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CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

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CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - Página 9 Empty Re: CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Mensaje por Maria Lua el Vie 18 Sep 2020, 07:41

Poema de sete faces


Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
 


As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
 


O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
 


O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos , raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
 


Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
 


Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo,
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
 


Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.


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Mensaje por Maria Lua el Jue 01 Oct 2020, 13:42



Carlos Drummond de Andrade revela seus gostos e fala de Itabira (1981)


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Mensaje por Maria Lua el Jue 08 Oct 2020, 06:21

Depois de tantos combates
o anjo bom matou o anjo mau
e jogou seu corpo no rio.


As água ficaram tintas
de um sangue que não descorava
e os peixes todos morreram.


Mas uma luz que ninguém soube
dizer de onde tinha vindo
apareceu para clarear o mundo,
e outro anjo pensou a ferida
do anjo batalhador.


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CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - Página 9 Empty Re: CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Mensaje por Maria Lua el Vie 09 Oct 2020, 13:24

A noite está fria.
Noite indifferente.
Vamos morrer daqui a um minuto
(si você não roer a corda)
e no entanto o Cruzeiro do Sul parece
dizer: que m'importa,

E astros   aguas e terras  repetem
machinalmente: que m'importa.


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Mensaje por Maria Lua el Sáb 10 Oct 2020, 03:54

obras

Poesia/Crônica
Alguma Poesia (1930)
Brejo das Almas (1934)
Sentimento do Mundo (1940)
José (1942)
A Rosa do Povo (1945)
Novos Poemas (1948)
Claro Enigma (1951)
Fazendeiro do Ar (1954)
Viola de Bolso (1955)
A Vida Passada a Limpo (1959)
Lição de Coisas (1962)
Versiprosa (1967)
Boitempo (1968)
A Falta que Ama (1968)
Nudez (1968)
As Impurezas do Branco (1973)
Menino Antigo (Boitempo II) (1973)
A Visita (1977)
Discurso de Primavera e Algumas Sombras (1977)
O marginal Clorindo Gato (1978)
Esquecer para Lembrar (Boitempo III) (1979)
A Paixão Medida (1980)
Caso do Vestido (1983)
Corpo (1984)
Eu, Etiqueta (1984)
Amar se Aprende Amando (1985)
Poesia Errante (1988)
O Amor Natural (1992)
Farewell (1996)
Os Ombros Suportam o Mundo (1935)
Futebol a Arte (1970)
Naróta do Coxordão (1971)
Da Utilidade dos Animais
Elegia (1938)



Antologia poética
Poesia até Agora (1948)
A Última Pedra no meu Caminho (1950)
50 Poemas Escolhidos pelo Autor (1956)
Antologia Poética (1962)
Seleta em Prosa e Verso (1971)
Amor, Amores (1975)
Carmina Drummondiana (1982)
Boitempo I e Boitempo II (1987)
Minha Morte (1987)
Infantis
O Elefante (1983)
História de Dois Amores (1985)
O Pintinho (1988)
Rick e a Girafa[15]
Prosa
Confissões de Minas (1944)
Contos de Aprendiz (1951)
Passeios na Ilha (1952)
Fala, Amendoeira (1957)
A Bolsa & a Vida (1962)
A Minha Vida (1964)
Cadeira de Balanço (1966)
Caminhos de João Brandão (1970)
O Poder Ultrajovem e mais 79 Textos em Prosa e Verso (1972)
De Notícias & Não-notícias Faz-se a Crônica (1974)
70 Historinhas (1978)
Contos Plausíveis (1981)
Boca de Luar (1984)
O Observador no Escritório (1985)
Tempo Vida Poesia (1986)
Moça Deitada na Grama (1987)
O Avesso das Coisas (1988)
Auto-retrato e Outras Crônicas (1989)
As Histórias das Muralhas (1989)


Representações na cultura

Famosa estátua de Drummond na Praia de Copacabana.

Estátuas Dois poetas, na cidade de Porto Alegre. Em pé, Carlos Drummond de Andrade. Sentado, Mário Quintana. Drummond tinha um livro de bronze nas mãos, que foi roubado. As pessoas agora colocam sempre um livro nas mãos do poeta. Na foto, o livro que está com ele é "Diário de um Ladrão", do Jean Genet.
Drummond já foi retratado como personagem no cinema e na televisão, interpretado por Carlos Gregório e Pedro Lito no filme Poeta de Sete Faces (2002)[16] e Ivan Fernandes na minissérie JK (2006).

Também teve sua efígie impressa nas notas de NCz$ 50,00 (cinquenta cruzados novos) em circulação no Brasil entre 1988 e 1990.

Atualmente, também, há representações em Esculturas do Escritor, como é o caso das estátuas 'Dois poetas', na cidade de Porto Alegre, e também 'O Pensador', na praia de Copacabana no Rio de Janeiro, além de um memorial em sua homenagem na cidade de Itabira.


