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MARIO QUINTANA ( 30/07/1906... 05/05/1994)

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Mensaje por Maria Lua el Miér 01 Jul 2020, 08:39

5005618942 






Não existe no mundo tanta gente como o número de ordem que me deram no cartão de identidade, que não vou te mostrar porque não poderias lê-lo antes de o ter dividido da direita para a esquerda em grupos de três, para depois o pronunciares cuidadosamente da esquerda para a direita. 


Sei que o mesmo acontece contigo, mas que te importa, que nos importa isso — antes que um dia nos identifiquem a ferro em brasa, como fazem os estancieiros com o seu gado amado? Esse número, de quintilhões ou quatrilhões, não me lembro mais, me faz recordar que venho desde o princípio do mundo, lá do fundo das cavernas, depois de pintar nas suas paredes, com uma habilidade hoje perdida, aqueles animais que vejo nos álbuns, milagre de movimento e síntese. 


Agora sou analítico, expresso-me em símbolos abstratos e preciso da colaboração do leitor para que ele “veja” as minhas imagens escritas. Olho em redor do bar em que escrevo estas linhas. Aquele homem ali no balcão, caninha após caninha, nem desconfia que se acha conosco desde o início das eras. Pensa que está somente afogando os problemas dele, João Silva... Ele está é bebendo o a milenar inquietação do mundo!








De: A vaca e o hipogrifo


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Mensaje por Maria Lua el Miér 01 Jul 2020, 08:44

Imperceptivelmente




 Agora toda essa preocupação com o ano 2000! Só pode ser a velha mania ou superstição da conta redonda. Se vocês estão bem lembrados, ao aproximar-se o Ano Mil já se pensava que era o FIM DO MUNDO. Assim mesmo, com todas as letras maiúsculas. 


Tanto que, para adiantar serviço, muitos se mataram antes. Como exemplo, eis um ponto em que hoje todos estão concordes: o famoso Século XIX só foi terminar em 1914. E parece que o danado só começou depois da batalha de Waterloo... Pois não é que uma dessas entrevistadoras veio indagar de mim um dia destes se estávamos no fim de uma Era?! 


Não sou nenhum Nostradamus, de modo que vaticinei — menos obscuramente que este — que nunca se saberá, nunca se notará, nunca se verá o fim de coisa nenhuma. E isto simplesmente porque a vida é contínua. Não uma projeção imóvel de slides, mas o desenrolar de um filme em câmara lenta. 


E a transformação da face do mundo é como a transformação da cara da gente, que muda tanto durante toda a vida — mas que, dia a dia, de ontem para hoje, de hoje para amanhã, sempre nos parece a mesma cara no espelho: Deixemos, pois, o Ano Dois Mil chegar imperceptivelmente como um ano qualquer.





De: A vaca e o hipogrifo


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Mensaje por Maria Lua el Miér 01 Jul 2020, 08:48

Conto familiar 




Era um velho que estava na família há noventa e nove anos, há mais tempo que os velhos móveis, há mais tempo até que o velho relógio de pêndulo. Por isso estava ele farto dela, e não o contrário, como poderiam supor. A família o apresentava aos forasteiros, com insopitado orgulho: 


“Olhem! vocês estão vendo como ‘nós’duramos?!” Caduco? Qual nada! Tinha lá as suas ideias. Tanto que, numa dessas grandes comemorações domésticas, o pobre velho envenenou o barril de chope. No entanto, como era obviamente impraticável — a não ser em novelas policiais — deitar veneno nas bebidas engarrafadas, apenas sobreviveram os inveterados bebedores de coca-cola.


 — Mas como é possível — lamentava-se agora tardiamente o pobre velho —, como é possível passar o resto da vida com esses? Com gente assim? Porque a coca-cola não é verdadeiramente uma bebida — concluiu ele —, a coca-cola é um estado de espírito... E, assim pensando, o sábio ancião se envenenou também.





