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MARIO QUINTANA ( 30/07/1906... 05/05/1994)

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Mensaje por Maria Lua el Miér Ago 19, 2020 12:06 am

Das metamorfoses 


A Lua, quando fica velha, todo o mundo sabe que vira lua nova. 


Mas negro velho vira macaco. Desses macaquinhos de realejo... Cuidado: quanto mais velhos mais vivos. Sabem tudo. Descobrem tudo. Se tens algum pecado oculto, foge das suas caretas falsamente amigas, dos seus olhinhos espertos e cínicos! E os velhos jurisconsultos viram fetos... esses fetos que a gente olha, meio desconfiado, nos bocais de vidro.., e que, no silêncio dos laboratórios, oscilando gravemente as cabeças fenomenais, elucubram anteprojetos, orações de paraninfo, reformas da Constituição... 


Sempre que puderes, crava um punhal, um garfo, um prego, no miolo mole dos fetos. Em compensação, as velhinhas que fazem renda viram fio... Fio, sim senhor! Esses fios que vagam soltos no ar... que ninguém sabe de onde vêm.., e se prendem num galho morto... no chapéu do viajante solitário.., no freio do seu cavalo.., que se prendem, desesperadamente, num lábio fresco, numa trança ao vento... 


E os velhos que mal podem acender os cigarros, os pobres velhinhos trêmulos viram reflexos... Esses reflexos que dançam no ar... que nascem no ar... De uma vidraça.., de um pára-hrisa... do galo do pára-raio que volteou de súbito... de folhas que se assustam, de mariposas tontejando. de uma ronda infantil sob a lua redonda...


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Mensaje por Maria Lua el Miér Ago 19, 2020 12:07 am

O milagre


Dias maravilhosos em que os jornais vêm cheios de poesia... e do lábio
do amigo brotam palavras de eterno encanto... Dias mágicos... em que os
burgueses espiam, através das vidraças dos escritórios, a graça gratuita das
nuvens..


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Mensaje por Maria Lua el Miér Ago 19, 2020 12:08 am

Epígrafe 




As únicas coisas eternas são as nuvens...


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Mensaje por Maria Lua el Miér Ago 19, 2020 12:25 am

Da paginação 




Os livros de poemas devem ter margens largas e muitas páginas em branco e suficientes claros nas páginas impressas, para que as crianças possam enchê-los de desenhos gatos, homens, aviões, casas, chaminés, árvores, luas, pontes, automóveis, cachorros, cavalos, bois, tranças, estrelas - que passarão também a fazer parte dos poemas...







*****************






De la paginación










Los libros de poemas deben tener márgenes amplios y muchas páginas en blanco y lo suficientemente claras en las páginas impresas, para que los niños puedan llenarlas con dibujos de gatos, hombres, aviones, casas, chimeneas, árboles, lunas, puentes, autos, perros, caballos, bueyes, trenzas, estrellas, que también pasarán a formar parte de los poemas ...


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Mensaje por Maria Lua el Dom Ago 23, 2020 3:18 am

Dos nossos males


A nós bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais...


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Mensaje por Maria Lua el Mar Ago 25, 2020 1:15 am




 
O luar


O luar,
é a luz do Sol que está sonhando
 




O tempo não pára!
A saudade é que faz as coisas pararem no tempo...
 




...os verdadeiros versos não são para embalar,
mas para abalar...
 




A grande tristeza dos rios é não poderem levar a tua imagem...


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Mensaje por Maria Lua el Mar Ago 25, 2020 8:21 pm

Entrevista concedida a Lau Siqueira


 


 


"Caros amigos, em janeiro de 87, eu minha ex-mulher, jornalista e hoje professora do Curso de do Curso de Comunicação da UFPB, estávamos em Porto Alegre visitando minha família e resolvemos entrevistar o poeta Mário Quintana que acabava de completar 80 anos.


A entrevista foi publicada pelo Jornal O Norte, no dia 25 de janeiro de 1987. Aquele momento, inegavelmente, foi um dos mais belos da minha vida. Além da entrevista, gozamos momentos de extrema amabilidade por parte do poeta. Segue aí a entrevista, na íntegra. Desculpem os prováveis erros, já que a emoção se renova. A revisão fica, pois, por conta de cada um. Minha intenção é, apenas, repartir essa exclusividade. Certamente que há muito de ingenuidade em alguma perguntas, mas, inegavelmente há uma riqueza na espontaneidade e na inteligência de respostas reveladoras que valem a leitura. Nosso objetivo não era construir um "quase ensaio" (como alguns panacas metidos) onde os entrevistadores fossem as grandes estrelas diante de um "entrevistado suporte", mas, apenas "bater um papo" descontraído com um dos mais originais poetas da Literatura de Língua Portuguesa. Bom proveito. Penso que temos aqui uma relíquia.


Há braços!


Lau Siqueira


 


Entrevista concedida à:Joana Belarmino e Lau Siqueira em 16 de janeiro de 1987.
 




Mário Quintana:
 




A ABL virou um depósito de ministros
 




Aos 80 anos, o poeta está mais avesso à Academia
 


 


No verão, a cidade de Porto Alegre vai nos envolvendo aos poucos, com suas galerias, seus trombadinhas altivos... Às três da tarde, a Rua da Praia ferve de gente. Na praça da Alfândega, protestantes com seus discursos inflamados e um cego tocando música nativa em sua gaita, disputam ouvidos indiferentes. Cinco da tarde, o sol ficou mais fresco. Em alguma calçada da rua barulhenta, um velhinho caminha seu passo lento. Parece distraído, parece ausente, mas... ele é todo atenção aos ruídos, aos cheiros de pêssegos maduros e de jornais... aos sotaques dos turistas argentinos, uruguaios ou nordestinos.


