Aires de Libertad

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    VINICIUS DE MORAES  - Página 13 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

    Mensaje por Maria Lua Dom 28 Feb 2021, 10:47

    Me quedaré solo como los veleros
    en los puertos silenciosos.
    Pero te poseeré más que nadie
    porque podré irme
    y todos los lamentos del mar,
    del viento, del cielo, de las aves,
    de las estrellas, serán tu voz presente,
    tu voz ausente, tu voz sosegada.


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    "Ser como un verso volando
    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
    compartir contigo sol y luna,
    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
    (Hánjel)





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    VINICIUS DE MORAES  - Página 13 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

    Mensaje por Maria Lua Mar 02 Mar 2021, 13:25

    RETRATO, À SUA MANEIRA

    Magro entre pedras
    Calcárias possível
    Pergaminho para
    A anotação gráfica

    O grafito Grave
    Nariz poema o
    Fêmur fraterno
    Radiografável a

    Olho nu Árido
    Como o deserto
    E além Tu
    Irmão totem aedo

    Exato e provável
    No friso do tempo
    Adiante Ave
    Camarada diamante!


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    VINICIUS DE MORAES  - Página 13 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

    Mensaje por Maria Lua Mar 09 Mar 2021, 07:00

    MENSAGEM À POESIA


    Não posso
    Não é possível
    Digam-lhe que é totalmente impossível
    Agora não pode ser
    É impossível
    Não posso.
    Digam-lhe que estou tristíssimo, mas não posso ir esta noite ao seu encontro.
    Contem-lhe que há milhões de corpos a enterrar
    Muitas cidades a reerguer, muita pobreza pelo mundo.
    Contem-lhe que há uma criança chorando em alguma parte do mundo
    E as mulheres estão ficando loucas, e há legiões delas carpindo
    A saudade de seus homens; contem-lhe que há um vácuo
    Nos olhos dos párias, e sua magreza é extrema; contem-lhe
    Que a vergonha, a desonra, o suicídio rondam os lares, e é preciso reconquistar a vida.
    Façam-lhe ver que é preciso eu estar alerta, voltado para todos os caminhos
    Pronto a socorrer, a amar, a mentir, a morrer se for preciso.
    Ponderem-lhe, com cuidado — não a magoem... — que se não vou
    Não é porque não queira: ela sabe; é porque há um herói num cárcere
    Há um lavrador que foi agredido, há um poça de sangue numa praça.
    Contem-lhe, bem em segredo, que eu devo estar prestes, que meus
    Ombros não se devem curvar, que meus olhos não se devem
    Deixar intimidar, que eu levo nas costas a desgraça dos homens
    E não é o momento de parar agora; digam-lhe, no entanto
    Que sofro muito, mas não posso mostrar meu sofrimento
    Aos homens perplexos; digam-lhe que me foi dada
    A terrível participação, e que possivelmente

    Deverei enganar, fingir, falar com palavras alheias
    Porque sei que há, longínqua, a claridade de uma aurora.

    Se ela não compreender, oh procurem convencê-la
    Desse invencível dever que é o meu; mas digam-lhe
    Que, no fundo, tudo o que estou dando é dela, e que me
    Dói ter de despojá-la assim, neste poema; que por outro lado
    Não devo usá-la em seu mistério: a hora é de esclarecimento
    Nem debruçar-me sobre mim quando a meu lado
    Há fome e mentira; e um pranto de criança sozinha numa estrada
    Junto a um cadáver de mãe: digam-lhe que há
    Um náufrago no meio do oceano, um tirano no poder, um homem
    Arrependido; digam-lhe que há uma casa vazia
    Com um relógio batendo horas; digam-lhe que há um grande
    Aumento de abismos na terra, há súplicas, há vociferações
    Há fantasmas que me visitam de noite
    E que me cumpre receber, contem a ela da minha certeza
    No amanhã
    Que sinto um sorriso no rosto invisível da noite
    Vivo em tensão ante a expectativa do milagre; por isso
    Peçam-lhe que tenha paciência, que não me chame agora
    Com a sua voz de sombra; que não me faça sentir covarde
    De ter de abandoná-la neste instante, em sua imensurável
    Solidão, peçam-lhe, oh peçam-lhe que se cale
    Por um momento, que não me chame
    Porque não posso ir
    Não posso ir
    Não posso.
    Mas não a traí.
    Em meu coração
    Vive a sua imagem pertencida, e nada direi que possa
    Envergonhá-la.
    A minha ausência.
    É também um sortilégio
    Do seu amor por mim.
    Vivo do desejo de revê-la
    Num mundo em paz.
    Minha paixão de homem
    Resta comigo; minha solidão resta comigo; minha
    Loucura resta comigo.
    Talvez eu deva
    Morrer sem vê-la mais, sem sentir mais
    O gosto de suas lágrimas, olhá-la correr
    Livre e nua nas praias e nos céus
    E nas ruas da minha insônia.
    Digam-lhe que é esse
    O meu martírio; que às vezes
    Pesa-me sobre a cabeça o tampo da eternidade e as poderosas
    Forças da tragédia abastecem-se sobre mim, e me impelem para a treva
    Mas que eu devo resistir, que é preciso...
    Mas que a amo com toda a pureza da minha passada adolescência
    Com toda a violência das antigas horas de contemplação extática
    Num amor cheio de renúncia.
    Oh, peçam a ela
    Que me perdoe, ao seu triste e inconstante amigo
    A quem foi dado se perder de amor pelo seu semelhante
    A quem foi dado se perder de amor por uma pequena casa
    Por um jardim de frente, por uma menininha de vermelho
    A quem foi dado se perder de amor pelo direito
    De todos terem um pequena casa, um jardim de frente
    E uma menininha de vermelho; e se perdendo
    Ser-lhe doce perder-se...
    Por isso convençam a ela, expliquem-lhe que é terrível
    Peçam-lhe de joelhos que não me esqueça, que me ame
    Que me espere, porque sou seu, apenas seu; mas que agora
    É mais forte do que eu, não posso ir
    Não é possível
    Me é totalmente impossível
    Não pode ser não
    É impossível
    Não posso.



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    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
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    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
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    VINICIUS DE MORAES  - Página 13 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

    Mensaje por Maria Lua Mar 09 Mar 2021, 07:39

    INTROSPECÇÃO

    Nuvens lentas passavam
    Quando eu olhei o céu.
    Eu senti na minha alma a dor do céu
    Que nunca poderá ser sempre calmo.

    Quando eu olhei a árvore perdida
    Não vi ninhos nem pássaros.
    Eu senti na minha alma a dor da árvore
    Esgalhada e sozinha
    Sem pássaros cantando nos seus ninhos.

    Quando eu olhei minha alma
    Vi a treva.
    Eu senti no céu e na árvore perdida
    A dor da treva que vive na minha alma.


