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    Mensaje por Maria Lua Mar 13 Oct 2020, 04:03

    AINDA QUE MAL

    Ainda que mal pergunte,
    ainda que mal respondas;
    ainda que mal te entenda,
    ainda que mal repitas;
    ainda que mal insista,
    ainda que mal desculpes;
    ainda que mal me exprima,
    ainda que mal me julgues;
    ainda mal me mostre,
    ainda que mal me vejas;
    ainda que mal te encare,
    ainda que mal te furtes;
    ainda que mal te siga,
    ainda que mal te voltes;
    ainda que mal te ame,
    ainda que mal o saibas;
    ainda que mal te agarre,
    ainda que mal te mates;
    ainda assim te pergunto
    e me queimando em teu seio,
    me salvo e me dano: amor.





             (As impurezas do branco, 1973)


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    y en ese vuelo y en ese sueño
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    Mensaje por Maria Lua Mar 13 Oct 2020, 04:03

    CONVITE AO SUICÍDIO
    A MÁRIO DE ANDRADE                   
      
    Vamos dar o tiro no ouvido, Vamos ?
    Largar essa vida largar esse mundo comprar o ultimo bilhete
    e desembarcar na estação central do Infinito pe­rante a commissão importante de archan-jos bem-aventurados prophetas—vivôôôô !
    Vamos acabar com isso, dar o fóra nas aporrinhações. Adeus contrariedades. Nunca mais desastres nem callos nem desejos
    nem percevejos nem nada.
    Só um gesto PUM PUM Acabou-se.
    Já estou cansado da Metro, da Paramount, de todas as marcas inclusive a barbante. O fita pau.
    Repetir é casar dobrado. Me dá o braço, vamos s'embora.
    A vida foi feita pros trouxas
    que esperdiçam as riquezas do coração
    nessa lenga lenga infindável
    e depois vão dormir o somno abençoado dos burros
    justos pra recomeçar no dia seguinte cedinho.
    Vida que não é vida...
    (Suspirei
    foi pra abrir o peito, soltar o ultimo desgosto.)
    Estou prompto pra sahir. Vamos sahir juntos ? E' mais divertido
    e enche mais os jornaes: um suicídio duplo, hein ?
    que mina pros repórteres e pros cidadãos que gostam de misturar o café matinal com historias de Smith and Wess.
     
    A noite está fria.
    Noite indifferente.
    Vamos morrer daqui a um minuto
    (si você não roer a corda)
    e no entanto o Cruzeiro do Sul parece
    dizer: que m'importa,

    E astros   aguas e terras  repetem
    machinalmente: que m'importa.

     
    Elles têm razão.
    Nós também temos.
    Dois contribuintes de menos,
    que perderá o Brasil com isso.
    No frio da noite os amorosos multiplicam a espécie.
    O Brasil é tão grande.
    Mais grande que o mundo inteiro.
    Estamos caceteados, vamos s'embora
     
    Adeus minha terra
    terra bonita
    pintada de verde

    com bichos exquesitos e moleques
    treteiros,

    abençoada pelo Deus brasileiro das
    felicidades e descarrilamentos. Meu povo
    amigos inimigos
    canalha miúda

    me despéço de todos sem excepção.
    Apezar de ser inútil,
    se lembrem de mim nas suas orações.
     
    Está na hora.
    Agora vamos.

    Me acompanhe nesse passo
    tão complicado.
    Me ajude a morrer,
    morre com a gente, irmãosinho.

     
    Vamos fazer a grande besteira: rebentar os miolos
    e ir receber no céo o castigo de nossos
    amores
    e o premio de nossas
    devassidões.

     
                       Carlos Drummond de Andrade
     
    (poema publicado originalmente na edição da revista
    VERDE, Número 4, Anno 1, Dezembro 1927, Cataguases, MG)


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    Mensaje por Maria Lua Miér 14 Oct 2020, 05:40

    Por muito tempo achei que a ausência é falta.
    E lastimava, ignorante, a falta.
    Hoje não a lastimo.
    Não há falta na ausência.
    A ausência é um estar em mim.
    E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
    que rio e danço e invento exclamações alegres,
    porque a ausência, essa ausência assimilada,
    ninguém a rouba mais de mim.


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    Mensaje por Maria Lua Vie 23 Oct 2020, 08:07

    A um ausente


    Tenho razão de sentir saudade,
    tenho razão de te acusar.
    Houve um pacto implícito que rompeste
    e sem te despedires foste embora.
    Detonaste o pacto.
    Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
    de viver e explorar os rumos de obscuridade
    sem prazo sem consulta sem provocação
    até o limite das folhas caídas na hora de cair.


    Antecipaste a hora.
    Teu ponteiro enlouqueceu,

    enlouquecendo nossas horas.
    Que poderias ter feito de mais grave
    do que o ato sem continuação, o ato em si,
    o ato que não ousamos nem sabemos ousar
    porque depois dele não há nada?


    Tenho razão para sentir saudade de ti,
    de nossa convivência em falas camaradas,
    simples apertar de mãos, nem isso, voz
    modulando sílabas conhecidas e banais
    que eram sempre certeza e segurança.


    Sim, tenho saudades.
    Sim, acuso-te porque fizeste
    o não previsto nas leis da amizade e da natureza
    nem nos deixaste sequer o direito de indagar
    porque o fizeste, porque te foste.
     


