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Mensaje por Maria Lua el Lun 13 Jul 2020, 13:41




(É talvez o último dia da minha vida.)


É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada.


************************


Es tal vez el último día de mi vida.
Saludé al sol, levantando la mano derecha,
Pero no lo saludé, diciéndole adios,
Hice señal de gustar de verlo antes: nada más.



Poemas Inconjuntos
Alberto Caeiro








Última edición por Maria Lua el Sáb 18 Jul 2020, 08:12, editado 1 vez


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Mensaje por Maria Lua el Lun 13 Jul 2020, 13:44

O Guardador De Rebanhos





  • O Guardador De Rebanhos

    [Tienes que estar registrado y conectado para ver esa imagen]
    Primeiro poema manuscrito por Pessoa
    Ficções Do Interludio
    Alberto Caeiro

      I - Eu Nunca Guardei RebanhosII - O Meu OlharIII - Ao EntardecerIV - Esta Tarde A Trovoada CaiuV - Há Metafísica Bastante Em Não Pensar Em NadaVI - Pensar Em DeusVII - Da Minha AldeiaVIII - Num Meio-Dia De Fim De PrimaveraIX - Sou Um Guardador De RebanhosX - Olá, Guardador De RebanhosXI - Aquela Senhora Tem Um PianoXII - Os Pastores De VirgílioXIII - LeveXIV - Não Me Importo Com As RimasXV - As Quatro CançõesXVI - Quem Me DeraXVII - No Meu PratoXVIII - Quem Me Dera Que Eu Fosse O Pó Da EstradaXIX - O LuarXX - O Tejo É Mais BeloXXI - Se Eu PudesseXXII - Num Dia De VerãoXIII - O Meu OlharXXIV - O Que Nós VemosXXV - As Bolas Fe SabãoXXVI - Às VezesXXVII - Só S Natureza É DivinaXXVIII - Li HojeXXIX - Nem Sempre Sou IgualXXX - Se Quiserem Que Eu Tenha Um MisticismoXXXI - Se Às Vezes Digo Que As Flores SorriemXXXII - Ontem À TardeXXXIII - Pobres Das FloresXXXIV - Acho Tão Natural Que Não Se PenseXXXV - O LuarXXXVI - Há Poetas Que São ArtistasXXXVII - Como Um Grande BorrãoXXXVIII - Bendito Seja O Mesmo SolXXXIX - O Mistério Das CousasXL - Passa Uma BorboletaXLI - No EntardecerXLII - Passou A DiligênciaXLIII - Antes O Vôo Da AveXLIV - Acordo De NoiteXLV - Um Renque De ÁrvoresXLVI - Deste Modo Ou Daquele ModoXLVII - Num Dia Excessivamente NítidoXLVIII - Da Mais Alta Janela Da Minha CasaXLIX - Meto-me Para Dentro





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Mensaje por Maria Lua el Lun 13 Jul 2020, 13:49

Eu Nunca Guardei Rebanhos
Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.

Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.

Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.

Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.

Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.

E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),

É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.

Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo dum outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas idéias,
Ou olhando para as minhas idéias e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende.

Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predileta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.
Yo nunca cuidé rebaños,
Peo es como si los cuidase.
Mi alma es como un pastor,
Conoce el viento y el sol
Y anda de la mano de las Estaciones
Siguiendo y mirando.
Toda la paz de la Naturaleza sin gente
Viene a sentarse a mi lado.
Pero quedo triste como una puesta de sol
Para nuestra imaginación,
Cuando enfria en el fondo de la planicie
Y se siente la noche entrada
Como una mariposa por la ventana.

Pero mi tristeza es calma
Porque es natural y justa
Y es lo que debe estar en el alma
Cuando ya piensa que existe
Y las manos recogen flores sin ella dar por eso.

Como un ruido de cascabeles
Hacia más allá de la curva de la estrada,
Mis pensamientos son contentos.
Sólo tengo pensa de saber que ellos son contentos,
Porque, si no lo supiera,
En vez de ser contentos y tristes,
Serían alegres y contentos.

Pensar incomoda como andar en la lluvia
Cuando el viento crece y parece que llueve más.

No tengo ambiciones ni deseos
Ser poeta no es una ambición mía
Es mi manera de estar solo.

Y si deseo a veces
Por imaginar, ser corderito
(O ser el rebaño todo
Para andar esparcido por toda la vertiente
Siendo mucha cosa feliz al mismo tiempo),

Es sólo porque siento lo que escribo a la puesta del sol,
O cuando una nube pasa la mano por encima de la luz
Y corre un silencio por la hierba fuera.

Cuando me siento a escribir versos
O, paseando por los caminos o por los atajos,
Escribo versos en un papel que está en mi pensamiento,
Siento un cayado en las manos
Y veo un recorte de mí
En la cima de una colina,
Mirando para mi rebaño y viendo mis ideas,
O mirando para mis ideas y viendo mi rebaño,
Y sonriendo vagamente como quien no comprende lo que se dice
Y quiere fingir que comprende.

Saludo a todos los que me lean,
Sacándoles el sombrero largo
Cuando me ven a mi puerta
Mal la diligencia levanta en la cima de una colina.
Los saludo y les deseo sol,
Y lluvia, cuando la lluvia es precisa,
Y que sus casas tengan
Al pie de una ventana abierta
Una silla predilecta
Donde se sienten, leyendo mis versos.
Y al leer mis versos piensen
Que soy cualquier cosa natural
Por ejemplo, el árbol antiguo
A la sombra de cual cuando niños
Se sentaban con un baque, cansados de jugar,
Y limpiaban el sudor de la cabeza caliente
Con la manga del delantal razgado.
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Mensaje por Maria Lua el Mar 14 Jul 2020, 10:18

O Meu Olhar






O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...