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    VINICIUS DE MORAES  - Página 13 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

    Mensaje por Maria Lua Mar 09 Mar 2021, 08:36

    POEMA PARA TODAS LAS MUJERES

    Sobre tus blancos pechos lloro,
    mis lágrimas bajan por tu vientre
    y se embriagan del perfume de tu sexo.
    ¿Mujer, qué máquina eres, que solo me tienes desesperado
    confuso, niño para contenerte?
    ¡Ah, no cierres tus brazos sobre mi tristeza, no!
    ¡Ah, no abandones tu boca a mi inocencia, no!
    Hombre, soy bello, Macho, soy fuerte; poeta soy altísimo
    y sólo la pureza me ama y ella es en mí, una ciudad
    y tiene allí mil y una puertas.
    ¡Ay! tus cabellos huelen a la flor del mirto
    ¡Mejor sería morir o verte muerta
    y nunca, nunca más poder tocarte!
    Pero, fauno, siento el viento del mar rozarme los brazos
    Ángel, siento el calor del viento en las espumas
    Pájaro, siento el nido en tu vello
    ¡Corred, corred, oh lágrimas nostálgicas
    ahogadme, sacadme de este tiempo
    llevadme hacia el campo de las estrellas
    entregadme de prisa a la luna llena
    dadme el lento poder del soneto,
    dadme la iluminación de las odas
    dadme el cantar de los cantares.
    Que no puedo más, ¡Ay!¡que esta mujer me devora!
    ¡que yo quiero huir, quiero a mi mamita,
    quiero el regazo de Nuestra Señora!

    -------------------


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    Mensaje por Maria Lua Mar 09 Mar 2021, 10:12

    Na hora dolorosa e roxa das emoções silenciosas
    Meu espírito te sentiu.
    Ele te sentiu imensamente triste
    Imensamente sem Deus
    Na tragédia da carne desfeita.

    Ele te quis, hora sem tempo
    Porque tu eras a sua imagem, sem Deus e sem tempo.
    Ele te amou
    E te plasmou na visão da manhã e do dia
    Na visão de todas as horas
    Ó hora dolorosa e roxa das emoções silenciosas.


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    VINICIUS DE MORAES  - Página 13 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

    Mensaje por Maria Lua Miér 10 Mar 2021, 08:38

    SACRIFÍCIO DA AURORA

    Um dia a aurora chegou-se
    Ao meu quarto de marfim
    E com seu riso mais doce
    Deitou-se junto de mim
    Beijei-lhe a boca orvalhada
    E a carne tímida e exangue
    A carne não tinha sangue
    A boca sabia a nada.

    Apaixonei-me da Aurora
    No meu quarto de marfim
    Todo o dia à mesma hora
    Amava-a só para mim
    Palavras que me dizia
    Transfiguravam-se em neve
    Era-lhe o peso tão leve
    Era-lhe a mão tão macia.

    Às vezes me adormecia
    No meu quarto de marfim
    Para acordar, outro dia
    Com a Aurora longe de mim
    Meu desespero covarde
    Levava-me dia afora
    Andando em busca da Aurora
    Sem ver Manhã, sem ver Tarde.

    Hoje, ai de mim, de cansado
    Há dias que até da vida
    Durmo com a Noite, ausentado
    Da minha Aurora esquecida...
    É que apesar de sombria
    Prefiro essa grande louca
    À Aurora, que além de pouca
    É fria, meu Deus, é fria!



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    VINICIUS DE MORAES  - Página 13 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

    Mensaje por Maria Lua Miér 10 Mar 2021, 09:24

    REVOLTA


    Alma que sofres pavorosamente
    A dor de seres privilegiada
    Abandona o teu pranto, sê contente
    Antes que o horror da solidão te invada.

    Deixa que a vida te possua ardente
    Ó alma supremamente desgraçada.
    Abandona, águia, a inóspita morada
    Vem rastejar no chão como a serpente.

    De que te vale o espaço se te cansa?
    Quanto mais sobes mais o espaço avança...
    Desce ao chão, águia audaz, que a noite é fria.

    Volta, ó alma, ao lugar de onde partiste
    O mundo é bom, o espaço é muito triste...
    Talvez tu possas ser feliz um dia.


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    VINICIUS DE MORAES  - Página 13 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

    Mensaje por Maria Lua Jue 11 Mar 2021, 06:30

    SONETO DO SÓ


    (Parábola de Malte Laurids Brigge)


    Depois foi só. O amor era mais nada
    Sentiu-se pobre e triste como Jó
    Um cão veio lamber-lhe a mão na estrada
    Espantado, parou. Depois foi só.

    Depois veio a poesia ensimesmada
    Em espelhos. Sofreu de fazer dó
    Viu a face do Cristo ensanguentada
    Da sua, imagem — e orou. Depois foi só.

    Depois veio o verão e veio o medo
    Desceu de seu castelo até o rochedo
    Sobre a noite e do mar lhe veio a voz

    A anunciar os anjos sanguinários...
    Depois cerrou os olhos solitários
    E só então foi totalmente a sós.



    Rio, 1946


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    VINICIUS DE MORAES  - Página 13 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

    Mensaje por Maria Lua Vie 12 Mar 2021, 06:46

    SONETO DE ANIVERSÁRIO

    Passem-se dias, horas, meses, anos
    Amadureçam as ilusões da vida
    Prossiga ela sempre dividida
    Entre compensações e desenganos.

    Faça-se a carne mais envilecida
    Diminuam os bens, cresçam os danos
    Vença o ideal de andar caminhos planos
    Melhor que levar tudo de vencida.

    Queira-se antes ventura que aventura
    À medida que a têmpora embranquece
    E fica tenra a fibra que era dura.

    E eu te direi: amiga minha, esquece...
    Que grande é este amor meu de criatura
    Que vê envelhecer e não envelhece.


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    Mensaje por Maria Lua Vie 12 Mar 2021, 06:47

    A QUE VEM DE LONGE

    A minha amada veio de leve
    A minha amada veio de longe
    A minha amada veio em silêncio
    Ninguém se iluda.

    A minha amada veio da treva
    Surgiu da noite qual dura estrela
    Sempre que penso no seu martírio
    Morro de espanto.

    A minha amada veio impassível
    Os pés luzindo de luz macia
    Os alvos braços em cruz abertos
    Alta e solene.

    Ao ver-me posto, triste e vazio
    Num passo rápido a mim chegou-se
    E com singelo, doce ademane
    Roçou-me os lábios.

    Deixei-me preso ao seu rosto grave
    Preso ao seu riso no entanto ausente
    Inconsciente de que chorava
    Sem dar-me conta.

    Depois senti-lhe o tímido tato
    Dos lentos dedos tocar-me o peito
    E as unhas longas se me cravarem
    Profundamente.

    Aprisionado num só meneio
    Ela cobriu-me de seus cabelos
    E os duros lábios no meu pescoço
    Pôs-se a sugar-me.

    Muitas auroras transpareceram
    Do meu crescente ficar exangue
    Enquanto a amada suga-me o sangue
    Que é a luz da vida.


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    Mensaje por Maria Lua Vie 12 Mar 2021, 06:48

    POEMA DOS OLHOS DA AMADA

    Vinicius de Moraes , Paulo Soledade


    Ó minha amada
    Que olhos os teus
    São cais noturnos
    Cheios de adeus
    São docas mansas
    Trilhando luzes
    Que brilham longe
    Longe nos breus...