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    CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE (Brasil, 31/10/ 1902 –  17/08/ 1987) - Página 9 Empty Re: CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE (Brasil, 31/10/ 1902 – 17/08/ 1987)

    Mensaje por Maria Lua Sáb 24 Oct 2020, 04:29

    Carlos Drummond de Andrade nació el 31 de octubre de 1902 en Itabira do Mato Dentro, en el interior de Minas Gerais.
    Descendiente de una familia de agricultores tradicionales de la región, Drummond fue el noveno hijo de la pareja Carlos de Paula Andrade y Juliet Augusta Drummond de Andrade.
    Desde temprana edad, Carlos mostró gran interés por las palabras y la literatura. En 1916, ingresó al Colegio en Belo Horizonte.
    Dos años más tarde, fue a estudiar al internado jesuita en Anchieta College, en el interior de Río de Janeiro, Nova Friburgo, y fue galardonado con las "Exposiciones literarias".
    En 1919, fue expulsado de la universidad jesuita por "insubordinación mental" mientras discutía con el maestro portugués. Así, regresa a Belo Horizonte y desde 1921 comienza a publicar sus primeros trabajos en el Diario de Minas.
    Graduado en Farmacia en la Facultad de Odontología y Farmacia de Belo Horizonte, pero no ejerció.
    En 1925 se casó con Dolores Dutra de Morais, con quien tuvo dos hijos, Carlos Flávio (en 1926, que vive solo media hora) y María Julieta Drummond de Andrade, nacida en 1928.
    En 1926, impartió clases de Geografía y Portugués en el Gimnasio Itabira de [Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo] y trabajó como editor en jefe del Diário de Minas.
    Continuó sus obras literarias y en 1930 publica su primer libro titulado "Algo de poesia"
    Uno de sus poemas más conocidos es "En el medio del camino" Fue publicado en el São Paulo Journal of Anthropophagy en 1928. En ese momento, fue considerado uno de los mayores escándalos literarios en Brasil:


    "A medio camino había una roca
    Había una piedra en el camino
    Tenía una piedra
    A mitad de camino había una roca.
    Nunca olvidaré este evento
    En la vida de mis retinas fatigadas.
    Nunca olvidaré eso a medio camino
    Tenía una piedra
    Había una piedra en el camino
    A mitad de camino había una roca.
    "


    Trabajó como funcionario durante gran parte de su vida y se retiró como Jefe de Sección de DPHAN después de 35 años de servicio público.
    En 1982, a los 80 años, recibió el título de "Doctor Honoris Causa”Por la Universidad Federal de Río Grande del Norte (UFRN).
    Drummond murió el 17 de agosto de 1987 en Río de Janeiro. Murió a los 85 años, pocos días después de la muerte de su hija, la cronista Maria Julieta Drummond de Andrade, su gran compañera.


    Curiosidades


    Estatua de Drummond en Copacabana, Río de Janeiro

    • Notoriamente importante en la cultura brasileña, Drummond es considerado uno de los poetas brasileños más influyentes del siglo XX. Algunos honores para él están en las ciudades de Porto Alegre, capital de Rio Grande do Sul con la estatua "Dos poetas"Y en la ciudad de Río de Janeiro, en la playa de Copacabana, la estatua conocida como"El pensador"
    • El documental "El poeta de siete caras.”(2002) retrata la vida y el trabajo de Drummond. Fue escrita y dirigida por el cineasta brasileño Paulo Thiago.
    • Entre 1988 y 1990, la imagen de Drummond estuvo representada en las notas de los cincuenta cruzados.



    Principales obras



    Drummond ha escrito poesía, [Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo], literatura infantil y ha realizado varias traducciones.
    Tiene una gran obra que a menudo está marcada por elementos de su tierra natal, como la poesía "Confidencialidad Itabirano":


    "Algunos años viví en Itabira.
    Sobre todo nací en Itabira
    Por eso estoy triste, orgulloso: hierro.
    Noventa por ciento de hierro en las aceras.
    El ochenta por ciento de hierro en las almas.
    Y esta alienación de lo que en la vida es porosidad y comunicación.

    El deseo de amar que paraliza mi trabajo,
    Proviene de Itabira, de sus noches blancas, sin mujeres y sin horizontes.

    Y la costumbre de sufrir, que tanto me divierte,
    Es dulce [Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo] de Itabiran.

    De Itabira traje varios regalos que ahora te ofrezco:
    esta piedra de hierro, el futuro acero de Brasil,
    este San Benito del viejo santo creador Alfredo Duval;
    este tapir de cuero, extendido sobre el sofá de la sala;
    este orgullo, esta cabeza abajo …

    Tenía oro, tenía [Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo], tenía granjas.
    Hoy soy un funcionario público.
    Itabira es solo una fotografía en la pared.
    ¡Pero cómo duele!
    "




    Algunas obras






    • Algo de poesía (1930)
    • Pantano de almas (1934)
    • El sentimiento del mundo (1940)
    • Confesiones de minas (1944)
    • La rosa del pueblo (1945)
    • Poesía hasta ahora (1948)
    • El gerente (1945)
    • Rompecabezas claro (1951)
    • Cuentos de aprendices (1951)
    • La mesa (1951)
    • Tours por la isla (1952)
    • Viola de bolsillo (1952)
    • Air Farmer (1954)
    • Viola de bolsillo ensartada (1955)
    • Habla almendro (1957)
    • Ciclo (1957)
    • Lección de las cosas (1962)
    • Antología Poética (1962)
    • Obra completa (1964)
    • Mecedora (1966)
    • World Wide World (1967)
    • Poemas (1971)
    • Las impurezas del blanco (1973)
    • Amor ama (1975)
    • La visita (1977)
    • Cuentos plausibles (1981)
    • El amor aprende amando (1985)



    Poemas




    Poema de las siete caras



    Cuando nací, un ángel torcido
    de los que viven a la sombra
    dijo: ¡Ve, Carlos! Sé gauche en la vida.

    Las casas espían a los hombres.
    que corren tras las mujeres.
    La tarde pudo haber sido azul
    No había tantos deseos.

    El tranvía va con las piernas llenas:
    Patas blancas negras amarillas.
    Por qué tanta pierna, Dios mío, pregunta a mi corazón.
    Pero mis ojos
    No piden nada.

    El hombre detrás del bigote.
    Es serio, simple y fuerte.
    Casi no se habla.
    Tiene pocos amigos raros.
    El hombre detrás de sus anteojos y bigote.

    Dios mío, ¿por qué me has abandonado?
    si supieras que yo no era Dios
    Si supieras que soy débil.

    En todo el mundo,
    si me llamaran Raimundo
    Sería una rima, no sería una solución.
    En todo el mundo,
    Más ancho es mi corazón.

    No debería decirte
    pero esta luna
    pero este brandy
    haznos mover como el diablo.







    Pandilla





    João amaba a Teresa que amaba a Raimundo
    quien amaba a María que amaba a Joaquim que amaba a Lili,
    No amaba a nadie.
    John fue a los Estados Unidos, Teresa al convento,
    Raimundo murió de desastre, María se quedó por su tía,
    Joaquim se suicidó y Lili se casó con J. Pinto Fernandes
    eso no había entrado en la historia.