E se alguém o surpreende de olhos fechados e comenta: "É o Mário Quintana, como está velhinho"... não percebe que ele está se lembrando de outra cidade, a Porto Alegre de sessenta, quarenta, oitenta anos atrás, tão mais calma, com suas carrocinhas de leite nas portas.


Dedicamos uma semana de nossas férias à Porto Alegre, quando voltávamos da fronteira, mas, não tivemos a oportunidade de surpreender o poeta em um de seus passeios. Fomos encontrá-lo no dia 16 de janeiro, no hotel onde reside: Porto Alegre Residence. Munidos de gravador e com as emoções todas saindo pelos poros, subimos ao oitavo andar e pressionamos a cigarra do 805.


Mário tem secretária. Ela disse que teríamos apenas meia hora para conversar com o poeta. Ele nos chamou para o seu quarto e pediu cafés.


É alegre e simples. Já não ouve muito bem, mas, pudemos constatar que ao longo desses anos todos, vividos quase que exclusivamente para a poesia, sua lucidez e um senso de humor incomparável se mantém inalterados.


Naquela meia hora alongada por vontade do poeta, sob os protestos da sua secretária, falou-se de poesia, de velhice, de Academia... entre muitas risadas de dois deslumbrados entrevistadores e de um menino, um velho, um sábio... sabemos lá!!!


Houve um tempo em que Mário Quintana ficou sem ter onde morar. Foi quando o expulsaram do hotel Magestic, no centro de Porto Alegre. Foi despejado, uma vez que o jornal onde trabalhava (Correio do Povo) tinha ido à falência. O poeta saiu e o hotel se transformou, ironicamente, na famosa "Casa de Cultura Mário Quintana".


Às vezes, com sua voz trêmula, ele faz pausas para se lembrar de palavras, coordenar frases. A gente tem a impressão que está se gastando em poesia. Poesia que ainda escreve diariamente, como se tivesse pressa, ou como se quisesse aprender sempre.


"Eu sou um eterno aprendiz de poeta e nunca soube fazer outra coisa na vida... No quarto ano do colégio, eu fui reprovado porque só estudava Português, Francês e História. O resto eu nem abria. Então meu pai me fez trabalhar na sua farmácia como prático. Depois de cinco anos fui fazer o que mais queria, trabalhar como jornalista no Jornal O Estado do Rio Grande".


E Mário fugia de tudo para perseguir a poesia. Publicou seu primeiro livro aos 34 anos, apesar de fazer versos desde menino. Desde então tem mantido a média de dois ou mais livros por ano. Este ano deverá publicar: "Da preguiça como método de trabalho" e "Preparativos para viagens".


Acabamos a entrevista, os papos se alongaram... já íamos sair quando o poeta nos mostrou um segredo: um painel de fotografias de Bruna Lombardi na porta do seu quarto (lado de dentro, lógico!). Confessou que não fica muito à vontade quando lhe pedem, freqüentemente, para falar de sua relação com a atriz: "Que coisa chata, como é que eu vou explicar uma amizade? Acho também que a amizade é um tipo de amor que não acaba nunca".
 


P - Existe alguma pergunta que os jornalistas sempre fazem e que você considera chata?
 


R - Não. O que existe é uma pedida chata. Há pessoas que dizem, por exemplo: "Seu Mário, faz uma dedicatória bem poética pra mim... Olha, o que eles entendem por poética me deixa horrorizado.
 


P - Quando foi que a poesia entrou na sua vida?
 


R - Eu comecei a fazer versos desde que me entendi por gente. Eu acho que ser poeta não é uma maneira de escrever, é uma maneira de ser. Assim, como nascem pessoas de olhos azuis ou pretos, nascem também os poetas. Mas eu só publiquei mesmo o meu primeiro livro muito mais tarde. Os poetas novos tem ânsia de publicar logo, eles deveriam esperar ficar mais amadurecidos pela vida, não é? E assim, iriam amadurecendo também o seu instrumento, que são as palavras. O poeta quando mais velho tem tendência de ficar melhor, com o estilo mais depurado. Viveu mais, não é?
 


P - Você acha que Mário Quintana já está pronto, é um bom poeta?
 


R - Olha, eu sou m eterno aprendiz. Porque o poeta que descobre uma fórmula, ganha renome, não quer outra vida, e fica conversando com os amigos sentado em cima do muro sem se espetar, esse está perdido, porque eu acho que a poesia não é mais que a procura da poesia, como acho que também Deus se resume na procura de Deus. Eu publiquei meu primeiro livro aos 34 anos. Foi "A Rua dos Cataventos".


P - O que você acha da velhice?
 


R - eu acho que é uma pena. Só que eu queria ter nascido 40 anos antes, e não oitenta anos antes (risos). Tudo isso eu já vivi, sabe? Quando o diabo me chamar eu já estou pronto.
 


P - Você já viveu oitenta anos. O que é que mudou em Porto Alegre desse período pra cá?
 


R - Olha, naturalmente o que mudou foi a arquitetura, não é? Eu vejo sempre uma cidade dentro da outra e lembro aquela cidade antiga. Mas pra me lembrar dela eu tenho que fechar os olhos 8risos). Porto Alegre, antigamente, era muito mais calma. Não havia tantos assaltos, tanta violência... eu nasci no tempo das vacas gordas. Antes, o leiteiro deixava o leite na porta de casa e ninguém roubava. Hoje roubam até as galinhas dos despachos. Os tempos mudaram, os costumes, mas a vida continua a mesma. Eu não sou como aqueles velhos que dizem: "Ah, os bons velhos tempos..." eu tenho vontade de dizer para eles: "Olha seu moço... seu moço, não, seu velho. Os tempos são sempre bons, o senhor é que não presta mais... (risos).
 