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Mensaje por Maria Lua el Mar 13 Oct 2020, 03:59

O enterrado vivo
 
É sempre no passado aquele orgasmo,
é sempre no presente aquele duplo,
é sempre no futuro aquele pânico.
 
É sempre no meu peito aquela garra.
É sempre no meu tédio aquele aceno.
É sempre no meu sono aquela guerra.
 
É sempre no meu trato o amplo distrato.
Sempre na minha firma a antiga fúria.
Sempre no mesmo engano outro retraio.
 
É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha.
É sempre no meu não aquele trauma.
 
Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
É sempre no meu sempre a mesma ausência.
 




 
El enterrado vivo
 
Está siempre en el pasado el mismo orgasmo,
y siempre en el presente el mismo doble,
y siempre en el futuro el mismo pánico.
 
Esta siempre en mi pecho la misma garra.
Y siempre en mi tedio la misma llamada.
Y siempre en mi sueño la misma guerra.
 
Está siempre en mi acuerdo el gran desacuerdo.
Siempre en mi firma la antigua furia.
Siempre en el mismo engaño otro retrato.
 
Está siempre en mis saltos el límite.
Y siempre en mis labios la estampilla.
Y siempre en mi no el mismo trauma.
 
Y siempre en mi amor la noche rompe.
Y siempre dentro de mí mi enemigo.
Y en mi siempre la misma ausencia siempre.




 
De Fazendeiro do ar (19S2-19S3)


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Mensaje por Maria Lua el Mar 13 Oct 2020, 04:00

Poemas perdidos” de CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE” publicados originalmen da Revista Acadêmica, de maio de 1922, escritos na fase inicial do poeta mineiro, bem diferente de sua poética conhecida...
[url=http://www.antoniomiranda.com.br/Brasilsempre/img/carlos drummond de andrade3.jpg][Tienes que estar registrado y conectado para ver esa imagen] [/url]


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Mensaje por Maria Lua el Mar 13 Oct 2020, 04:01

Ruas
Por que ruas tão largas?
Por que ruas tão retas?
Meu passo torto
foi regulado pelo becos tortos
de onde venho.
Não sei andar na vastidão simétrica
implacável.
Cidade grande é isso?
Cidades são passagens sinuosas
de esconde-esconde
em que as casas aparecem-desaparecem
quando bem entendem

e todo mundo acha normal.
Aqui tudo é exposto
evidente
cintilante. Aqui
obrigam-me a nascer de novo, desarmado.


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Mensaje por Maria Lua el Mar 13 Oct 2020, 04:02

FRAGILIDADE                                           
                      
Este verso, apenas um arabesco
em torno do elemento essencial - inatingível.
Fogem nuvens de verão, passam ares, navios, ondas,
e teu rosto é quase um espelho onde brinca o incerto movimento,
ai! já brincou, e tudo se fez imóvel, quantidades e quantidades
de sono se depositam sobre a terra esfacelada.
 
Não mais o desejo de explicar, e múltiplas palavras em feixe
subindo, e o espírito que escolhe, o olho que visita, a música
feita de depurações e depurações, a delicada modelagem
de um cristal de mil suspiros límpidos e frígidos: não mais
que um arabesco, apenas um arabesco
abraça as coisas, sem reduzi-las.


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Mensaje por Maria Lua el Mar 13 Oct 2020, 04:03

AINDA QUE MAL

Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entenda,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes;
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda assim te pergunto
e me queimando em teu seio,
me salvo e me dano: amor.





         (As impurezas do branco, 1973)


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Mensaje por Maria Lua el Mar 13 Oct 2020, 04:03

CONVITE AO SUICÍDIO
A MÁRIO DE ANDRADE                   
  
Vamos dar o tiro no ouvido, Vamos ?
Largar essa vida largar esse mundo comprar o ultimo bilhete
e desembarcar na estação central do Infinito pe­rante a commissão importante de archan-jos bem-aventurados prophetas—vivôôôô !
Vamos acabar com isso, dar o fóra nas aporrinhações. Adeus contrariedades. Nunca mais desastres nem callos nem desejos
nem percevejos nem nada.
Só um gesto PUM PUM Acabou-se.
Já estou cansado da Metro, da Paramount, de todas as marcas inclusive a barbante. O fita pau.
Repetir é casar dobrado. Me dá o braço, vamos s'embora.
A vida foi feita pros trouxas
que esperdiçam as riquezas do coração
nessa lenga lenga infindável
e depois vão dormir o somno abençoado dos burros
justos pra recomeçar no dia seguinte cedinho.
Vida que não é vida...
(Suspirei
foi pra abrir o peito, soltar o ultimo desgosto.)
Estou prompto pra sahir. Vamos sahir juntos ? E' mais divertido
e enche mais os jornaes: um suicídio duplo, hein ?
que mina pros repórteres e pros cidadãos que gostam de misturar o café matinal com historias de Smith and Wess.
 
A noite está fria.
Noite indifferente.
Vamos morrer daqui a um minuto
(si você não roer a corda)
e no entanto o Cruzeiro do Sul parece
dizer: que m'importa,

E astros   aguas e terras  repetem
machinalmente: que m'importa.