    Ausencia





    Durante mucho tiempo pensé que la ausencia es falta.
    Y lamentó, ignorantemente, la falta.
    Hoy no me arrepiento.
    No hay falta en ausencia.
    La ausencia es un ser en mí.
    Y la siento blanca, tan cerca, apretada en mis brazos,
    que me río y bailo y hago exclamaciones alegres,
    porque la ausencia, esta ausencia asimilada,
    Ya nadie me la roba.


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    Mensaje por Maria Lua Dom 25 Oct 2020, 06:52

    Casamento do céu e do inferno


    No azul do céu de metileno
    a lua irônica
    diurética
    é uma gravura de sala de jantar.
    Anjos da guarda em expedição noturna
    velam sonos púberes
    espantando mosquitos
    de cortinados e grinaldas.
    Pela escada em espiral
    diz-que tem virgens tresmalhadas,
    incorporadas à Via Láctea,
    vagalumeando…
    Por uma frincha
    o diabo espreita com o olho torto.
    Diabo tem uma luneta
    que varre léguas de sete léguas
    e tem o ouvido fino
    que nem violino.
    São Pedro dorme
    e o relógio do céu ronca mecânico.
    Diabo espreita por uma frincha.
    Lá embaixo
    suspiram bocas machucadas.
    Suspiram rezas? Suspiram manso,
    de amor.
    E os corpos enrolados
    ficam mais enrolados ainda
    e a carne penetra na carne.
    Que a vontade de Deus se cumpra!
    Tirante Laura e talvez Beatriz,
    o resto vai para o inferno


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    Mensaje por Maria Lua Jue 29 Oct 2020, 15:08

    SENTIMENTAL


    Ponho-me a escrever teu nome
    com letras de macarrão.
    No prato, a sopa esfria, cheia de escamas
    e debruçados na mesa todos contemplam
    esse romântico trabalho.

    Desgraçadamente falta uma letra,
    uma letra somente
    para acabar teu nome!

    - Está sonhando? Olhe que a sopa esfria!

    Eu estava sonhando...
    E há em todas as consciências um cartaz amarelo:
    "Neste país é proibido sonhar."







    Sentimental

    Me pongo a escribir tu nombre

    con fideos de letritas.

    En el plato, la sopa se enfría, llena

    de escamas

    y acodados en la mesa todos contemplan

    ese romántico trabajo.

    Desgraciadamente falta una letra

    ¡una letra solamente

    para acabar tu nombre!

    -¿Estás soñando? ¡Mira que la sopa se

    enfría!

    Yo estaba soñando…

    Y hay en todas las conciencias este cartel

    amarillo:

    “En este país está prohibido soñar”.


    _________________



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    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
    compartir contigo sol y luna,
    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
    (Hánjel)





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    Mensaje por Maria Lua Sáb 31 Oct 2020, 08:04



    Poema publicado em 1973, no livro As impurezas do branco de Carlos Drummond de Andrade que neste vídeo é recitado pelo próprio autor.


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    Mensaje por Maria Lua Sáb 31 Oct 2020, 08:46

    O homem; as viagens


    O homem, bicho da Terra tão pequeno
    chateia-se na Terra
    lugar de muita miséria e pouca diversão,
    faz um foguete, uma cápsula, um módulo
    toca para a Lua
    pisa na Lua
    planta bandeirola na Lua
    experimenta a Lua
    civiliza a Lua
    humaniza a Lua.


    Lua humanizada: tão igual à Terra.
    O homem chateia-se na Lua.
    Vamos para Marte – ordena a suas máquinas.
    Elas obedecem, o homem desce em marte
    pisa em Marte
    experimenta
    coloniza
    civiliza
    humaniza Marte com engenho e arte 


    Marte humanizado, que lugar quadrado.
    Vamos a outra parte?
    Claro - diz o engenho
    Sofisticado e dócil.
    Vamos a vênus.
    O homem põe o pé em vênus,
    Vê o visto - é isto?
    Idem
    Idem
    Idem.

    O homem funde a cuca se não for a júpiter
    Proclamar justiça junto com injustiça
    Repetir a fossa
    Repetir o inquieto
    Repetitório.

    Outros planetas restam para outras colônias.
    O espaço todo vira terra-a-terra.
    O homem chega ao sol ou dá uma volta
    Só para tever?
    Não-vê que ele inventa
    Roupa insiderável de viver no sol.
    Põe o pé e:
    Mas que chato é o sol, falso touro
    Espanhol domado.

    Restam outros sistemas fora
    Do solar a col-
    Onizar.
    Ao acabarem todos
    Só resta ao homem
    (estará equipado?)
    A dificílima dangerosíssima viagem
    De si a si mesmo:
    Pôr o pé no chão
    Do seu coração
    Experimentar
    Colonizar
    Civilizar
    Humanizar
    O homem
    Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
    A perene, insuspeitada alegria
    De con-viver.









    *******************




    El hombre; los viajes


    Hombre, bicho de la Tierra, tan pequeño
    se aburre en la Tierra
    lugar de mucha miseria y poca diversión,
    hace un cohete, una cápsula, un módulo
    se va a la Luna
    pisa la Luna
    planta banderín en la Luna
    experimenta la Luna
    civiliza la Luna
    humaniza la Luna.


    Luna humanizada: tan parecida a la Tierra.
    El hombre se enoja en la Luna.
    Vamos a Marte, ordena a sus máquinas.
    Obedecen, el hombre desciende a Marte
    pisa en Marte
    experimenta
    coloniza
    civiliza
    humaniza a Marte con ingenio y arte 


    Marte humanizado, qué lugar tan cuadrado.
    ¿Nos vamos a otro lado?
    Por supuesto - dice el ingenio
    Sofisticado y dócil.
    Vayamos a Venus.
    El hombre pone su pie en Venus,
    Ve lo visto, ¿es eso?
    Ídem
    Ídem
    Ídem.


    El hombre se hunde la cabeza si no va  Júpiter
    Proclamar justicia junto con injusticia
    Repite el vacío.
    Repite el inquieto
    Repetitivo.