*************************






Mi mirar es nítido como un girasol.
Tengo la costumbre de andar por las estradas
Mirando para la derecha y para la izquierda,
Y de, vez en cuando mirando para atrás...
Y lo que veo a cada momento
Es aquello que nunca antes yo había visto,
Y yo sé dar por eso muy bien...
Sé tener el pasmo esencial
Que tiene una criatura si, al nacer,
Reparase en que nació de veras...
Me siento nacido a cada momento
Para la eterna novedad del Mundo...

Creo en el mundo como en una caléndula,
Porque lo veo. Pero no pienso en él
Porque pensar es no comprender...

El Mundo no se hizo para que pensemos en él
(Pensar es estar enfermo de los ojos)
Pero para que lo miremos y estemos de acuerdo...

Yo no tengo filosofía: tengo sentidos...
Si hablo de la Naturaleza no es porque sepa lo que ella es,
Mas porque la amo, y ámola por eso,
Porque quien ama nunca sabe lo que ama
Ni sabe por qué ama, ni lo qué es amar...
Amar es la eterna inocencia,
Y la única inocencia no pensar...









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Mensaje por Maria Lua el Miér 15 Jul 2020, 05:46

Ao Entardecer


Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente,
Leio até me arderem os olhos
O livro de Cesário Verde.

Que pena que tenho dele! Ele era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
Mas o modo como olhava para as casas,
E o modo como reparava nas ruas,
E a maneira como dava pelas cousas,
É o de quem olha para árvores,
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
E anda a reparar nas flores que há pelos campos...

Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse bem que tinha,
Mas andava na cidade como quem anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros...







********************






Al atardecer, asomado por la ventana,
Y sabiendo de soslayo que hay campos en frente,
Leo hasta que me arden los ojos
El libro de Cesário Verde.

¡Que pena tengo de él! Él era un campero
Que andaba preso en libertad por la ciudad.
Pero el modo en que miraba hacia las casas,
Y el modo como reparaba en las calles,
Y la manera como daba por las cosas,
Es el de quien mira hacia los árboles,
Y de quien desciende los ojos por el camino por donde va andando
Y anda reparando en las flores que hay por los campos...

Por eso él tenía aquella gran tristeza
Que él nunca dijo bien que tenía,
Pero andaba en la ciudad como quien anda en el campo
Y triste como aplastar flores en libros
Y poner plantas en jarros...





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Mensaje por Maria Lua el Sáb 18 Jul 2020, 07:47

Esta Tarde A Trovoada Caiu
Esta tarde a trovoada caiu
Pelas encostas do céu abaixo
Como um pedregulho enorme...
Como alguém que duma janela alta
Sacode uma toalha de mesa,
E as migalhas, por caírem todas juntas,
Fazem algum barulho ao cair,
A chuva chovia do céu
E enegreceu os caminhos...

Quando os relâmpagos sacudiam o ar
E abanavam o espaço
Como uma grande cabeça que diz que não,
Não sei porquê eu não tinha medo
pus-me a rezar a Santa Bárbara
Como se eu fosse a velha tia de alguém...

Ah! é que rezando a Santa Bárbara
Eu sentia-me ainda mais simples
Do que julgo que sou...
Sentia-me familiar e caseiro
E tendo passado a vida
Tranqüilamente, como o muro do quintal;
Tendo idéias e sentimentos por os ter
Como uma flor tem perfume e cor...

Sentia-me alguém que possa acreditar em Santa Bárbara...
Ah, poder crer em Santa Bárbara!
(Quem crê que há Santa Bárbara,
Julgará que ela é gente e visível
Ou que julgará dela?)

(Que artifício! Que sabem
As flores, as árvores, os rebanhos,
De Santa Bárbara?... Um ramo de árvore,
Se pensasse, nunca podia
Construir santos nem anjos...
Poderia julgar que o sol
É Deus, e que a trovoada
É uma quantidade de gente
Zangada por cima de nós...
Ali, como os mais simples dos homens
São doentes e confusos e estúpidos
Ao pé da clara simplicidade
E saúde em existir
Das árvores e das plantas!)

E eu, pensando em tudo isto,
Fiquei outra vez menos feliz...
Fiquei sombrio e adoecido e soturno
Como um dia em que todo o dia a trovoada ameaça
E nem sequer de noite chega.
Esta tarde la tronada cayó
Por las vertientes del cielo abajo
Como un pedregullo enorme...
Como alguien que de una ventana alta
Sacude un mantel de mesa,
Y las migajas, por caer todas juntas,
Hacen algún barullo al caer,
La lluvia llovía del cielo
Y ennegreció los caminos...

Cuando los relámpagos sacudían el aire
Y abanicaban el espacio
Como una gran cabeza que dice que no,
No sé por qué yo no tenía miedo
Me puse a rezar a Santa Bárbara
Como si yo fuera la vieja tia de alguien...

¡Ah! es que rezando a Santa Bárbara
Yo me sentía todavía más simple
De lo que juzgo que soy...
Sentíame familiar y casero
Y habiendo pasado la vida
Tranquilamente, como o muro de la quinta;
Teniendo ideas y sentimientos por tenerlos
Como una flor tiene perfume y color...

Me sentía alguien que puede creer en Santa Bárbara...
¡Ah, poder creer en Santa Bárbara!
(Quien cree que hay Santa Bárbara,
Juzgará que ella es gente y visible
O qué juzgará de ella?)