    Ó minha amada
    Que olhos os teus
    Quanto mistério
    Nos olhos teus
    Quantos saveiros
    Quantos navios
    Quantos naufrágios
    Nos olhos teus...

    Ó minha amada
    Que olhos os teus
    Se Deus houvera
    Fizera-os Deus
    Pois não os fizera
    Quem não soubera
    Que há muitas eras
    Nos olhos teus.

    Ah, minha amada
    De olhos ateus
    Cria a esperança
    Nos olhos meus
    De verem um dia
    O olhar mendigo
    Da poesia
    Nos olhos teus.

    Edições Euterpe LTDA


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    Mensaje por Maria Lua Vie 12 Mar 2021, 06:49

    SONETO DE CONTRIÇÃO


    Eu te amo, Maria, eu te amo tanto
    Que o meu peito me dói como em doença
    E quanto mais me seja a dor intensa
    Mais cresce na minha alma teu encanto.

    Como a criança que vagueia o canto
    Ante o mistério da amplidão suspensa
    Meu coração é um vago de acalanto
    Berçando versos de saudade imensa.

    Não é maior o coração que a alma
    Nem melhor a presença que a saudade
    Só te amar é divino, e sentir calma...

    E é uma calma tão feita de humildade
    Que tão mais te soubesse pertencida
    Menos seria eterno em tua vida.

    Rio, 1938


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    o un ciego soñando
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    Mensaje por Maria Lua Sáb 13 Mar 2021, 05:20

    O NASCIMENTO DO HOMEM

    I

    E uma vez, quando ajoelhados assistíamos à dança nua das auroras
    Surgiu do céu parado como uma visão de alta serenidade
    Uma branca mulher de cujo sexo a luz jorrava em ondas
    E de cujos seios corria um doce leite ignorado.

    Oh, como ela era bela! era impura — mas como ela era bela!
    Era como um canto ou como uma flor brotando ou como um cisne
    Tinha um sorriso de praia em madrugada e um olhar evanescente
    E uma cabeleira de luz como uma cachoeira em plenilúnio.

    Vinha dela uma fala de amor irresistível
    Um chamado como uma canção noturna na distância
    Um calor de corpo dormindo e um abandono de onda descendo
    Uma sedução de vela fugindo ou de garça voando.

    E a ela fomos e a ela nos misturamos e a tivemos...
    Em véus de neblina fugiam as auroras nos braços do vento
    Mas que nos importava se também ela nos carregava nos seus braços
    E se o seu leite sobre nós escorria e pelo céu?

    Ela nos acolheu, estranhos parasitas, pelo seu corpo desnudado
    E nós a amamos e defendemos e nós no ventre a fecundamos
    Dormíamos sobre os seus seios apojados ao clarão das tormentas
    E desejávamos ser astros para inda melhor compreendê-la.

    Uma noite o horrível sonho desceu sobre as nossas almas sossegadas
    A amada ia ficando gelada e silenciosa — luzes morriam nos seus olhos...
    Do seu peito corria o leite frio e ao nosso amor desacordada
    Subiu mais alto e mais além, morta dentro do espaço.

    Muito tempo choramos e as nossas lágrimas inundaram a terra
    Mas morre toda a dor ante a visão dolorosa da beleza
    Ao vulto da manhã sonhamos a paz e a desejamos
    Sonhamos a grande viagem através da serenidade das crateras.

    Mas quando as nossas asas vibraram no ar dormente
    Sentimos a prisão nebulosa de leite envolvendo as nossas espécies
    A Via Láctea — o rio da paixão correndo sobre a pureza das estrelas
    A linfa dos peitos da amada que um dia morreu.

    Maldito o que bebeu o leite dos seios da virgem que não era mãe mas era amante
    Maldito o que se banhou na luz que não era pura mas ardente
    Maldito o que se demorou na contemplação do sexo que não era calmo mas amargo
    O que beijou os lábios que eram como a ferida dando sangue!

    E nós ali ficamos, batendo as asas libertas, escravos do misterioso plasma
    Metade anjo, metade demônio, cheios da euforia do vento e da doçura do cárcere remoto
    Debruçados sobre a terra, mostrando a maravilhosa essência da nossa vida
    Lírios, já agora turvos lírios das campas, nascidos da face lívida da morte.

    II

    Mas vai que havia por esse tempo nas tribos da terra
    Estranhas mulheres de olhos parados e longas vestes nazarenas
    Que tinham o plácido amor nos gestos tristes e serenos
    E o divino desejo nos frios lábios anelantes.

    E quando as noites estelares fremiam nos campos sem lua
    E a Via Láctea como uma visão de lágrimas surgia
    Elas beijavam de leve a face do homem dormindo no feno
    E saíam dos casebres ocultos, pelas estradas murmurantes.

    E no momento em que a planície escura beijava os dois longínquos horizontes
    E o céu se derramava iluminadamente sobre a várzea
    Iam as mulheres e se deitavam no chão paralisadas
    As brancas túnicas abertas e o branco ventre desnudado.

    E pela noite adentro elas ficavam, descobertas
    O amante olhar boiando sobre a grande plantação de estrelas
    No desejo sem fim dos pequenos seres de luz alcandorados
    Que palpitavam na distância numa promessa de beleza.

    E tão maternalmente os desejavam e tão na alma os possuíam
    Que às vezes desgravitados uns despenhavam-se no espaço
    E vertiginosamente caíam numa chuva de fogo e de fulgores
    Pelo misterioso tropismo subitamente carregados.

    Nesse instante, ao delíquio de amor das destinadas
    Num milagre de unção, delas se projetava à altura
    Como um cogumelo gigantesco um grande útero fremente
    Que ao céu colhia a estrela e ao ventre retornava.

    E assim pelo ciclo negro da pálida esfera através do tempo
    Ao clarão imortal dos pássaros de fogo cruzando o céu noturno
    As mulheres, aos gritos agudos da carne rompida de dentro
    Iam se fecundando ao amor puríssimo do espaço.

    E às cores da manhã elas voltavam vagarosas
    Pelas estradas frescas, através dos vastos bosques de pinheiros
    E ao chegar, no feno onde o homem sereno inda dormia
    Em preces rituais e cantos místicos velavam.

    Um dia mordiam-lhes o ventre, nas entranhas — entre raios de sol vinha a tormenta...
    Sofriam... e ao estridor dos elementos confundidos
    Deitavam à terra o fruto maldito de cuja face transtornada
    As primeiras e mais tristes lágrimas desciam.

    Tinha nascido o poeta. Sua face é bela, seu coração é trágico
    Seu destino é atroz; ao triste materno beijo mudo e ausente
    Ele parte! Busca ainda as viagens eternas da origem
    Sonha ainda a música um dia ouvida em sua essência.

    ---


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    Mensaje por Maria Lua Sáb 13 Mar 2021, 05:21

    ILHA DO GOVERNADOR

    Esse ruído dentro do mar invisível são barcos passando
    Esse ei-ou que ficou nos meus ouvidos são os pescadores esquecidos
    Eles vêm remando sob o peso de grandes mágoas
    Vêm de longe e murmurando desaparecem no escuro quieto.
    De onde chega essa voz que canta a juventude calma?
    De onde sai esse som de piano antigo sonhando a Berceuse?
    Por que vieram as grandes carroças entornando cal no barro molhado?