    Quedan otros planetas para otras colonias.
    Todo el espacio se convierte en Tierra.
    El hombre llega al Sol o da un paseo
    ¿Solo para verte?
    No ve que el inventa
    Ropa espacial para vivir en el Sol.
    Pon un pie y:
    Pero que aburrido es el Sol, falso toro 
    español domesticado.


    Otros sistemas quedan fuera
    De solar a col-
    onizar.
    Cuando se acaben todos
    Solo queda al hombre
    (¿estará equipado?)
    El  dificilimo y peligrosisimo viaje 
    de si a si mismo:
    poner el pie
    en su corazón
    experimentar
    colonizar
    civilizar
    humanizar
    el hombre
    descubriendo en sus propios rincones inexplorados
    la perenne e insospechada alegría
    de con - vivir.


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Dom 01 Nov 2020, 06:56

    Explicação


    Meu verso é minha consolação.
    Meu verso é minha cachaça. Todo mundo tem sua cachaça.
    Para beber, copo de cristal, canequinha de folha-de-flandres,
    folha de taioba, pouco importa: tudo serve.
    Para louvar a Deus como para aliviar o peito,
    queixar o desprezo da morena, cantar minha vida e trabalhos
    é que faço meu verso. E meu verso me agrada.
    Meu verso me agrada sempre…
    Ele às vezes tem o ar sem-vergonha de quem vai dar uma cambalhota.
    Eu bem me entendo.
    Não sou alegre. Sou até muito triste.
    A culpa é da sombra das baaneiras de meu país, esta sombra mole, preguiçosa.
    Há dias em que ando na rua de olhos baixos
    para que ninguém desconfie, ninguém perceba
    que passei a noite inteira chorando.
    Estou no cinema vendo fita de Hoot Gibson,
    de repente ouço a voz de uma viola…
    saio desanimado.
    Ah, ser filho de fazendeiro!
    À beira do São Francisco, do Paraíba ou de qualquer outro córrego vagabundo,
    é sempre a mesma sen-si-bi-li-da-de.
    E a gente viajando na pátria sente saudades da pátria.
    Aquela casa de nove andares comerciais
    é muito interessante.
    A casa colonial da fazenda também era…
    No elevador penso na roça,
    na roça penso no elevador.
    Quem me fez assim foi minha gente e minha terra
    e eu gosto bem de ter nascido com essa tara.
    Para mim, de todas as burrices, a maior é suspirar pela Europa
    A Europa é uma cidade muito velha onde só fazem caso de dinheiro
    e tem umas atrizes de pernas adjetivas que passam a perna na gente.
    O francês, o italiano, o judeu falam uma língua de farrapos.
    Aqui ao menos a gente sabe que tudo é uma canalha só,
    lê o seu jornal, mete a língua no governo,
    queixa-se da vida (a vida está tão cara)
    e no fim dá certo.
    Se meu verso não deu certo, foi seu ouvido que entortou.
    Eu não disse ao senhor que não sou senão poeta?





    ¹ Carlos Drummond de Andrade
    * Itabira do Mato Dentro, MG, – 31 de Outubro de 1902 d.C
    + Rio de Janeiro RJ, – 17 de Agosto de 1987 d.C
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    ********************************************




    Explicación
     
    Mi verso es mi consolación.
    Mi verso es mi bebida. Todo mundo tiene su bebida.
    Para beber en copa de cristal, en jarra de hojalata,
    hoja de plátano, poco importa: todo sirve.

    Para alabar a Dios, aliviar el pecho,
    lamentar el desprecio de la morena, contar mi vida y
    trabajos,
    hago mis versos. Y mi verso me agrada.

    Mi verso me agrada siempre…
    Tiene, a veces, el aire desvergonzado de quien va a dar
    una pirueta
    mas no es para el público, es para mí mismo.
    Yo me entiendo bien.
    No soy alegre: hasta soy muy triste.
    La culpa es de las bananeras de mi país, esta sombra
    blanda, floja.
    Hay días en que ando en la calle con los ojos bajos
    para que nadie desconfíe, nadie se dé cuenta
    que pasé la noche entera llorando.
    Estoy en el cine viendo una película de Hoot Gibson,
    de repente oigo la voz de una guitarra…
    salgo desanimado.
    Ah, ser hijo de hacendado!
    A la vera de San Francisco, de paraíba o de cualquier
    arroyuelo vagabundo,
    es siempre la misma sen-si-bi-li-dad.
    Y uno viajando por la patria, siente saudades por la patria.
    Aquella casa de nueve pisos comerciales
    es muy interesante.
    La casa colonial de la hacienda también era…
    En el elevador pienso en el campo,
    en el campo pienso en el elevador.
    Quien me hizo así fue mi gente y mi tierra,
    me gusta haber nacido con esa tara.
    Para mí, de todas las necedades, la mayor es suspirar
    por Europa.
    Europa es una ciudad muy vieja donde sólo hacen caso
    del dinero
    y tienen unas actrices de piernas adjetivas que engañan
    a uno.
    El francés, el italiano, el judío hablan una lengua de
    harapos.
    Aquí, al menos, uno sabe que todo es una canalla
    solamente.
    Lee su periódico, ataca al gobierno,
    se queja de la vida (la vida está tan cara)
    y al final acierta.

    Si mi verso no es, fue su oído que no oyó;
    ¿No dije a usted que no soy sino poeta?


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Mar 10 Nov 2020, 15:29

    José


    E agora, José?
    A festa acabou,
    a luz apagou,
    o povo sumiu,
    a noite esfriou,
    e agora, José?
    e agora, Você?
    Você que é sem nome,
    que zomba dos outros,
    Você que faz versos,
    que ama, proptesta?
    e agora, José?


    Está sem mulher,
    está sem discurso,
    está sem carinho,
    já não pode beber,
    já não pode fumar,
    cuspir já não pode,
    a noite esfriou,
    o dia não veio,
    o bonde não veio,
    o riso não veio,
    não veio a utopia
    e tudo acabou
    e tudo fugiu
    e tudo mofou,
    e agora, José?


    E agora, José?
    sua doce palavra,
    seu instante de febre,
    sua gula e jejum,
    sua biblioteca,
    sua lavra de ouro,
    seu terno de vidro,
    sua incoerência,
    seu ódio, - e agora?


