segredo
    Nem sequer pensará na fonte, a sós...
    Porém o vale há de escutar a voz.


    IV

    Apavorado acordo, em treva. O luar
    É como o espectro do meu sonho em mim
    E sem destino, e louco, sou o mar
    Patético, sonâmbulo e sem fim.

    Desço na noite, envolto em sono; e os braços
    Como ímãs, atraio o firmamento
    Enquanto os bruxos, velhos e devassos
    Assoviam de mim na voz do vento.

    Sou o mar! sou o mar! meu corpo informe
    Sem dimensão e sem razão me leva
    Para o silêncio onde o Silêncio dorme

    Enorme. E como o mar dentro da treva
    Num constante arremesso largo e aflito
    Eu me espedaço em vão contra o infinito.

    Oxford, 1938


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    Mensaje por Maria Lua Lun 10 Oct 2022, 08:24

    O RISO


    Aquele riso foi o canto célebre
    Da primeira estrela, em vão.
    Milagre de primavera intacta
    No sepulcro de neve
    Rosa aberta ao vento, breve
    Muito breve...

    Não, aquele riso foi o canto célebre
    Alta melodia imóvel
    Gorjeio de fonte núbil
    Apenas brotada, na treva...
    Fonte de lábios (hora
    Extremamente mágica do silêncio das aves).

    Oh, música entre pétalas
    Não afugentes meu amor!
    Mistério maior é o sono
    Se de súbito não se ouve o riso na noite.


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    Mensaje por Maria Lua Jue 13 Oct 2022, 21:13

    PESCADOR



    Pescador, onde vais pescar esta noitada:

    Nas Pedras Brancas ou na ponte da praia do Barão?
    Está tão perto que eu não te vejo pescador, apenas
    Ouço a água ponteando no peito da tua canoa...

    Vai em silêncio, pescador, para não chamar as almas
    Se ouvires o grito da procelária, volta, pescador!
    Se ouvires o sino do farol das Feiticeiras, volta, pescador!
    Se ouvires o choro da suicida da usina, volta, pescador!

    Traz uma tainha gorda para Maria Mulata
    Vai com Deus! daqui a instante a sardinha sobe
    Mas toma cuidado com o cação e com o boto nadador
    E com o polvo que te enrola feito a palavra, pescador!

    Por que vais sozinho, pescador, que fizeste do teu remorso
    Não foste tu que navalhaste Juca Diabo na cal da caieira?
    Me contaram, pescador, que ele tinha sangue tão grosso
    Que foi preciso derramar cachaça na tua mão vermelha, pescador.

    Pescador, tu és homem, hem, pescador? que é de Palmira?
    Ficou dormindo? eu gosto de tua mulher Palmira, pescador!
    Ela tem ruga mas é bonita, ela carrega lata d'água
    E ninguém sabe por que ela não quer ser portuguesa, pescador...

    Ouve, eu não peço nada do mundo, eu só queria a estrela-d'alva
    Porque ela sorri mesmo antes de nascer, na madrugada
    Oh, vai no horizonte, pescador, com tua vela tu vais depressa
    E quando ela vier à tona, pesca ela para mim depressa, pescador?

    Ah, que tua canoa é leve, pescador; na água
    Ela até me lembra meu corpo no corpo de Cora Marina
    Tão grande era Cora Marina que eu até dormi nela
    E ela também dormindo nem me sentia o peso, pescador...

    Ah, que tu és poderoso, pescador! caranguejo não te morde
    Marisco não te corta o pé, ouriço-do-mar não te pica
    Ficas minuto e meio mergulhado em grota de mar adentro
    E quando sobes tens peixe na mão esganado, pescador!

    É verdade que viste alma na ponta da Amendoeira
    E que ela atravessou a praça e entrou nas obras da igreja velha?
    Ah, que tua vida tem caso, pescador, tem caso
    E tu nem dás caso da tua vida, pescador...

    Tu vês no escuro, pescador, tu sabes o nome dos ventos?
    Por que ficas tanto tempo olhando no céu sem lua?
    Quando eu olho no céu fico tonto de tanta estrela
    E vejo uma mulher nua que vem caindo na minha vertigem, pescador.

