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    Mensaje por Maria Lua Jue 02 Jun 2022, 08:29

    ACONTECIMENTO



    Rio de Janeiro , 2004



    Haverá na face de todos um profundo assombro 
    E na face de alguns, risos sutis cheios de reserva 
    Muitos se reunirão em lugares desertos 
    E falarão em voz baixa em novos possíveis milagres 
    Como se o milagre tivesse realmente se realizado 
    Muitos sentirão alegria 
    Porque deles é o primeiro milagre 
    Muitos sentirão inveja 
    E darão o óbolo do fariseu com ares humildes 
    Muitos não compreenderão 
    Porque suas inteligências vão somente até os processos 
    E já existem nos processos tantas dificuldades... 
    Alguns verão e julgarão com a alma 
    Outros verão e julgarão com a alma que eles não têm 
    Ouvirão apenas dizer... 
    Será belo e será ridículo 
    Haverá quem mude como os ventos 
    E haverá quem permaneça na pureza dos rochedos. 
    No meio de todos eu ouvirei calado e atento, comovido e risonho 
    Escutando verdades e mentiras 
    Mas não dizendo nada. 
    Só a alegria de alguns compreenderem bastará 
    Porque tudo aconteceu para que eles compreendessem 
    Que as águas mais turvas contêm às vezes as pérolas mais belas.


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    VINICIUS DE MORAES  - Página 16 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

    Mensaje por Maria Lua Jue 02 Jun 2022, 08:31

    AGONIA



    Rio de Janeiro , 1935



    No teu grande corpo branco depois eu fiquei.
    Tinha os olhos lívidos e tive medo.
    Já não havia sombra em ti — eras como um grande deserto de areia
    Onde eu houvesse tombado após uma longa caminhada sem noites.
    Na minha angústia eu buscava a paisagem calma
    Que me havias dado há tanto tempo
    Mas tudo era estéril e monstruoso e sem vida
    E teus seios eram dunas desfeitas pelo vendaval que passara.
    Eu estremecia agonizando e procurava me erguer
    Mas teu ventre era como areia movediça para os meus dedos.
    Procurei ficar imóvel e orar, mas fui me afogando em ti mesma
    Desaparecendo no teu ser disperso que se contraía como a voragem.


    Depois foi o sono, o escuro, a morte.


    Quando despertei era claro e eu tinha brotado novamente
    Vinha cheio do pavor das tuas entranhas.


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    VINICIUS DE MORAES  - Página 16 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

    Mensaje por Maria Lua Mar 07 Jun 2022, 09:26

    OS TRISTES DESCAMINHOS



    Rio de Janeiro, Jornal do Brasil, 31/12/1969



         Quanto tempo, meu Deus, vai-se passar ainda até que um homem, rodando por essas estradas brasileiras de conservação tão precária, mas assim mesmo tão lindas, possa-se dizer, como se diz um americano, um alemão, um russo, um holandês, um canadense, um sueco - e pelo menos isto: não há fome? Até quando essas faces terrosas, esses olhos opacos, esses braços finos, essa pasmaceira filha de uma longa indigência sem remédio? Quando virá o dia em que, ao se parar num botequim para um café, não nos chegará de mão estendida uma criança imunda e endefluxada a nos exigir uma esmola com um duro olhar adulto? Ou um idiota de boca torta, os braços ainda saudosos da posição fetal, para nos dizer de sua angústia em sons afásicos, fazendo-nos olhar para outro lado como se não o estivéssemos vendo? Sim, porque o que é que adianta ver?