    Com a chave na mão
    quer abrir a porta,
    não existe porta;
    quer morrer no mar,
    mas o mar secou;
    quer ir para Minas,
    Minas não há mais.
    José, e agora?


    Se você gritasse,
    se você gemesse,
    se você tocasse,
    a valsa vienense,
    se você dormisse,
    se você consasse,
    se você morresse....
    Mas você não morre,
    você é duro, José!


    Sozinho no escuro
    qual bicho-do-mato,
    sem teogonia,
    sem parede nua
    para se encostar,
    sem cavalo preto
    que fuja do galope,
    você marcha, José!
    José, para onde?


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Sáb 14 Nov 2020, 05:05

    CONSIDERACIÓN DEL POEMA
     
       No rimaré con la palabra sueño
    su no correspondiente palabra dueno. (*)
    La rimaré con la palabra carne
    o con cualquicra otra; todas me convienen.
    Las  palabras  no  nacen amarradas,
    ellas saltan, se besan, se disuelven,
    son en el cielo libre a veres un dibujo,
    son puras, anchas, auténticas, incorruptibles.
     
       Una piedra en  el médio  dei camino
    o sólo un rastro, nada de eso importa.
    Estos poetes son míos. Ellos con todo orgullo
    con toda precisión se incorporaron
    a mi fatal lado izquierdo. Robo a Vinícius
    su más límpida elegia. Bebo en Murilo.
    Que Neruda me alcance su corbata
    Hameante. Me hundo en Apollinaire. Adiós, mi Maiacovski.
     
        Son todos mis hermanos, no son periódicos
    ni un deslizar de lancha entre camélias:
    es la vida total que me he jugado.
     
              Estos poemas son míos. Es mi tierra
    y más que ella. Es cualquier hombre
    de mediodía en cualquier plaza. Es la linterna
    en alguna posada, si alguna queda todavia.
    —¿Hay muertos? ¿hay mercados? ¿hay dolencias?
    Todo eso es mío. Ser explosivo, sin fronteras
    ¿por qué falsa mezquindad me desharía?
    ¡Que se depositen los besos en el rostro Manco, en las
                                                               primeras arrugas!
     
       El beso todavia es una señal, aunque se pierda,
    de la ausencia del comercio,
    flotando en tiempos sucios.
     
       Poeta de lo finito y de la materia
    cantor ya sin piedad, si, sin fáciles lágrimas
    boca tan seca, per o ardor tan casto!
    Dar todo por la presencia de las lejanías,
    sentir que hay ecos, poços, pero cristal
    no roca solamente; y peces circulando
    bafo el navío que lleva este mensaje,
    y aves de pico largo constatando
    su derrota; y dos o tres fanales
    ¡los últimos! esperanza dei mar negro.
    Ese viaje es mortal... pues comenzarlo.
    Saber que todo existe. Y moverse en el medio
    de mães de millones de formas raras,
    secretas, duras. Ese mi canto.
     
       El es tan bajo que se escucha apenas
    con el oído contra el suelo. Pero es tan alto
    que las piedras lo absorben. Está en la mesa
    abierta en libros, cartas y remedios.
    En el muro infiltróse. Y el tranvía, la calle,
    el uniforme del colégio se transforman,
    son ondas de
       ¿Cómo escapar al más mínimo objeto
    o rehusarse al grande? Los temas pasan
    yo sé que pasarán, más tú resistes,
    y creces como fuego, como casa,
    como rocío entre los dedos
    en la grama, que reposan.
     
       Y ahora te sigo a todas partes,
    te deseo y te pierdo, estoy completo,
    me destino, me vuelvo tan sublime,
    tan natural y lleno de secretos,
    tan seguro, tan fiel... Como una lámina
    el pueblo ¡oh mi poema!, te atraviesa.
     
     
    (*)     El original dice "sono" y "outono" (sueño y otoño) al pie de los dos primeros versos. El traductor quiso mantener la unidad idiomática en su versión, para lo cual, debiendo mantener también la rima, —fundamental elemento de la ironía del autor— creyó oportuno cambiar otoño por dueño. Créase así semejante incompatibibdad de sentido entre los dos términos rimados, manteniéndose también la principal palabra "sueño" que pareceria relacionarse luego con carne, en cierto respeto materialista.
     
     
    (De "Rosa de pueblo" 1945)


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    Mensaje por Maria Lua Jue 19 Nov 2020, 06:07

    Búsqueda de la poesía






    No hagas versos sobre acontecimientos.
    No existe creación ni muerte mediante la poesía.
    Ante ella, la vida es sol estático,
    no calienta ni ilumina.
    Las simpatías, los aniversarios, los incidentes personales
    no cuentan
    No hagas poesía con el cuerpo,
    ese excelente, completo y confortable cuerpo, tan contrario
    a la efusión lírica.
    Tu gota de bilis, tu careta en la oscuridad,
    de dolor o de goce,
    son indiferentes.
    Ni me reveles tus sentimientos,
    que se aprovechan del equívoco y pretenden llegar muy lejos.
    Lo que piensas, lo que sientes, eso todavía no es poesía.
    No cantes a tu ciudad, déjala en paz.
    El canto no es el movimiento de las máquinas ni los secretos caseros.
    No es una música oída al pasar: el rumor del mar
    en las calles junto a la línea de espuma.
    El canto no es la naturaleza
    ni los hombres en sociedad.
    Para él, lluvia y noche, fatiga y esperanza
    no significan nada.
    La poesía (no saques poesía de las cosas)
    suprime sujeto y objeto.
    No dramatices, no invoques,
    no indagues. No pierdas tiempo mintiendo.
    No te odies.
    Tu yate de marfil, tu zapato de diamante,
    tus mazurcas y supersticiones, tus esqueletos de familia
    desaparecen en la curva del tiempo, son algo inservible.
    No recompongas
    tu infancia sepultada y melancólica,
    no osciles entre el espejo y la
    memoria en disipación.
    Si se disipó, no era poesía.
    Si se quebró, cristal no era.
    Penetra sordamente el reino de las palabras.
    Allá están los poemas que esperan ser escritos.
    Están paralizados, pero no hay desesperación,
    hay calma y frescura en la superficie intacta.
    Helos solos y mudos, en estado de diccionario.
    Convive con tus poemas, antes de escribirlos.
    Ten paciencia si son oscuros. Calma si te provocan,
    Espera que cada uno se realice y se consume
    con su poder de palabra
    y su poder de silencio.
    No fuerces al poema a que se desprenda del limbo.
    No recojas del suelo al poema perdido.
    No adules al poema. Acéptalo
    como el aceptará su forma definitiva y concentrada
    en el espacio.
    Acércate más y contempla las palabras.
    Cada una
    tiene mil caras secretas bajo una cara neutra
    y te pregunta, sin interesarse en la respuesta,
    pobre o terrible, que le dieres:
    Trajiste la llave?
    Fíjate:
    vacía de melodía y de concepto,
    ellas se refugian en la noche, las palabras,
    húmedas todavía, impregnadas de sueño,
    ruedan en un río difícil y se convierten en desprecio.