 
Elles têm razão.
Nós também temos.
Dois contribuintes de menos,
que perderá o Brasil com isso.
No frio da noite os amorosos multiplicam a espécie.
O Brasil é tão grande.
Mais grande que o mundo inteiro.
Estamos caceteados, vamos s'embora
 
Adeus minha terra
terra bonita
pintada de verde

com bichos exquesitos e moleques
treteiros,

abençoada pelo Deus brasileiro das
felicidades e descarrilamentos. Meu povo
amigos inimigos
canalha miúda

me despéço de todos sem excepção.
Apezar de ser inútil,
se lembrem de mim nas suas orações.
 
Está na hora.
Agora vamos.

Me acompanhe nesse passo
tão complicado.
Me ajude a morrer,
morre com a gente, irmãosinho.

 
Vamos fazer a grande besteira: rebentar os miolos
e ir receber no céo o castigo de nossos
amores
e o premio de nossas
devassidões.

 
                   Carlos Drummond de Andrade
 
(poema publicado originalmente na edição da revista
VERDE, Número 4, Anno 1, Dezembro 1927, Cataguases, MG)


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Mensaje por Maria Lua el Miér 14 Oct 2020, 05:40

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


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Mensaje por Maria Lua el Lun 19 Oct 2020, 04:07

Destruição

Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se veem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.

Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.

Nada, ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.

E eles quedam mordidos para sempre.
Deixaram de existir, mas o existido
continua a doer eternamente.


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Mensaje por Maria Lua el Vie 23 Oct 2020, 08:07

A um ausente


Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.


Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,

enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?


Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.


Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.
 


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Mensaje por Maria Lua el Sáb 24 Oct 2020, 04:29

Carlos Drummond de Andrade nació el 31 de octubre de 1902 en Itabira do Mato Dentro, en el interior de Minas Gerais.
Descendiente de una familia de agricultores tradicionales de la región, Drummond fue el noveno hijo de la pareja Carlos de Paula Andrade y Juliet Augusta Drummond de Andrade.
Desde temprana edad, Carlos mostró gran interés por las palabras y la literatura. En 1916, ingresó al Colegio en Belo Horizonte.
Dos años más tarde, fue a estudiar al internado jesuita en Anchieta College, en el interior de Río de Janeiro, Nova Friburgo, y fue galardonado con las "Exposiciones literarias".
En 1919, fue expulsado de la universidad jesuita por "insubordinación mental" mientras discutía con el maestro portugués. Así, regresa a Belo Horizonte y desde 1921 comienza a publicar sus primeros trabajos en el Diario de Minas.
Graduado en Farmacia en la Facultad de Odontología y Farmacia de Belo Horizonte, pero no ejerció.
En 1925 se casó con Dolores Dutra de Morais, con quien tuvo dos hijos, Carlos Flávio (en 1926, que vive solo media hora) y María Julieta Drummond de Andrade, nacida en 1928.
En 1926, impartió clases de Geografía y Portugués en el Gimnasio Itabira de [Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo]  y trabajó como editor en jefe del Diário de Minas.
Continuó sus obras literarias y en 1930 publica su primer libro titulado "Algo de poesia"
Uno de sus poemas más conocidos es "En el medio del camino" Fue publicado en el São Paulo Journal of Anthropophagy en 1928. En ese momento, fue considerado uno de los mayores escándalos literarios en Brasil:


"A medio camino había una roca
Había una piedra en el camino
Tenía una piedra
A mitad de camino había una roca.
Nunca olvidaré este evento
En la vida de mis retinas fatigadas.
Nunca olvidaré eso a medio camino
Tenía una piedra
Había una piedra en el camino
A mitad de camino había una roca.
"


Trabajó como funcionario durante gran parte de su vida y se retiró como Jefe de Sección de DPHAN después de 35 años de servicio público.
En 1982, a los 80 años, recibió el título de "Doctor Honoris Causa”Por la Universidad Federal de Río Grande del Norte (UFRN).
Drummond murió el 17 de agosto de 1987 en Río de Janeiro. Murió a los 85 años, pocos días después de la muerte de su hija, la cronista Maria Julieta Drummond de Andrade, su gran compañera.


Curiosidades


Estatua de Drummond en Copacabana, Río de Janeiro

  • Notoriamente importante en la cultura brasileña, Drummond es considerado uno de los poetas brasileños más influyentes del siglo XX. Algunos honores para él están en las ciudades de Porto Alegre, capital de Rio Grande do Sul con la estatua "Dos poetas"Y en la ciudad de Río de Janeiro, en la playa de Copacabana, la estatua conocida como"El pensador"
  • El documental "El poeta de siete caras.”(2002) retrata la vida y el trabajo de Drummond. Fue escrita y dirigida por el cineasta brasileño Paulo Thiago.
  • Entre 1988 y 1990, la imagen de Drummond estuvo representada en las notas de los cincuenta cruzados.