    Tu já viste mulher nua, pescador: um dia eu vi Negra nua
    Negra dormindo na rede, dourada como a soalheira
    Tinha duas roxuras nos peitos e um vasto negrume no sexo
    E a boca molhada e uma perna calçada de meia, pescador...

    Não achas que a mulher parece com a água, pescador?
    Que os peitos dela parecem ondas sem espuma?
    Que o ventre parece a areia mole do fundo?
    Que o sexo parece a concha marinha entreaberta pescador?

    Esquece a minha voz, pescador, que eu nunca fui inocente!
    Teu remo fende a água redonda com um tremor de carícia
    Ah, pescador, que as vagas são peitos de mulheres boiando à tona
    Vai devagar, pescador, a água te dá carinhos indizíveis, pescador!

    És tu que acendes teu cigarro de palha no isqueiro de corda
    Ou é a luz da bóia boiando na entrada do recife, pescador?
    Meu desejo era apenas ser segundo no leme da tua canoa
    Trazer peixe fresco e manga-rosa da Ilha Verde, pescador!

    Ah, pescador, que milagre maior que a tua pescaria!
    Quando lanças tua rede lanças teu coração com ela pescador!
    Teu anzol é brinco irresistível para o peixinho
    Teu arpão é mastro firme no casco do pescado, pescador!

    Toma castanha de caju torrada, toma aguardente de cana
    Que sonho de matar peixe te rouba assim a fome, pescador?
    Toma farinha torrada para a tua sardinha, toma, pescador
    Senão ficas fraco do peito que nem teu pai Zé Pescada, pescador...

    Se estás triste eu vou buscar Joaquim, o poeta português
    Que te diz o verso da mãe que morreu três vezes por causa do filho na guerra
    Na terceira vez ele sempre chora, pescador, é engraçado
    E arranca os cabelos e senta na areia e espreme a bicheira do pé.

    Não fiques triste, pescador, que mágoa não pega peixe.
    Deixa a mágoa para o Sandoval que é soldado e brigou com a noiva
    Que pegou brasa do fogo só para esquecer a dor da ingrata
    E tatuou o peito com a cobra do nome dela, pescador.

    Tua mulher Palmira é santa, a voz dela parece reza
    O olhar dela é mais grave que a hora depois da tarde
    Um dia, cansada de trabalhar, ela vai se estirar na enxerga
    Vai cruzar as mãos no peito, vai chamar a morte e descansar...

    Deus te leve, Deus te leve perdido por essa vida...
    Ah, pescador, tu pescas a morte, pescador
    Mas toma cuidado que de tanto pescares a morte
    Um dia a morte também te pesca, pescador!

    Tens um branco de luz nos teus cabelos, pescador:
    É a aurora? oh, leva-me na aurora, pescador!
    Quero banhar meu coração na aurora, pescador!
    Meu coração negro de noite sem aurora, pescador!

    Não vás ainda, escuta! eu te dou o bentinho de São Cristóvão
    Eu te dou o escapulário da Ajuda, eu te dou ripa da barca santa
    Quando Vênus sair das sombras não quero ficar sozinho
    Não quero ficar cego, não quero morrer apaixonado, pescador!

    Ouve o canto misterioso das águas no firmamento...
    É a alvorada, pescador, a inefável alvorada
    A noite se desincorpora, pescador, em sombra
    E a sombra em névoa e madrugada, pescador!

    Vai, vai, pescador, filho do vento, irmão da aurora
    És tão belo que nem sei se existes, pescador!
    Teu rosto tem rugas para o mar onde deságua
    O pranto com que matas a sede de amor do mar!

    Apenas te vejo na treva que se desfaz em brisa
    Vais seguindo serenamente pelas águas, pescador
    Levas na mão a bandeira branca da vela enfunada
    E chicoteias com o anzol a face invisível do céu.


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    Mensaje por Maria Lua Jue 13 Oct 2022, 21:14

    BARCAROLA


    Parti-me, trágico, ao meio
    De mim mesmo, na paixão.
    A amiga mostrou-me o seio
    Como uma consolação.

    Dormi-lhe no peito frio
    De um sono sem sonhos, mas
    A carne no desvario
    Da manhã, roubou-me a paz.