    _________________



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    CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE (Brasil, 31/10/ 1902 –  17/08/ 1987) - Página 9 Empty Re: CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE (Brasil, 31/10/ 1902 – 17/08/ 1987)

    Mensaje por Maria Lua Jue 26 Nov 2020, 06:14

    POR MUITO TEMPO ACHEI QUE A AUSÊNCIA É FALTA




    Por muito tempo achei que a ausência é falta.
    E lastimava, ignorante, a falta.
    Hoje não a lastimo.
    Não há falta na ausência.
    A ausência é um estar em mim.
    E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
    que rio e danço e invento exclamações alegres,
    porque a ausência, essa ausência assimilada,
    ninguém a rouba mais de mim.








    *********************************








    Durante mucho tiempo pensé que la ausencia era una falta.




    Durante mucho tiempo pensé que la ausencia era una falta.
    Y me compadecia, ignorantemente, de la falta.
    Hoy no lamento.
    No hay falta en la ausencia.
    La ausencia es un estar en mí.
    Y la siento, blanca, tan atrapada, acurrucada en mis brazos
    Me río y bailo y hago exclamaciones alegres,
    porque la ausencia, esta ausencia asimilada,
    ya nadie me la roba.


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    o un ciego soñando
    y en ese vuelo y en ese sueño
    compartir contigo sol y luna,
    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
    (Hánjel)





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    Mensaje por Maria Lua Mar 01 Dic 2020, 08:36

    SAGRAÇÃO

    Rocinante
    pasta a erva do sossego.

    A Mancha inteira é calma.
    A chama oculta arde
    nesta fremente Espanha interior.

    De giolhos e olhos visionários
    me sagro cavaleiro
    andante, amante
    de amor cortês a minha dama,
    cristal de perfeição entre perfeitas.

    Daqui por diante
    é girar, girovagar, a combater
    o erro, o falso, o mal de mil semblantes
    e recolher, no peito em sangue,
    a palma esquiva e rara
    que há de cingir-me a fronte
    por mão de Amor-amante.

    A fama, no capim
    que Rocinante pasta,
    se guarda para mim, em tudo a sinto,
    sede que bebo, vento que me arrasta.


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Sáb 05 Dic 2020, 05:41




    Sergio Mota apresenta "Mundo Grande", poema de Carlos Drummond de Andrade.




    Mundo grande 



    "Não, meu coração não é maior que o mundo.
    Ê muito menor.
    Nele não cabem nem as minhas dores.
    Por isso gosto tanto de me contar.
    Por isso me dispo.
    Por isso me grito,
    por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
    preciso de todos.

    Sim, meu coração é muito pequeno.
    Só agora vejo que nele não cabem os homens.
    Os homens estão cá fora, estão na rua.
    A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
    Mas também a rua não cabe todos os homens.
    A rua é menor que o mundo.
    O mundo é grande.

    Tu sabes como é grande o mundo.
    Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
    Viste as diferentes cores dos homens.
    as diferentes dores dos homens.
    sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
    num só peito de homem... sem que elo estale.

    Fecha os olhos e esquece.
    Escuta a água nos vidros,
    tão calma. Não anuncia nada.
    Entretanto escorre nas mãos,
    tão calma! vai’ inundando tudo...
    Renascerão as cidades submersas?
    Os homens submersos —— voltarão?
    Meu coração não sabe.
    Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
    Só agora descubro
    como é triste ignorar certas coisas.
    (Na solidão de invidíduo
    desaprendi a linguagem
    com que homens se comunicam.)

    Outrora escutei os anjos,
    as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
    Nunca escutei voz de gente.
    Em verdade sou muito pobre.

    Outrora viajei
    países imaginários, fáceis de habitar.
    ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio

    Meus amigos foram às ilhas.
    Ilhas perdem o homem.
    Entretanto alguns se salvaram e
    trouxeram a notícia
    de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
    entre o fogo e o amor.

    Então, meu coração também pode crescer.
    Entre o amor e o fogo,
    entre a vida e o fogo,
    meu coração cresce dez metros e explode.
    — Ó vida futura! nós te criaremos







    (Poema da obra Sentimento do mundo)



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    Mensaje por Maria Lua Sáb 05 Dic 2020, 19:37

    Mundo mundo vasto mundo
    se eu me chamasse Raimundo,
    seria uma rima, não seria uma solução.
    Mundo mundo vasto mundo,
    mais vasto é meu coração.


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    Mensaje por Maria Lua Dom 06 Dic 2020, 05:51

    Casamento do céu e do inferno




    No azul do céu de metileno
    a lua irônica
    diurética
    é uma gravura de sala de jantar.


    Anjos da guarda em expedição noturna
    velam sonos púberes
    espantando mosquitos
    de cortinados e grinaldas.


    Pela escada em espiral
    diz-que tem virgens tresmalhadas,
    incorporadas à Via Láctea,
    vagalumeando…


    Por uma frincha
    o diabo espreita com o olho torto.
    Diabo tem uma luneta
    que varre léguas de sete léguas
    e tem o ouvido fino
    que nem violino.


    São Pedro dorme
    e o relógio do céu ronca mecânico.
    Diabo espreita por uma frincha.


    Lá embaixo
    suspiram bocas machucadas.
    Suspiram rezas? Suspiram manso,
    de amor.