De: A vaca e o hipogrifo


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Mensaje por Maria Lua el Vie 03 Jul 2020, 07:29

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Mensaje por Maria Lua el Vie 03 Jul 2020, 07:30

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Mensaje por Maria Lua el Vie 03 Jul 2020, 07:31

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Mensaje por Maria Lua el Sáb 04 Jul 2020, 09:25



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Mensaje por Maria Lua el Lun 06 Jul 2020, 09:54

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Mensaje por Maria Lua el Miér 08 Jul 2020, 13:19

Os Retratos






Os antigos retratos de parede
Não conseguem ficar longo tempo abstratos.
Às vezes os seus olhos te fixam, obstinados
Porque eles nunca se desumanizam de todo

Jamais te voltes pra trás de repente.
Não, não olhes agora!

O remédio é cantares cantigas loucas e sem fim…
Sem fim e sem sentido…

Dessas que a gente inventava
enganar a solidão dos caminhos sem Lua.


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Mensaje por Maria Lua el Jue 09 Jul 2020, 06:32

iNTENTA OLVIDARME. ANTOLOGÍA DEL BRASILEÑO MARIO QUINTANA.






“El presente está solo” escribe Jorge Luis Borges en “El instante” y el poeta brasileño Mario Quintana advierte “Lo que no conseguimos olvidar/nos sigue sucediendo” en el libro “Intenta olvidarme (Antología poética)” que en edición bilingüe con selección, versión y prólogo de Enrique García-Máiquez, publica Ediciones Rialp como número doble 664-665 de la Colección Adonáis (Madrid 2018).
 
Cuando llueve en el Norte, igual que siempre, la poesía de Mario Quintana parece acariciarnos de una manera especial. Considerado como uno de los poetas más apreciados del Siglo XX brasileño este autor, nacido en Alegrete en 1906 y fallecido en Porto Alegre en 1994, sus creaciones líricas se nos ofrecen como expresiones de una sencillez conmovedora donde, fundamentalmente, la existencia aparece como el verdadero testigo de deseos, costumbres y vivencias: “Escribo junto a la ventana abierta./Mi pluma es del color de las persianas,/verde. Y qué leves, lindas filigranas/deja el sol en la página desierta”, así comienza su poema “Cuadro” del libro “La calle de las veletas” (1940) donde advertimos no sólo esas expresiones minuciosas del poeta sino, también, la muy acertada versión de García-Máiquez que convierte los versos de Quintana en verdaderos poemas con el más lírico acercamiento al castellano; no en vano ambas lenguas tuvieron un importante itinerario común mientras se formaban las dos nacionalidades tras la separación de Portugal de la Corona de Castilla. En “Circo” leemos “No escribo versos, yo me los arranco/retorciendo mis huesos doloridos./La entrada es gratis para conocidos;/para amadas reservo el primer banco”.
 


Testigo literario de gran parte del siglo XX brasileño los libros de Quintana se fueron publicando durante más de 50 años. En esta antología de la Colección Adonáis tenemos también los versos de “Velatorio sin difunto” que vio la luz en 1990 y que seis años antes de su fallecimiento escribía en el poema titulado “Éste y el otro lado”: “Tengo una gran curiosidad por el Otro Lado,/(¿Qué habrá al Otro Lado, Dios mío?),/pero tampoco tengo tanta prisa/porque en este mundo hay panteras bellas, nubes, bellas mujeres,/árboles de un verde pavorosamente ecológico,/ y Allá-donde todo recomienza-/tal vez no llueva nunca/y entonces no se pueda uno quedar en casa/con nostalgia de aquí”.
 