(¡Qué artificio! ¿Qué saben
Las flores, los árboles, los rebaños,
De Santa Bárbara?... Una rama de árbol,
Si pensara, nunca podría
Construir santos ni ángeles...
Podría juzgar que el sol
Es Dios, y que la tronada
Es una cantidad de gente
Molesta por encima de nosotros...
¡Allí, como los más simples de los hombres
Son enfermos y confusos y estúpidos
Al pie de la clara simplicidad
Y salud en existir
De los árboles y las plantas!)

Y yo, pensando en todo esto,
Quedé otra vez menos feliz...
Quedé sombrío y dolorido y taciturno
Como un día en que todo el día la tronada amenaza
Y ni siquiera de noche llega.
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Mensaje por Maria Lua el Sáb 18 Jul 2020, 07:49

Há Metafísica Bastante Em Não Pensar Em Nada
Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que ideia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

«Constituição íntima das cousas»...
«Sentido íntimo do Universo»...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.
O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.

Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.
Hay bastante metafísica en no pensar en nada.

¿Qué pienso yo del mundo?
¡Allá sea lo que pienso del mundo!
Si yo adolesciese pensaría en eso.

¿Qué idea tengo de las cosas?
¿Qué opinión tengo sobre las causas y los efectos?
¿Qué tengo meditado sobre Dios y el alma
Y sobre la creación del Mundo?
No sé. Para mí pensar en eso es cerrar los ojos
Y no pensar. Es correr las cortinas
De mi ventana (pero ella no tiene cortinas).

¿El misterio de las cosas? ¡Allá sea lo que es misterio!
El único misterio es que haya quien piense en el misterio.
Quien está al sol y cierra los ojos,
Comienza a no saber lo que es el sol
Y a pensar muchas cosas llenas de calor.
Pero abre los ojos y ve al sol,
Y ya no puede pensar en nada,
Porque la luz del sol vale más que los pensamientos
De todos los filósofos y de todos los poetas.
La luz del sol no sabe lo que hace
Y por eso no yerra y es común y buena.

¿Metafísica? ¿Qué metafísica tienen aquellos árboles?
La de ser verdes y copudos y de tener ramas
Y la de dar fruto en su momento, lo que no nos hace pensar,
A nosotros, que no sabemos dar por ellas.
¿Pero qué mejor metafísica que la de ellas,
Que es la de no saber para qué viven
Ni saber que no lo saben?

«Constitución íntima de las cosas»...
«Sentido íntimo del Universo»...
Todo esto es falso, todo esto no quiere decir nada.
Es increible lo que se pueda pensar de cosas de esas.
Es como pensar en razones y fines
Cuando el comienzo de la mañana está rayando, y por los lados de los árboles
Un vago oro lustroso va perdiendo la oscuridad.

Pensar en el sentido íntimo de las cosas
Es acrescentado, como pensar en la salud
O llevar un vaso de agua de las fuentes.
El único sentido íntimo de las cosas
Es que ellas no tengan sentido íntimo alguno.

No creo en Dios porque nunca lo vi.
Si él quisiera que yo creyera en él,
Sin duda que vendría a hablar conmigo
Y entraría por mi puerta adentro
Diciéndome, ¡Aquí estoy!

(Esto es tal vez ridículo a los oidos
De quien, por no saber lo que es el mirar a las cosas,
No comprende a quien habla de ellas
Con el modo de hablar que reparar hacia ellas enseña.)

Mas si Dios es las flores y los árboles
Y los montes y sol y la luz de la luna,
Entonces creo en él,
Entonces creo en él a toda hora,
Y mi vida es toda una oración y una misa,
Y una comunión con los ojos y por los oidos.

Mas si Dios es los árboles y las flores
Y los montes y la luz de luna y el sol,
¿Para qué le llamo yo Dios?
Le llamo flores y árboles y montes y sol y luz de luna;
Porque si él se hizo, para que yo lo vea,
Sol y luz de luna y flores y árboles y montes,
Si él se me aparece como siendo árboles y montes
Y luz de luna y sol y flores,
Y él quiere que yo lo conozca
Como árboles y montes y flores y luz de luna y sol.

Y por eso yo le obedezco,
(¿Qué más sé yo de Dios que Dios de sí mismo?),
Le obedezco viviendo, espontaneamente,
Como quien abre los ojos y ve,
Y le llamo luz de luna y sol y flores y árboles y montes,
Y lo amo sin pensar en él,
Y piénsolo viendo y oyendo,
Y ando con él a toda hora.
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Mensaje por Maria Lua el Sáb 18 Jul 2020, 07:51

Pensar Em Deus
Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou...

Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos,
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos!...
Pensar en Dios es desobedecer a Dios,
Porque Dios quiso que no lo conociéramos,
Por eso no se nos mostró...

¡Seamos simples y calmos,
Como los arroyos y los árboles,
Y Dios amándonos haciendo a nosotros
Bellos como los árboles y los arroyos,
Y dándonos el verdor en su primavera,
Y un rio adonde ir cuando acabemos!
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Mensaje por Maria Lua el Sáb 18 Jul 2020, 07:51

Da Minha Aldeia
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
De mi aldea veo cuanto de la tierra se puede ver en el Universo...
Por eso mi aldea es tan grande como otra tierra cualquiera
Porque yo soy del tamaño de lo que veo
Y no, del tamaño de mi altura...