    E os corpos enrolados
    ficam mais enrolados ainda
    e a carne penetra na carne.


    Que a vontade de Deus se cumpra!
    Tirante Laura e talvez Beatriz,
    o resto vai para o inferno.




    **********************




    Matrimonio del cielo y el infierno




    En el cielo azul de metileno
    la luna irónica
    diurética
    es una imagen de un comedor


    Ángeles de la guarda en expedición nocturna
    sueño pubescente
    asustando a los mosquitos
    de cortinas y guirnaldas.


    Subiendo la escalera de caracol
    dicen que hay  vírgenes vagando...
    incorporadas a la Vía Láctea,
    "luciernagando" ...


    A través de una grieta
    el diablo acecha con los ojos torcidos.
    El diablo tiene un Telescopio
    que barre leguas de siete leguas
    y tiene una oreja delgada
    como un violín.


    San Pedro duerme
    y el reloj del cielo ronca mecánicamente.
    El diablo acecha a través de una grieta.


    Abajo
    Suspiro bocas heridas
    ¿Suspiran oraciones? Suspiran suavemente
    de amor.


    Y los cuerpos encrespados
    enredanse aún más
    y la carne penetra en la carne.


    ¡Que se cumpla la voluntad de Dios!
    Atar a Laura y tal vez a Beatriz,
    el resto se va al infierno.


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    Mensaje por Maria Lua Dom 06 Dic 2020, 05:53

    Construção


    Um grito pula no ar como foguete.
    Vem da paisagem de barro úmido, caliça e andaimes hirtos.
    O sol cai sobre as coisas em placa fervendo.
    O sorveteiro corta a rua.
    E o vento brinca nos bigodes do construtor.


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    Mensaje por Maria Lua Dom 06 Dic 2020, 05:57

    Estrambote melancólico


    Tenho saudade de mim mesmo, sau-
    dade sob aparência de remorso,


    de tanto que não fui, a sós, a esmo,
    e de minha alta ausência em meu redor.
    Tenho horror, tenho pena de mim mesmo
    e tenho muitos outros sentimentos
    violentos. Mas se esquivam no inventário,
    e meu amor é triste como é vário,
    e sendo vário é um só. Tenho carinho
    por toda perda minha na corrente
    que de mortos a vivos me carreia
    e a mortos restitui o que era deles
    mas em mim se guardava. A estrela-d’alva
    penetra longamente seu espinho
    (e cinco espinhos são) na minha mão.


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Lun 07 Dic 2020, 06:03

    AINDA QUE MAL

    Ainda que mal pergunte,
    ainda que mal respondas;
    ainda que mal te entenda,
    ainda que mal repitas;
    ainda que mal insista,
    ainda que mal desculpes;
    ainda que mal me exprima,
    ainda que mal me julgues;
    ainda mal me mostre,
    ainda que mal me vejas;
    ainda que mal te encare,
    ainda que mal te furtes;
    ainda que mal te siga,
    ainda que mal te voltes;
    ainda que mal te ame,
    ainda que mal o saibas;
    ainda que mal te agarre,
    ainda que mal te mates;
    ainda assim te pergunto
    e me queimando em teu seio,
    me salvo e me dano: amor.





             (As impurezas do branco, 1973)


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    Mensaje por Maria Lua Mar 08 Dic 2020, 08:56

    Sonhei que estava sonhando
    e que no meu sonho havia
    outro sonho esculpido.
    Os três sonhos sobrepostos
    dir-se-iam apenas elos
    de uma infindável cadeia
    de mitos organizados
    em derredor de um pobre eu.


    Eu que, mal de mim! sonhava.
    Sonhava que no meu sonho
    retinha uma zona lúcida
    para concretar o fluido
    como abstrair o maciço.
    Sonhava que estava alerta,
    e mais do que alerta, lúdico,
    e receptivo, e magnético,
    e em torno a mima se dispunham
    possibilidades claras,
    e, plástico, o ouro do tempo
    vinha cingir-me e dourar-me
    para todo o sempre, para
    um sempre que ambicionava
    mas de todo o ser temia...


    Ai de mim! que mal sonhava.
    Sonhei que os entes cativos
    dessa livre disciplina
    plenamente floresciam
    permutando no universo
    uma dileta substância
    e um desejo apaziguado
    de ser um ser com milhares,
    pois o centro era eu de tudo
    como era cada um dos raios
    desfechados para longe,
    alcançando além da terra
    ignota região lunar,
    na perturbadora rota
    que antigos não palmilharam
    mas ficou traçada em branco
    nos mais velhos portulanos
    e no pó dos marinheiros
    afogados em mar alto.


    Sonhei que meu sonho vinha
    com a realidade mesma.
    Sonhei que o sonho se forma
    não do que desejaríamos
    ou de quanto silenciamos
    em meio a ervas crescidas,
    mas do que vigia e fulge
    em cada ardente palavra
    proferida sem malícia,
    aberta como uma flor
    se entreabre: radiosamente.


    Sonhei que o sonho existia
    não dentro, fora de nós,
    e era toca-lo e colhe-lo,
    e sem demora sorve-lo,
    gasta-lo sem vão receio
    de que um dia se gastara.


    Sonhei certo espelho límpido
    com a propriedade mágica
    de refletir o melhor,
    sem azedume ou frieza
    por tudo que fosse obscuro,
    mas antes o iluminando,
    mansamente convertendo
    em fonte mesma de luz.
    Obscuridade! Cansaço!
    Oclusão de formas meigas!
    Ó terra sobre diamantes!
    Já vos libertais, sementes,
    germinando à superfície
    deste solo resgatado!


    Sonhava, aí de mim, sonhando
    que não sonhara... Mas via
    na treva em frente ao meu sonho,
    nas paredes degradadas,
    na fumaça, na impostura,
    no riso mau, na inclemência,
    na fúria contra os tranquilos,
    na estreita clausura física,
    no desamor à verdade,
    na ausência de todo amor


    Eu via, ai de mim, sentia
    que o sonho era sonho, e falso.





    - Carlos Drummond de Andrade


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    Mensaje por Maria Lua Miér 16 Dic 2020, 07:14

    Consolo na praia







    Vamos, não chores.

    A infância está perdida.