Principales obras



Drummond ha escrito poesía, [Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo] , literatura infantil y ha realizado varias traducciones.
Tiene una gran obra que a menudo está marcada por elementos de su tierra natal, como la poesía "Confidencialidad Itabirano":


"Algunos años viví en Itabira.
Sobre todo nací en Itabira
Por eso estoy triste, orgulloso: hierro.
Noventa por ciento de hierro en las aceras.
El ochenta por ciento de hierro en las almas.
Y esta alienación de lo que en la vida es porosidad y comunicación.

El deseo de amar que paraliza mi trabajo,
Proviene de Itabira, de sus noches blancas, sin mujeres y sin horizontes.

Y la costumbre de sufrir, que tanto me divierte,
Es dulce [Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo]  de Itabiran.

De Itabira traje varios regalos que ahora te ofrezco:
esta piedra de hierro, el futuro acero de Brasil,
este San Benito del viejo santo creador Alfredo Duval;
este tapir de cuero, extendido sobre el sofá de la sala;
este orgullo, esta cabeza abajo …

Tenía oro, tenía [Tienes que estar registrado y conectado para ver este vínculo] , tenía granjas.
Hoy soy un funcionario público.
Itabira es solo una fotografía en la pared.
¡Pero cómo duele!
"




Algunas obras






  • Algo de poesía (1930)
  • Pantano de almas (1934)
  • El sentimiento del mundo (1940)
  • Confesiones de minas (1944)
  • La rosa del pueblo (1945)
  • Poesía hasta ahora (1948)
  • El gerente (1945)
  • Rompecabezas claro (1951)
  • Cuentos de aprendices (1951)
  • La mesa (1951)
  • Tours por la isla (1952)
  • Viola de bolsillo (1952)
  • Air Farmer (1954)
  • Viola de bolsillo ensartada (1955)
  • Habla almendro (1957)
  • Ciclo (1957)
  • Lección de las cosas (1962)
  • Antología Poética (1962)
  • Obra completa (1964)
  • Mecedora (1966)
  • World Wide World (1967)
  • Poemas (1971)
  • Las impurezas del blanco (1973)
  • Amor ama (1975)
  • La visita (1977)
  • Cuentos plausibles (1981)
  • El amor aprende amando (1985)



Poemas




Poema de las siete caras



Cuando nací, un ángel torcido
de los que viven a la sombra
dijo: ¡Ve, Carlos! Sé gauche en la vida.

Las casas espían a los hombres.
que corren tras las mujeres.
La tarde pudo haber sido azul
No había tantos deseos.

El tranvía va con las piernas llenas:
Patas blancas negras amarillas.
Por qué tanta pierna, Dios mío, pregunta a mi corazón.
Pero mis ojos
No piden nada.

El hombre detrás del bigote.
Es serio, simple y fuerte.
Casi no se habla.
Tiene pocos amigos raros.
El hombre detrás de sus anteojos y bigote.

Dios mío, ¿por qué me has abandonado?
si supieras que yo no era Dios
Si supieras que soy débil.

En todo el mundo,
si me llamaran Raimundo
Sería una rima, no sería una solución.
En todo el mundo,
Más ancho es mi corazón.

No debería decirte
pero esta luna
pero este brandy
haznos mover como el diablo.







Pandilla





João amaba a Teresa que amaba a Raimundo
quien amaba a María que amaba a Joaquim que amaba a Lili,
No amaba a nadie.
John fue a los Estados Unidos, Teresa al convento,
Raimundo murió de desastre, María se quedó por su tía,
Joaquim se suicidó y Lili se casó con J. Pinto Fernandes
eso no había entrado en la historia.







Ausencia





Durante mucho tiempo pensé que la ausencia es falta.
Y lamentó, ignorantemente, la falta.
Hoy no me arrepiento.
No hay falta en ausencia.
La ausencia es un ser en mí.
Y la siento blanca, tan cerca, apretada en mis brazos,
que me río y bailo y hago exclamaciones alegres,
porque la ausencia, esta ausencia asimilada,
Ya nadie me la roba.


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tus huellas son tatuajes en mi corazón
intensas e inmensas
como el vino de la pasión
y la rosa roja del amor
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Mensaje por Maria Lua el Dom 25 Oct 2020, 06:52

Casamento do céu e do inferno


No azul do céu de metileno
a lua irônica
diurética
é uma gravura de sala de jantar.
Anjos da guarda em expedição noturna
velam sonos púberes
espantando mosquitos
de cortinados e grinaldas.
Pela escada em espiral
diz-que tem virgens tresmalhadas,
incorporadas à Via Láctea,
vagalumeando…
Por uma frincha
o diabo espreita com o olho torto.
Diabo tem uma luneta
que varre léguas de sete léguas
e tem o ouvido fino
que nem violino.
São Pedro dorme
e o relógio do céu ronca mecânico.
Diabo espreita por uma frincha.
Lá embaixo
suspiram bocas machucadas.
Suspiram rezas? Suspiram manso,
de amor.
E os corpos enrolados
ficam mais enrolados ainda
e a carne penetra na carne.
Que a vontade de Deus se cumpra!
Tirante Laura e talvez Beatriz,
o resto vai para o inferno


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Mensaje por Maria Lua el Jue 29 Oct 2020, 15:08

SENTIMENTAL


Ponho-me a escrever teu nome
com letras de macarrão.
No prato, a sopa esfria, cheia de escamas
e debruçados na mesa todos contemplam
esse romântico trabalho.