          São seres humanos, patrícios nossos, que tiveram a desgraça de ser concebidos na miséria, de semente já enfraquecida por endemias e carências - e isto numa terra vasta e generosa, em que se plantando, tudo dá. Ficam parados à porta dos casebres e das tendinhas, ou estão sempre em marcha ao longo das rodovias, transportando suas avitaminoses, seus vermes intestinais, sua dor de dentes crônica, para ir trabalhar num roçado cinco léguas adiante. E à noitinha voltam, silenciosos e apressados, pelas mesmas estradas, para o prato sem proteínas que lhes serve urna velha mulher jovem, a quem faltam os incisivos, enquanto no chão de terra batida choraminga sobre os próprios excrementos o último fruto de sua triste condição. Porque, sim! Constituem, em sua sórdida pobreza, um casal: a célula da criação; um casal que, um amparado no outro, segue em frente, na direção onde o levam a vida e a necessidade, repartindo o trabalho, a comida, o sonho. Sonho? - que sonho? Um casal capaz de criar, produzir, vender, ganhar, ter uma casinha com uma cama, uma mesa, um fogão a lenha e uma privada. Capaz de comprar uma merendeira para a filhinha que vai à escola. Escola? - que esperança!



          Não, não são seres humanos. São bichos. É um verme humano, uma lombriga de calça e suspensórios, um ascarídeo que leva outro dentro. Cobrem o teto e a cabeça com palha, fumam palha, dormem sobre palha, são palha eles próprios - palha seca que se desfaz à simples fricção dos dedos.



          Por que me apiedo deles? O que posso eu fazer por eles quando acima, muito acima de mim, muito acima do meu país, erguem-se forças cujo fragílimo equilíbrio reside em sua própria capacidade de destruição; forças cuja agressividade já independe, porque ultrapassaram todos os limites do cognoscível, forças que se podem desencadear num átimo por excesso de tensão?



          No entanto, corta-me o peito vê-los em exposição como figuras de barro de um mau artista folclórico, acocorados onde os larga sua imemorial fadiga, pitando e cuspindo a saliva grossa do fumo de rolo, portadores, quase sempre, de conjuntivite crônica, às vezes rindo um riso matreiro com as gengivas desdentadas. Matreiro, por quê? Que espécie de inteligência podem ter senão a do instinto aguçado pela necessidade de sobrevivência, que lhes faz preciso o machado, rápida a foice, fulminante a faca que mata para não morrer?



          São patrícios nossos, que não têm voz e não têm vez. Em suas vísceras carcomidas se gera lentamente o câncer, alimentado, também, por uma progressiva indiferença. Que adianta lutar? A única coisa a fazer é o gesto de cortar ou ceifar, levar a mão à boca e virar de um golpe a pinga ruim, onde fermenta a cólera assassina, deslocar os ossos da companheira esquálida num breve ato de prazer animal. Prazer? - que prazer? E conformar-se ao ver-lhe o ventre, já inchado de farinha, inchar mais, inchar mais, até, numa primeira lua nova, expelir um feto natimorto, ou destinado a morrer no primeiro ano de vida, quando não vinga por milagre para repetir, anos mais tarde, aquela mesma miserável mímica.



          Que tristeza! E aí estão eles, pelas estradas do Brasil adentro, pobres imagens de cerâmica barata toscamente esculpidas. Às vezes, à porta do barraco, ponteiam sem emoção sons de viola e cantam toadas trêmulas, que falam da mesmice de sua vida, ou amores trágicos e valentias justiceiras, tendo como únicos ouvintes uma lua, no céu, um mocho num galho, uma aranha em sua teia, um vira-lata amigo, com as costelas à mostra.



          Um dia, amanhecem mortos. Morreram de nó na tripa, transnominação eufemística para o câncer, a ruptura de hérnia, o vôlvulo, a úlcera gástrica, a cirrose hepática. E são enterrados em cova rasa, no cemiteriozinho mais próximo: primeira e última generosidade do dono de terra para quem trabalham; senão, é abrir um buraco por ali mesmo e jogar o defunto dentro. Deixam para trás uma nova meretriz, que vende a pele frouxa e os seios deflatados para sustentar a prole. São gente sem história.



          Meu amor, acorda, não me deixes, só, nesta sala noturna, a escrever estas tristezas. Não me deixes mais recordar esses casebres pobres de beira-estrada onde dormem e morrem irmãos meus em quem se descoloriu o sangue. Eu os estou vendo agora, dentro da noite negra a mugir inaudivelmente sua indiferença, os magros corpos magoados pela tábua dura das enxergas. Eles não sabem por que vieram, não sabem por que permanecem, não sabem para onde vão. Eles só sabem de uma coisa: ninguém se lembra deles, e eu também não quero lembrar mais. Vem, amiga, me serve um uísque, dose dupla, muito gelo. E põe depressa um disco dos Beatles na vitrola.