    Os olhos de Susana eram doces mas Eli tinha seios bonitos
    Eu sofria junto de Susana — ela era a contemplação das tardes longas
    Eli era o beijo ardente sobre a areia úmida.
    Eu me admirava horas e horas no espelho.

    Um dia mandei: “Susana, esquece-me, não sou digno de ti — sempre teu...”
    Depois, eu e Eli fomos andando... — ela tremia no meu braço
    Eu tremia no braço dela, os seios dela tremiam
    A noite tremia nos ei-ou dos pescadores...

    Meus amigos se chamavam Mário e Quincas, eram humildes, não sabiam
    Com eles aprendi a rachar lenha e ir buscar conchas sonoras no mar fundo
    Comigo eles aprenderam a conquistar as jovens praianas tímidas e risonhas.
    Eu mostrava meus sonetos aos meus amigos — eles mostravam os grandes olhos abertos
    E gratos me traziam mangas maduras roubadas nos caminhos.

    Um dia eu li Alexandre Dumas e esqueci os meus amigos.
    Depois recebi um saco de mangas
    Toda a afeição da ausência...

    Como não lembrar essas noites cheias de mar batendo?
    Como não lembrar Susana e Eli?
    Como esquecer os amigos pobres?
    Eles são essa memória que é sempre sofrimento
    Vêm da noite inquieta que agora me cobre
    São o olhar de Clara e o beijo de Carmem
    São os novos amigos, os que roubaram luz e me trouxeram.
    Como esquecer isso que foi a primeira angústia
    Se o murmúrio do mar está sempre nos meus ouvidos
    Se o barco que eu não via é a vida passando
    Se o ei-ou dos pescadores é o gemido de angústia de todas as noites?


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    Mensaje por Maria Lua Dom 14 Mar 2021, 04:05

    SONETO DE FLORENÇA



    Florença... que serenidade imensa
    Nos teus campos remotos, de onde surgem
    Em tons de terracota e de ferrugem
    Torres, cúpulas, claustros: renascença

    Das coisas que passaram mas que urgem...
    Como em teu seio pareceu-me densa
    A selva oscura onde silêncios rugem
    No meio do caminho da descrença...

    Que tristes sombras nos teus céus toscanos
    Onde, em meu crime e meu remorso humanos
    Julguei ver, na colina apascentada

    Na forma de um cipreste impressionante
    O grande vulto secular de Dante
    Carpindo a morte da mulher amada...



    Rio, janeiro de 1953


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    Mensaje por Maria Lua Dom 14 Mar 2021, 04:07

    SONETO DA ROSA TARDIA


    Como uma jovem rosa, a minha amada...
    Morena, linda, esgalga, penumbrosa
    Parece a flor colhida, ainda orvalhada
    Justo no instante de tornar-se rosa.

    Ah, porque não a deixas intocada
    Poeta, tu que és pai, na misteriosa
    Fragrância do seu ser, feito de cada
    Coisa tão frágil que perfaz a rosa...

    Mas (diz-me a Voz) por que deixá-la em haste
    Agora que ela é rosa comovida
    De ser na tua vida o que buscaste

    Tão dolorosamente pela vida?
    Ela é rosa, poeta... assim se chama…
    Sente bem seu perfume... Ela te ama...


    Rio, julho de 1963


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    Mensaje por Maria Lua Miér 24 Mar 2021, 09:58


    A PERA

    Como de cera
    E por acaso
    Fria no vaso
    A entardecer

    A pera é um pomo
    Em holocausto
    À vida, como
    Um seio exausto

    Entre bananas
    Supervenientes
    E maçãs lhanas

    Rubras, contentes
    A pobre pera:
    Quem manda ser a?

    Los Angeles, 1947


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    Mensaje por Maria Lua Miér 24 Mar 2021, 10:00

    SONETO DO SÓ
    (Parábola de Malte Laurids Brigge)

    Depois foi só. O amor era mais nada
    Sentiu-se pobre e triste como Jó
    Um cão veio lamber-lhe a mão na estrada
    Espantado, parou. Depois foi só.

    Depois veio a poesia ensimesmada
    Em espelhos. Sofreu de fazer dó
    Viu a face do Cristo ensanguentada
    Da sua, imagem — e orou. Depois foi só.

    Depois veio o verão e veio o medo
    Desceu de seu castelo até o rochedo
    Sobre a noite e do mar lhe veio a voz

    A anunciar os anjos sanguinários...
    Depois cerrou os olhos solitários
    E só então foi totalmente a sós.

    Rio, 1946


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    Mensaje por Maria Lua Dom 28 Mar 2021, 11:45

    RETRATO, À SUA MANEIRA

    Magro entre pedras
    Calcárias possível
    Pergaminho para
    A anotação gráfica

    O grafito Grave
    Nariz poema o
    Fêmur fraterno
    Radiografável a

    Olho nu Árido
    Como o deserto
    E além Tu
    Irmão totem aedo

    Exato e provável
    No friso do tempo
    Adiante Ave
    Camarada diamante!


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    Mensaje por Maria Lua Lun 05 Abr 2021, 09:10

    El tiempo en los parques genera el silencio del piar
    de los pájaros.
    Del pasar de los pasos, del color que se mueve a
    lo lejos.
    Es alto, antiguo, presiente el tiempo en los parques.
    Es incorruptible. El prenuncio de un aura.
    La agonia de una hoje, el abrirse de una flor.
    Deja un estremecimento en el espacio del tiempo
    en los parques.


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    Mensaje por Maria Lua Mar 13 Abr 2021, 14:51

    SACRIFÍCIO DA AURORA

    Um dia a aurora chegou-se
    Ao meu quarto de marfim
    E com seu riso mais doce
    Deitou-se junto de mim
    Beijei-lhe a boca orvalhada
    E a carne tímida e exangue
    A carne não tinha sangue
    A boca sabia a nada.

    Apaixonei-me da Aurora
    No meu quarto de marfim
    Todo o dia à mesma hora
    Amava-a só para mim
    Palavras que me dizia
    Transfiguravam-se em neve
    Era-lhe o peso tão leve
    Era-lhe a mão tão macia.

    Às vezes me adormecia
    No meu quarto de marfim
    Para acordar, outro dia
    Com a Aurora longe de mim
    Meu desespero covarde
    Levava-me dia afora
    Andando em busca da Aurora
    Sem ver Manhã, sem ver Tarde.

    Hoje, ai de mim, de cansado
    Há dias que até da vida
    Durmo com a Noite, ausentado
    Da minha Aurora esquecida...
    É que apesar de sombria
    Prefiro essa grande louca
    À Aurora, que além de pouca
    É fria, meu Deus, é fria!


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    Mensaje por Maria Lua Lun 19 Abr 2021, 07:10

    AURORA, COM MOVIMENTO
    (Posto 3)

    A linha móvel do horizonte
    Atira para cima o sol em diabolô
    Os ventos de longe
    Agitam docemente os cabelos da rocha
    Passam em fachos o primeiro automóvel, a última estrela
    A mulher que avança
    Parece criar esferas exaltadas pelo espaço
    Os pescadores puxando o arrastão parecem mover o mundo
    O cardume de botos na distância parece mover o mar.