    Fugi, temeroso ao gesto
    Do seu receio modesto
    E cálido; enfim, depois

    Pensando a vida adiante
    Vi o remorso distante
    Desse crime de nós dois.


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    Mensaje por Maria Lua Jue 13 Oct 2022, 21:15

    LÁPIDE DE SINHAZINHA FERREIRA


    A vida sossega
    Lírios em repouso
    Adormecestes cega
    Na visão do esposo.

    A paixão é pouso
    Que a treva não nega
    A morte carrega
    E o sono dá gozo.

    Não vos vejo em paz
    Nem vos penso bem
    Na minha saudade.

    Sinto que vagais
    Ao lado de alguém
    Pela eternidade.


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Jue 13 Oct 2022, 21:16

    SONETO DE DESPEDIDA


    Uma lua no céu apareceu
    Cheia e branca; foi quando, emocionada
    A mulher a meu lado estremeceu
    E se entregou sem que eu dissesse nada.

    Larguei-as pela jovem madrugada
    Ambas cheias e brancas e sem véu
    Perdida uma, a outra abandonada
    Uma nua na terra, outra no céu.

    Mas não partira delas; a mais louca
    Apaixonou-me o pensamento; dei-o
    Feliz - eu de amor pouco e vida pouca

    Mas que tinha deixado em meu enleio
    Um sorriso de carne em sua boca
    Uma gota de leite no seu seio.

    Rio, 1940


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    Mensaje por Maria Lua Jue 13 Oct 2022, 21:17

    O APELO

    Que te vale, minha alma, essa paisagem fria
    Essa terra onde parecem repousar virgens distantes?
    Que te importa essa calma, essa tarde caindo sem vozes
    Esse ar onde as nuvens se esquecem como adeuses?
    Que te diz o adormecimento dessa montanha extática
    Onde há caminhos tão tristes que ninguém anda neles
    E onde o pipilo de um pássaro que passa de repente
    Parece suspender uma lágrima que nunca se derrama?
    Para que te debruças inutilmente sobre esse ermo
    E buscas um grito de agonia que nunca te chegará a tempo
    Que são longos, minha alma, os espaços perdidos...
    Ah, chegar! chegar depois de tanta ausência
    E despontar como um santo dentro das ruas escuras
    Bêbado dos seios da amada cheios de espuma!


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    Mensaje por Maria Lua Jue 13 Oct 2022, 21:18

    NOTÍCIA D'O SÉCULO

    Nas terras do Geraz
    Que compreendem três populosas freguesias
    O povo ainda se mostra sucumbido
    Com o bárbaro crime do lavrador Manuel da Névoa
    E é curioso notar que ao toque das rezas
    Os habitantes correm aos campos, matas e veigas
    Gritando pelo assassino, para que apareça
    Que não se esconda, pois se torna necessário fazer justiça.
    Trata-se de um velho costume
    Com o fim de exacerbar o remorso
    Dos criminosos que andem a monte fugindo ao castigo
    Nas terras do Geraz.


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    "Ser como un verso volando
    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
    compartir contigo sol y luna,
    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
    (Hánjel)





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    Mensaje por Maria Lua Jue 13 Oct 2022, 21:19

    SONETO DA MADRUGADA


    Pensar que já vivi à sombra escura
    Desse ideal de dor, triste ideal
    Que acima das paixões do bem e do mal
    Colocava a paixão da criatura!

    Pensar que essa paixão, flor de amargura
    Foi uma desventura sem igual
    Uma incapacidade de ternura
    Nunca simples e nunca natural!

    Pensar que a vida se houve de tal sorte
    Com tal zelo e tão íntimo sentido
    Que em mim a vida renasceu da morte!

    Hoje me libertei, povo oprimido
    E por ti viverei meu ódio forte
    Nesse misterioso amor perdido.



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    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
    compartir contigo sol y luna,
    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
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    Mensaje por Maria Lua Dom 16 Oct 2022, 17:23

    SINOS DE OXFORD



    Cantai, sinos, sinos
    Cantai pelo ar
    Que tão puros, nunca
    Mais ireis cantar
    Cantai leves, leves
    E logo vibrantes
    Cantai aos amantes
    E aos que vão amar.