Divide su prólogo García-Máiquez en tres partes. En la primera, denominada “El poeta”, resume la vida Mario Quintana de quien dice que “Vivió una fotogénica bohemia, soltero, de hotel en hotel, pero en su ciudad, sin viajar apenas”, con lo que nos permite igualarle, de alguna manera, con el portugués Fernando Pessoa, aunque éste, desgraciadamente, vivió muchos años y, tal vez, de manera un poco desordenada, al menos en lo referente a su cuidado personal y a su propia alimentación, recordando además que, Quintana, “Hizo cuentos y aforismos, tan propios que se conocen como ´quintanares´, tan poéticos que los incluyó en su poesía completa, aunque aquí nos ceñimos a su poesía en verso”. El segundo apartado, “Los poemas” lo dedica el traductor a una sucinta crítica de la obra del poeta brasileño y señala que “Quintana empezó a agrupar sus poemas por un laxo orden de creación” y que en sus versos “es donde el poeta aparece como un tierno inadaptado, incapaz de compromiso político, y vivamente interesado en la muerte”. Referencias como ser admirado por Drummond de Andrade, Manuel Bandeira y Cecilia Meireles o el hecho de haber sido estudiado por Tania Franco Carvalhal quien afirma: “Es sorprendente cómo conviven en la poesía de M. Q. elementos tan contradictorios como el dolor y la risa, la amargura y el humor, la vida real y lo sobrenatural, el pasado y el presente”. “El autobiografismo- escribe Máiquez- tiene un reflejo divertido y emocionante, pues el poeta escribe tres poemarios de vejez y despedida, tres, como si Quintana no dejase nunca de asombrarse, aprovechando su fructífera longevidad, de lo inagotable de la poesía y de la belleza del mundo”. Al hablar de la versión, en la tercera parte del prólogo, Máiquez habla de su trabajo y de la libertad con que ha mostrado en castellano unos textos de los que, dice, desea ver publicada en nuestra lengua la obra completa.
 De “Canciones” (1946) elegimos los versos de “Canción de la llovizna”, acorde con nuestros momentos de relectura de estos poemas: “Llueve sin saber por qué…/y todo fue siempre así./Parece que sufriré:/Pirulín, lulín, lulín…”. Son poemas delicados, etéreos, con esa libertad que imprime la naturaleza o la cercanía a los temas humanos: la primavera, el viento, las ventanas, el amor.
 
De “Zapato florecido” de 1948 tenemos un sencillo y significativo poema: (“Envejecer”: “Antes cualquier camino iba/./Hoy todos vuelven./La casa es cómoda, los libros pocos./Y yo mismo preparo té a los fantasmas”. Y “El aprendiz de hechicero” (1950) habla de obsesiones, como la del Mar Océano, o evoca un delicado “Cántico”: “Vienes precedida por los vuelos altos,/por la marcha lenta de las nubes”. Avanzamos con “Espejo mágico” (1951) que contiene algunos de sus poemas cortos, casi esbozos de una inspiración natural, vibraciones de momentos en los que el poeta prescinde de la memoria y, amablemente, cuenta su propia experiencia de hombre de mundo, como cuando escribe, por ejemplo “Conocer a los otros, y a uno, ver el mal/con claridad, es-más que don-veneno./Es sufrir más que todos ; y, al final,/sin el consuelo de haber sido bueno”.
 
La poesía de Mario Quintana, en esta versión de cercanías, se nos antoja como la expresión de un autor delicado, romántico, con buenas dosis de humor y cierta travesura intelectual al llevar a sus poemas temas que podrían parecer intrascendentes como algunos de “Apuntes de historia sobrenatural” (1976) por ejemplo el denominado “Siesta antigua”: “La calleja lagarteando al sol./El quiosco de música desierto/aumenta, aún más, el silencio./Ni un perro./Este poemita,/brotado áspero y quebradizo, es/ lo único que sucede”. Esa sencillez, es manera de enfrentarse a lo el poeta ve, siente, conoce, ejercita nos permite reconocer su talante de autor moderado que podría no sentirse un creador esforzado sino un moderado cantor de la naturaleza, como lo fueron el mismo Pessoa, Antonio Machado, los Alberti, Neruda, Luis Rosales, etcétera. También se habla de cierto paralelismo de la obra de Mario Quintana con la de la polaca Wislawa Szymborska.  Félix Grande dejó escrito “La poesía: esta vieja costumbre de los seres humanos que conocen la solemnidad del infortunio y que quieren compartir con sus contemporáneos ese doble conocimiento”. Algo parecido podríamos decir de algunos de los versos de Mario Quintana, de esa/su manera propia de enfrentarse realidades y de transmitir sus ideas, temores, vivencias,  a través de unos líneas limpias, musicales, armónicas.