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    Mensaje por Maria Lua Lun 19 Abr 2021, 07:10

    BALADA DAS ARQUIVISTAS

    Oh jovens anjos cativos
    Que as asas vos machucais
    Nos armários dos arquivos!
    Delicadas funcionárias
    Designadas por padrões
    Prisioneiras honorárias
    Da mais fria das prisões
    É triste ver-vos, suaves
    Entre monstros impassíveis
    Trancadas a sete chaves:
    Oh, puras e imarcescíveis!
    Dizer que vós, bem-amadas
    Conservai-vos impolutas
    Mesmo fazendo a juntada
    De processos e minutas!
    Não se amargam vossas bocas
    De índices e prefixos
    Nem lembram os olhos das loucas
    Vossos doces olhos fixos.
    Curvai-vos para colossos
    Hollerith, de aço hostil
    Como se fora ante moços
    Numa pavana gentil.
    Antes não classificásseis
    Os maços pelos assuntos
    Criando a luta de classes
    Num mundo de anseios juntos!
    Enfermeiras de ambições
    Conheceis, mudas, a nu
    O lixo das promoções
    E das exonerações
    A bem do serviço público.
    Ó Florences Nightingale
    De arquivos horizontais:
    Com que zelo alimentais
    Esses eunucos letais
    Que se abrem com chave yale!
    Vossa linda juventude
    Clama de vós, bem-amadas!
    No entanto, viveis cercadas
    De coisas padronizadas
    Sem sexo e sem saúde...
    Ah, ver-nos em primavera
    Sobre papéis de ocasião
    Na melancólica espera
    De uma eterna certidão!
    Ah, saber que em vós existe
    O amor, a ternura, a prece
    E saber que isso fenece
    Num arquivo feio e triste!
    Deixai-me carpir, crianças
    A vossa imensa desdita
    Prendestes as esperanças
    Numa gaiola maldita.
    Do fundo do meu silêncio
    Eu vos incito a lutardes
    Contra o Prefixo que vence
    Os anjos acorrentados
    E ir passear pelas tardes
    De braço com os namorados.



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    Mensaje por Maria Lua Lun 19 Abr 2021, 07:11

    MENSAGEM A RUBEM BRAGA

    Os doces montes cônicos de feno
    (Decassílabo solto num postal de Rubem Braga, da Itália.)

    A meu amigo Rubem Braga
    Digam que vou, que vamos bem: só não tenho é coragem de escrever
    Mas digam-lhe. Digam-lhe que é Natal, que os sinos
    Estão batendo, e estamos no Cavalão: o Menino vai nascer
    Entre as lágrimas do tempo. Digam-lhe que os tempos estão duros
    Falta água, falta carne, falta às vezes o ar: há uma angústia
    Mas fora isso vai-se vivendo. Digam-lhe que é verão no Rio
    E apesar de hoje estar chovendo, amanhã certamente o céu se abrirá de azul
    Sobre as meninas de maiô. Digam-lhe que Cachoeiro continua no mapa
    E há meninas de maiô, altas e baixas, louras e morochas
    E mesmo negras, muito engraçadinhas. Digam-lhe, entretanto
    Que a falta de dignidade é considerável, e as perspectivas pobres
    Mas sempre há algumas, poucas. Tirante isso, vai tudo bem
    No Vermelhinho. Digam-lhe que a menina da caixa
    Continua impassível, mas Caloca acha que ela está melhorando
    Digam-lhe que o Ceschiatti continua tomando chope, e eu também
    Malgrado uma avitaminose B e o fígado ligeiramente inchado.
    Digam-lhe que o tédio às vezes é mortal; respira-se com a mais extrema
    Dificuldade; bate-se, e ninguém responde. Sem embargo
    Digam-lhe que as mulheres continuam passando no alto de seus saltos, e a moda das saias curtas
    E das mangas japonesas dão-lhes um novo interesse: ficam muito provocantes.
    O diabo é de manhã, quando se sai para o trabalho, dá uma tristeza, a
    rotina: para a tarde melhora.
    Oh, digam a ele, digam a ele, a meu amigo Rubem Braga
    Correspondente de guerra, 250 FEB, atualmente em algum lugar da Itália
    Que ainda há auroras apesar de tudo, e o esporro das cigarras
    Na claridade matinal. Digam-lhe que o mar no Leblon
    Porquanto se encontre eventualmente cocô boiando, devido aos despejos
    Continua a lavar todos os males. Digam-lhe, aliás
    Que há cocô boiando por aí tudo, mas que em não havendo marola
    A gente se aguenta. Digam-lhe que escrevi uma carta terna
    Contra os escritores mineiros: ele ia gostar. Digam-lhe
    Que outro dia vi Elza-Simpatia-é-quase-Amor. Foi para os Estados Unidos
    E riu muito de eu lhe dizer que ela ia fazer falta à paisagem carioca
    Seu riso me deu vontade de beber: a tarde
    Ficou tensa e luminosa. Digam-lhe que outro dia, na rua Larga
    Vi um menino em coma de fome (coma de fome soa esquisito, parece
    Que havendo coma não devia haver fome: mas havia).
    Mas em compensação estive depois com o Aníbal
    Que embora não dê para alimentar ninguém, é um amigo.
    Digam-lhe que o Carlos
    Drummond tem escrito ótimos poemas, mas eu larguei o Suplemento.
    Digam-lhe que está com cara de que vai haver muita miséria-de-fim-de-ano
    Há, de um modo geral, uma acentuada tendência para se beber e uma ânsia
    Nas pessoas de se estrafegarem. Digam-lhe que o Compadre está na insulina
    Mas que a Comadre está linda. Digam-lhe que de quando em vez o Miranda passa
    E ri com ar de astúcia. Digam-lhe, oh, não se esqueçam de dizer
    A meu amigo Rubem Braga, que comi camarões no Antero
    Ovas na Cabaça e vatapá na Furna, e que tomei plenty coquinho
    Digam-lhe também que o Werneck prossegue enamorado, está no tempo
    De caju e abacaxi, e nas ruas
    Já se perfumam os jasmineiros. Digam-lhe que tem havido
    Poucos crimes passionais em proporção ao grande número de paixões
    À solta. Digam-lhe especialmente
    Do azul da tarde carioca, recortado
    Entre o Ministério da Educação e a ABI. Não creio que haja igual
    Mesmo em Capri. Digam-lhe porém que muito o invejamos
    Tati e eu, e as saudades são grandes, e eu seria muito feliz
    De poder estar um pouco a seu lado, fardado de segundo sargento. Oh
    Digam a meu amigo Rubem Braga
    Que às vezes me sinto calhorda mas reajo, tenho tido meus maus momentos
    Mas reajo. Digam-lhe que continuo aquele modesto lutador
    Porém batata. Que estou perfeitamente esclarecido
    E é bem capaz de nos revermos na Europa. Digam-lhe, discretamente,
    Que isso seria uma alegria boa demais: que se ele
    Não mandar buscar Zorinha e Roberto antes, que certamente
    Os levaremos conosco, que quero muito
    Vê-lo em Paris, em Roma, em Bucareste. Digam, oh digam
    A meu amigo Rubem Braga que é pena estar chovendo aqui
    Neste dia tão cheio de memórias. Mas
    Que beberemos à sua saúde, e ele há de estar entre nós
    O bravo capitão Braga, seguramente o maior cronista do Brasil
    Grave em seu gorro de campanha, suas sobrancelhas e seu bigode circunflexos
    Terno em seus olhos de pescador de fundo
    Feroz em seu focinho de lobo solitário
    Delicado em suas mãos e no seu modo de falar ao telefone
    E brindaremos à sua figura, à sua poesia única, à sua revolta, e ao seu cavalheirismo
    Para que lá, entre as velhas paredes renascentes e os doces montes cônicos de feno
    Lá onde a cobra está fumando o seu moderado cigarro brasileiro
    Ele seja feliz também, e forte, e se lembre com saudades
    Do Rio, de nós todos e ai! de mim.