P - Você continua a escrever poesia com freqüência? Publicará algum livro este ano?
 


R - Olha, eu não sei fazer outra coisa na vida. Este ano vou publicar dois livros: Um diário poético, com pensamentos sobre cada dia. No dia universal da mulher, por exemplo, eu escrevi o seguinte: " De cada dois gambás - eu não sei se na Paraíba se usa a palavra gambá para se definir um bêbado - um é porque nãop tem mulher e o outro é porque tem. (risos).
 


P - Já se tentou três vezes colocar o seu nome na Academia Brasileira de Letras e não se conseguiu. Qual é, agora, a sua relação com a Academia?
 


R - As minhas relações com a Academia foram sempre boas, eu sempre me dei com gente de lá. Não estou dizendo que "as uvas estão verdes", mas, na verdade eu nunca quis pertencer à Academia. O pessoal de mentalidade futebolística não se satisfazia com apenas um nome gaúcho no time e achavam que devia ter outro lá. Resolveram me candidatar. Quando me candidataram da primeira vez, eu recebi o recado de um senador, que estava tudo preparado para entrar o Portela, os votos já estavam prontos e que eu deveria desistir... e eu disse para ele, por telefone, que não haveria de desistir porque o pessoal iria pensar que era covardia minha. E seria muita desconsideração de minha parte. Aliás, eu não gosto de Academia e jamais quis pertencer a ela porque a gente perde um tempo enorme recebendo visitantes estrangeiros de valor muito suspeito. Se pensa que ser estrangeiro é grande coisa, que se francês ou inglês é uma raridade e não é bem assim. Depois, na Academia, se começa a discutir quem vai ser o sucessor de quem, se recebe impressões de toda a parte para se votar e eu acho que isso atrapalha a vida do camarada, não é? Eu acho que ultimamente a Academia virou um depósito de ministros e com o perdão de alguns amigos que eu tenho lá, um asilo de velhos. Mas eu não tenho nada contra a Academia. De fato não há contradição minha em lamentar que não tenha sido eleito porque eu tensionava fazer tudo pela academia, se fosse eleito. Acho que, antes de tudo, ela deveria ter muita gente jovem. Eu acho que já seria uma renovação e acabava com aquela coisa. Na academia, já não gostaram muito de mim porque doisa naos antes da minha candidatura eu tinha dito que a Academia era uma espécie de sociedade recreativa e funerária (risos).
 


P - Como é o dia-a-dia de Mário Quintana?
 


R - Bem, eu acordo de manhã, vivo de dia e durmo de noite. Não tem nada de especial. Eu escrevo, ando, visito amigos...
 
P - Mário, cita dois ou três poetas brasileiros que você considera bons.
 


R - Olha, eu não gosto de citar. Eu só citarei um para evitar, depois, emissões inadvertidas ou divertidas. Eu citarei o Carlos Drummond de Andrade que é um dos poetas mais complexos do nosso País.
 


P - Mário, você fala muito do amor nos seus poemas. Mas, você não se casou, não teve filhos. Como explica isso?
 


R - Talvez porque não tenha tido tempo. Eu andei muito. Antes eu trabalhava em Alegrete, cidade onde nasci. Ali fui prático de farmácia. Mas quando estava esquentando uma coisa eu mudava para outra. No quarto ano do colégio eu fui reprovado porque só estudava Português, Francês e História. O resto eu nem abria e um dia meu pai disse: "Olha, você não quer estudar. É uma pena, mas, vagabundo não te quero. Vais trabalhar na minha farmácia. " E eu fui prático de farmácia por cinco anos. Depois quando ele faleceu, eu fui fazer a única coisa que eu gostava: fui trabalhar de jornalista no Estado do Rio Grande. Quando as coisas estavam esquentando de novo o Governador mandou fechar o Estado do Rio Grande. Era o Flores da Cunha. Ele era um velho caudilho risos). Aí fui trabalhar na Gazeta de Notícias, no Rio. Isso em 1936. Estive lá dois anos e aí fui trabalhar na Livraria do Globo. E sempre andando de um lado para o outro. E aí não tive tempo. Como é que vou saber porque é que não casei. Deve ter sido por causa dos astros, né? Vamos culpar os astros (risos).
 


P - (Joana) - Casou com a poesia?
 


P - (Lau) - Não, a poesia não é um casamento. É um caso, não é?
 


R - Ah... a poesia é um caso mesmo!
 


P - Quantos livros você traduziu?
 


R - Eu traduzi para a Livraria do Globo, cento e trinta e oito livros. No tempo em que eu era criança, o francês era moda e a minha mãe era professora de francês. Então, quando a gente, por exemplo, não queria que os empregados soubessem o que a gente estava dizendo, aí se falava em francês. Grande parte da revolução de 23, por exemplo, foi preparada em francês, porque se reuniam as senhoras dos oficiais para tomarem chá e comunicavam as coisas todas em francês. Imagine que na minha terra, em Alegrete, se fez revolução em francês. Que barbaridade! Naquele tempo as comunicações com a Europa eram bem mais fáceis que hoje. A França era a capital literária do mundo. Eu, quando estava na farmácia do velho, tinha conta numa livraria francesa. Eles mandavam os boletins e eu encomendava. Tudo vinha direto de Paris para Alegrete.
 


P - Que recado você vai mandar para os paraibanos?
 