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    Mensaje por Maria Lua Vie 10 Jun 2022, 17:36

    En la melancolía de tus ojos
    Yo siento la noche inclinándose

    Y oigo las cantigas antiguas

    Del mar.



    En los fríos espacios de tus brazos
    Yo me pierdo en caricias de agua

    Y duermo escuchando en vano

    El silencio.

    Y anhelo en tu misterioso seno

    En la atonía de las ondas redondas

    Náufrago entregado al flujo flerte
    De la muerte.



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    Mensaje por Maria Lua Lun 20 Jun 2022, 09:48

    ALBA



    Rio de Janeiro , 1935





    Alba, no canteiro dos lírios estão caídas as pétalas de uma rosa cor de sangue

    Que tristeza esta vida, minha amiga...

    Lembras-te quando vínhamos na tarde roxa e eles jaziam puros

    E houve um grande amor no nosso coração pela morte distante?

    Ontem, Alba, sofri porque vi subitamente a nódoa rubra entre a carne pálida ferida

    Eu vinha passando tão calmo, Alba, tão longe da angústia, tão suavizado

    Quando a visão daquela flor gloriosa matando a serenidade dos lírios entrou em mim

    E eu senti correr em meu corpo palpitações desordenadas de luxúria.

    Eu sofri, minha amiga, porque aquela rosa me trouxe a lembrança do teu sexo que eu não via

    Sob a lívida pureza da tua pele aveludada e calma

    Eu sofri porque de repente senti o vento e vi que estava nu e ardente

    E porque era teu corpo dormindo que existia diante de meus olhos.

    Como poderias me perdoar, minha amiga, se soubesses que me aproximei da flor como um perdido

    E a tive desfolhada entre minhas mãos nervosas e senti escorrer de mim o sêmen da minha volúpia?

    Ela está lá, Alba, sobre o canteiro dos lírios, desfeita e cor de sangue

    Que destino nas coisas, minha amiga!

    Lembras-te quando eram só os lírios altos e puros?

    Hoje eles continuam misteriosamente vivendo, altos e trêmulos

    Mas a pureza fugiu dos lírios como o último suspiro dos moribundos

    Ficaram apenas as pétalas da rosa, vivas e rubras como a tua lembrança

    Ficou o vento que soprou nas minhas faces e a terra que eu segurei nas minhas mãos.


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Dom 03 Jul 2022, 14:20

    A una mujer
     
    Cuando entró la madrugada extendí mi pecho sobre tu pecho.
    Estabas temblorosa y tu rostro pálido y tus manos frías
    Y la angustia del regreso habitaba ya en tus ojos.
    Tuve piedad de tu destino que era morir en mi destino
    Quise librar por un segundo de ti el peso de la carne.
    Quise besarte en un vago cariño agradecido.
    Pero cuando mis labios tocaron tus labios
    Comprendí que la muerte ya estaba en tu cuerpo
    Y que era preciso huir para no perder el único instante
    En que fuiste realmente la ausencia del sufrimiento
    En que realmente fuiste la calma.
     
     *******************
     
     
    A uma mulher
     
    Quando a madrugada entrou eu estendi o meu peito nu sobre o teu peito
    Estavas trêmula e teu rosto pálido e tuas mãos frias
    E a angústia do regresso morava já nos teus olhos.
    Tive piedade do teu destino que era morrer no meu destino
    Quis afastar por um segundo de ti o fardo da carne
    Quis beijar-te num vago carinho agradecido.
    Mas quando meus lábios tocaram teus lábios
    Eu compreendi que a morte já estava no teu corpo
    E que era preciso fugir para não perder o único instante
    Em que foste realmente a ausência de sofrimento
    Em que realmente foste a serenidade.