En las ciudades la vida es más pequeña
Que aquí en mi casa en la cima de esta colina.
En la ciudad las grandes casas cierran la vista con llave,
Esconden el horizonte, empujan nuestro mirar para lejos de todo el cielo,
Tórnannos pequeños porque nos sacan lo que nos ojos nos pueden dar,
Y tórnannos pobres porque nuestra única riqueza es ver.
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Mensaje por Maria Lua el Sáb 18 Jul 2020, 08:03

Num Meio-Dia De Fim De Primavera












Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas...
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.

Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.

Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou
«Se é que ele as criou, do que duvido»
«Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres.»
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?






***********************








En un mediodía de fin de primavera
Tuve un sueño como una fotografía.
Vi a Jesús Cristo descender a la tierra.
Vino por la ladera de un monte
Volviéndose otra vez niño,
Corriendo y rodando por la hierba
Y arrancando flores para dejarlas fuera
Y riendo de modo que se oyera de lejos.

Había huido del cielo.
Era demasiado nuestro para fingir
De segunda persona de la Trinidad.
En el cielo todo era falso, todo en desacuerdo
Con flores y árboles y piedras.
En el cielo tenía que estar siempre serio
Y de vez en cuando de tornarse otra vez hombre
Y subir para la cruz, y estar siempre muriendo
Con una corona toda enrededor de espinos
Y los pies estacados por un clavo con cabeza,
Y hasta con un trapo en vuelta de la cintura
Como los negros en las ilustraciones.
Ni siquiera lo dejeban tener padre y madre
Como a las otras criaturas.
Su padre eran dos personas...
Un viejo llamado José, que era carpintero,
Y que no era padre de él;
Y el otro padre era una paloma estúpida,
La única paloma fea del mundo
Porque no era del mundo ni era paloma.
Y su madre no había amado antes de tenerlo.

No era mujer, era una maleta
En que él hubo venido del cielo.
¡Y querían que él, que sólo naciera de la madre,
Y nunca tuvo padre para amar con respeto,
Clavara la bondad y la justicia!

Un día que Dios estaba durmiendo
Y el Espíritu Santo andaba volando,
Él fue a la caja de los milagros y robó tres.
Con el primero hizo que nadie supiera que él había huido.
Con el segundo se creó eternamente humano y niño.
Con el tercero creó un Cristo eternamente en la cruz
Y lo dejó clavado en la cruz que hay en el cielo
Y sirve de modelo a las otras.
Después huyó hacia el sol
Y descendió por el primer rayo que tomó.

Hoy vive en mi aldea conmigo.
Es una criatura bonita y natural.
Limpia la nariz en el brazo derecho,
Chapotea en los pozos de agua,
Recoge las flores y gusta de ellas olvidándolas.
Tira piedras a los burros,
Roba la fruta de los pomares
Y huye llorando y gritando a los canes.
Y, porque sabe que ellas no gustan
Y que toda la gente lo encuentra gracioso,
Corre atrás de las rapacitas
Que van en grupo por los caminos
Con las vasijas en las cabezas
Y les levanta las faldas.

A mí me enseñó de todo.
Me enseñó a mirar a las cosas.
Apúntame todas las cosas que hay en las flores.
Muéstrame como las piedras son graciosas
Cuando la gente las tiene en la mano
Y mira lentamente hacia ellas.

Me dice mucho mal de Dios.
Dice que él es un viejo estúpido y enfermo,
Siempre escupiendo en el piso
Y diciendo indecencias.
La Virgen María lleva las tardes de la eternidad haciendo media.
Y el Espíritu Santo se rasca con el pico
Y se posa en las sillas y las ensucia.
Todo en el cielo es estúpido como la Iglesia Católica.
Me dice que Dios no percibe nada
De las cosas que creó
«Si es que él las creó, de lo que dudo»
«Él dice, por ejemplo, que los seres cantan su gloria
Pero los seres no cantan nada.
Si cantaran serían cantores.
Los seres existen y nada más,
Y por eso se llaman seres.»
Y después, cansado de hablar mal de Dios,
El Niño Jesús se adormece en mis brazos
Y yo lo llevo al cuello para casa.

Él vive conmigo en mi casa en medio de la colina.
Él es la Eterna Criatura, el dios que faltaba.
Él es el humano que es natural,
Él es el divino que sonrie y que juega.
Y por eso es que yo sé con toda certeza
Que él es el Niño Jesús verdadero.

Y la criatura tan humana que es divina
Es ésta mi cotidiana vida de poeta,
Y es porque él anda siempre conmigo que yo soy poeta siempre,
Y que mi mínimo mirar
Me llena de sensación,
Y el más pequeño sonido, sea de lo que fuere,
Parece hablar conmigo.

La Criatura Nueva que habita donde vivo
Me da una mano a mí
Y la otra a todo lo que existe
Y así vamos los tres por el camino que hubiera,
Saltando y cantando y riendo
Y gozando nuestro secreto común
Que es el saber por toda la parte
Que no hay misterio en el mundo
Y que todo vale la pena.

La Criatura Eterna me acompaña siempre.
La dirección de mi mirar es su dedo siempre apuntando.
Mi oido atento alegremente a todos los sonidos
Son las cosquillas que él me hace, jugando, en mis orejas.

Nos damos tan bien uno con el otro
En la compañía de todo
Que nunca pensamos uno en el otro,
Pero vivimos juntos y dos
Con un acuerdo íntimo
Como la mano derecha y la izquierda.

Al anochecer jugamos a las cinco piedritas
En los escalones de la puerta de casa,
Graves como conviene a un dios y a un poeta,
Y como si cada piedra
Fuera todo un universo
Y fuera por eso un gran peligro para ella
Déjala caer en el suelo.