De “La vaca y el hipogrifo” (1977) nos quedamos con “La construcción”: “Levantaron la Torre de Babel/para escalar el cielo./Mas Dios no estaba allá./Estaba allí, entre ellos, ayudando a construir la torre”. En “Escondrijos de tiempo” de 1980 leemos: “Los poemas son pájaros que llegan/-no se sabe de dónde-/y se posan en el libro que lees”. Y así el poeta va culminando todos los deseos, es decir, los de mirar al horizonte y describirle, reflejar los afectos hacia el mundo circundante, vivir. Tal vez lo consiguiera en ese “Baúl de asombros” (1986) con poemas atrevidos, personales, realistas, acordes con el mundo que nos circunda: “En este mundo de prodigios/y de la magia de Dios lleno,/lo que hay más sobrenatural/son los ateos”.
 
Es claro el sentido del humor, la capacidad de ironía, como adelantaba Máiquez, cuando tenemos su colección de versos bajo un título memorable, o sea, “La pereza como método de trabajo” de 1987: “Su culito/dejó en la arena/la forma exacta/de un corazón”, con lo que aparecen esos síntomas de cierta travesura, de libertad adolescente, de un rostro desenfado ante lo que nos rodea y, con ello, vemos que el poeta también es un ser humano. “El porvenir ya existe-escribió Jorge Luis Borges-, pero yo soy su amigo”. Seguramente en esa razonamiento se situaron algunos de los poemas de Mario Quintana como los de “Preparativos de viaje” (1987): “…en medio de este viaje,/muchas veces me paro en los espejos/y busco en vano mi perdida imagen”, los de “El color de lo invisible” (1989) (“La luna marcha con el que se marcha/y se queda con quien se queda/y/-pacientemente-/espera a los suicidas en el fondo del pozo”).


Bueno está que la poesía que se escribe en Brasil y Portugal pueda ser re-creada, transmitida al español o castellano pues, hermanos al fin en el territorio ibérico, aquellos poetas gozan de la misma, o similar, intuición lírica y de un entrañable sentido de la realidad, donde se mezclan los sentimientos personales y los temores universales: los del dolor y la muerte, los del amor y la vida. Y en esos cauces se viene desarrollando la poesía, al menos la conocida en este libro, de Mario Quintana, efectivamente, poco conocido en nuestro país aunque considerado como de los poetas brasileños más importantes del siglo XX. Musicalidad, ritmo, energía lírica y cierto tono adolescente, aparecen en mucho de sus versos, todo lo que le configura como un creador en el cual la ternura aparece a cada paso y cuyos poemas, además de sorprendernos, nos dejan el suave regusto de una inspiración algo esforzada y distinguida, como si su profesión de poeta hubiera sido lo más importante de toda su existencia.
 
Ya Máiquez señalaba que en la obra de nuestro autor encontramos, al menos, ”tres poemarios de vejez y despedida”. Así lo hemos leído en algunos de los poemas anteriores y, así, sucede en el ya mencionado poemario “Velatorio sin difunto” donde aparece cierto sentimiento religioso de Mario Quintana (“…qué miedo me daba Nuestro Señor de los Pasos”), la capacidad de acercamiento a los demás, el amor (“Tú eres el material de mis versos, querida”), su pequeñez ante la grandiosidad del universo y el humano temor ante la eternidad: “La muerte es la cosa más antigua del mundo/y la hora incierta llega en punto siempre./¿Qué importa al final?/Es ahora la única sorpresa que nos queda”.






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Mensaje por Maria Lua el Jue 09 Jul 2020, 08:01

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Mensaje por Maria Lua el Jue 09 Jul 2020, 08:03

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Mensaje por Maria Lua el Jue 09 Jul 2020, 08:04

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Mensaje por Maria Lua el Jue 09 Jul 2020, 08:10

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Mensaje por Maria Lua el Jue 09 Jul 2020, 08:13

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Mensaje por Maria Lua el Jue 09 Jul 2020, 08:16

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Mensaje por Maria Lua el Jue 09 Jul 2020, 08:19

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Mensaje por Maria Lua el Sáb 11 Jul 2020, 07:36