Desgraçadamente falta uma letra,
uma letra somente
para acabar teu nome!

- Está sonhando? Olhe que a sopa esfria!

Eu estava sonhando...
E há em todas as consciências um cartaz amarelo:
"Neste país é proibido sonhar."







Sentimental

Me pongo a escribir tu nombre

con fideos de letritas.

En el plato, la sopa se enfría, llena

de escamas

y acodados en la mesa todos contemplan

ese romántico trabajo.

Desgraciadamente falta una letra

¡una letra solamente

para acabar tu nombre!

-¿Estás soñando? ¡Mira que la sopa se

enfría!

Yo estaba soñando…

Y hay en todas las conciencias este cartel

amarillo:

“En este país está prohibido soñar”.


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Mensaje por Maria Lua el Sáb 31 Oct 2020, 08:04



Poema publicado em 1973, no livro As impurezas do branco de Carlos Drummond de Andrade que neste vídeo é recitado pelo próprio autor.


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Mensaje por Maria Lua el Sáb 31 Oct 2020, 08:46

O homem; as viagens


O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.


Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte – ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte 


Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro - diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a vênus.
O homem põe o pé em vênus,
Vê o visto - é isto?
Idem
Idem
Idem.

O homem funde a cuca se não for a júpiter
Proclamar justiça junto com injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira terra-a-terra.
O homem chega ao sol ou dá uma volta
Só para tever?
Não-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no sol.
Põe o pé e:
Mas que chato é o sol, falso touro
Espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
Do solar a col-
Onizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
A dificílima dangerosíssima viagem
De si a si mesmo:
Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar
O homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De con-viver.









*******************




El hombre; los viajes


Hombre, bicho de la Tierra, tan pequeño
se aburre en la Tierra
lugar de mucha miseria y poca diversión,
hace un cohete, una cápsula, un módulo
se va a la Luna
pisa la Luna
planta banderín en la Luna
experimenta la Luna
civiliza la Luna
humaniza la Luna.


Luna humanizada: tan parecida a la Tierra.
El hombre se enoja en la Luna.
Vamos a Marte, ordena a sus máquinas.
Obedecen, el hombre desciende a Marte
pisa en Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza a Marte con ingenio y arte 


Marte humanizado, qué lugar tan cuadrado.
¿Nos vamos a otro lado?
Por supuesto - dice el ingenio
Sofisticado y dócil.
Vayamos a Venus.
El hombre pone su pie en Venus,
Ve lo visto, ¿es eso?
Ídem
Ídem
Ídem.


El hombre se hunde la cabeza si no va  Júpiter
Proclamar justicia junto con injusticia
Repite el vacío.
Repite el inquieto
Repetitivo.


Quedan otros planetas para otras colonias.
Todo el espacio se convierte en Tierra.
El hombre llega al Sol o da un paseo
¿Solo para verte?
No ve que el inventa
Ropa espacial para vivir en el Sol.
Pon un pie y:
Pero que aburrido es el Sol, falso toro 
español domesticado.


Otros sistemas quedan fuera
De solar a col-
onizar.
Cuando se acaben todos
Solo queda al hombre
(¿estará equipado?)
El  dificilimo y peligrosisimo viaje 
de si a si mismo:
poner el pie
en su corazón
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
el hombre
descubriendo en sus propios rincones inexplorados
la perenne e insospechada alegría
de con - vivir.


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Mensaje por Maria Lua el Dom 01 Nov 2020, 06:56

Explicação


Meu verso é minha consolação.
Meu verso é minha cachaça. Todo mundo tem sua cachaça.
Para beber, copo de cristal, canequinha de folha-de-flandres,
folha de taioba, pouco importa: tudo serve.
Para louvar a Deus como para aliviar o peito,
queixar o desprezo da morena, cantar minha vida e trabalhos
é que faço meu verso. E meu verso me agrada.
Meu verso me agrada sempre…
Ele às vezes tem o ar sem-vergonha de quem vai dar uma cambalhota.
Eu bem me entendo.
Não sou alegre. Sou até muito triste.
A culpa é da sombra das baaneiras de meu país, esta sombra mole, preguiçosa.
Há dias em que ando na rua de olhos baixos
para que ninguém desconfie, ninguém perceba
que passei a noite inteira chorando.
Estou no cinema vendo fita de Hoot Gibson,
de repente ouço a voz de uma viola…
saio desanimado.
Ah, ser filho de fazendeiro!
À beira do São Francisco, do Paraíba ou de qualquer outro córrego vagabundo,
é sempre a mesma sen-si-bi-li-da-de.
E a gente viajando na pátria sente saudades da pátria.
Aquela casa de nove andares comerciais
é muito interessante.
A casa colonial da fazenda também era…
No elevador penso na roça,
na roça penso no elevador.
Quem me fez assim foi minha gente e minha terra
e eu gosto bem de ter nascido com essa tara.
Para mim, de todas as burrices, a maior é suspirar pela Europa
A Europa é uma cidade muito velha onde só fazem caso de dinheiro
e tem umas atrizes de pernas adjetivas que passam a perna na gente.
O francês, o italiano, o judeu falam uma língua de farrapos.
Aqui ao menos a gente sabe que tudo é uma canalha só,
lê o seu jornal, mete a língua no governo,
queixa-se da vida (a vida está tão cara)
e no fim dá certo.
Se meu verso não deu certo, foi seu ouvido que entortou.
Eu não disse ao senhor que não sou senão poeta?