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    VINICIUS DE MORAES  - Página 13 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

    Mensaje por Maria Lua Sáb 24 Abr 2021, 07:56

    O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO

    E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
    - Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
    E Jesus, respondendo, disse-lhe:
    - Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
    Lucas, cap. V, vs. 5-8.


    Era ele que erguia casas
    Onde antes só havia chão.
    Como um pássaro sem asas
    Ele subia com as casas
    Que lhe brotavam da mão.
    Mas tudo desconhecia
    De sua grande missão:
    Não sabia, por exemplo
    Que a casa de um homem é um templo
    Um templo sem religião
    Como tampouco sabia
    Que a casa que ele fazia
    Sendo a sua liberdade
    Era a sua escravidão.

    De fato, como podia
    Um operário em construção
    Compreender por que um tijolo
    Valia mais do que um pão?
    Tijolos ele empilhava
    Com pá, cimento e esquadria
    Quanto ao pão, ele o comia...
    Mas fosse comer tijolo!
    E assim o operário ia
    Com suor e com cimento
    Erguendo uma casa aqui
    Adiante um apartamento
    Além uma igreja, à frente
    Um quartel e uma prisão:
    Prisão de que sofreria
    Não fosse, eventualmente
    Um operário em construção.

    Mas ele desconhecia
    Esse fato extraordinário:
    Que o operário faz a coisa
    E a coisa faz o operário.
    De forma que, certo dia
    À mesa, ao cortar o pão
    O operário foi tomado
    De uma súbita emoção
    Ao constatar assombrado
    Que tudo naquela mesa
    - Garrafa, prato, facão -
    Era ele quem os fazia
    Ele, um humilde operário,
    Um operário em construção.
    Olhou em torno: gamela
    Banco, enxerga, caldeirão
    Vidro, parede, janela
    Casa, cidade, nação!
    Tudo, tudo o que existia
    Era ele quem o fazia
    Ele, um humilde operário
    Um operário que sabia
    Exercer a profissão.

    Ah, homens de pensamento
    Não sabereis nunca o quanto
    Aquele humilde operário
    Soube naquele momento!
    Naquela casa vazia
    Que ele mesmo levantara
    Um mundo novo nascia
    De que sequer suspeitava.
    O operário emocionado
    Olhou sua própria mão
    Sua rude mão de operário
    De operário em construção
    E olhando bem para ela
    Teve um segundo a impressão
    De que não havia no mundo
    Coisa que fosse mais bela.

    Foi dentro da compreensão
    Desse instante solitário
    Que, tal sua construção
    Cresceu também o operário.
    Cresceu em alto e profundo
    Em largo e no coração
    E como tudo que cresce
    Ele não cresceu em vão
    Pois além do que sabia
    - Exercer a profissão -
    O operário adquiriu
    Uma nova dimensão:
    A dimensão da poesia.

    E um fato novo se viu
    Que a todos admirava:
    O que o operário dizia
    Outro operário escutava.

    E foi assim que o operário
    Do edifício em construção
    Que sempre dizia sim
    Começou a dizer não.
    E aprendeu a notar coisas
    A que não dava atenção:

    Notou que sua marmita
    Era o prato do patrão
    Que sua cerveja preta
    Era o uísque do patrão
    Que seu macacão de zuarte
    Era o terno do patrão
    Que o casebre onde morava
    Era a mansão do patrão
    Que seus dois pés andarilhos
    Eram as rodas do patrão
    Que a dureza do seu dia
    Era a noite do patrão
    Que sua imensa fadiga
    Era amiga do patrão.

    E o operário disse: Não!
    E o operário fez-se forte
    Na sua resolução.

    Como era de se esperar
    As bocas da delação
    Começaram a dizer coisas
    Aos ouvidos do patrão.
    Mas o patrão não queria
    Nenhuma preocupação
    - "Convençam-no" do contrário -
    Disse ele sobre o operário
    E ao dizer isso sorria.

    Dia seguinte, o operário
    Ao sair da construção
    Viu-se súbito cercado
    Dos homens da delação
    E sofreu, por destinado
    Sua primeira agressão.
    Teve seu rosto cuspido
    Teve seu braço quebrado
    Mas quando foi perguntado
    O operário disse: Não!

    Em vão sofrera o operário
    Sua primeira agressão
    Muitas outras se seguiram
    Muitas outras seguirão.
    Porém, por imprescindível
    Ao edifício em construção
    Seu trabalho prosseguia
    E todo o seu sofrimento
    Misturava-se ao cimento
    Da construção que crescia.

    Sentindo que a violência
    Não dobraria o operário
    Um dia tentou o patrão
    Dobrá-lo de modo vário.
    De sorte que o foi levando
    Ao alto da construção
    E num momento de tempo
    Mostrou-lhe toda a região
    E apontando-a ao operário
    Fez-lhe esta declaração:
    - Dar-te-ei todo esse poder
    E a sua satisfação
    Porque a mim me foi entregue
    E dou-o a quem bem quiser.
    Dou-te tempo de lazer
    Dou-te tempo de mulher.
    Portanto, tudo o que vês
    Será teu se me adorares
    E, ainda mais, se abandonares
    O que te faz dizer não.

    Disse, e fitou o operário
    Que olhava e que refletia
    Mas o que via o operário
    O patrão nunca veria.
    O operário via as casas
    E dentro das estruturas
    Via coisas, objetos
    Produtos, manufaturas.
    Via tudo o que fazia
    O lucro do seu patrão
    E em cada coisa que via
    Misteriosamente havia
    A marca de sua mão.
    E o operário disse: Não!

    - Loucura! - gritou o patrão
    Não vês o que te dou eu?
    - Mentira! - disse o operário
    Não podes dar-me o que é meu.

    E um grande silêncio fez-se
    Dentro do seu coração
    Um silêncio de martírios
    Um silêncio de prisão.
    Um silêncio povoado
    De pedidos de perdão
    Um silêncio apavorado
    Com o medo em solidão.

    Um silêncio de torturas
    E gritos de maldição
    Um silêncio de fraturas
    A se arrastarem no chão.
    E o operário ouviu a voz
    De todos os seus irmãos
    Os seus irmãos que morreram
    Por outros que viverão.
    Uma esperança sincera
    Cresceu no seu coração
    E dentro da tarde mansa
    Agigantou-se a razão
    De um homem pobre e esquecido
    Razão porém que fizera
    Em operário construído
    O operário em construção.