R - Ah, eu quase fui morar na Paraíba. Porque eu servi na revolução de trinta e quando houve aquela batalha de Itararé (que não houve) eu estava na cidade de Rio Branco, no norte do Paraná. Aí se chegou a um acordo e o tenente, que era da Paraíba, me ofereceu o cargo de tenente-contador. Mãe eu disse pra ele que não pretendia ser soldado, nem prosseguir no serviço militar porque preferia voltar para o Sul. Isso aí por um lado foi bom, não é? Porque depois houve um golpe na Paraíba, imagine, eu poderia ter morrido... (risos)


 




Um poema de Mário:
 




Os antigos retratos de parede
Não conseguem ficar longo tempo abstratos.
Às vezes os seus olhos te fixam, obstinados
Porque eles nunca se desumanizaram de todo.
Jamais te voltas para trás de repente.
Não, não olhes agora!
O remédio é cantares cantigas loucas e sem fim...
Sem fim e sem sentido.
Dessas que a gente inventava para enganar a
Solidão dos caminhos sem lua.
 


 


(do livro "Esconderijos do Tempo - composto após os 70 anos de idade)


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Mensaje por Maria Lua el Sáb Ago 29, 2020 11:47 am

Alquimias

Naquela mistura
fumegante e colorida
que a pá
não para de agitar
vê-se
o infinito olhar de um moribundo
o primeiro olhar de um primeiro amor
um trem a passar numa gare deserta
uma estrela remota um pince-nez perdido
o sexo do outro sexo
a mágica de um santo carregando sua própria cabeça
e de tudo
finalmente
evola-se o poema daquele dia
— que fala em coisa muito diferente...


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Mensaje por Maria Lua el Sáb Ago 29, 2020 8:27 pm

Leitura


Se é proibido escrever nos monumentos, também deveria haver uma lei que proibisse escrever sobre Shakespeare e Camões.


Leitura 2


Livro bom, mesmo, é aquele de que às vezes interrompemos a leitura para seguir — até onde? — uma entrelinha... Leitura interrompida? Não. Esta é a verdadeira leitura continuada.


Leituras


— Você ainda não leu O Significado do Significado? Não? Assim você nunca fica em dia.
— Mas eu estou só esperando que apareça: O Significado do Significado do Significado.


Leituras 2


Não, não te recomendo a leitura de Joaquim Manuel de Macedo ou de José de Alencar . Que idéia foi essa do teu professor? Para que havias tu de os ler, se tua avozinha já os leu? E todas as lágrimas que ela chorou, quando era moça como tu, pelos amores de Ceci e da Moreninha, ficaram fazendo parte do teu ser, para sempre. Como vês, minha filha, a hereditariedade nos poupa muito trabalho.






__________________________________








Lecturas


Si está prohibido escribir sobre monumentos, también debería haber una ley que prohíba escribir sobre Shakespeare y Camões.


Lectura 2


Buen libro, de verdad, es uno que a veces dejamos de leer para seguir, ¿hasta dónde? - una línea ... ¿Lectura interrumpida? No. Esta es la verdadera lectura continua.


Lecturas


- ¿Aún no has leído El significado del significado? ¿No? Así que nunca se pone al día.
- Pero solo estoy esperando a que aparezca: El significado del significado del significado.


Lecturas 2


No, no recomiendo leer a Joaquim Manuel de Macedo o José de Alencar. ¿Cuál fue la idea de tu profesor? ¿Por qué deberías leerlos si tu abuelita ya los ha leído? Y todas las lágrimas que lloró, cuando era una niña como tú, por los amores de Ceci y Moreninha, fueron parte de tu ser, para siempre. Como puedes ver, hija mía, la herencia nos ahorra mucho trabajo.


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Mensaje por Maria Lua el Dom Ago 30, 2020 3:21 am

CANÇÃO DE BAR



Para Egydio Squeff




Barzhinho perdido
Na noite fria.
Estrela e guia
Na escuridão.
Que bem se fica!
Que bem! que bem!
Tal como dentro
De uma apertada
Quentinha mão...
E Rosa, a da vida...
E Verlaine que está
Coberto de limo.
E Rimbaud a seu lado,
O pobre menino...
E o Pedro Cachaça
Com quem me assustavam
(O tempo que faz!)
O Pedro tão nobre
Na sua desgraça...
E Villon sem um cobre
Que não pode entrar.
E o Anto que viaja
Pelo alto mar...
Se o Anto morrer,
Senhor Capitão,
Se o Anto morrer,
Não no deite ao mar
E aqui tão bom...
E aqui tão bom!
Tal como dentro
De uma apertada
Quentinha concha...
E Rosa, a da vida,
Sentada ao balcão.
Barzinho perdido
Na noite fria,
Estrela e guia
Na turbação.
E caninha pura,
Da mais pura água,
Que poesia pura,
Ai seu poeta irmão,
A poesia pura
Não existe não!




Mario Quintana (Canções, 1946)

*******************


***********************






CANCIÓN DE BAR




Para Egydio Squeff




Barecito perdido


En la noche fría.

Estrella y guía

En la oscuridad.


¡Qué bien se está!


¡Qué bien! ¡qué bien!

Igual que dentro

De una apretada

Cálida mano...

Y Rosa, la de la vida...

Y Verlaine que va

Cubierto de lodo.

Y Rimbaud a su lado,

El pobre muchacho...

Y el Pedro Cachaza

Con quien me asustaban

(¡Cuánto tiempo hace!)

El Pedro tan noble

En su adversidad...

Y Villon sin un cobre

Que no puede entrar.


Y el Antón que viaja

Por el alto mar...


Si el Antón muriera,

Señor Capitán,

Si el Antón muriera,

¡No lo arroje al mar!


Y aquí tan bien...

¡Y aquí tan bien!

Igual que dentro

De una apretada

Cálida concha...

Y Rosa, la de la vida,

Sentada en el mostrador.

Barecito perdido

En la noche fría,

Estrella y guía

En la turbación.

Y cañita pura,

De agua más pura,

Que poesía pura,

¡Ay poeta hermano,

La poesía pura

No existe no!