¹ Carlos Drummond de Andrade
* Itabira do Mato Dentro, MG, – 31 de Outubro de 1902 d.C
+ Rio de Janeiro RJ, – 17 de Agosto de 1987 d.C
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********************************************




Explicación
 
Mi verso es mi consolación.
Mi verso es mi bebida. Todo mundo tiene su bebida.
Para beber en copa de cristal, en jarra de hojalata,
hoja de plátano, poco importa: todo sirve.

Para alabar a Dios, aliviar el pecho,
lamentar el desprecio de la morena, contar mi vida y
trabajos,
hago mis versos. Y mi verso me agrada.

Mi verso me agrada siempre…
Tiene, a veces, el aire desvergonzado de quien va a dar
una pirueta
mas no es para el público, es para mí mismo.
Yo me entiendo bien.
No soy alegre: hasta soy muy triste.
La culpa es de las bananeras de mi país, esta sombra
blanda, floja.
Hay días en que ando en la calle con los ojos bajos
para que nadie desconfíe, nadie se dé cuenta
que pasé la noche entera llorando.
Estoy en el cine viendo una película de Hoot Gibson,
de repente oigo la voz de una guitarra…
salgo desanimado.
Ah, ser hijo de hacendado!
A la vera de San Francisco, de paraíba o de cualquier
arroyuelo vagabundo,
es siempre la misma sen-si-bi-li-dad.
Y uno viajando por la patria, siente saudades por la patria.
Aquella casa de nueve pisos comerciales
es muy interesante.
La casa colonial de la hacienda también era…
En el elevador pienso en el campo,
en el campo pienso en el elevador.
Quien me hizo así fue mi gente y mi tierra,
me gusta haber nacido con esa tara.
Para mí, de todas las necedades, la mayor es suspirar
por Europa.
Europa es una ciudad muy vieja donde sólo hacen caso
del dinero
y tienen unas actrices de piernas adjetivas que engañan
a uno.
El francés, el italiano, el judío hablan una lengua de
harapos.
Aquí, al menos, uno sabe que todo es una canalla
solamente.
Lee su periódico, ataca al gobierno,
se queja de la vida (la vida está tan cara)
y al final acierta.

Si mi verso no es, fue su oído que no oyó;
¿No dije a usted que no soy sino poeta?


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Mensaje por Maria Lua el Mar 10 Nov 2020, 15:29

José


E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, proptesta?
e agora, José?


Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?


E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?


Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?


Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você consasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!


Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?


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Mensaje por Maria Lua el Sáb 14 Nov 2020, 05:05

CONSIDERACIÓN DEL POEMA
 
   No rimaré con la palabra sueño
su no correspondiente palabra dueno. (*)
La rimaré con la palabra carne
o con cualquicra otra; todas me convienen.
Las  palabras  no  nacen amarradas,
ellas saltan, se besan, se disuelven,
son en el cielo libre a veres un dibujo,
son puras, anchas, auténticas, incorruptibles.
 
   Una piedra en  el médio  dei camino
o sólo un rastro, nada de eso importa.
Estos poetes son míos. Ellos con todo orgullo
con toda precisión se incorporaron
a mi fatal lado izquierdo. Robo a Vinícius
su más límpida elegia. Bebo en Murilo.
Que Neruda me alcance su corbata
Hameante. Me hundo en Apollinaire. Adiós, mi Maiacovski.
 
    Son todos mis hermanos, no son periódicos
ni un deslizar de lancha entre camélias:
es la vida total que me he jugado.
 
          Estos poemas son míos. Es mi tierra
y más que ella. Es cualquier hombre
de mediodía en cualquier plaza. Es la linterna
en alguna posada, si alguna queda todavia.
—¿Hay muertos? ¿hay mercados? ¿hay dolencias?
Todo eso es mío. Ser explosivo, sin fronteras
¿por qué falsa mezquindad me desharía?
¡Que se depositen los besos en el rostro Manco, en las
                                                           primeras arrugas!
 