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    VINICIUS DE MORAES  - Página 13 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

    Mensaje por Maria Lua Lun 26 Abr 2021, 10:06

    OS QUATRO ELEMENTOS
    I – O FOGO

    O sol, desrespeitoso do equinócio
    Cobre o corpo da Amiga de desvelos
    Amorena-lhe a tez, doura-lhe os pelos
    Enquanto ela, feliz, desfaz-se em ócio.

    E ainda, ademais, deixa que a brisa roce
    O seu rosto infantil e os seus cabelos
    De modo que eu, por fim, vendo o negócio
    Não me posso impedir de pôr-me em zelos.

    E pego, encaro o Sol com ar de briga
    Ao mesmo tempo que, num desafogo
    Proibo-a formalmente que prossiga

    Com aquele dúbio e perigoso jogo...
    E para protegê-la, cubro a Amiga
    Com a sombra espessa do meu corpo em fogo.


    II – A TERRA

    Um dia, estando nós em verdes prados
    Eu e a Amada, a vagar, gozando a brisa
    Ei-la que me detém nos meus agrados
    E abaixa-se, e olha a terra, e a analisa

    Com face cauta e olhos dissimulados
    E, mais, me esquece; e, mais, se interioriza
    Como se os beijos meus fossem mal dados
    E a minha mão não fosse mais precisa.

    Irritado, me afasto; mas a Amada
    À minha zanga, meiga, me entretém
    Com essa astúcia que o sexo lhe deu.

    Mas eu que não sou bobo, digo nada...
    Ah, é assim... (só penso) Muito bem:
    Antes que a terra a coma, como eu.


    III –O AR

    Com mão contente a Amada abre a janela
    Sequiosa de vento no seu rosto
    E o vento, folgazão, entra disposto
    A comprazer-se com a vontade dela.

    Mas ao tocá-la e constatar que bela
    E que macia, e o corpo que bem-posto
    O vento, de repente, toma gosto
    E por ali põe-se a brincar com ela.

    Eu a princípio, não percebo nada...
    Mas ao notar depois que a Amada tem
    Um ar confuso e uma expressão corada

    A cada vez que o velho vento vem
    Eu o expulso dali, e levo a Amada:
    Também brinco de vento muito bem!


    IV – A ÁGUA

    A água banha a Amada com tão claros
    Ruídos, morna de banhar a Amada
    Que eu, todo ouvidos, ponho-me a sonhar
    Os sons como se foram luz vibrada.

    Mas são tais os cochichos e descaros
    Que, por seu doce peso deslocada
    Diz-lhe a água, que eu friamente encaro
    Os fatos, e disponho-me à emboscada.

    E aguardo a Amada. Quando sai, obrigo-a
    A contar-me o que houve entre ela e a água:
    — Ela que me confesse! Ela que diga!

    E assim arrasto-a à câmara contígua
    Confusa de pensar, na sua mágoa
    Que não sei como a água é minha amiga.

    Montevidéu, abril de 1960


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    VINICIUS DE MORAES  - Página 13 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

    Mensaje por Maria Lua Vie 30 Abr 2021, 09:20

    Me quedaré solo como los veleros
    en los puertos silenciosos.
    Pero te poseeré más que nadie
    porque podré irme
    y todos los lamentos del mar,
    del viento, del cielo, de las aves,
    de las estrellas, serán tu voz presente,
    tu voz ausente, tu voz sosegada.


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    VINICIUS DE MORAES  - Página 13 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

    Mensaje por Maria Lua Dom 02 Mayo 2021, 06:03



    ARIANA, A MULHER

    Quando, aquela noite, na sala deserta daquela casa cheia da montanha em torno
    O tempo convergiu para a morte e houve uma cessação estranha seguida de um debruçar do instante para o outro instante
    Ante o meu olhar absorto o relógio avançou e foi como se eu tivesse me identificado a ele e estivesse batendo soturnamente a Meia-Noite
    E na ordem de horror que o silêncio fazia pulsar como um coração dentro do ar despojado
    Senti que a Natureza tinha entrado invisivelmente através das paredes e se plantara aos meus olhos em toda a sua fixidez noturna
    E que eu estava no meio dela e à minha volta havia árvores dormindo e flores desacordadas pela treva.

    Como que a solidão traz a presença invisível de um cadáver — e para mimera como se a Natureza estivesse morta
    Eu aspirava a sua respiração ácida e pressentia a sua deglutição monstruosa mas para mim era como se ela estivesse morta
    Paralisada e fria, imensamente erguida em sua sombra imóvel para o céu alto e sem lua
    E nenhum grito, nenhum sussurro de água nos rios correndo, nenhum eco nas quebradas ermas
    Nenhum desespero nas lianas pendidas, nenhuma fome no muco aflorado das plantas carnívoras
    Nenhuma voz, nenhum apelo da terra, nenhuma lamentação de folhas, nada.

    Em vão eu atirava os braços para as orquídeas insensíveis junto aos lírios inermes como velhos falos
    Inutilmente corria cego por entre os troncos cujas parasitas eram como a miséria da vaidade senil dos homens
    Nada se movia como se o medo tivesse matado em mim a mocidade e gelado o sangue capaz de acordá-los
    E já o suor corria do meu corpo e as lágrimas dos meus olhos ao contato dos cactos esbarrados na alucinação da fuga
    E a loucura dos pés parecia galgar lentamente os membros em busca do pensamento
    Quando caí no ventre quente de uma campina de vegetação úmida e sobre a qual afundei minha carne.

    Foi então que compreendi que só em mim havia morte e que tudo estava profundamente vivo
    Só então vi as folhas caindo, os rios correndo, os troncos pulsando, as flores se erguendo
    E ouvi os gemidos dos galhos tremendo, dos gineceus se abrindo, das borboletas noivas se finando
    E tão grande foi a minha dor que angustiosamente abracei a terra como se quisesse fecundá-la
    Mas ela me lançou fora como se não houvesse força em mim e como se ela não me desejasse
    E eu me vi só, nu e só, e era como se a traição tivesse me envelhecido eras.

    Tristemente me brotou da alma o branco nome da Amada e eu murmurei — Ariana!
    E sem pensar caminhei trôpego como a visão do Tempo e murmurava — Ariana!
    E tudo em mim buscava Ariana e não havia Ariana em nenhuma parte
    Mas se Ariana era a floresta, por que não havia de ser Ariana a terra?
    Se Ariana era a morte, por que não havia de ser Ariana a vida?
    Por que — se tudo era Ariana e só Ariana havia e nada fora de Ariana?

    Baixei à terra de joelhos e a boca colada ao seu seio disse muito docemente — Sou eu, Ariana...
    Mas eis que um grande pássaro azul desce e canta aos meus ouvidos — Eu sou Ariana!
    E em todo o céu ficou vibrando como um hino o muito amado nome de Ariana.
    Desesperado me ergui e bradei: Quem és que te devo procurar em toda a parte e estás em cada uma?
    Espírito, carne, vida, sofrimento, serenidade, morte, por que não serias uma?
    Por que me persegues e me foges e por que me cegas se me dás uma luz e restas longe?