    Levai vossos cantos
    Às ondas do mar
    E saudai as aves
    Que vêm de arribar
    Em bandos, em bandos
    Sozinhas, do além
    Oh, aves! ó sinos
    Arribai também!

    Sinos! dóceis, doces
    Almas de sineiros
    Brancos peregrinos
    Do céu, companheiros
    Indeléveis! rindo
    Rindo sobre as águas
    Do rio fugindo...
    Consolai-me as mágoas!

    Consolai-me as mágoas
    Que não passam mais
    Minhas pobres mágoas
    De quem não tem paz.
    Ter paz… tenho tudo
    De bom e de bem...
    Respondei-me, sinos:
    A morte já vem?


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Dom 16 Oct 2022, 17:24

    TRECHO


    Quem foi, perguntou o Celo
    Que me desobedeceu?

    Quem foi que entrou no meu reino
    E em meu ouro remexeu?
    Quem foi que pulou meu muro
    E minhas rosas colheu?
    Quem foi, perguntou o Celo
    E a Flauta falou: Fui eu.


    Mas quem foi, a Flauta disse
    Que no meu quarto surgiu?
    Quem foi que me deu um beijo
    E em minha cama dormiu?
    Quem foi que me fez perdida
    E que me desiludiu?
    Quem foi, perguntou a Flauta
    E o velho Celo sorriu.


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Dom 16 Oct 2022, 17:25

    BALADA DA PRAIA DO VIDIGAL


    A lua foi companheira
    Na praia do Vidigal
    Não surgiu, mas mesmo oculta
    Nos recordou seu luar
    Teu ventre de maré cheia
    Vinha em ondas me puxar
    Eram-me os dedos de areia
    Eram-te os lábios de sal.

    Na sombra que ali se inclina
    Do rochedo em miramar
    Eu soube te amar, menina
    Na praia do Vidigal...
    Havia tanto silêncio
    Que para o desencantar
    Nem meus clamores de vento
    Nem teus soluços de água.
    Minhas mãos te confundiam
    Com a fria areia molhada
    Vencendo as mãos dos alísios
    Nas ondas da tua saia.
    Meus olhos baços de brumas
    Junto aos teus olhos de alga
    Viam-te envolta de espumas
    Como a menina afogada.
    E que doçura entregar-me
    Àquela mole de peixes
    Cegando-te o olhar vazio
    Com meu cardume de beijos!
    Muito lutamos, menina
    Naquele pego selvagem
    Entre areias assassinas
    Junto ao rochedo da margem.
    Três vezes submergiste
    Três vezes voltaste à flor
    E te afogaras não fossem
    As redes do meu amor.
    Quando voltamos, a noite
    Parecia em tua face
    Tinhas vento em teus cabelos
    Gotas d'água em tua carne.
    No verde lençol da areia
    Um marco ficou cravado
    Moldando a forma de um corpo
    No meio da cruz de uns braços.
    Talvez que o marco, criança
    Já o tenha lavado o mar
    Mas nunca leva a lembrança
    Daquela noite de amores
    Na praia do Vidigal.



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    Mensaje por Maria Lua Dom 16 Oct 2022, 17:25