   El beso todavia es una señal, aunque se pierda,
de la ausencia del comercio,
flotando en tiempos sucios.
 
   Poeta de lo finito y de la materia
cantor ya sin piedad, si, sin fáciles lágrimas
boca tan seca, per o ardor tan casto!
Dar todo por la presencia de las lejanías,
sentir que hay ecos, poços, pero cristal
no roca solamente; y peces circulando
bafo el navío que lleva este mensaje,
y aves de pico largo constatando
su derrota; y dos o tres fanales
¡los últimos! esperanza dei mar negro.
Ese viaje es mortal... pues comenzarlo.
Saber que todo existe. Y moverse en el medio
de mães de millones de formas raras,
secretas, duras. Ese mi canto.
 
   El es tan bajo que se escucha apenas
con el oído contra el suelo. Pero es tan alto
que las piedras lo absorben. Está en la mesa
abierta en libros, cartas y remedios.
En el muro infiltróse. Y el tranvía, la calle,
el uniforme del colégio se transforman,
son ondas de
   ¿Cómo escapar al más mínimo objeto
o rehusarse al grande? Los temas pasan
yo sé que pasarán, más tú resistes,
y creces como fuego, como casa,
como rocío entre los dedos
en la grama, que reposan.
 
   Y ahora te sigo a todas partes,
te deseo y te pierdo, estoy completo,
me destino, me vuelvo tan sublime,
tan natural y lleno de secretos,
tan seguro, tan fiel... Como una lámina
el pueblo ¡oh mi poema!, te atraviesa.
 
 
(*)     El original dice "sono" y "outono" (sueño y otoño) al pie de los dos primeros versos. El traductor quiso mantener la unidad idiomática en su versión, para lo cual, debiendo mantener también la rima, —fundamental elemento de la ironía del autor— creyó oportuno cambiar otoño por dueño. Créase así semejante incompatibibdad de sentido entre los dos términos rimados, manteniéndose también la principal palabra "sueño" que pareceria relacionarse luego con carne, en cierto respeto materialista.
 
 
(De "Rosa de pueblo" 1945)


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Mensaje por Maria Lua el Jue 19 Nov 2020, 06:07

Búsqueda de la poesía






No hagas versos sobre acontecimientos.
No existe creación ni muerte mediante la poesía.
Ante ella, la vida es sol estático,
no calienta ni ilumina.
Las simpatías, los aniversarios, los incidentes personales
no cuentan
No hagas poesía con el cuerpo,
ese excelente, completo y confortable cuerpo, tan contrario
a la efusión lírica.
Tu gota de bilis, tu careta en la oscuridad,
de dolor o de goce,
son indiferentes.
Ni me reveles tus sentimientos,
que se aprovechan del equívoco y pretenden llegar muy lejos.
Lo que piensas, lo que sientes, eso todavía no es poesía.
No cantes a tu ciudad, déjala en paz.
El canto no es el movimiento de las máquinas ni los secretos caseros.
No es una música oída al pasar: el rumor del mar
en las calles junto a la línea de espuma.
El canto no es la naturaleza
ni los hombres en sociedad.
Para él, lluvia y noche, fatiga y esperanza
no significan nada.
La poesía (no saques poesía de las cosas)
suprime sujeto y objeto.
No dramatices, no invoques,
no indagues. No pierdas tiempo mintiendo.
No te odies.
Tu yate de marfil, tu zapato de diamante,
tus mazurcas y supersticiones, tus esqueletos de familia
desaparecen en la curva del tiempo, son algo inservible.
No recompongas
tu infancia sepultada y melancólica,
no osciles entre el espejo y la
memoria en disipación.
Si se disipó, no era poesía.
Si se quebró, cristal no era.
Penetra sordamente el reino de las palabras.
Allá están los poemas que esperan ser escritos.
Están paralizados, pero no hay desesperación,
hay calma y frescura en la superficie intacta.
Helos solos y mudos, en estado de diccionario.
Convive con tus poemas, antes de escribirlos.
Ten paciencia si son oscuros. Calma si te provocan,
Espera que cada uno se realice y se consume
con su poder de palabra
y su poder de silencio.
No fuerces al poema a que se desprenda del limbo.
No recojas del suelo al poema perdido.
No adules al poema. Acéptalo
como el aceptará su forma definitiva y concentrada
en el espacio.
Acércate más y contempla las palabras.
Cada una
tiene mil caras secretas bajo una cara neutra
y te pregunta, sin interesarse en la respuesta,
pobre o terrible, que le dieres:
Trajiste la llave?
Fíjate:
vacía de melodía y de concepto,
ellas se refugian en la noche, las palabras,
húmedas todavía, impregnadas de sueño,
ruedan en un río difícil y se convierten en desprecio.


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Mensaje por Maria Lua el Jue 26 Nov 2020, 06:14

POR MUITO TEMPO ACHEI QUE A AUSÊNCIA É FALTA




Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.








*********************************








Durante mucho tiempo pensé que la ausencia era una falta.