Después yo le cuento historias de las cosas sólo de los hombres
Y él sonrie, porque todo es increible.
Rie de los reyes y de los que no son reyes,
Y tiene pena de oir hablar de las guerras,
Y de los comercios, y de los navíos,
Que dejan humo en el aire de las altamares.
Porque él sabe que todo eso falta a alquella verdad
Que una flor tiene al florecer
Y que anda con la luz del sol
Variando los montes y los valles
Y haciendo doler a los ojos los muros calcáreos

Después él adormece y yo lo dejo.
Lo llevo al cuello para dentro de casa
Y lo dejo, despidiéndolo lentamente
Y como siguiendo un ritual muy limpio
Y todo materno hasta él estar desnudo.

Él duerme dentro de mi alma
Y a veces despierta de noche
Y juega con mis sueños.
Pone algunos patas para arriba,
Pone unos encima de los otros
Y bate las palmas solo
Sonriendo para mi sueño.

Cuando yo muera, hijito,
Sea yo criatura, o más pequeño.
Agárrame tú al cuello
Y llévame para dentro de tu casa.
Despide a mi ser cansado y humano
Y déjame en tu cama.
Y cuéntame historias, en el caso que yo despierte,
Para yo volver a adormecer.
Y dame sueños tuyos para que yo juegue
Hasta que nazca cualquier día
Que tú sabes cuál es.

Ésta es la historia de mi Niño Jesús.
¿Por qué razón que se perciba
No ha de ser ella más verdadera
Que todo cuanto los filósofos piensan
Y todo cuanto las religiones enseñan?



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Mensaje por Maria Lua el Sáb 18 Jul 2020, 08:04

Sou Um Guardador De Rebanhos






Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,

Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.






***********************






Soy un cuidador de rebaños.
El rebaño son mis pensamientos
Y mis pensamientos son todos sensaciones.
Pienso con los ojos y con los oidos
Y con las manos y los pies
Y con la nariz y la boca.

Pensar una flor es verla y olerla
Y comer un fruto es saberle el sentido.

Por eso cuando en un día de calor
Me siento triste de gozarlo tanto.
Y me dejo a lo largo en la hierba,
Y cierro los ojos calientes.

Siento todo mi cuerpo dejado en la realidad,
Sé la verdad y soy feliz.
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Mensaje por Maria Lua el Sáb 18 Jul 2020, 08:04

Olá, Guardador De Rebanhos
«Olá, guardador de rebanhos,
Aí à beira da estrada,
Que te diz o vento que passa?»

«Que é, vento, e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois.
E a ti o que te diz?»

«Muita cousa mais do que isso.
Fala-me de muitas outras cousas.
De memórias e de saudades
E de cousas que nunca foram.»

«Nunca ouviste passar o vento.
O vento só fala do vento.
O que lhe ouviste foi mentira,
E a mentira está em ti.»
«Hola, cuidador de rebaños,
Ahí a la orilla del camino,
¿Qué te dice el viento que pasa?»

«Que es viento, y que pasa,
Y que ya pasó antes,
Y que pasará después.
¿Y a ti que te dice?»

«Muchas cosas más que eso.
Háblame de muchas otras cosas.
De memorias y de añoranzas
Y de cosas que nunca fueron.»

«Nunca oiste pasar al viento.
El viento sólo habla del viento.
Lo que le oiste fue mentira,
Y la mentira está en ti.»
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Mensaje por Maria Lua el Sáb 18 Jul 2020, 08:05

Aquela Senhora Tem Um Piano
Aquela senhora tem um piano
Que é agradável mas não é o correr dos rios
Nem o murmúrio que as árvores fazem...

Para que é preciso ter um piano?
O melhor é ter ouvidos
E amar a Natureza.
Aquella señora tiene un piano
Que es agradable pero no es el correr de los rios
Ni el murmullo que los árboles hacen...

¿Para qué es preciso tener un piano?
Lo mejor es tener oidos
Y amar la Naturaleza.
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Mensaje por Maria Lua el Sáb 18 Jul 2020, 08:05

Os Pastores De Virgílio
Os pastores de Virgílio tocavam avenas e outras cousas
E cantavam de amor literariamente.
(Depois eu nunca li Virgílio.
Para que o havia eu de ler?)

Mas os pastores de Virgílio, coitados, são Virgílio,
E a Natureza é bela e antiga.
Los pastores de Virgilio tocaban avenas y otras cosas
Y cantaban de amor literariamente.
(Después yo nunca leí a Virgilio.
¿Para qué habría yo de leerlo?)

Mas los pastores de Virgilo, desgraciados, son Virgilio,
Y la Naturaleza es bella y antigua.
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Mensaje por Maria Lua el Sáb 18 Jul 2020, 08:06

Leve
Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve.
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo.
Leve, leve, muy leve,
Un viento muy leve pasa,
Y se va, siempre muy leve.
Y no sé lo que pienso
Ni intento saberlo.
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Mensaje por Maria Lua el Sáb 18 Jul 2020, 08:06

Não Me Importo Com As Rimas
Não me importo com as rimas. Raras vezes
Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.
Penso e escrevo como as flores têm cor
Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me
Porque me falta a simplicidade divina
De ser todo só o meu exterior

Olho e comovo-me,
Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado,
E a minha poesia é natural como o levantar-se vento...
No me intereso por las rimas. Raras veces
Hay dos árboles iguales, uno al lado del otro.
Pienso y escribo como las flores tienen color
Pero con menos perfección a mi modo de exprimirme
Porque me falta la simplicidad divina
De ser todo solamente mi exterior.