Mario Quintana (Canções, 1946)
(versión de Pedro Casas Serra)


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Mensaje por Maria Lua el Lun Ago 31, 2020 5:03 am

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Parábola




A imagem daqueles salgueiros nágua é mais nítida e pura que os
próprios salgueiros. E tem também uma tristeza toda sua, uma tristeza que não
está nos primitivos salgueiros.




***************




Parábola




La imagen de esos sauces en el agua es más nítida y pura que los
sauces mismos. Y también hay una tristeza toda suya, una tristeza que no
está en los sauces primitivos.


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Mensaje por Maria Lua el Miér Sep 02, 2020 6:11 am

Conto do tresloucado




Não adiantava colocar os retratos contra a parede para que não vissem
nada... Que ficariam eles a imaginar? Na certa, o pior possível, como de
costume.
Vai daí, então, ele furou os olhos dos retratos. Ele furou cuidadosamente os
olhos de todos os retratos. Pronto! Agora, ninguém mais para espionar os seus
mínimos atos...
Um suspiro.
E desistiu, mais uma vez, do “tresloucado gesto”






**********






uento de los locos
No servía de nada poner los retratos contra la pared para que no vieran
nada ... ¿Qué imaginarían? Ciertamente lo peor posible, como
era costumbre.
Luego, perforó los ojos de los retratos. Él cuidadosamente perforó el
ojos de todos los retratos. ¡Listo! Ahora, nadie más para espiar tu
actos mínimos ...
Un suspiro.
Y renunció, una vez más, al "gesto loco"


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Mensaje por Fredy _Ramón Pacheco el Dom Sep 06, 2020 2:57 pm

Melodía infinita en esos versos tan llenos de humildad y gratitud a la vida que es amor. Gracias por compartirnos tanta ternura en poéticos silencios para el alma.

----

Melodia infinita nesses versos tão cheios de humildade e gratidão à vida que é amor. Obrigada por compartilhar tanta ternura em silêncios poéticos pela alma..
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Mensaje por Maria Lua el Dom Sep 06, 2020 10:05 pm

Gracias, estimado poeta Fredy, por visitar
este espacio dedicado al inmenso poeta brasileño
Mario Quintana.

Obrigada, estimado poeta Fredy, por visitar
este espaço dedicado ao imenso poeta brasileiro
Mario Quintana.


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Mensaje por Maria Lua el Dom Sep 06, 2020 10:19 pm

Noturno
O relógio costura, meticulosamente, quilômetros e quilômetros do
silêncio noturno.
De vez em quando, os velhos armários estalam como ossos.
Na ilha do pátio, o cachorro, ladrando.
(É a Lua.)
E, à lembrança da Lua, Lili arregala os olhos no escuro.


***************


Noche
El reloj cose minuciosamente kilómetros y kilómetros de
Silencio nocturno.
De vez en cuando, los viejos armarios se rompen como huesos.
En la isla del patio, el perro ladrando.
(Es la Luna)
Y al recordar la Luna, los ojos de Lili se abren en la oscuridad.


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Mensaje por Maria Lua el Dom Sep 13, 2020 5:52 am

Um dia aparecerão minhas tatuagens invisíveis:
marinheiro do além, encontrarei nos portos
caras amigas, estranhas caras, desconhecidos tios mortos
e eles me indagarão se é muito longe ainda o outro mundo...




Algún día aparecerán mis tatuajes invisibles:
marinero del más allá, encontraré en los puertos
rostros amables, extraños rostros, desconocidos tíos muertos 
y me preguntarán si el otro mundo está demasiado lejos ...


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Mensaje por Maria Lua el Dom Sep 13, 2020 5:55 am

Perdão!
Eu distraí-me ao receber a Extrema-Unção.
Enquanto a voz do padre zumbia como um besouro
eu pensava era nos meus primeiros sapatos
que continuavam andando
que continuam andando
— rotos e felizes! —
por essas estradas do mundo.






**************




¡Perdón!
Me distrajo recibir la Extremaunción.
Mientras la voz del sacerdote tarareaba como un escarabajo
Pensé que eran mis primeros zapatos
que seguian andando
que siguen andando
- ¡rotos y felices! -
por estos caminos del mundo.


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Mensaje por Maria Lua el Dom Sep 13, 2020 5:59 am

Preparativos para a viagem


Uns vão de guarda-chuva e galochas,
outros arrastam um baú de guardados...
Inúteis precauções!
Mas,
se levares apenas as visões deste lado,
nada te será confiscado:
todo o mundo respeita os sonhos de um ceguinho
— a sua única felicidade!
E os próprios Anjos, esses que fitam eternamente a face
[do
Senhor...
os próprios Anjos te invejarão






*********************




Arreglos de viaje


Algunos paraguas y chanclos,
otros arrastran un baúl de trastos ...
¡Precauciones inútiles!
Pero,
si llevas solo las visiones de este lado,
nada te será confiscado:
todos respetan los sueños de un ciego
- ¡tu única felicidad!
Y los mismos Ángeles, los que miran eternamente a la cara
[del
Señor...
los mismos ángeles te envidiarán


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Mensaje por Maria Lua el Dom Sep 13, 2020 9:07 pm

Bilhete a Heráclito


Tudo deu certo, meu velho Heráclito,
porque eu sempre consigo
atravessar esse teu outro rio
com o meu eu eternamente outro...






*********************


Mensaje a Heráclito



Todo salió bien, mi viejo Heráclito,
porque siempre puedo
cruzar ese otro río tuyo
con mi yo eternamente otro ...