Durante mucho tiempo pensé que la ausencia era una falta.
Y me compadecia, ignorantemente, de la falta.
Hoy no lamento.
No hay falta en la ausencia.
La ausencia es un estar en mí.
Y la siento, blanca, tan atrapada, acurrucada en mis brazos
Me río y bailo y hago exclamaciones alegres,
porque la ausencia, esta ausencia asimilada,
ya nadie me la roba.


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tus huellas son tatuajes en mi corazón
intensas e inmensas
como el vino de la pasión
y la rosa roja del amor
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Mensaje por Maria Lua el Mar 01 Dic 2020, 08:36

SAGRAÇÃO

Rocinante
pasta a erva do sossego.

A Mancha inteira é calma.
A chama oculta arde
nesta fremente Espanha interior.

De giolhos e olhos visionários
me sagro cavaleiro
andante, amante
de amor cortês a minha dama,
cristal de perfeição entre perfeitas.

Daqui por diante
é girar, girovagar, a combater
o erro, o falso, o mal de mil semblantes
e recolher, no peito em sangue,
a palma esquiva e rara
que há de cingir-me a fronte
por mão de Amor-amante.

A fama, no capim
que Rocinante pasta,
se guarda para mim, em tudo a sinto,
sede que bebo, vento que me arrasta.


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Mensaje por Maria Lua el Sáb 05 Dic 2020, 05:41




Sergio Mota apresenta "Mundo Grande", poema de Carlos Drummond de Andrade.




Mundo grande 



"Não, meu coração não é maior que o mundo.
Ê muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo.
Por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens.
as diferentes dores dos homens.
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que elo estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma. Não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! vai’ inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos —— voltarão?
Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de invidíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar.
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
— Ó vida futura! nós te criaremos







(Poema da obra Sentimento do mundo)



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Mensaje por Maria Lua el Sáb 05 Dic 2020, 19:37

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo,
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.


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Mensaje por Maria Lua el Dom 06 Dic 2020, 05:51

Casamento do céu e do inferno




No azul do céu de metileno
a lua irônica
diurética
é uma gravura de sala de jantar.


Anjos da guarda em expedição noturna
velam sonos púberes
espantando mosquitos
de cortinados e grinaldas.


Pela escada em espiral
diz-que tem virgens tresmalhadas,
incorporadas à Via Láctea,
vagalumeando…


Por uma frincha
o diabo espreita com o olho torto.
Diabo tem uma luneta
que varre léguas de sete léguas
e tem o ouvido fino
que nem violino.


São Pedro dorme
e o relógio do céu ronca mecânico.
Diabo espreita por uma frincha.


Lá embaixo
suspiram bocas machucadas.
Suspiram rezas? Suspiram manso,
de amor.

E os corpos enrolados
ficam mais enrolados ainda
e a carne penetra na carne.


Que a vontade de Deus se cumpra!
Tirante Laura e talvez Beatriz,
o resto vai para o inferno.




**********************




Matrimonio del cielo y el infierno




En el cielo azul de metileno
la luna irónica
diurética
es una imagen de un comedor


Ángeles de la guarda en expedición nocturna
sueño pubescente
asustando a los mosquitos
de cortinas y guirnaldas.


Subiendo la escalera de caracol
dicen que hay  vírgenes vagando...
incorporadas a la Vía Láctea,
"luciernagando" ...


A través de una grieta
el diablo acecha con los ojos torcidos.
El diablo tiene un Telescopio
que barre leguas de siete leguas
y tiene una oreja delgada
como un violín.


San Pedro duerme
y el reloj del cielo ronca mecánicamente.
El diablo acecha a través de una grieta.


Abajo
Suspiro bocas heridas
¿Suspiran oraciones? Suspiran suavemente
de amor.


Y los cuerpos encrespados
enredanse aún más
y la carne penetra en la carne.


¡Que se cumpla la voluntad de Dios!
Atar a Laura y tal vez a Beatriz,
el resto se va al infierno.


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Mensaje por Maria Lua el Dom 06 Dic 2020, 05:53

Construção


Um grito pula no ar como foguete.
Vem da paisagem de barro úmido, caliça e andaimes hirtos.
O sol cai sobre as coisas em placa fervendo.
O sorveteiro corta a rua.
E o vento brinca nos bigodes do construtor.


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Mensaje por Maria Lua el Dom 06 Dic 2020, 05:57

Estrambote melancólico


Tenho saudade de mim mesmo, sau-
dade sob aparência de remorso,


de tanto que não fui, a sós, a esmo,
e de minha alta ausência em meu redor.
Tenho horror, tenho pena de mim mesmo
e tenho muitos outros sentimentos
violentos. Mas se esquivam no inventário,
e meu amor é triste como é vário,
e sendo vário é um só. Tenho carinho
por toda perda minha na corrente
que de mortos a vivos me carreia
e a mortos restitui o que era deles
mas em mim se guardava. A estrela-d’alva
penetra longamente seu espinho
(e cinco espinhos são) na minha mão.


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