    A mocidade está perdida.

    Mas a vida não se perdeu.

    O primeiro amor passou.

    O segundo amor passou.

    O terceiro amor passou.

    Mas o coração continua.

    Perdeste o melhor amigo.

    Não tentaste qualquer viagem.

    Não possuis carro, navio, terra.

    Mas tens um cão.

    Algumas palavras duras,

    em voz mansa, te golpearam.

    Nunca, nunca cicatrizam.

    Mas, e o humour?

    A injustiça não se resolve.

    À sombra do mundo errado

    murmuraste um protesto tímido.

    Mas virão outros.

    Tudo somado, devias

    precipitar-te, de vez, nas águas.

    Estás nu na areia, no vento…

    Dorme, meu filho.


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    Mensaje por Maria Lua Sáb 19 Dic 2020, 06:48



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    Mensaje por Maria Lua Jue 24 Dic 2020, 05:52

     "Organiza o Natal"





    Poeta Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom. Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas.
    Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.
    Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso. A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.


    A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro. A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.
    Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz. O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.
    Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível. A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã. O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive. E será Natal para sempre.
     



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    y en ese vuelo y en ese sueño
    compartir contigo sol y luna,
    siendo guardián en tu cielo
    y tren de tus ilusiones."
    (Hánjel)





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    Mensaje por Maria Lua Jue 31 Dic 2020, 05:52

    RECEITA DE ANO NOVO




    Para você ganhar belíssimo Ano Novo

    cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,

    Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido

    (mal vivido talvez ou sem sentido)

    para você ganhar um ano

    não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,

    mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;

    novo

    até no coração das coisas menos percebidas

    (a começar pelo seu interior)

    novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,

    mas com ele se come, se passeia,

    se ama, se compreende, se trabalha,

    você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,

    não precisa expedir nem receber mensagens

    (planta recebe mensagens?

    passa telegramas?)




    Não precisa

    fazer lista de boas intenções

    para arquivá-las na gaveta.

    Não precisa chorar arrependido

    pelas besteiras consumadas

    nem parvamente acreditar

    que por decreto de esperança

    a partir de janeiro as coisas mudem

    e seja tudo claridade, recompensa,

    justiça entre os homens e as nações,

    liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,

    direitos respeitados, começando

    pelo direito augusto de viver.



    Para ganhar um Ano Novo

    que mereça este nome,

    você, meu caro, tem de merecê-lo,

    tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,

    mas tente, experimente, consciente.

    É dentro de você que o Ano Novo

    cochila e espera desde sempre.





    [Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo] , "Receita de Ano Novo". Editora Record. 2008.


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Sáb 02 Ene 2021, 05:59

    campo de flores


    Deus me deu um amor no tempo de madureza,
    quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.
    Deus — ou foi talvez o Diabo — deu-me este amor maduro,
    e a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.


    Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos
    e outros acrescento aos que amor já criou.
    Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso
    e talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.


    Mas sou cada vez mais, eu que não me sabia
    e cansado de mim julgava que era o mundo
    um vácuo atormentado, um sistema de erros.
    Amanhecem de novo as antigas manhãs
    que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.


    Mas me sorriam sempre atrás de tua sombra
    imensa e contraída como letra no muro
    e só hoje presente.
    Deus me deu um amor porque o mereci.
    De tantos que já tive ou tiveram em mim,
    o sumo se espremeu para fazer um vinho
    ou foi sangue, talvez, que se armou em coágulo.


    E o tempo que levou uma rosa indecisa
    a tirar sua cor dessas chamas extintas
    era o tempo mais justo. Era tempo de terra.
    Onde não há jardim, as flores nascem de um
    secreto investimento em formas improváveis.


    Hoje tenho um amor e me faço espaçoso
    para arrecadar as alfaias de muitos
    amantes desgovernados, no mundo, ou triunfantes,
    e ao vê-los amorosos e transidos em torno
    o sagrado terror converto em jubilação.


    Seu grão de angústia amor já me oferece
    na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia
    os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura
    e o mistério que além faz os seres preciosos
    à visão extasiada.


    Mas, porque me tocou um amor crepuscular,
    há que amar diferente. De uma grave paciência
    ladrilhar minhas mãos. E talvez a ironia
    tenha dilacerado a melhor doação.


    Há que amar e calar.
    Para fora do tempo arrasto meus despojos
    e estou vivo na luz que baixa e me confunde.


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Dom 03 Ene 2021, 07:03

    MENINOCHORANDONA NOITE


    Na noite lenta e morna, morta noite semruído, ummenino
    [chora.
    Ochoro atrás da parede, a luz atrás da vidraça
    perdem-se na sombra dos passos abafados, das vozes extenuadas.
    E no entanto se ouve até o rumor da gota de remédio caindo
    [na colher.
    Ummenino chora na noite, atrás da parede, atrás da rua,
    longe ummenino chora, emoutra cidade talvez,
    talvez emoutro mundo.
    E vejo a mão que levanta a colher, enquanto a outra sustenta
    [a cabeça
    e vejo o fio oleoso que escorre pelo queixo do menino,
    escorre pela rua, escorre pela cidade (umfio apenas).
    E não há ninguémmais no mundo a não ser esse menino
    [chorando.


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Lun 04 Ene 2021, 05:26

    NOTURNO À JANELA DOAPARTAMENTO


    Silencioso cubo de treva:
    umsalto, e seria a morte.
    Mas é apenas, sob o vento,
    a integração na noite.


    Nenhumpensamento de infância,
    nemsaudade nemvão propósito.
    Somente a contemplação
    de ummundo enorme e parado.


    A soma da vida é nula.
    Mas a vida temtal poder:
    na escuridão absoluta,
    como líquido, circula.


    Suicídio, riqueza, ciência…
    A alma severa se interroga
    e logo se cala. E não sabe
    se é noite, mar ou distância.


    Triste farol da Ilha Rasa.


    _________________



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    Mensaje por Maria Lua Lun 04 Ene 2021, 14:57

    El poeta


    declina toda responsabilidad

    en la marcha del mundo capitalista

    y con sus palabras, intuiciones, símbolos y otras armas

    promete ayudar

    para destruirlo

    como una cantera, un bosque

    un gusano.


    _________________



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