Miro y me conmuevo,
Me conmuevo como el agua corre cuando el piso es inclinado,
Y mi poesía es natural como levantarse viento.
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Mensaje por Maria Lua el Sáb 18 Jul 2020, 08:07

As Quatro Canções
As quatro canções que seguem
Separam-se de tudo o que eu penso,
Mentem a tudo o que eu sinto,
São do contrário do que eu sou...

Escrevi-as estando doente
E por isso elas são naturais
E concordam com aquilo que sinto,
Concordam com aquilo com que não concordam...
Estando doente devo pensar o contrário
Do que penso quando estou são.
(Senão não estaria doente),
Devo sentir o contrário do que sinto
Quando sou eu na saúde,
Devo mentir à minha natureza
De criatura que sente de certa maneira...
Devo ser todo doente idéias e tudo.
Quando estou doente, não estou doente para outra cousa.

Por isso essas canções que me renegam
Não são capazes de me renegar
E são a paisagem da minha alma de noite,
A mesma ao contrário...
Las cuatro canciones que siguen
Se separan de todo lo que yo pienso,
Mienten a todo lo que yo siento,
Son lo contrario de lo que yo soy...

Las escribí estando enfermo
Y por eso ellas son naturales
Y concuerdan con aquello que siento,
Concuerdan con aquello con lo que no concuerdan...
Estando enfermo debo pensar lo contrario
De lo que pienso cuando estoy sano.
(Sino no estaría enfermo),
Debo sentir lo contrario de lo que siento
Cuando soy yo en la salud,
Debo mentir mi naturaleza
De criatura que siente de cierta manera...
Debo ser todo enfermo ideas y todo.
Cuando estoy enfermo, no estoy enfermo para otra cosa.

Por eso esas canciones que me reniegan
No son capaces de renegarme
Y son el paisaje de mi alma de noche,
La misma al contrario...
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Mensaje por Maria Lua el Sáb 18 Jul 2020, 08:08

Quem Me Dera
Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois
Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada,
E que para de onde veio volta depois
Quase à noitinha pela mesma estrada.

Eu não tinha que ter esperanças tinha só que ter rodas...
A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco...
Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas
E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco.
Quién me diera que mi vida fuera un carro de bueyes
Que viene chillando, temprano en la mañanita, por el camino,
Y que hacia de donde vino vuelve después
Casi a la nochecita por el mismo camino.

Yo no tendría que tener esperanzas tendría sólo que tener ruedas...
Mi vejez no tendría arrugas ni cabello blanco...
Cuando yo ya no sirviera, me sacarían las ruedas
Y yo quedaría dado vuelta y partido en el fondo de un barranco.
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Mensaje por Maria Lua el Sáb 18 Jul 2020, 08:08

No Meu Prato
No meu prato que mistura de Natureza!
As minhas irmãs as plantas,
As companheiras das fontes, as santas
A quem ninguém reza...

E cortam-as e vêm à nossa mesa
E nos hotéis os hóspedes ruidosos,
Que chegam com correias tendo mantas
Pedem «Salada», descuidosos...,
Sem pensar que exigem à Terra-Mãe
A sua frescura e os seus filhos primeiros,
As primeiras verdes palavras que ela tem,
As primeiras cousas vivas e irisantes
Que Noé viu
Quando as águas desceram e o cimo dos montes
Verde e alagado surgiu
E no ar por onde a pomba apareceu
O arco-íris se esbateu...
¡En mi plato qué mezcla de Naturaleza!
Mis hermanas las plantas,
Las compañeras de las fuentes, las santas
A quienes nadie reza...

Y las cortan y vienen a nuestra mesa
Y en los hoteles los huéspedes ruidosos,
Que llegan con correas tendiendo mantas
Piden «Ensalada», descuidados...,
Sin pensar que exigen a la Madre-Tierra
Su frescura y sus hijos primeros,
Las primeras verdes palabras que ella tiene,
Las primeras cosas vivas y coloridas
Que Noé vio
Cuando las aguas descendieron y la cima de los montes
Verde e inundada surgió
Y en el aire por donde la paloma apareció
El arcoiris se suavizó...
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Mensaje por Maria Lua el Sáb 18 Jul 2020, 08:09

Quem Me Dera Que Eu Fosse O Pó Da Estrada
Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...

Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...

Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...

Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse...

Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena...
Quien me diera que yo fuera el polvo del camino
Y que los pies de los pobres me estuvieran pisando...

Quien me diera que yo fuera los rios que corren
Y que las lavanderas estuvieran a mi orilla...

Quien me diera que yo fuera los álamos a la márgen del rio
Y tuviera sólo el cielo por encima y el agua por debajo...

Quien me diera que yo fuera el burro del molendero
Y que él me palmeara y me estimase...

Antes eso que ser el que atraviesa la vida
Mirando para atrás de sí y teniendo pena...
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Mensaje por Maria Lua el Sáb 18 Jul 2020, 08:09

O Luar
O luar quando bate na relva
Não sei que cousa me lembra...
Lembra-me a voz da criada velha
Contando-me contos de fadas.
E de como Nossa Senhora vestida de mendiga
Andava à noite nas estradas
Socorrendo as crianças maltratadas...

Se eu já não posso crer que isso é verdade,
Para que bate o luar na relva?
La luz de luna cuando pega en el pasto
No sé a que cosa me recuerda...
Me recuerda a la voz de la criada vieja
Contándome cuentos de hadas.
Y de como Nuestra Señora vestida de mendiga
Andaba por la noche en los caminos
Socorriendo a los niños maltratados...

Si yo no puedo creer que eso es verdad,
¿Para qué pega la luz de luna en el pasto?
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Mensaje por Maria Lua el Sáb 18 Jul 2020, 08:10

O Tejo É Mais Belo
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
El Tejo es más bello que el río que corre por mi aldea,
Pero el Tejo no es más bello que el río que corre por mi aldea
Porque el Tejo no es el río que corre por mi aldea.