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Mensaje por Maria Lua el Sáb Sep 19, 2020 4:47 am

Direção única


Naquele tempo, todas as casas davam para o norte. Porque o norte era
sempre para onde estava apontando o nariz da gente quando saíamos porta fora
como um pé de vento. O mundo era sempre em frente. E a sensação que
tínhamos — ó inocência perdida! — de seguir cada um o seu próprio nariz...




************************


Dirección única


En aquel tiempo, todas las casas miraban al norte. Porque el norte estaba
siempre hacia donde apuntamos nuestras narices cuando salíamos la puerta afuera
como un pie de viento. El mundo siempre estaba por delante. Y el sentimiento de que
teníamos - ¡Oh inocencia perdida! - seguir el olfato de cada uno .


_________________



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Mensaje por Maria Lua el Sáb Oct 10, 2020 7:47 pm

Obras poéticas






  • A Rua dos Cataventos[Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo]  Porto Alegre, Editora do Globo, 1940

  • Canções - Porto Alegre, Editora do Globo, 1946

  • Sapato Florido[Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo]  Porto Alegre, Editora do Globo, 1948

  • O Aprendiz de Feiticeiro - Porto Alegre, Editora Fronteira, 1950

  • Espelho Mágico - Porto Alegre, Editora do Globo, 1951

  • Inéditos e Esparsos - Alegrete, Cadernos do Extremo Sul, 1953

  • Poesias - Porto Alegre, Editora do Globo, 1962

  • Caderno H[Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo]  Porto Alegre, Editora do Globo, 1973

  • Apontamentos de História Sobrenatural - Porto Alegre, Editora do Globo / Instituto Estadual do Livro, 1976

  • Quintanares- Porto Alegre, Editora do Globo, 1976

  • A Vaca e o Hipogrifo - Porto Alegre, Garatuja, 1977

  • [Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo]  - Porto Alegre, L&PM, 1980

  • Baú de Espantos - Porto Alegre - Editora do Globo, 1986

  • Preparativos de Viagem - Rio de Janeiro - Editora Globo, 1987

  • Da Preguiça como Método de Trabalho - Rio de Janeiro, Editora Globo, 1987

  • Porta Giratória - São Paulo, Editora Globo, 1988

  • A Cor do Invisível - São Paulo, Editora Globo, 1989

  • Velório Sem Defunto - Porto Alegre, Mercado Aberto, 1990

  • Água - Porto Alegre, Artes e Ofícios, 2011

  • Eu Passarinho - São Paulo, Para gostar de ler 41 , Editora Ática, 2006 (Antologia póstuma)

  • Poema: Quarteto e Terceto


Livros infantis


  • O Batalhão das Letras - Porto Alegre, Editora do Globo, 1948

  • Pé de Pilão - Petrópolis, Editora Vozes, 1968

  • Lili inventa o Mundo - Porto Alegre, Mercado Aberto, 1983

  • [Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo]  - São Paulo, Editora Moderna, 1984

  • O Sapo Amarelo - Porto Alegre, Mercado Aberto, 1984

  • Sapato Furado - São Paulo, FTD Editora, 1994


Antologias


  • Nova Antologia Poética - Rio de Janeiro, Ed. do Autor, 1966

  • Prosa & Verso - Porto Alegre, Editora do Globo, 1978

  • Chew me up Slowly (Caderno H) - Porto Alegre, Editora do Globo / Riocell, 1978

  • Na Volta da Esquina - Porto Alegre, L&PM, 1979

  • Objetos Perdidos y Otros Poemas - Buenos Aires, Calicanto, 1979

  • Nova Antologia Poética - Rio de Janeiro, Codecri, 1981

  • Literatura Comentada - Editora Abril, Seleção e Organização Regina Zilberman, 1982

  • Os Melhores Poemas de Mario Quintana (seleção e introdução de Fausto Cunha)- São Paulo, Editora Global, 1983

  • Primavera Cruza o Rio - Porto Alegre, Editora do Globo, 1985

  • 80 anos de Poesia - São Paulo, Editora Globo, 1986

  • Trinta Poemas - Porto Alegre, Coordenação do Livro e Literatura da SMC, 1990

  • Ora Bolas - Porto Alegre, Artes e Ofícios, 1994

  • Antologia Poética - Porto Alegre, L&PM, 1997

  • Mario Quintana, Poesia Completa - Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 2005.


Traduções

Dentre os diversos livros que o poeta traduziu para a Livraria do Globo (Porto Alegre) estão alguns volumes do [Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo] , de [Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo]  (talvez seu trabalho de tradução mais reconhecido até hoje), e obras de [Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo][Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo][Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo][Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo][Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo]  e [Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo] . Além disso, estima-se que Quintana tenha traduzido um sem-número de histórias românticas e contos policiais, sem receber créditos por isso - uma prática comum à época em que atuou na Editora Globo, de 1934 a 1955.


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Mensaje por Maria Lua el Sáb Oct 10, 2020 7:51 pm

Deixa-me seguir para o mar
Tenta esquecer-me... Ser lembrado é como
evocar-se um fantasma... Deixa-me ser
o que sou, o que sempre fui, um rio que vai fluindo...

Em vão, em minhas margens cantarão as horas,
me recamarei de estrelas como um manto real,
me bordarei de nuvens e de asas,
às vezes virão em mim as crianças banhar-se...

Um espelho não guarda as coisas refletidas!
E o meu destino é seguir... é seguir para o Mar, as imagens perdendo no caminho...
Deixa-me fluir, passar, cantar...

toda a tristeza dos rios é não poderem parar!




**************************




Déjame ir al mar
Intenta olvidarme ... Ser recordado es como
evocar un fantasma ... déjame ser
lo que soy, lo que siempre he sido, un río que fluye ...

En vano, en mis márgenes cantarán las horas,
Me vestiré de estrellas como manto real,
Me bordaré con nubes y alas,
a veces vendrán niños a bañarse en mí ...