    CÂNTICO


    Não, tu não és um sonho, és a existência
    Tens carne, tens fadiga e tens pudor
    No calmo peito teu. Tu és a estrela
    Sem nome, és a morada, és a cantiga
    Do amor, és luz, és lírio, namorada!
    Tu és todo o esplendor, o último claustro
    Da elegia sem fim, anjo! mendiga
    Do triste verso meu. Ah, fosses nunca
    Minha, fosses a idéia, o sentimento
    Em mim, fosses a aurora, o céu da aurora
    Ausente, amiga, eu não te perderia!
    Amada! onde te deixas, onde vagas
    Entre as vagas flores? e por que dormes
    Entre os vagos rumores do mar? Tu
    Primeira, última, trágica, esquecida
    De mim! És linda, és alta! és sorridente
    És como o verde do trigal maduro
    Teus olhos têm a cor do firmamento
    Céu castanho da tarde - são teus olhos!
    Teu passo arrasta a doce poesia
    Do amor! prende o poema em forma e cor
    No espaço; para o astro do poente
    És o levante, és o Sol! eu sou o gira
    O gira, o girassol. És a soberba
    Também, a jovem rosa purpurina
    És rápida também, como a andorinha!
    Doçura! lisa e murmurante... a água
    Que corre no chão morno da montanha
    És tu; tens muitas emoções; o pássaro
    Do trópico inventou teu meigo nome
    Duas vezes, de súbito encantado!
    Dona do meu amor! sede constante
    Do meu corpo de homem! melodia
    Da minha poesia extraordinária!
    Por que me arrastas? Por que me fascinas?
    Por que me ensinas a morrer? teu sonho
    Me leva o verso à sombra e à claridade.
    Sou teu irmão, és minha irmã; padeço
    De ti, sou teu cantor humilde e terno
    Teu silêncio, teu trêmulo sossego
    Triste, onde se arrastam nostalgias
    Melancólicas, ah, tão melancólicas...
    Amiga, entra de súbito, pergunta
    Por mim, se eu continuo a amar-te; ri
    Esse riso que é tosse de ternura
    Carrega-me em teu seio, louca! sinto
    A infância em teu amor! cresçamos juntos
    Como se fora agora, e sempre; demos
    Nomes graves às coisas impossíveis
    Recriemos a mágica do sonho
    Lânguida! ah, que o destino nada pode
    Contra esse teu langor; és o penúltimo
    Lirismo! encosta a tua face fresca
    Sobre o meu peito nu, ouves? é cedo
    Quanto mais tarde for, mais cedo! a calma
    É o último suspiro da poesia
    O mar é nosso, a rosa tem seu nome
    E recende mais pura ao seu chamado.
    Julieta! Carlota! Beatriz!
    Oh, deixa-me brincar, que te amo tanto
    Que se não brinco, choro, e desse pranto
    Desse pranto sem dor, que é o único amigo
    Das horas más em que não estás comigo.


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    Mensaje por Maria Lua Dom 16 Oct 2022, 17:36

    A UM PASSARINHO


    Para que vieste
    Na minha janela
    Meter o nariz?
    Se foi por um verso
    Não sou mais poeta
    Ando tão feliz!
    Se é para uma prosa
    Não sou Anchieta
    Nem venho de Assis.

    Deixa-te de histórias
    Some-te daqui!


    ******************



    A UN PÁJARITO


    A que viniste
    en mi ventana
    ¿meter las narices?(***)
    Si es por un verso
    ya no soy poeta
    ¡Estoy tan feliz!
    si es para una prosa
    yo no soy Anchieta (***)
    Ni siquiera vengo de Asís.

    No inventes historias
    ¡Vete de aquí!





    *** "meter o nariz" expresión popular en Brasil que significa husmear
    *** Anchieta, sacerdote que vino a Brasil enseñar el Evangelio a los indigenas


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    Mensaje por Maria Lua Mar 18 Oct 2022, 18:25

    SONETO DE FIDELIDADE


    De tudo, ao meu amor serei atento
    Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
    Que mesmo em face do maior encanto
    Dele se encante mais meu pensamento.

    Quero vive-lo em cada vão momento
    E em seu louvor hei de espalhar meu canto
    E rir meu riso e derramar meu pranto
    Ao seu pesar ou seu contentamento.

    E assim, quando mais tarde me procure
    Quem sabe a morte, angústia de quem vive
    Quem sabe a solidão, fim de quem ama

    Eu possa me dizer do amor (que tive):
    Que não seja imortal, posto que é chama
    Mas que seja infinito enquanto dure.

    ------------------------------------------------------------------------------------------
    ************************************




    SONETO DE FIDELIDAD




    En todo, le seré a mi amor atento
    Antes, y como tal celo, y siempre, y tanto
    Que incluso en frente del mayor encanto
    De él se encante más mi pensamiento.

    Quiero vivirlo ya cada momento
    Y en su loar he de esparcir mi canto
    Y mi reír y derramar mi llanto
    A su pesar o a su mayor contento.

    Y así, cuando más tarde me procure
    Quizás la muerte, angustia del viviente
    Quizás la soledad, fin de quien ama

    Decir yo pueda de mi amor ardiente:
    Que no sea inmortal, puesto que es llama,
    Mas que sea infinito mientras dure.



    _________________



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