El Tejo tiene grandes navíos
Y navega en él todavía,
Para aquellos que ven en todo lo que allá no está,
La memoria de las naves.

El Tejo desciende de España
Y el Tejo entra en el mar en Portugal.
Toda la gente sabe eso.
Pero pocos saben cuál es el río de mi aldea
Y hacia dónde él va
Y de dónde él viene.
Y por eso, porque pertenece a menos gente,
Es más libre y mayor el río de mi aldea.

Por el Tejo se va para el Mundo.
Hacia más allá del Téjo está la América
Y la fortuna de aquellos que la encuentran.
Nadie nunca pensó en lo que hay más allá
Del río de mi aldea.

El río de mi aldea no hace pensar en nada.
Quien está al pie de él está sólo al pie de él.
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Mensaje por Maria Lua el Dom 19 Jul 2020, 09:30

Se Eu Pudesse
Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...
Si yo pudiera morder toda la tierra
Y paladearla,
Sería más feliz un momento...
Pero no siempre quiero ser feliz.
Es preciso ser de vez en cuando infeliz
Para poder ser natural...

No todo es días de sol,
Y la lluvia, cuando falta mucho, se pide.
Por eso tomo la infelicidad como la felicidad
Naturalmente, como quien no extraña
Que haya montañas y planicies
Y que haya peñazcos e hierba...

Lo que es necesario es ser natural y calmo
En la felicidad o en la infelicidad,
Sentir como quien mira,
Pensar como quien anda,
Y cuando se va a morir, recordarse que el día muere,
Y que el poniente es bello y es bella la noche que queda...
Así es y así sea...
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Mensaje por Maria Lua el Lun 20 Jul 2020, 16:24

Num Dia De Verão
Como quem num dia de Verão abre a porta de casa
E espreita para o calor dos campos com a cara toda,
Às vezes, de repente, bate-me a Natureza de chapa
Na cara dos meus sentidos,
E eu fico confuso, perturbado, querendo perceber
Não sei bem como nem o quê...

Mas quem me mandou a mim querer perceber?
Quem me disse que havia que perceber?

Quando o Verão me passa pela cara
A mão leve e quente da sua brisa,
Só tenho que sentir agrado porque é brisa
Ou que sentir desagrado porque é quente,
E de qualquer maneira que eu o sinta,
Assim, porque assim o sinto, é que é meu dever senti-lo...
Como quien en un día de Verano abre la puerta de casa
Y espía hacia el calor de los campos con toda la cara,
A veces, de repente, me pega la Naturaleza de lleno
En la cara de mis sentidos,
Y quedo confuso, perturbado, queriendo percibir
No sé bien cómo ni qué...

¿Pero quién me mandó a mí a querer percibir?
¿Quién me dijo que había que percibir?

Cuando el Verano me pasa por la cara
La mano leve y caliente de su brisa,
Sólo tengo que sentir agrado porque es brisa
O que sentir desagrado porque es caliente,
Y de cualquier manera que yo lo sienta,
Así, porque así lo siento, es que es mi deber sentirlo...
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Mensaje por Maria Lua el Lun 20 Jul 2020, 16:24

O Meu Olhar
O meu olhar azul como o céu
É calmo como a água ao sol.
É assim, azul e calmo,
Porque não interroga nem se espanta...

Se eu interrogasse e me espantasse
Não nasciam flores novas nos prados
Nem mudaria qualquer cousa no sol de modo a ele ficar mais belo.
(Mesmo se nascessem flores novas no prado
E se o sol mudasse para mais belo,
Eu sentiria menos flores no prado
E achava mais feio o sol...
Porque tudo é como é e assim é que é,
E eu aceito, e nem agradeço.
Para não parecer que penso nisso...
Mi mirar es azul como el cielo
Y calmo como el agua al sol.
Y así, azul y calmo,
Porque no interroga ni se espanta...

Si yo interrogase y me espantase
No nacerían flores nuevas en los prados
Ni cambiaría cualquier cosa en el sol de modo que él quedara más bello.
(Incluso sin nacieran flores nuevas en el prado
Y si el sol cambiase hacia más bello,
Yo sentiría menos flores en el prado
Y encontraría más feo al sol...
Porque todo es como es y así es que es,
Y yo acepto, y ni agradezco.
Para que no parezca que pienso en eso...)
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Mensaje por Maria Lua el Lun 20 Jul 2020, 16:25

O Que Nós Vemos
O que nós vemos das cousas são as cousas.
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir ?

O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.

Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma sequestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
E as flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores,
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores.
Lo que vemos de las cosas son las cosas.
¿Por qué veríamos una cosa si hubiera otra?
¿Por qué es que ver y oir sería eludirnos
Si ver y oir son ver y oir?

Lo esencial es saber ver,
Saber sin estar pensando,
Saber ver cuando se ve,
Y ni pensar cuando se ve,
Ni ver cuando se piensa.

Pero eso (¡tristes de nosotros que traemos el alma vestida!),
Eso exige un estudio profundo,
Un aprendizaje de desaprender
Y un secuestro en la libertad de aquel convento
De que los poetas dicen que las estrellas son las monjas eternas
Y las flores las penitentes convictas de un sólo día,
Pero donde al final las estrellas no son sino estrellas
Ni las flores sino flores,
Siendo por eso que les llamamos estrellas y flores.
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Mensaje por Maria Lua el Mar 21 Jul 2020, 07:09

As Bolas De Sabão
As bolas de sabão que esta criança
Se entretém a largar de uma palhinha
São translucidamente uma filosofia toda.
Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,
Amigas dos olhos como as cousas,
São aquilo que são
Com uma precisão redondinha e aérea,
E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,
Pretende que elas são mais do que parecem ser.