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    Mensaje por Maria Lua Dom 03 Jul 2022, 14:21

    La ausente
     
    Amiga, infinitamente amiga
    En algún lugar tu corazón late por mí
    En algún lugar tus ojos se cierran al recuerdo de los míos.
    En algún lugar tus manos se contraen, tus senos
    Se llenan de leche, desfalleces y caminas
    Como ciega a mi encuentro…
    Amiga, última dulzura
    La tranquilidad suavizó mi piel
    Y mis cabellos. Sólo mi vientre
    Te espera, lleno de raíces y de sombras.
    Ven, amiga
    Mi desnudez es absoluta
    Mis ojos son espejos para tu deseo
    Y mi pecho es tablero de suplicios.
    Ven. Mis músculos son dulces para tus dientes
    Y áspera está mi barba. Ven a sumergirte en mí
    Como en el mar, ven a nadar en mí como en el mar
    Ven a ahogarte en mí, amiga mía
    En mí como en el mar…
     
     ************************
     
     
    A ausente
     
    Amiga, infinitamente amiga
    Em algum lugar teu coração bate por mim
    Em algum lugar teus olhos se fecham à idéia dos meus.
    Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
    Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
    Como que cega ao meu encontro…
    Amiga, última doçura
    A tranqüilidade suavizou a minha pele
    E os meus cabelos. Só meu ventre
    Te espera, cheio de raízes e de sombras.
    Vem, amiga
    Minha nudez é absoluta
    Meus olhos são espelhos para o teu desejo
    E meu peito é tábua de suplícios
    Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes
    E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
    Como no mar, vem nadar em mim como no mar
    Vem te afogar em mim, amiga minha
    Em mim como no mar…


    _________________



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    VINICIUS DE MORAES  - Página 16 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

    Mensaje por Maria Lua Dom 03 Jul 2022, 14:24

    El autor y su obra

    Con Vinicius de Moraes, la poesía moderna brasileña deja de ser privilegio de aficionados para alcanzar al gran público. Su actividad como compositor de letras de bossa-nova, además de haber enriquecido la música popular con obras primas, hizo que sus libros de poesía fuesen buscados por los que se deleitaban con canciones como “Garota de Ipanema” o “Se todos fossem iguais a vocé”, entre otras. Con su lirismo tierno y sensual, Vinicius se tornó el más popular de los poetas brasileños contemporáneos.
    Nacido en Gávea, Río de Janeiro, el 19 de octubre de 1913, Marcus Vinitius da Cruz de Melo Moraes vivió de los cinco a los catorce años en la Isla del Gobernador. Ahí, en la vida libre, el contacto con la naturaleza y la presencia del mar tuvieron influencia decisiva en la formación de su sensibilidad poética. Era, al mismo tiempo, un gran lector, devorando autores como Julio Verne, Zévaco, Bilac y Coelho Neto. A la edad de siete años compone sus primeras cuartetas y composiciones líricas.

    La música lo atrae desde temprano y aún en el colegio Santo Inácio, de los jesuitas, participó con su violón en un pequeño grupo que tocaba en fiestas. En 1930 entró a la Facultad Nacional de Derecho, ligándose al novelista Otávio de Faria y a San Tiago Dantas. A través de ellos, conoce las obras de los novelistas rusos, de los filósofos Nietzsche, Pascal y Kierkegaard, y del dramaturgo Ibsen. Adquirió, entonces, una postura nítidamente espiritualista y aristócrata. En el decir del propio Vinicius, ese periodo representa una “zambullida en lo sublime”.

    El poeta supo mantener siempre un alto nivel de creatividad y, en el fondo, siguió una vocación delineada desde su adolescencia.