    Mas nada me respondeu e eu prossegui na minha peregrinação através da campina
    E dizia: Sei que tudo é infinito! — e o pio das aves me trazia o grito dos sertões desaparecidos
    E as pedras do caminho me traziam os abismos e a terra seca a sede nas fontes.
    No entanto, era como se eu fosse a alimária de um anjo que me chicoteava — Ariana!
    E eu caminhava cheio de castigo e em busca do martírio de Ariana
    A branca Amada salva das águas e a quem fora prometido o trono do mundo.

    Eis que galgando um monte surgiram luzes e após janelas iluminadas e após cabanas iluminadas
    E após ruas iluminadas e após lugarejos iluminados como fogos no mato noturno
    E grandes redes de pescar secavam às portas e se ouvia o bater das forjas.
    E perguntei: Pescadores, onde está Ariana? — e eles me mostravam o peixe
    Ferreiros, onde está Ariana? — e eles me mostravam o fogo
    Mulheres, onde está Ariana? — e elas me mostravam o sexo.

    Mas logo se ouviam gritos e danças, e gaitas tocavam e guizos batiam
    Eu caminhava, e aos poucos o ruído ia se alongando à medida que eu penetrava na savana
    No entanto era como se o canto que me chegava entoasse — Ariana!
    E pensei: Talvez eu encontre Ariana na Cidade de Ouro — por que não seria Ariana a mulher perdida?
    Por que não seria Ariana a moeda em que o obreiro gravou a efígie de César?
    Por que não seria Ariana a mercadoria do Templo ou a púrpura bordada do altar do Templo?

    E mergulhei nos subterrâneos e nas torres da Cidade de Ouro mas não encontrei Ariana
    Às vezes indagava — e um poderoso fariseu me disse irado: — Cão de Deus, tu és Ariana!
    E talvez porque eu fosse realmente o Cão de Deus, não compreendi a palavra do homem rico
    Mas Ariana não era a mulher, nem a moeda, nem a mercadoria, nem a púrpura
    E eu disse comigo: Em todo lugar menos que aqui estará Ariana
    E compreendi que só onde cabia Deus cabia Ariana.

    Então cantei: Ariana, chicote de Deus castigando Ariana! e disse muitas palavras inexistentes
    E imitei a voz dos pássaros e espezinhei sobre a urtiga mas não espezinhei sobre a cicuta santa
    Era como se um raio tivesse me ferido e corresse desatinado dentro de minhas entranhas
    As mãos em concha, no alto dos morros ou nos vales eu gritava — Ariana!
    E muitas vezes o eco ajuntava: Ariana... ana...
    E os trovões desdobravam no céu a palavra — Ariana.

    E como a uma ordem estranha, as serpentes saíam das tocas e comiam os ratos
    Os porcos endemoninhados se devoravam, os cisnes tombavam cantando nos lagos
    E os corvos e abutres caíam feridos por legiões de águias precipitadas
    E misteriosamente o joio se separava do trigo nos campos desertos
    E os milharais descendo os braços trituravam as formigas no solo
    E envenenadas pela terra descomposta as figueiras se tornavam profundamente secas.

    Dentro em pouco todos corriam a mim, homens varões e mulheres desposadas
    Umas me diziam: Meu senhor, meu filho morre! e outras eram cegas e paralíticas
    E os homens me apontavam as plantações estorricadas e as vacas magras. E eu dizia: Eu sou o enviado do Mal! e imediatamente as crianças morriam
    E os cegos se tornavam paralíticos e os paralíticos cegos
    E as plantações se tornavam pó que o vento carregava e que sufocava as vacas magras.

    Mas como quisessem me correr eu falava olhando a dor e a maceração dos corpos
    Não temas, povo escravo! A mim me morreu a alma mais do que o filho e me assaltou a indiferença mais do que a lepra
    A mim se fez pó e carne mais do que o trigo e se sufocou a poesia mais do que a vaca magra
    Mas é preciso! Para que surja a Exaltada, a branca e sereníssima Ariana
    A que é a lepra e a saúde, o pó e o trigo, a poesia e a vaca magra
    Ariana, a mulher — a mãe, a filha, a esposa, a noiva, a bem-amada!

    E à medida que o nome de Ariana ressoava como um grito de clarim nas faces paradas
    As crianças se erguiam, os cegos olhavam, os paralíticos andavam medrosamente
    E nos campos dourados ondulando ao vento, as vacas mugiam para o céu claro
    E um só clamor saía de todos os peitos e vibrava em todos lábios — Ariana!
    E uma só música se estendia sobre as terras e sobre os rios — Ariana!
    E um só entendimento iluminava o pensamento dos poetas — Ariana!

    Assim, coberto de bênçãos, cheguei a uma floresta e me sentei às suas bordas — os regatos cantavam límpidos
    Tive o desejo súbito da sombra, da humildade dos galhos e do repouso das folhas secas
    E me aprofundei na espessura funda cheia de ruídos e onde o mistério passava sonhando
    E foi como se eu tivesse procurado e sido atendido — vi orquídeas que eram camas doces para a fadiga
    Vi rosas selvagens cheias de orvalho, de perfume eterno e boas para matar a sede
    E vi palmas gigantescas que eram leques para afastar o calor da carne.

    Descansei — por um momento senti vertiginosamente o húmus fecundo da terra
    A pureza e a ternura da vida nos lírios altivos como falos
    A liberdade das lianas prisioneiras, a serenidade das quedas se despenhando.
    E mais do que nunca o nome da Amada me veio e eu murmurei o apelo — Eu te amo, Ariana!
    E o sono da Amada me desceu aos olhos e eles cerraram a visão de Ariana
    E meu coração pôs-se a bater pausadamente doze vezes o sinal cabalístico de Ariana...
    ..........................................................................................................................................................

    Depois um gigantesco relógio se precisou na fixidez do sonho, tomou forma e se situou na minha frente, parado sobre a Meia-Noite
    Vi que estava só e que era eu mesmo e reconheci velhos objetos amigos.
    Mas passando sobre o rosto a mão gelada senti que chorava as puríssimas lágrimas de Ariana
    E que o meu espírito e o meu coração eram para sempre da branca e sereníssima Ariana
    No silêncio profundo daquela casa cheia da Montanha em torno.






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    "Ser como un verso volando
    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
    compartir contigo sol y luna,
    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
    (Hánjel)





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    VINICIUS DE MORAES  - Página 13 Empty Re: VINICIUS DE MORAES

    Mensaje por Maria Lua Lun 03 Mayo 2021, 20:13

    A MÚSICA DAS ALMAS

    Le mal est dans le monde comme un esclave qui monte l’eau.
    Claudel

    Na manhã infinita as nuvens surgiram como a loucura numa alma
    E o vento como o instinto desceu os braços das árvores que estrangularam a terra...

    Depois veio a claridade, o grande céu, a paz dos campos...
    Mas nos caminhos todos choravam com os rostos levados para o alto
    Porque a vida tinha misteriosamente passado na tormenta.




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