01.Quien hace un poema abre una ventana.
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02.Melancolía: manera romántica de estar triste.
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03.Ser poeta no es sólo decir grandes cosas, sino ser una voz reconocible entre todas las demás.
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04.Sé autodidacta, es decir, ignorante por cuenta propia.
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05.El poema, esa extraña máscara más verdadera que la propia cara.
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06.Lo triste de la arquitectura moderna es la resistencia de su material.
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07.Doloroso interrogatorio: ¿Por qué será que las personas lloran a los amigos muertos pero no aguantan a los que continúan vivos?
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08.Bien...Yo siempre creí que toda confesión no transfigurada por el arte es indecente. Mi vida está en mis poemas, mis poemas son yo mismo, nunca escribí una coma que no fuese una confesión.
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09.Los verdaderos analfabetos son los que aprendieron a leer y no leen.
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10.Una mentira es una verdad que se olvidó lo que ocurrió.
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Mensaje por Maria Lua el Sáb 11 Jul 2020, 16:50

Poemas breves 






O luar



O luar,
é a luz do Sol que está sonhando



—————————————-


O tempo não pára!
A saudade é que faz as coisas pararem no tempo…



—————————————–


…os verdadeiros versos não são para embalar,
mas para abalar…



——————————————


A grande tristeza dos rios é não poderem levar a tua imagem…


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Mensaje por Maria Lua el Sáb 11 Jul 2020, 16:55

Nos salões do sonho





Mas vocês não repararam, não?!

Nos salões do sonho nunca há espelhos…

Por quê?

Será porque somos tão nós mesmos

Que dispensamos o vão testemunho dos reflexos?

Ou, então

– e aqui começa um arrepio –

Seremos acaso tão outros?

Tão outros mesmos que não suportaríamos a visão daquilo,

Daquela coisa que nos estivesse olhando fixamente do outro lado,

Se espelhos houvesse!

Ninguém pode saber… Só o diria

Mas nada diz,

Por motivos que só ele conhece,

O misterioso Cenarista dos Sonhos!








– Mario Quintana, do livro “Velório sem defunto”, 1990.

§


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Mensaje por Maria Lua el Sáb 11 Jul 2020, 16:56

O vento e eu





O vento morria de tédio

Porque apenas gostava de cantar

Mas não tinha letra alguma para a sua própria voz,

Cada vez mais vazia…

Tentei então compor-lhe uma canção

Tão comprida como a minha vida

E com aventuras espantosas que eu inventava de súbito,

Como aquela em que menino eu fui roubado pelos ciganos

E fiquei vagando sem pátria, sem família, sem nada neste vasto mundo…

Mas o vento, por isso

Me julga agora como ele…

E me dedica um amor solidário, profundo!






– Mario Quintana, do livro “Velório sem defunto”, 1990.

§


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Mensaje por Maria Lua el Sáb 11 Jul 2020, 16:57

Os arroios






Os arroios são rios guris…
Vão pulando e cantando dentre as pedras.
Fazem borbulhas d’água no caminho: bonito!
Dão vau aos burricos,
às belas morenas,
curiosos das pernas das belas morenas.
E às vezes vão tão devagar
que conhecem o cheiro e a cor das flores
que se debruçam sobre eles nos matos que atravessam
e onde parece quererem sestear.
Às vezes uma asa branca roça-os, súbita emoção
como a nossa se recebêssemos o miraculoso encontrão
de um Anjo…
Mas nem nós nem os rios sabemos nada disso.
Os rios tresandam óleo e alcatrão
e refletem, em vez de estrelas,
os letreiros das firmas que transportam utilidades.
Que pena me dão os arroios,
os inocentes arroios…




– Mario Quintana, do livro “Baú de espantos”, 1986.


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Mensaje por Maria Lua el Sáb 11 Jul 2020, 16:58

Noturno




De noite todos os meus pensamentos são escuros
E todas as palavras têm a letra “u”
Rude
Virtude
Cruzes!
Até mesmo, Bandeira, teu “sapo-cururu da beira do rio”!
Não me digam que o melhor é acender todas as luzes!
Odeio a luz elétrica e todas as luzes artificiais.
A gente repousa na escuridão como num ventre maternal.
E o melhor enredo para isso tudo
É me atirar de súbito num açude
Seco!




– Mario Quintana, do livro “Velório sem defunto”, 1990.


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Mensaje por Maria Lua el Dom 12 Jul 2020, 09:39

Restaurante 


I A lagosta tem a cor, o frescor, o sabor das antigas moringas de barro. 




II ... e essa tentação de roçar na face a pele perfumada do pêssego, como se ele fosse uma pêssega... 