¡Un espejo no mantiene las cosas reflejadas!
Y mi destino es seguir ... es ir al Mar, las imágenes perdiendose en el camino ...
Déjame fluir, pasar, cantar ...

¡toda la tristeza de los ríos es que no pueden parar!


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Mensaje por Maria Lua el Miér Oct 14, 2020 9:30 pm

Agora e sempre 




Há quatro estações sucessivas, literal e figuradamente falando: a primavera, o verão, o outono, o inverno, e desconfio que não acabo de descobrir nenhuma novidade. Mas há também uma quinta estação e há pessoas que nela passam a vida: Cecília, Apollinaire, os dois Federicos — o Lorca e o Fellini. Eu e você? Algumas vezes, suponho. É em geral o que acontece na vida dos que começam a tentar expressar-se no secreto esperanto da poesia. “Você está agora num bom clima”, disse-me Augusto Meyer quando o conheci. Agora! Note-se o advérbio condicional de tempo...









Ahora y siempre






Hay cuatro estaciones sucesivas, literal y figurativamente hablando: primavera,


verano, otoño, invierno, y sospecho que no he descubierto ninguna


novedad. Pero también hay una quinta estación y hay personas que en ella pasan la


vida: Cecília, Apollinaire, los dos Federicos - Lorca y Fellini. ¿Tú y yo?


A veces, supongo. Generalmente es lo que sucede en la vida de quienes comienzan a


trata de expresarte en el secreto esperanto de la poesía. "Ahora estás en un buen


clima ”, me dijo Augusto Meyer cuando lo conocí. ¡Ahora! Note el adverbio


tiempo condicional ...


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Mensaje por Maria Lua el Sáb Oct 24, 2020 8:48 pm

Poema marciano número dois


Nós, os marcianos,
não sabemos nada de nada,
por isso descobrimos coisas
que
de tão visíveis
vocês poderiam até sentar em cima delas...
Não brinco! Não minto! um dia um de nós (Van Gogh) pintou
[uma
cadeira vulgar,
uma dessas cadeiras de palha trançada...
Mas, quando a viram na tela, foi aquela espantação:
“uma cadeira!”, exclamaram.
Uma cadeira? Não, a cadeira.
Tudo é singular.
Até as Autoridades sabem disso...
Se não, me explica
por que iriam fazer tanta questão
das tuas impressões digitais?!






*******************






Poema marciano número dos


Nosotros, los marcianos,
no sabemos nada en absoluto,
entonces descubrimos cosas
qué
tan visible
incluso podrías sentarte sobre ellos ...
¡Yo no juego! ¡No miento! un día uno de nosotros (Van Gogh) pintó
[un
silla ordinaria,
una de esas sillas de paja tejida ...
Pero cuando la vieron en la pantalla, fue ese susto:
“¡Una silla!”, Exclamaron.
¿Una silla? No, la silla.
Todo es único.
Incluso las autoridades saben que ...
Si no, explícame
por qué preguntarían tanto
de tus huellas digitales?


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Mensaje por Maria Lua el Dom Oct 25, 2020 10:29 pm

O anjo Malaquias


O Ogre rilhava os dentes aguda e lambia os beiços grossos, com esse
exagerado ar de ferocidade que os monstros gostam de aparentar por esporte.
Diante dele, sobre a mesa posta, o Inocentinho balava, imbele.
Chamava-se Malaquias – tão piquinininho e rechonchudo, pelado, a barriguinha
pra baixo, na tocante posição de certos retratos da primeira infância...
O Ogre atou o guardanapo ao pescoço. Já ia o miserável devorar o
Inocentinho. quando Nossa Senhora interferiu com um milagre. Malaquias criou
asas e saiu voando, voando, pelo ar atônito.., saiu voando janela em fora...
Dada, porém, a urgência da operação, as asinhas brotaram-lhe
apressadamente na bunda, em vez de ser um pouco mais acima, atrás dos
ombros. Pois quem nasceu para mártir, nem mesmo a Mãe de Deus lhe vale!
Que o digam as nuvens, esses lerdos e desmesurados cágados das
alturas, quando, pela noite morta, o Inocentinho passa por entre elas, voando em
esquadro, o pobre, de cabeça pra baixo.
E o homem que, no dia do ordenado, está jogando os sapatos dos filhos,
o vestido da mulher e a conta do vendeiro, esse ouve, no entrechocar das fichas,
o desatado pranto do Anjo Malaquias!
E a mundana que pinta o seu rosto de ídolo... E o empregadinho em falta
que sente as palavras de emergência fugirem-lhe como cabelos de afogado... E
o orador que pára em meio de uma frase... E o tenor que dá, de súbito, uma nota
em falso... Todos escutam, no seu imenso desamparo, o choro agudo do Anjo
Malaquias!
E quantas vezes um de nós, ao levar o copo ao lábio, interrompe o gesto
e empalidece... -O Anjo! O Anjo Malaquias! -... E então, pra disfarçar, a gente
faz literatura.., e diz aos amigos que foi apenas uma folha morta que se
desprendeu... ou que um pneu estourou, longe.., na estrela Aldebaran...


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Te encuentro
tus huellas son tatuajes en mi corazón
intensas e inmensas
como el vino de la pasión
y la rosa roja del amor
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Mensaje por Maria Lua el Sáb Nov 14, 2020 9:08 pm

Poema em três movimentos


I


Nossos gestos eram simples e transcendentais.
Não dissemos nada
nada de mais...
Mas a tarde ficou transfigurada
— como se Deus houvesse mudado
imperceptivelmente
um invisível cenário.


II


Eu te amo tanto que
sou capaz de nos atirarmos os dois na cratera do Fuji-Yama!
Mas, aqui,
o amor é um barato romance pornô esquecido em cima
[da
cama
depois que cada um partiu — sem saionara nem nada —
por uma porta diferente.