    El camino para la distancia (O Camino para a Distancia, 1933), su libro de estreno, trae la marca de una religiosidad neosimbolista. Con Forma y exégesis (1935) conquista el premio de la Sociedad Felipe d’Oliveira. Al año siguiente, lanzó una plaquette con un largo poema, Ariana, la mujer. Con su talento ya reconocido, publicó, en 1938, Nuevos poemas. Surge un nuevo tono en su poesía que se consolidará con un lenguaje ardiente y directo en Cinco elegías (1943).
    En septiembre de 1938 se trasladó a la Universidad de Oxford para estudiar lengua y literatura inglesas. En Inglaterra, se casó con Beatriz Azevedo. La guerra comenzó y el poeta regresó a Brasil. Se dedicó a la crítica de cine y, en 1943, ingresó al Ministerio de Relaciones Exteriores.
    Poemas, sonetos y baladas surgió el año de 1946 cuando seguía, en la condición de vicecónsul, en Los Ángeles, Estados Unidos, donde permaneció cinco años. Frecuentó Hollywood y se tornó amigo de Orson Welles. Conoció también a Alex Viany y juntos hicieron la revista Filme, que tuvo apenas dos números, pero alcanzó repercusión internacional. De vuelta en Brasil, en 1951, continuó escribiendo crítica de cine. En 1954, al mismo tiempo en que se publicaba su Antología poética, una pieza de su autoría, Orfeu da Conceição, era premiada por la Comisión del IV Centenario de Sao Paulo.
    Montada al año siguiente en el Teatro Municipal, con música de Tom Jobim y escenario de Niemeyer, fue transformada en el filme Orfeu Negro, dirigida por Marcel Camus, que conquistó la Palma de Oro en el Festival de Cannes en 1959. Fue el esplendoroso periodo del bossa-nova que acabó por dar a la música brasileña renombre internacional.
    Vinicius se entregó con pasión a la música. De allí en adelante, la crónica, la poesía y la canción se alternaban, ocupando todo su tiempo y energía creadora. Al optar por la carrera de compositor de letras, levantó una cierta polémica, llegando hasta los “puristas” de la literatura. Entretanto, el poeta supo mantener siempre un alto nivel de creatividad y, en el fondo, siguió una vocación delineada desde su adolescencia.
    El itinerario poético de Vinicius revela una enorme transformación: del espiritualismo sublimado de los primeros libros llegó a la fuerza erótica de obras como Cinco elegías y Poemas, sonetos y baladas. Su temática se abrió también hacia el campo social, donde dejó un poema ejemplar por su equilibrio entre contenido participante y pericia formal: “El obrero en construcción”.
    Para vivir un gran amor (1962) reúne poemas y varias crónicas escritas para el diario Última Hora, a partir de 1959. En ese libro conjuga una visión lírica capaz de descubrir belleza en las cosas de manera aparente banales, la revelación del instante creador, evocaciones de infancia, evidencias de lo cotidiano y, sobre todo, el sentimiento amoroso. Al fallecer, en 1980, Vinicius de Moraes dejó una inmensa laguna en la vida cultural de Brasil.


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    Mensaje por Maria Lua Dom 03 Jul 2022, 14:39

    Breve reseña de “Garota de Ipanema”

    Con letra de Vinicius de Moraes y música de Antonio Carlos Jobim, “Garota de Ipanema” (1962) pertenece al movimiento bossa-nova. Originalmente se llamó “Menina que passa” y estuvo pensada para una comedia musical titulada Dirigível, una obra en la que estaba trabajando Vinicius de Moraes. El 19 de marzo de 1963 se realizó la grabación para la discográfica Verve por Stan Getz y Joao Gilberto, con Tom Jobim al piano.
    Los versos primigenios eran diferentes a la versión definitiva posterior, que Jobim y Vinicius cambiaron por no sentirse conformes con ella. Estando ellos en el Bar Veloso (hoy Garota de Ipanema), decidieron rebautizar la canción y dedicar los versos a una muchacha que solía pasar rumbo a la plaza. (En 1965, Jobim y Vinicius confesaron que la musa inspiradora se llamaba Heloísa Menezes Paes Pinto, “el paradigma de tipo carioca”). En 1963, Norman Gimbel adaptó la letra al inglés y la grabación de Astrud Gilberto, Joao Gilberto y Stan Getz se convirtió en éxito mundial.











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    (Hánjel)





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