III O café é tão grave, tão exclusivista, tão definitivo que não admite acompanhamento sólido. Mas eu o driblo, saboreando, junto com ele, o cheiro das torradas na manteiga que alguém pediu na mesa próxima. 




IV (As precedentes notas de sinestesia são do tempo em que havia restaurantes — onde havia lagostas — e não esses balcões de hoje em que o freguês massificado e apressado, ao servir-se de um frango, parece que o está devorando no próprio poleiro.)


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Mensaje por Maria Lua el Dom 12 Jul 2020, 09:41

Linguagem 




Não sei que crítico notou que os grandes humoristas escrevem clássico. Um exemplo, entre nós: o velho Machado de Assis. Mas não será isso porque os autores clássicos adquirem, forçosamente, com o tempo, um toque de humor? Um toque que decerto não era deles e que reside para nós, seus pósteros, no tom cada vez mais arcaico da sua linguagem. Nem deve ser por outro motivo que às vezes se ouve, na voz tempestuosa dos Profetas, mercê das antigas traduções da Bíblia, certa nota de humor. Mas não se iludam. Nosso Senhor não tem o mínimo sense of humour. Nosso Senhor leva tudo a sério. Com Ele não há fugir. Com Ele não há a escapatória do sorriso, essa arma predileta do Demônio, isto é, aquele que é também chamado o Espírito da Dúvida.


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Mensaje por Maria Lua el Dom 12 Jul 2020, 09:43

História quase mágica






 O Idiota da Aldeia gostava de coisas brilhantes. Mas nos respondia: éramos apenas gentes... Mas uma noite o surpreendi falando longamente a um trinco de porta redondo, luzente de luar. Só vos digo, ao que me parece, que o brilho do metal ora abrandava, ora fulgia mais como se por instantes ouvisse e depois respondesse. Só vos digo que, nestes ocultos assuntos, nada se pode dizer... 


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Mensaje por Maria Lua el Dom 12 Jul 2020, 09:44

Intenções 


Os que andam com segundas intenções não conseguem enganar ninguém. Está na cara... O perigo mesmo — porque é invisível — está nos que têm terceiras intenções.


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Mensaje por Maria Lua el Dom 12 Jul 2020, 09:45

Verbete 




Autodidata. — Ignorante por conta própria.


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Mensaje por Maria Lua el Dom 12 Jul 2020, 09:47

Poema entredormido ao pé da lareira 


O anjo depenado tremia de frio 
mas veio o Conde Drácula e emprestou-lhe a sua capa negra. 
Na litografia da parede 
Helena a bela grega 
mantém sua pose olímpica... Desloca-se um tição:
uma chama 
começa a lamber como um gato minha perna de pau


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Mensaje por Maria Lua el Dom 12 Jul 2020, 10:49

MARIO  QUINTANA






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Constelación de Orión








As Três Marias 




As únicas estrelas que eu conheço no céu são as Três Marias. 
Três Marias é um apelido de família... 
O nome delas é outro, sabem como é a coisa: um desses nomes roubados a mitologias ultrapassadas, com que costumam exorcizar as estrelas. 
Uns nomes que já nasceram póstumos... 
Só o que eles sabem é enumerar, mapear, coisas assim — trabalho apenas digno de robôs.
 Olhem, Marias, acheguem-se, escutem: — Vocês foram catalogadas. 
Ouviram bem? Ca-ta-lo-ga-das! 
O consolo é o povo, que ainda diz ignorantemente:
“Olha lá as Três Marias!"




*****
***********


Las Tres Marías 




Las únicas estrellas que conozco en el cielo son las Tres Marías.
Tres Marías es un apellido familiar...
Su nombre es otro, saben cómo es la cosa: uno de esos nombres robados a mitologías superadas, con el que suelen exorcizar las estrellas....
Unos nombres que ya nacieron póstumos...
Lo único que saben es enumerar, mapear, cosas así - trabajo digno de robots.
Miren, Marías, acerquense, escuchen: - Ustedes fueron catalogados.
Escucharon bien? Ca-ta-lo-ga-das!
El consuelo es el pueblo, que todavía dice ignorantemente:
′′ Mira las Tres Marías!"







Del Libro A LA VACA Y EL HIPOGRIFO - Mario Quintana







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