III


E em que mundo? Em que outro mundo vim parar,
que nada reconheço?
Agora, a tua voz nas minhas veias corre...
o teu olhar imensamente verde ilumina o meu quarto.
O límpido cristal
Que límpido o cristal de abril!... Um grito
não vai como os da noite — para os extramundos...
Todas as vozes, todas as palavras ditas — cigarras presas
dentro do globo azul — vão em redor do mundo
e a ninguém é preciso entender o que elas dizem;
basta aquele bordoneio profundo
que vibra com o peito de cada um...
palavras felizes de se encontrarem uma com a outra
nas solidões do mundo!




**************************






Poema en tres movimientos




Nuestros gestos eran sencillos y trascendentales.
No dijimos nada
nada de más...
Pero la tarde se transfiguró
- como si Dios hubiera cambiado
imperceptiblemente
un escenario invisible.


II


Te quiero tanto que
¡Soy capaz de lanzarnos a ambos al cráter Fuji-Yama!
Pero aquí,
el amor es un romance porno barato olvidado
[da
cama
después de que cada uno se fue - sin "saionara" ni nada -
a través de una puerta diferente.


III


Y en que mundo ¿En qué otro mundo vine a parar?
que no reconozco nada?
Ahora corre tu voz en mis venas ...
tu mirada inmensamente verde ilumina mi habitación.
El límpido cristal
¡Qué claro el cristal de abril! ... Un grito
no va como los de la noche - a los extramundos ...
Todas las voces, todas las palabras dichas - cigarras atrapadas
dentro del globo azul - dan la vuelta al mundo
y nadie necesita entender lo que dicen;
solo ese bordonio profundo
que vibra con el pecho de cada uno ...
palabras felices para que se encuentren unas con las otras
en las soledades del mundo!


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Mensaje por Maria Lua el Sáb Nov 14, 2020 9:32 pm

Surpresas


Sabes? Os cabelos da morte são entrelaçados de flores.
Não de flores mortas como essas inertes sempre-vivas,
Mas inquietas e misteriosas como os não desfolhados
[malmequeres
Ou bravias como as pequenas rosas-silvestres.


As mãos da morte, as suas mãos não têm anéis,
Sua virgem nudez não comporta o peso de uma joia,
Os seus olhos não são, não são uns covis de treva,
Mas cheios de luz como os olhos do primeiro amor.


Porque a morte não faz esquecer, mas faz tudo lembrar,
Porque a morte não é, não é um sono eterno:
Tu vais adormecer como num berço, pouco a pouco,
E acordarás de súbito num vasto leito de noivado!






***********************




Sorpresas


¿Sabes? El pelo de la muerte está entretejido con flores.
No flores muertas como esas inertes"sempre-vivas",
Pero inquietas y misteriosas como los no deshojados "mal-me-queres"
O bravas como las pequeñas rosas salvajes.



Las manos de la muerte, tus manos no tienen anillos,
Su desnudez virgen no tiene el peso de una joya,
Sus ojos no son, no son cuevas oscuras,
Pero lleno de luz como los ojos del primer amor.


Porque la muerte no te hace olvidar, pero te hace todo recordar,
Porque la muerte no es, no es un sueño eterno:
Te dormirás como una cuna, poco a poco,
¡Y de repente te despertarás en una amplia cama de compromiso!


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Mensaje por Maria Lua el Jue Nov 26, 2020 10:01 pm

Retrato do poeta na idade ingrata


Aminha alma era uma paisagem hirsuta:
cactos, palmas híspidas,
estranhas flores que atemorizavam (seriam aranhas
carnívoras?) parecia
um texto obscuro com pontuação excessiva:
tudo porque me estavam apontando alguns fios de barba:
e cada fio era uma baioneta-calada contra o mundo:

tu
com
a graça aérea de um helicóptero ou de uma libélula
soubeste achar — naquilo — onde o campo de pouso,
soubeste ouvir onde cantava
pura
a fonte oculta...




Só tu soubeste achar-me... e te foste!






***************************






Retrato del poeta en edad ingrata


Mi alma era un paisaje hirsuto:
cactus, palmas torpes,
flores extrañas que asustan (serían arañas
carnívoras?) parecía
texto oscuro con puntuación excesiva:
todo porque me estaban apuntando unos mechones de barba:
y cada hilo era una bayoneta cerrada contra el mundo:
solamente

con
la gracia aérea de un helicóptero o una libélula
¿Sabías cómo encontrar, en eso, dónde está el aeródromo,
sabias como escuchar donde cantaba
puroala fuente oculta ...






Solo tú supiste cómo encontrarme ... ¡y te fuiste!


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Mensaje por Maria Lua el Dom Dic 06, 2020 9:22 pm

Mudança de temperatura


Nos fios telegráficos pousaram uma, duas, três, quatro andorinhas.
Olham de um lado e outro... Irão partir?
Sobre as cercas rasas do arrabalde, os girassóis espiam como
girafas...








Cambio de temperatura


Una, dos, tres, cuatro golondrinas aterrizaron en los cables del telégrafo.
Miran a un lado y al otro ... ¿Se irán?
Sobre las vallas poco profundas de las afueras, los girasoles miran como
jirafas ...


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Mensaje por Maria Lua el Dom Dic 06, 2020 9:25 pm

Boca da noite




O grilo canta escondido... e ninguém sabe de onde vem seu canto... nem
de onde vem essa tristeza imensa daquele último lampião da rua...






***********






Boca de la noche


El grillo canta escondido ... y nadie sabe de dónde viene su canto ... ni
de dónde viene esta inmensa tristeza de esa última farola de la calle ...


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