Algumas mal se vêem no ar lúcido.
São como a brisa que passa e mal toca nas flores
E que só sabemos que passa
Porque qualquer cousa se aligeira em nós
E aceita tudo mais nitidamente.
Las bolas de jabón que esta criatura
Se entretiene en largar de una pajita
Son translúcidamente toda una filosofía.
Claras, inútiles y pasajeras como la Naturaleza,
Amigas de los ojos como las cosas,
Son aquello que son
Con una precisión redondita y aerea,
Y nadie, ni siquiera la criatura que las deja,
Pretende que ellas sean más de lo que parecen ser.

Algunas mal se ven en el aire lúcido.
Son como la brisa que pasa y mal toca a las flores
Y que sólo sabemos que pasa
Porque cualquier cosa se aligera en nosotros
Y acepta todo más nítidamente.
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Mensaje por Maria Lua el Mar 21 Jul 2020, 07:09

Às Vezes
Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Por que sequer atribuo eu
Beleza às cousas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer cousa que não existe
Que eu dou às cousas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então por que digo eu das cousas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as cousas,
Perante as cousas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!
A veces, en días de luz perfecta y exacta,
En que las cosas tienen toda la realidad que pueden tener,
Pregunto a mi propio divagar
Por qué siquiera le atribuyo
Belleza a las cosas.

¿Una flor tiene acaso belleza?
¿Tiene belleza acaso un fruto?
No: tienen color y forma
Y existencia apenas.
La belleza es el nombre de cualquier cosa que no existe
Que doy a las cosas a cambio del agrado que me dan.
No significa nada.
¿Entonces por qué digo de las cosas: son bellas?

Sí, incluso a mí, que vivo sólo de vivir
Invisibles, vienen a ser conmigo las mentiras de los hombres
Frente a las cosas,
Frente a las cosas que simplemente existen.

¡Qué dificil ser preciso y no ver sino lo invisible!
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Mensaje por Maria Lua el Mar 21 Jul 2020, 20:52

Só A Natureza É Divina
Só a Natureza é divina, e ela não é divina...

Se falo dela como de um ente
É que para falar dela preciso usar da linguagem dos homens
Que dá personalidade às cousas,
E impõe nome às cousas.

Mas as cousas não têm nome nem personalidade:
Existem, e o céu é grande a terra larga,
E o nosso coração do tamanho de um punho fechado...

Bendito seja eu por tudo quanto sei.
Gozo tudo isso como quem sabe que há o sol.
Sólo la Naturaleza es divina, y ella no es divina...

Si hablo de ella como de un ente
Es que para hablar de ella preciso usar el lenguaje de los hombres
Que da personalidad a las cosas,
E impone nombre a las cosas.

Pero las cosas no tienen nombre ni personalidad:
Existen, y el cielo es grande la tierra larga,
Y nuestro corazón del tamaño de un puño cerrado...

Bendito sea yo por todo cuanto sé.
Gozo todo eso como quien sabe que hay sol.
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Mensaje por Maria Lua el Jue 23 Jul 2020, 08:56

Li Hoje
Li hoje quase duas páginas
Do livro dum poeta místico,
E ri como quem tem chorado muito.

Os poetas místicos são filósofos doentes,
E os filósofos são homens doidos.

Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem
E dizem que as pedras têm alma
E que os rios têm êxtases ao luar.

Mas as flores, se sentissem, não eram flores,
Eram gente;
E se as pedras tivessem alma, eram cousas vivas, não eram pedras;
E se os rios tivessem êxtases ao luar,
Os rios seriam homens doentes.

É preciso não saber o que são flores e pedras e rios
Para falar dos sentimentos deles.
Falar da alma das pedras, das flores, dos rios,
É falar de si próprio e dos seus falsos pensamentos.
Graças a Deus que as pedras são só pedras,
E que os rios não são senão rios,
E que as flores são apenas flores.

Por mim, escrevo a prosa dos meus versos
E fico contente,
Porque sei que compreendo a Natureza por fora;
E não a compreendo por dentro
Porque a Natureza não tem dentro;
Senão não era a Natureza.
Leí hoy casi dos páginas
Del libro de un poeta místico,
Y reí como quien ha llorado mucho.

Los poetas mísitcos son filósofos enfermos,
Y los filósofos son hombres locos.

Porque los poetas místicos dicen que las flores sienten
Y dicen que las piedras tienen alma
Y que los ríos tienen éxtasis a la luz de la luna.

Pero las flores, si sienteran, no serían flores,
Serían gente;
Y si las piedras tuvieran alma, serían cosas vivas, no serían piedras;
Y si los ríos tuvieran éxtasis a la luz de la luna,
Los ríos serían hombres enfermos.

Es necesario no saber que son flores y piedras y ríos
Para hablar de los sentimientos de ellos.
Hablar del alma de las piedras, de las flores, de los rios,
Y hablar de sí mismo y de sus falsos pensamientos.
Gracias a Dios que las piedras son sólo piedras,
Y que los ríos no son sino ríos,
Y que las flores son apenas flores.

Por mí, escribo la prosa de mis versos
Y quedo contento,
Porque sé que comprendo la Naturaleza por fuera;
Y no la comprendo por dentro
Porque la Naturaleza no tiene adentro;
Sino no sería Naturaleza.
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